Teste 3: CONVERSOR DIGITAL PARA ANALÓGICO WEISS DAC204-MK2

Teste 4: CD-PLAYER ARCAM CD5
4 de setembro de 2026
Teste 2: AMPLIFICADOR INTEGRADO SOULNOTE A-2 – VERSÃO 2
4 de setembro de 2026

Fernando Andrette
fernando@avmag.com.br

Depois de testarmos o incrível DAC top de linha da Weiss,

o Helios (clique aqui), solicitei ao distribuidor oficial no Brasil que nos enviasse o modelo de entrada da marca, agora totalmente revisado: o DAC204-MK2.

Como escrevi no teste do Helios, minha relação com este fabricante remonta ao início do século XXI, quando utilizamos DACs Weiss para a mixagem de nossos dois SACDs: Canto das Águas, do violonista André Geraissati, e Lacrimæ, do pianista André Mehmari.

Portanto, não foi nenhuma surpresa constatar o nível de refinamento e encantamento proporcionado pelo Helios durante os dois meses em que o tivemos em nossa Sala de Testes.

O número de pedidos, após a publicação do teste do Helios, para que testássemos também o modelo de entrada, foi realmente impressionante.

E não é de admirar que a própria Weiss não esteja dando conta do número de pedidos do 204-MK2 desde seu lançamento, no ano passado. O fabricante apresenta, em seu site, o novo 204 como um salto muito consistente em relação ao modelo original.

Entre as principais mudanças estão o novo chip DAC, o ES902PRO, que proporciona uma conversão ainda mais eficiente, e com baixo jitter, para áudio analógico.

Há também um novo estágio de saída otimizado, sendo o aparelho excelente tanto para estúdios profissionais de mixagem e masterização quanto para sistemas hi-end.

Com suas diversas opções de entrada e saída, o 204-MK2 torna-se útil em ambos os segmentos: profissional e doméstico.

A seção DAC foi totalmente redesenhada, com um circuito mais avançado. Os níveis de distorção e os filtros de reconstrução foram ajustados manualmente para proporcionar uma experiência sonora ainda mais natural.

O novo 204-Mk2 aceita áudio digital diretamente de qualquer computador, tablet ou celular com porta USB. Também pode receber áudio S/PDIF, Toslink e AES/EBU, e a saída analógica é simultânea em seus conectores XLR ou RCA.

Ele também pode realizar conversão digital para digital, e emitir áudio digital nos formatos AES/EBU ou S/PDIF, por meio dos conectores correspondentes, além de contar com uma saída BNC. Caso o áudio de entrada esteja no formato DSD, ele pode convertê-lo para PCM.

O QUE O NOVO MODELO HERDOU DO ORIGINAL?

O mesmo chassi compacto e a filosofia de ser um produto desenvolvido para funcionar perfeitamente por anos a fio.

Mas suponhamos que você tenha o modelo original, e deseje fazer um upgrade. A Weiss oferece uma atualização oficial de hardware que eleva a unidade original às especificações da nova versão. É claro que isso inclui a substituição da placa DAC original pela nova placa.

Uma das mudanças mais ‘audíveis’ no novo modelo é o estágio de saída redesenhado, com impedância próxima de zero ohm que, segundo o fabricante, reduz o ruído, melhora a transparência e aumenta significativamente a entrega de corrente.

VAMOS ÀS AUDIÇÕES…

O 204-MK2 chegou lacrado.

Com a experiência que tivemos com o Helios, que já sai tocando muito bem, fizemos, como de praxe, uma primeira audição apenas com nossas gravações e algumas páginas de anotações em meu diário de observações pessoais.

Para o teste, antes de fecharmos as notas, utilizamos, em nosso Sistema de Referência (veja a lista ao final do teste), os seguintes equipamentos: Streamer Nagra via saída coaxial, CD-Player Arcam CD5 como transporte também via cabo coaxial, e CD-Transporte Nagra na mesma entrada digital coaxial do Weiss.

Os amplificadores integrados foram: Soulnote A-2 Versão 2 (leia o Teste 2 nesta edição) e Norma Audio Revo IPA-140 (clique aqui). As caixas foram: Odeon Orfeo S (clique aqui), Wharfedale Super Linton (clique aqui) e Audiovector R 1 Arreté (teste em breve).

O Márcio Mafra fez a gentileza de enviar a fonte original que acompanha o DAC, e uma fonte dedicada mais sofisticada.

