

Fernando Andrette
fernando@avmag.com.br
Suponhamos que você possua uma coleção de pelo menos 200 CDs, que bravamente insiste em não se desfazer, e leve a sério os riscos de uma tempestade solar semelhante à que ocorreu em setembro de 1859, no Evento de Carrington, que queimou telégrafos e deixou cidades sem comunicação por vários meses.
O risco de uma nova tempestade solar com a mesma magnitude traria novamente apagões de eletricidade, queimando grandes transformadores e causando blecautes continentais que poderiam perdurar por anos.
Além do colapso total das telecomunicações e da internet, haveria panes em satélites de todas as modalidades, como GPS e transmissões de rádio, com paralisação simultânea da navegação aérea e naval e prejuízos financeiros na casa dos trilhões.
Não quero deixá-lo apavorado, meu amigo, apenas lembrá-lo de que essa realidade é prevista para algum momento deste século e de que toda e qualquer informação guardada na ‘nuvem’ poderá ser instantaneamente perdida.
Não apenas seus dados bancários, mas também toda a sua playlist, que você escuta com tanto carinho diariamente em seu sistema, no carro e no celular.
Felizardo, então, será aquele que não apenas preservou sua mídia física, como ainda possui o player para reproduzir seus discos.
Desculpe se estou parecendo muito alarmista, mas é que, nas minhas horas vagas, sou um admirador de astrofísica, assim como de neurociência, e as tempestades solares andam nos dando alguns sustos, tanto em termos de frequência como de intensidade.
Resumindo: se você continua mantendo sua mídia física e gostaria de comprar um novo CD-Player, bom e barato, eis aqui uma das melhores ofertas dos últimos anos.
O CD5 possui um visual bastante atraente, com um nível de construção difícil de encontrar nesta faixa de preço, e é fabricado por uma empresa de áudio com enorme credibilidade.
Se, ao ver a foto, você imaginou um gabinete de plástico, enganou-se redondamente. A estrutura é totalmente de alumínio preto, com uma sutil faixa em amarelo.
A gaveta é centralizada, com um painel visível mesmo a longas distâncias. Logo acima da gaveta, os botões de comando estão alinhados com ela. Sua bandeja de carregamento do disco opera de maneira suave e rápida, e seu controle remoto é bastante completo, porém pequeno.
Na parte traseira, temos uma saída RCA e, na seção digital, uma saída óptica e uma coaxial, caso o usuário deseje usar o CD5 apenas como transporte.
A tomada IEC é de boa qualidade e permite, de fábrica, a bivoltagem, o que é outro diferencial em relação à concorrência, em um país onde temos ambas as voltagens (127V e 220V).
O CD5 também possui uma entrada USB-A para reproduzir arquivos de música em até 24 bits/192 kHz.
Ou seja, é um CD Player de entrada moderno, com opções suficientes para atender de melômanos a audiófilos.
O CD5 pesa 6 kg! Segundo o fabricante, seu circuito digital é baseado no DAC ESS9018, o mesmo utilizado nos amplificadores integrados A5 e A15.
Pelo controle remoto, é possível ligar ou desligar o visor, visualizar informações das faixas e do tempo, repetir, reproduzir aleatoriamente as faixas e ainda escolher entre três tipos de filtro.
O CD5 ficou tempo suficiente conosco para que pudéssemos testá-lo com um arsenal de amplificadores integrados e caixas acústicas.
Os principais parceiros foram os integrados Arcam A35 (clique aqui), Moonriver 404 Reference (clique aqui), Soulnote A-2 Versão 2 (teste 2 nesta edição) e Norma IPA-140 (clique aqui). As caixas acústicas utilizadas foram: Odeon Orfeo S (clique aqui), Wharfedale Super Denton (teste em breve) e Audiovector R 1 Arreté (teste em breve). Os cabos foram todos da Virtual Reality (teste em breve), e da Dynamique Audio série Halo 2.
Para o fechamento da nota, como de praxe em nossa Metodologia, ligamos o CD5 ao nosso Sistema de Referência (veja a lista no final do teste).
O Arcam CD5 veio lacrado para nós, o que nos levou a uma primeira audição com nossas gravações. Em seguida, deixamo-lo em processo de queima por 50 horas.
O CD5 sai da embalagem já soando muito bem! Não haverá nenhum ‘dissabor’ em escutá-lo enquanto realiza o amaciamento.
As diferenças serão muito pontuais, sem gerar incômodo inicial.
“O que melhora, Andrette?”
