

Christian Pruks
christian@avmag.com.br
A maior carência de muitos sistemas hoje em dia, me parece ser a de cabos adequados em sistemas de entrada e intermediários.
Assim como o Fernando Andrette, eu fiquei positivamente surpreso quando ouvi o cabo de caixa modelo Trançado (hoje Storm) da empresa brasileira VR Cables – também conhecida como Virtual Reality Cables – do amigo Ebert Goulart, sediada em São José dos Campos, no empreendedor e paulista Vale do Paraíba.
Hoje o Storm de caixa é o que uso no meu sistema, e é a referência do Andrette em sistemas de entrada e intermediários. Então, meus amigos, o trabalho do Ebert é coisa séria!
O que eu vejo, nesses sistemas citados acima, aqui no Brasil, é o audiófilo usando cabos chineses sem marca, cabos simples porém antigos de fabricantes conhecidos, e coisas do gênero. Uma boa parte da questão, para não usarem cabos importados melhores são, claro, os custos de importação, que os tornam proibitivos.
E é aí que entram os desenvolvedores brasileiros – como o Ebert – com produtos cuja qualidade compete com muitos importados novos, supera muitos importados antigos, e com preços que ganham de ambos. Se os preconceitos forem vencidos…
E, esse é o caso do cabo de interconexão RCA modelo Storm da VR, uma evolução do interconexão RCA modelo Lightning I (leia o teste na edição 272, de abril de 2021).
Como o Lightning I, o Storm utiliza o mesmo cobre alemão puro, com fios 24AWG, porém com um dielétrico que agora passa a ser de PE espumado – também conhecido como espuma de polietileno expandido – que tem um coeficiente elétrico semelhante ao do teflon.
O Storm também traz uma geometria totalmente nova, que não é mais a StarQuad usada no Lightning I, além de conectores RCA banhados a ouro com travamento.
Nas palavras do próprio Ebert: “O PE espumado apresenta uma quantidade significativa de microcélulas de ar incorporadas ao material. Como o ar possui permissividade muito menor que a do próprio polímero, a permissividade efetiva do dielétrico é reduzida. Isso permite diminuir a capacitância do cabo e, principalmente, reduzir a quantidade de material dielétrico efetivamente presente ao redor do condutor. Além da menor permissividade, o PE espumado apresenta menor constante dielétrica e menor armazenamento de energia no campo elétrico do que o PE sólido. Em uma aplicação de interconexão, isso contribui para uma construção eletricamente mais ‘leve’, com menor interação entre condutor e dielétrico.”
Usei o Storm RCA tanto entre o DAC e o amplificador integrado, quanto entre o pré de phono e o mesmo amplificador. Curiosamente, como o cabo é bastante rígido em sua construção, e ele ‘virava’, ‘torcia’ a posição do leve pré de phono em 45 graus, sozinho, rs! Claro que isso daria para ser ajustado, mas como troquei-o entre o pré e o DAC várias vezes, e nenhum cabo gosta de ser torcido na marra frequentemente (pois demora para estabilizar o som), eu deixei ele assim mesmo.
COMO TOCA
O modelo antigo tinha menos ambiência, algo que foi resolvido no Storm – porém o médio tem um bocado de energia nele, o que pode atingir um pouco a compatibilidade. Ainda assim, a palavra-chave do Storm é ‘Equilíbrio’, já que se for posto em um sistema com características gerais sonoras equilibradas, ele irá brilhar (leia abaixo, nas Conclusões).
Talvez, também, seja menos ‘compatível’ com todo tipo de aparelho ou de música, por ser mais agora mais intrusivo na sonoridade, por ter ganhado uma transparência maior – que se traduz em refinamento, que elevou o cabo a um nível mais alto. Por isso, a possibilidade dele ser clemente com gravações mais ‘conturbadas’ de estilos musicais como pop, rock e blues, dependerá do equilíbrio e folga do sistema como um todo.
É isso que o Storm se tornou: mais refinado e equilibrado tonalmente, o que faz dele um cabo que não é um ‘equalizador’, que não tem características fortes em qualquer parte de sua tonalidade, a não ser o som cheio e ‘quente’ característico do cobre. Aliás, vale notar que eu achei que o Storm tem baixíssima coloração nos graves e médios-graves, não ‘inventando’ ou arredondando nada: se puser uma faixa que soa magra para tocar, ela vai soar magra – mas se puser música com médios-graves cheios e corpo grande, soarão à contento e, ao mesmo tempo, manterão grande inteligibilidade e recorte.
O soundstage não tenho como dizer se cresceu, em qualquer uma de suas dimensões, em relação ao modelo anterior, mas posso afirmar que não senti limitações aqui comparado com quaisquer outros cabos de interconexão que uso.