Para que o leitor tenha uma ideia da influência da fonte na performance do produto, separamos as notas finais com a fonte original e com a fonte destinada a um futuro upgrade, caso esse seja o desejo do usuário.

Para os ansiosos, uma boa notícia: o 204-MK2 já sai tocando muito bem. Possibilitando, inclusive, que os amigos sejam convidados imediatamente para audições.

Por margem de segurança, depois de feitas as primeiras impressões, deixei o Weiss por 100 horas em repeat, já que também estava amaciando o Arcam CD5, que seria testado nesta mesma edição.

“O QUE MELHOROU, ANDRETTE?”

A extensão nas duas pontas e a imagem sonora, em termos de profundidade e lateralidade.

Basicamente, foi isso que ficou audível após as 100 horas de queima, ouvindo no mesmo setup inicial das primeiras impressões e utilizando somente faixas de nossos discos e as masters das gravações que encartamos na saudosa Musician.

Tudo o que relatarei para vocês foi feito com a fonte original, OK? Somente na conclusão farei minhas considerações sobre o upgrade de fonte.

Pois imagino que a performance do 204-MK2, com sua fonte original, já seja tão convincente que a esmagadora maioria dos compradores ficará mais do que satisfeita com o produto tal como é comercializado originalmente.

Seu equilíbrio tonal é surpreendente!

Graves com enorme impacto, energia, deslocamento de ar e velocidade.

A região média é transparente na medida certa, com um grau de realismo e naturalidade palpáveis.

E os agudos surpreendem pela ausência de dureza ou brilho excessivo, mesmo em gravações tecnicamente equalizadas nessa frequência.

Ou seja, não haverá desconforto auditivo com nenhum tipo de instrumentação.

Mas não se enganem, achando que o Sr. Weiss recorreu ao velho e surrado truque de ‘amaciar’ as altas frequências para torná-las confortáveis. É pura competência mesmo de quem entende realmente do riscado e sabe como ‘domar’ as altas frequências sem recorrer a truques banais.

O arejamento é excelente, assim como o decaimento é suave e natural.

O soundstage é bem amplo nas três dimensões, proporcionando uma imagem sonora muito agradável, principalmente em gravações de música sinfônica, com planos e mais planos bem focados e recortados.

As texturas, assim como o equilíbrio tonal, são de excelente nível, tanto na apresentação da riqueza de cores, que dá vida e sentido aos timbres dos instrumentos, quanto na apresentação das intencionalidades, sejam elas técnicas ou relacionadas à qualidade dos músicos e dos instrumentos.

É uma referência consistente em sua faixa de preço.

Os transientes são exemplares. Eis um DAC que pode transformar gravações arrastadas e letárgicas e devolvê-las à vida. Precisão impecável na apresentação de tempo e ritmo.

A dinâmica, tanto a micro quanto a macro, é muito convincente. Seu silêncio de fundo permite ouvirmos detalhes no pianíssimo que muitos DACs, até mais caros, apenas nos mostram de maneira difusa naquela passagem.

O 204-MK2 é pontual e cirúrgico ao nos apresentar tudo o que sobreviveu à gravação, à mixagem e à masterização.

E sua macrodinâmica é impactante, tanto em termos de autoridade quanto na sustentação dos fortíssimos, sem compactar a passagem ou dar a sensação de que faltou fôlego.

A apresentação do corpo harmônico dos instrumentos, obviamente, não tem o mesmo preciosismo de seu irmão Helios, mas tem competência suficiente para mostrar os instrumentos de maneira convincente e proporcional ao tamanho real em uma audição ao vivo de música não amplificada.

Ou seja, seu cérebro irá aprovar e gostar!

Quanto à materialização do acontecimento musical em sua sala de audição, dependerá apenas de as gravações serem de alto nível técnico para que isso ocorra sem esforço e sem truques.

Fiz audições inesquecíveis a baixos volumes, na calada da noite, em que as cantoras pareciam estar ali, em uma apresentação exclusiva e intimista.

CONCLUSÃO

Quando já havia fechado as notas do teste do Weiss ligado ao nosso Sistema de Referência, eis que chega a fonte que pode, se assim o audiófilo desejar, ser utilizada como upgrade para melhorar ainda mais o 204-MK2.

E tenho que concordar que se trata de um upgrade que eleva ainda mais a performance deste belo DAC.

