PATACOADAS DE ÁUDIO – SETEMBRO DE 2026

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Christian Pruks
christian@avmag.com.br

Uma nova seção mensal – trazendo disparates ditos sobre áudio e audiofilia!

patacoada (substantivo feminino)

dito ou ação ilógica; disparate, tolice.

gracejo desabusado.

Em cartaz, este mês, os seguintes ‘gracejos desabusados’:

AUDIÓFILO SUSTENTA QUE FONES DE OUVIDO NÃO TEM BURN-IN – QUE A MUDANÇA DE SOM É ASSENTAMENTO DAS ALMOFADAS

Para começar, o burn-in de alto-falantes – sejam de caixas acústicas ou de fones de ouvido – traz extensão nos agudos e limpa ‘sujeira’ que está distorcendo o timbre em frequências de médio-agudo e agudo que estão enfatizadas (e, claro, faz os graves se ‘soltarem’ e aparecerem, e o som encher).

Agora, tirando a parte dos graves acima, e possibilidade de uma pequena atenuação dos agudos, que podem mudar um pouco com o assentamento das almofadas – que cedem diminuindo a distância entre o ouvido e o driver do fone de ouvido, e alteram o isolamento acústico nas orelhas – como raios o gênio acha que alteração na altura e isolamento das almofadas irá mudar o timbre?

Algumas pessoas aparecem com esse tipo de teoria estranha e mal ajambrada, acho, porque procuram alterar o mundo e os fatos para caber naquilo que acreditam – e porque o ódio à coisas que não conseguem entender, ou têm dificuldade em perceber, como ‘amaciamento’, deixa alguns audiófilos inseguros o suficiente para irem procurar alguém que pensa igual, e fundar uma associação…

Um outro aspecto interessante dos objetivistas que detestam a parte do Método Científico chama de ‘Empirismo’, é que eles – nesse caso acima – têm um medo irrestrito de comparar dois fones iguais quando novos, amaciar um, e depois comparar os dois tocando. Ou mesmo trocar as almofadas que ‘assentaram’ por iguais novas, e ver se o fone perde extensão e estraga o timbre.

Se pelam de medo de ouvir. Simplesmente ouvir. Aí vêm as teorias mais estapafúrdias, como os ‘placebos’ e ‘vieses’ da vida.

Será que se sentirão como quem ‘perdeu a engenharia’ e por isso acham que a gravidade irá ser revogada e irão parar em Marte?

‘ESPECIALISTA’ DIZ QUE POSICIONAMENTO CORRETO DE CAIXAS TORNA CABO BOM DE CAIXAS DESNECESSÁRIO

“Se você puser sal no hambúrguer, não precisa pôr carne”.

“Se puser molho de tomate no macarrão, não precisa por o espaguete”.

O pessoal adora um atalho para as coisas, como achar que se puser um condicionador de energia, não precisa por um amplificador decente. Ou se puser um par de caixas top, não vai ter que por um amplificador à altura.

Todos querem o ‘atalho milagre’ – e muitos desistem da audiofilia exatamente porque dá trabalho pacas. Se bem feita, dá mais trabalho do que propriamente ‘custa caro’ – porém muitos escolhem mal e tomam decisões erradas e custosas em seu longo caminho audiófilo.

Mas, como diz o ditado, “Não tem almoço grátis” – e não só não existem atalhos, como seu sistema será sempre severamente limitado por seu(s) componente(s) de menor qualidade. E isso inclui cabos, que são um aspecto no qual muitos audiófilos não ‘acreditam’ – e que eu já fiz vários mudarem de ideia com uma simples demonstração. Afinal, a questão é, para muitos, de negação, não de incapacidade.

Mais de um audiófilo me falou, na vida, que não acredita ou assimila nada no sistema dele que ele não entenda o porquê técnico e tecnológico… Eu respondo: “Que pena, então, que você nunca vá apreciar na prática aquilo que está montando, no qual está investindo”. Porque eu mesmo, depois de anos e anos de trabalho em várias partes de audiofilia, ainda tenho uma enormidade de perguntas sem resposta…

AUDIÓFILO USA CLAMP OU PESO NO SEU TOCA-DISCOS PORQUE “O VISUAL É LEGAL” – NÃO PERCEBE NENHUMA DIFERENÇA

Aqui volta um bocado da negação que eu cito mais acima. Pena…

Às vezes o sistema da pessoa tão caótico e pouco resolutivo, que as diferenças não aparecem – mas, acho que não, porque com clamp eu já percebi e demonstrei diferenças até para amigos que têm sistemas vintage. E o acessório foi devidamente adotado por eles.

Acho que é do direito de todos comprarem equipamentos que agradem em seu visual – afinal, a estética é um fator bastante integral ao hobby. Mas, quando a estética é mais importante que o resultado sonoro, do que como toca, não dá…

Me lembrei de um outdoor de um jornal, que fazia uma piada, usando a seguinte frase: “Odeio ONGs – e quando eu souber o que são, vou odiar mais ainda!”.

Por hoje é só, pessoal.

“Se você quiser três opiniões distintas, pergunte para dois audiófilos!” – rs…

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