Palco, principalmente, em termos de profundidade. E equilíbrio tonal, com melhora na extensão e em uma ligeira aspereza inicial. Ou seja, nada perto do que ocorre com outros players e DACs, nos quais todos os oito quesitos sofrem alterações.
Então, se o amigo é daqueles ansiosos, que não se seguram e querem mostrar o novo upgrade para os amigos, sinta-se à vontade para fazê-lo.
Primeira importante notícia: seu equilíbrio tonal é surpreendente para sua faixa de preço. O ajuste fino dos engenheiros foi preciso: graves com energia, velocidade, peso e definição.
Os médios são transparentes, sem passarem do ponto, com timbres corretos e enorme conforto auditivo. E agudos com grande extensão, arejamento e ótimo decaimento.
É capaz de reproduzir qualquer estilo musical com competência.
O palco sonoro, com a queima finalizada, ganhou maior profundidade, permitindo maior facilidade para entender os planos e ampliar o foco e o recorte de vozes e instrumentos solistas.
Não espere a profundidade de players mais refinados, mas também não será aquela imagem bidimensional de tantos players de entrada ou DVD-Players que muitos melômanos utilizam na falta de um CD-Player de melhor nível no mercado.
As texturas impressionam pela qualidade na apresentação da paleta de cores, permitindo timbres ricos e naturais.
A reprodução de transientes é exemplar em sua faixa de preço, com uma apresentação de tempo e ritmo contagiante e envolvente.
E outra grata surpresa é a recuperação de microdinâmica, graças ao silêncio de fundo do DAC escolhido.
E a macrodinâmica, ainda que não possua ‘fôlego’ extra, não faz feio quando exigida. Falta aquele impacto retumbante nos fortíssimos? Sim. Mas não a ponto de nos frustrar pelo investimento feito.
Excelente é a reprodução de corpo harmônico, fazendo nosso cérebro balançar a cabeça positivamente ao ouvir o tamanho de pianos solo, contrabaixos, órgão de tubo e clarone.
Com os pares certos e as gravações tecnicamente corretas, você sentirá os músicos à sua frente.
Proporcionando aquela satisfação de ter feito o investimento certo.
CONCLUSÃO
Já tenho um CD-Player de entrada para indicar a todos os leitores que nos procuram, buscando um upgrade realista e correto em termos de performance.
Eu achava o Arcam CD30, que tive por um bom par de anos, a melhor opção para quem deseja ouvir seus discos prateados com prazer, sem hipotecar a casa ou brigar com a esposa.
Agora tenho uma notícia ainda mais legal para compartilhar com todos vocês: o Arcam CD5 é ainda mais barato que o CD30!
Se você tem mais de 200 CDs, é um cara precavido quanto ao risco de tempestades solares, a dica é esta:
Tenha um CD5 e viva feliz por muitos anos com sua coleção de discos.
EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO TESTE
PONTOS POSITIVOS
Excelente relação custo e performance.
PONTOS NEGATIVOS
Talvez você ache o controle remoto muito pequeno.
ESPECIFICAÇÕES
| Mídias/Formatos Suportados | CD, CD-R, CD-RW, USB-A (WAV, FLAC, MP3, AAC, WMA até 24 bits/192 kHz) |
| Resposta de frequência | 20 Hz a 20 kHz (±0,05dB) |
| Relação sinal-ruído (SNR) | 93dB (16 bits) / 115dB (24 bits) |
| Saídas | 1x Estéreo Analógico (RCA), 1x Coaxial Digital (RCA), 1x Óptica (Toslink) |
| Entradas | 1x USB-A |
| Consumo de energia | 12W (em operação), 0,5W (em espera) |
| Dimensões (L x A x P) | 431 x 83 x 344 mm |
| Peso | 6 kg |
| CD-PLAYER ARCAM CD5 | ||||
|---|---|---|---|---|
| Equilíbrio Tonal | 15,0 | |||
| Soundstage | 15,0 | |||
| Textura | 15,0 | |||
| Transientes | 14,0 | |||
| Dinâmica | 14,0 | |||
| Corpo Harmônico | 14,0 | |||
| Organicidade | 15,0 | |||
| Musicalidade | 15,0 | |||
| Total | 117,0 | |||
| VOCAL | ||||||||||
| ROCK, POP | ||||||||||
| JAZZ, BLUES | ||||||||||
| MÚSICA DE CÂMARA | ||||||||||
| SINFÔNICA |


Harman do Brasil
www.arcam.co.uk
R$ 15.399