E não se trata de um upgrade pontual, mas de uma melhoria nos oito quesitos de nossa Metodologia.

“Então é obrigatório, Andrette?”

Quem vai responder a essa questão é o setup em que o Weiss será inserido. Se ele for um Estado da Arte até 100 pontos, obviamente que não.

Porém, se o restante do sistema beirar os 103 pontos ou até 104, a fonte melhor certamente cairá como uma luva no sistema.

Ainda que, com a fonte melhor, todos os oito quesitos da Metodologia tenham sido beneficiados, três deles me chamaram mais a atenção: equilíbrio tonal, textura e dinâmica. Principalmente a macrodinâmica, que ganhou ainda maior autoridade e folga para sustentar os fortíssimos!

Em um sistema que tenha possibilidade de crescer, essa fonte deve ser levada em consideração.

Eu não tive a oportunidade de conhecer a versão original do 204, então não posso dizer o quanto, significativamente, o MK2 cresceu.

Porém, conheço a Weiss há tempo suficiente para saber que não apresentariam uma nova versão se a mudança de patamar não fosse consistente e justificável.

Para todos aqueles que não têm bala para investir em um Weiss 501, 502 ou no Helios, mas desejam o “DNA sonoro” deste fabricante, eis a resposta para esse desejo.

Um DAC musicalmente correto e sedutor!

EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO TESTE

  • Caixas Acústicas: Estelon X Diamond MkII (clique aqui)
  • Cabos de Interconexão: Dynamique Audio Apex 2 (clique aqui)
  • Cabos de Força: Dynamique Apex (clique aqui)
  • Cabos de Força: Transparent Audio XLPC2 & Opus G6
  • (clique aqui)
  • Fonte Digital: NADAC C / NADAC D (clique aqui)
  • Transporte CD: Nagra
  • Streamer: Nagra (clique aqui)
  • Plataforma Anti-vibratória: Seismion Reactio-2 (clique aqui)
  • Powers: Monoblocos Nagra HD (clique aqui)
  • Pré-amplificador: Nagra II-S (clique aqui)
  • Toca-discos: Zavfino ZV11X (clique aqui)
  • Cápsula Analog Relax EX700 (clique aqui)
  • Pré de Phono: Soulnote E-2 SE (clique aqui)

PONTOS POSITIVOS

DNA sonoro de todo produto Weiss.

PONTOS NEGATIVOS

Absolutamente nada em sua faixa de preço.


ESPECIFICAÇÕES

Entradas digitais– USB
– Duas entradas AES/EBU, ou S/PDIF em conectores Toslink ou RCA.
– Formatos aceitos: PCM de 44.1kHz a 384kHz / DSD 64x a 128x
Saídas analógicas– Saída de linha não balanceada por conector RCA
– Saída de linha balanceada por conector XLR
Controles do painel frontal– Um seletor de entrada para escolher a entrada ativa (USB, Toslink ou RCA).
– Duas chaves para configurações de conversão de DSD para PCM
– Interruptor liga/desliga
Elementos do painel traseiro– Entradas digitais em conectores USB, RCA e Toslink.
– Saídas analógicas em conectores XLR e RCA.
– Saídas digitais (AES/EBU) em conectores estéreo XLR, RCA e BNC.
– Dois interruptores de alternância para ajuste do nível de saída.
– Conector de alimentação externa
Dimensões (L x A x P)10,5 x 9,5 x 16,5 cm
CONVERSOR DIGITAL PARA ANALÓGICO WEISS DAC204-MK2
(COM A FONTE ORIGINAL)
Equilíbrio Tonal 13,0
Soundstage 12,0
Textura 12,0
Transientes 13,0
Dinâmica 12,0
Corpo Harmônico 12,0
Organicidade 12,0
Musicalidade 13,0
Total 99,0
ESTADO DA ARTE SUPERLATIVO
CONVERSOR DIGITAL PARA ANALÓGICO WEISS DAC204-MK2
(COM A FONTE PSU102)
Equilíbrio Tonal 14,0
Soundstage 12,0
Textura 13,0
Transientes 13,0
Dinâmica 13,0
Corpo Harmônico 12,0
Organicidade 12,0
Musicalidade 13,0
Total 102,0
VOCAL                    
ROCK, POP                    
JAZZ, BLUES                    
MÚSICA DE CÂMARA                    
SINFÔNICA                    
ESTADO DA ARTE SUPERLATIVO



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