

Fernando Andrette
fernando@avmag.com.br
A Soulnote não é um fabricante japonês que anualmente lança novos modelos para atender a um mercado ávido por novidades constantes. Pelo contrário, cada mudança em sua série de produtos só é feita quando há melhorias substanciais em termos de performance.
E posso atestar essa verdade, já que não fazem nem três anos que testamos a versão A-2 original e podemos praticamente repetir boa parte dos equipamentos utilizados naquele teste, agora.
De cara, posso afirmar que o novo A-2 está sonoramente muito mais próximo do topo de linha A-3, o que já indica o grau evolutivo alcançado pela nova versão.
Em termos de arquitetura e circuitos, os engenheiros da Soulnote optaram por uma reformulação profunda nos estágios de saída, no driver e também na fonte de alimentação, além da eliminação do feedback negativo e do uso dos mesmos transistores do A-3, os TO-3P, emparelhados.
A nova fonte de alimentação, otimizada, possui uma tensão de saída ligeiramente mais reduzida que a da versão original, priorizando uma entrega instantânea de corrente e um rigoroso controle em baixas impedâncias.
O controle de volume é bastante similar ao do modelo original, com a comutação de resistores controlados por relés mecânicos, em vez do uso de potenciômetros, para uma maior precisão entre os canais.
A construção mecânica continua utilizando a filosofia Soulnote de tampa superior desacoplada e flutuante em relação ao gabinete, para uma dissipação térmica mais eficiente e para o controle de ressonâncias.
Quanto às entradas, mantém as mesmas três entradas RCA e três balanceadas, além das chaves para escolha dos modos mono/BTL ou biamplificação.
Sua frente também mudou, ficando muito mais bonita (na minha opinião) e, também, visualmente mais limpa.
Apenas o visor na parte superior e dois grandes botões na parte inferior: o da esquerda para seleção de entradas, com pequenos LEDs acima dele, e, à direita, o botão de volume.
E, como todos os integrados Soulnote, nada de opções de DACs internos, streamer ou phono.
O A-2 oferece 80 Watts em 8 ohms, 160 Watts em 4 ohms, e uma distorção harmônica menor que 0,16% em 8 ohms a 1W.
Quem esteve no nosso último Workshop, realizado em abril, teve a oportunidade de ouvi-lo em nossa sala, tanto com a caixa FRIGG 02, da Ø Audio (clique aqui), quanto com a Piega Coax 811 Gen2 (clique aqui).
Para o teste, além dessas duas caixas, também utilizamos: Wharfedale Super Linton (clique aqui), Odeon Orfeo S (clique aqui), e Audiovector R 1 Arreté (teste em breve). Fontes digitais: transporte Nagra e CD-Player Arcam CD5 (leia Teste 4 nesta edição) e DAC Weiss DAC204-MK2 (leia Teste 3 nesta edição).
E, para o fechamento da nota, como sempre, utilizamos nosso Sistema de Referência (veja no final do teste).
O novo A-2 possui uma assinatura sônica muito mais próxima do A-3 que a versão original. A começar pelo seu silêncio de fundo e sua neutralidade.
O silêncio de fundo é notório, permitindo uma recuperação microdinâmica que o anterior não tinha.
E sua neutralidade permite observarmos ‘qualidades’ nas gravações bem resolvidas que só o A-3 possibilitava.
Em termos de equilíbrio tonal, os graves são ainda mais impactantes e corretos, a região média se tornou ainda mais detalhada e natural, e os agudos se beneficiaram em termos de arejamento e extensão. Subindo alguns degraus neste quesito, porém exigindo mais de seus pares.
Se o A-2 original era mais condescendente com o restante do setup, essa margem de negociação ficou um pouco mais estreita.
A vantagem é que o A-2 entra naquele ranking de integrados definitivos, em que você pode finalmente fechar o bolso e desfrutar do amplificador por muitos e muitos anos.
O seu palco também ganhou em holografia, tanto na precisão das imagens sonoras quanto na apresentação de planos, em termos de profundidade e largura.
Aliás, este foi um dos quesitos que mais chamou a atenção dos presentes no Workshop: como o foco e o recorte dos solistas eram precisos, mesmo fora da posição ideal de audição na sala de 170 metros quadrados, que apelidei de “corredor polonês”.
Se você tiver uma sala que possibilite ouvir grandes orquestras com seus planos e arejamento suficiente, o A-2 irá proporcionar audições inesquecíveis.
As texturas são impecáveis, tanto na riqueza de detalhes na apresentação dos timbres, quanto no grau de apresentação das intencionalidades.
Como sempre lembro aos participantes dos nossos Cursos de Percepção Auditiva: se você tem como prioridade texturas dignas de instrumentos não amplificados ao vivo, lembre-se de ter o melhor equilíbrio tonal possível.
Pois um é dependente direto do outro!
