Editorial: VOCÊ ACREDITA EM AMACIAMENTO?

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4 de setembro de 2026

Fernando Andrette
fernando@avmag.com.br

Essa enquete foi realizada em um site de áudio que atende tanto ao mercado profissional quanto ao doméstico. Aguardei ansiosamente a apuração, depois que a pesquisa ficou no ar durante 30 dias.

Minha curiosidade era saber como esses dois universos responderiam a uma questão considerada tão controversa e intensamente “desdenhada” pelos objetivistas ortodoxos. E, finalmente, saiu o resultado.

Para 39% dos participantes, todos os componentes de um setup de áudio – cabos, amplificadores, caixas acústicas e fontes digitais e analógicas – necessitam de amaciamento.

Para 25%, apenas as caixas acústicas precisam de um período de amaciamento.

Para 8%, amplificadores e fontes digitais e analógicas necessitam de um período de queima.

15% dos participantes nunca sequer pensaram a respeito.

E 13% disseram se tratar de puro placebo.

Confesso que o resultado me surpreendeu, pois achei que o número dos que considerariam o amaciamento um puro placebo, somado ao daqueles que simplesmente não se preocupam com isso, seria bem maior.

Será que os leitores desse site são, em sua maioria, audiófilos considerados subjetivistas? Ou estamos presenciando uma mudança de postura do público-alvo em relação à importância do amaciamento?

Eu, sinceramente, não sei dizer.

Pois, se fizéssemos essa mesma enquete aqui, certamente o número de pessoas que realizam amaciamento em seus upgrades seria maior. Arrisco dizer que ficaria acima de 50%.

Já nem me lembro da última vez que recebi uma mensagem indignada sobre a realização de burn-in antes de colocar os produtos enviados à revista em avaliação.

Se não me engano, isso ocorreu ainda no começo do século XXI. Desde então, as mensagens que recebemos têm sido, na maioria das vezes, solicitações de dicas sobre o tempo de amaciamento de produtos que ainda não avaliamos.

E a maioria dessas solicitações é referente a caixas acústicas e equipamentos valvulados.

Até mesmo os cabos – o grande ‘vilão’ do segmento audiófilo – já foram muito mais execrados do que ultimamente.

Se essa enquete refletir uma mudança efetiva na percepção daqueles que não acreditam no amaciamento, ficarei surpreso. Afinal, considerando o grau de radicalização em que o mundo se encontra, seria uma verdadeira exceção ao que estamos vivendo.

Que a música tenha esse ‘poder’ de desarmar e reaproximar a todos, permitindo uma convivência mais pacífica e respeitosa.

E que cada lado possa manter sua posição e, ao mesmo tempo, seguir utilizando seu conhecimento na busca pelo seu sistema ideal.

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