Nas texturas, os médios são um bocado aveludados – porém achei que, para o meu sistema, estavam ao mesmo tempo tão sedutoras quanto esclarecedoras, o que é uma evolução também sobre o modelo anterior.
Os transientes continuaram corretos, não dão nenhuma sensação de lerdeza, desânimo ou desgosto – por parte dos artistas – em terem escolhido a carreira de músico, rs! Durante o período de amaciamento, em alguns momentos o ataque das notas mais incisivas de metais ou percussões soou meio flácido, mas depois de amaciado (100 e bastante horas), esse problema desapareceu.
A microdinâmica ficou superior. O Fernando aponta, no teste do modelo anterior, que a menor transparência do RCA se traduzia em menor microdinâmica – só que essa transparência foi bastante melhorada e equilibrada no Storm RCA.
Quanto ao corpo harmônico, quando ele testou o Lightning I RCA, o comparou com o Lightning II XLR – chegando à conclusão de que a maior transparência do XLR trazia um corpo ligeiramente menos fiel que no RCA. Isso foi resolvido no novo modelo, já que a nova geometria trouxe mais transparência e definição sem diminuição de corpo em nenhuma parte do espectro.
Organicidade? Olha, o soundstage aqui soou excelente e profundo, muito arejado e sem limitações ‘físicas’ latentes (sem a sensação de haver paredes imaginárias limitando), e o aveludado das texturas se manifestava claramente em qualquer camada do palco. Ponha gravações de boa qualidade – se o resto do sistema estiver ajustado e sinérgico à altura – e terá os músicos na sua sala.
CONCLUSÃO
Aqui acho que vale uma explicação sobre sinergia e compatibilidade de cabos: Uma coisa é usar um cabo para fazer um ajuste fino da Assinatura Sônica do sistema – e outra coisa é o que é chamado por muitos de “Usar cabo como equalizador”.
Assinatura Sônica é o caráter sonoro geral do sistema, ‘mais quente’, ‘mais revelador’, ou até mais equilíbrio entre os dois (que seria o ideal, por vários motivos). Acontece que, em um sistema mais simples, ao equilibrar você estará, frequentemente, diminuindo eufonia e diminuindo transparência para chegar no equilíbrio, porque são características que esse tipo de sistema não tem de sobra. Quando se vai para sistemas de maior qualidade, o equilíbrio começa a ser feito dosando bastante eufonia com bastante transparência – não sei se isso ficou claro – porque esse tipo de sistema tem folga. Mas, volto a dizer: isso é um Ajuste Fino que se dá no caráter geral do sistema.
Quando se usa cabos para “Equalizar Sistema” – que é um erro cometido por muitos – procuram combinar um amplificador que tem um som quente e escuro com um cabo de seja revelador e detalhado, para tentar que uma coisa compense a outra. E onde está o erro? Está no fato de que geralmente o amplificador desse caso simplesmente não tem a definição, não tem esse detalhamento nem ‘escondido’, então não é uma questão de se ‘abrir a torneira’ para ver se ele aparece. E o cabo super-revelador geralmente tem graves secos, com corpo pequeno, ou seja: simplesmente lhes falta informação!
Por isso que é importante procurar cabos (e componentes) que sejam o mais próximo possível do Equilibrado. Por isso batemos sempre nessa mesma tecla – não é só uma filosofia de se enxergar o Áudio, mas sim uma de se enxergar Qualidade Sonora Real.
E é assim que o VR Cables Storm RCA se mostra: equilibrado.
Se ele cabe na assinatura e no equilíbrio de seu sistema, ele é uma excelente aquisição!
EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO TESTE
PONTOS POSITIVOS
Equilíbrio tonal altamente compatível, boa eufonia com um toque de transparência, mantendo um bom refinamento.
PONTOS NEGATIVOS
Por esse preço, com esse nível de qualidade, e fácil acesso aqui em terras brasileiras, nenhum.
| CABO DE INTERCONEXÃO VR CABLES STORM RCA | ||||
|---|---|---|---|---|
| Equilíbrio Tonal | 12,0 | |||
| Soundstage | 11,0 | |||
| Textura | 12,0 | |||
| Transientes | 11,0 | |||
| Dinâmica | 12,0 | |||
| Corpo Harmônico | 12,0 | |||
| Organicidade | 12,0 | |||
| Musicalidade | 11,0 | |||
| Total | 93,0 | |||
| VOCAL | ||||||||||
| ROCK, POP | ||||||||||
| JAZZ, BLUES | ||||||||||
| MÚSICA DE CÂMARA | ||||||||||
| SINFÔNICA |


VR Cables
contato@vrcables.com.br
(12) 99147.7504
R$ 1.482 (1 metro)