Os transientes são o quesito em que menos senti diferença em relação ao modelo anterior. Utilizei as mesmas faixas e duas caixas que também havia utilizado no teste do A-2 original (Estelon X Diamond MkII, e Wharfedale Super Linton), com as mesmas fontes digitais e, claro, as mesmas faixas que usamos para fechar a nota deste quesito, e não encontrei nenhuma diferença relevante.
Já na dinâmica, tanto na macro quanto na micro, as melhorias foram audíveis. Como escrevi acima, o silêncio de fundo contribui intensamente para a recuperação de microdinâmica, e a folga apresentada permite uma macrodinâmica muito mais precisa.
Com as caixas corretas, você sempre terá a impressão de que ele tem mais potência do que a real. E com a vantagem de só “mostrar as garras” quando solicitado.
E não aquela sensação de muitos amplificadores que parecem estar sempre em alerta, mesmo quando a música não está exigindo essa ‘prontidão’.
O corpo harmônico eu não consegui explicar se parece superior à versão original por ser mais realista, ou se é consequência direta de um melhor foco e recorte.
O que escrevi em minhas anotações pessoais foi que, nas faixas utilizadas para o fechamento da nota, achei mais do que uma diferença de tamanho entre os dois modelos: um corpo ‘holograficamente’ mais verossímil, o que obviamente convence muito mais nosso cérebro de que aquele contrabaixo à nossa frente tem o tamanho real de um contrabaixo, a 3 metros de distância.
Resumindo: sim, o corpo harmônico também é melhor.
E chegamos ao quesito, junto com o soundstage, o mais desejado pela esmagadora maioria dos audiófilos: a materialização física do acontecimento musical – organicidade! Aqui, o A-2 versão 2 dá um baile no original.
Em gravações primorosas, seu cérebro não faz o menor esforço para se render aos músicos à sua frente.
É um conforto auditivo intenso e convincente!
CONCLUSÃO
Eu fico me perguntando a razão de inúmeros de nossos leitores ainda terem tanta resistência a essa nova safra de integrados que está chegando ao mercado.
É preconceito? Impossibilidade de escutá-los em seus sistemas para poder ter a real dimensão do quanto evoluíram?
Realmente não consigo entender.
Pois as vantagens são tão numerosas frente às opções de pré e power que não vejo, racionalmente, maneira de negar esses benefícios.
Dizem que, se pela racionalidade não vinga, apele ao bolso!
Eu continuarei apresentando, nos futuros Workshops, integrados acima de 100 pontos pela nossa Metodologia, e mostrando a todos os participantes o quanto os integrados Estado da Arte evoluíram.
O novo A-2 deu um passo significativo em relação ao modelo original, tornando-se ainda mais refinado e correto.
Se você procura uma solução viável para a construção de um sistema Estado da Arte definitivo, não ouvir o novo A-2 da Soulnote é deixar de conhecer um dos mais impressionantes integrados da atualidade.
Mais barato que o A-3, e muito mais em conta que qualquer pré e power com mais de 100 pontos disponível no mercado.
Preciso lhe dizer mais alguma coisa?
EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO TESTE
PONTOS POSITIVOS
Um Estado da Arte definitivo.
PONTOS NEGATIVOS
Maior cuidado com seus pares pelo seu nível de refinamento.
ESPECIFICAÇÕES
| Saída Nominal | 100W ×2 (8 Ohms), 200W ×2 (4 Ohms), 400W (BTL MONO 8 Ohms) |
| Distorção Harmônica Total | 0,03% (50W 8 ohms) |
| Característica de Frequência | 3 Hz a 240 kHz (±1,0 dB) (8 Ohms 1W) |
| Sensibilidade / Impedância de Entrada | – Line 1, 2, 3 (Balanceada): 700mV/16kOhm – Line 4, 5, 6 (RCA): 700mV/8kOhm |
| Relação Sinal / Ruído | 110dB |
| Tensão de Alimentação | 230V CA 50 Hz |
| Consumo de Energia | 355W, 125W (ocioso) |
| Dimensões (L x A x P) | 430 × 160 × 423 mm |
| Peso | 20 kg |
| Acessórios Incluídos | Controle remoto, spikes, cabo de alimentação |
| AMPLIFICADOR INTEGRADO SOULNOTE A-2 - VERSÃO 2 | ||||
|---|---|---|---|---|
| Equilíbrio Tonal | 13,0 | |||
| Soundstage | 13,0 | |||
| Textura | 13,0 | |||
| Transientes | 13,0 | |||
| Dinâmica | 13,0 | |||
| Corpo Harmônico | 13,0 | |||
| Organicidade | 13,0 | |||
| Musicalidade | 14,0 | |||
| Total | 105,0 | |||
| VOCAL | ||||||||||
| ROCK, POP | ||||||||||
| JAZZ, BLUES | ||||||||||
| MÚSICA DE CÂMARA | ||||||||||
| SINFÔNICA |


Ferrari Technologies
heberlsouza@gmail.com
(11) 99471.1477
(11) 98369.3001
R$ 75.000