

Christian Pruks
christian@avmag.com.br
Uma nova seção mensal – trazendo disparates ditos sobre áudio e audiofilia!
patacoada (substantivo feminino)
dito ou ação ilógica; disparate, tolice.
gracejo desabusado.
Em cartaz, este mês, os seguintes ‘gracejos desabusados’:
NEGACIONISTAS DIZEM QUE NÃO É A AÇÃO DO SPIKE QUE MUDA O SOM DAS CAIXAS
Segundo um audiófilo ‘especialista’, quando se põe spikes embaixo das caixas acústicas, o som muda não por causa dos efeitos do mesmo, mas sim porque a caixa foi elevada em dois ou três
centímetros, então a altura do tweeter em relação à cabeça do ouvinte ter sido alterada é que é responsável.
Bom, para começar, uma coisa muito mal compreendida por audiófilos em geral, é que as caixas não são posicionadas para o ouvinte no sweetspot – as caixas são posicionadas de acordo com o que e como elas interagem com a sala, e quando a interação com a sala tiver otimizada, você senta no tal sweetspot, em triângulo equilátero com as caixas.
E, depois, cada pessoa que senta para ouvir tem uma altura diferente, ou senta-se mais ou menos ereta. Então não será essa diferença da altura do tweeter que irá mudar o som tanto quando se põe spikes.
E, para terminar, o que o spike está tratando é a vibração dos graves que passa pelo gabinete da caixa e fica lá ressonando. À grosso modo, com os spikes a dissipação dessa energia se dá de maneira diferente, e isso limpa os graves, dando-lhes recorte e definição, minimizando um pouco sua interação com o resto do ambiente em forma de vibração.
E essa limpeza dos graves causa um efeito no equilíbrio tonal que, de maneira psicoacústica, ‘limpa’ um pouco os agudos – da mesma maneira como, se você diminuir o controle tonal dos graves, os agudos transparecerão melhor.
‘ESPECIALISTAS’ ZOMBAM DE TERMOS USADOS POR REVIEWERS, DIZENDO QUE NÃO FAZEM SENTIDO
Essa é uma das minhas preferidas. São termos que não são difíceis de entender, se o audiófilo tiver um mínimo de rodagem, ter ouvido um mínimo de equipamentos, ter uma ideia ainda que básica de como música soa – ainda que reproduzida por equipamentos de áudio.
Mas, muito dessa zombaria é um método de criar cizânia e, ao mesmo tempo, aumentar suas visualizações, seu público. Até porque, o escárnio é o recurso do tolo, principalmente do tolo inseguro que acha que todas as outras pessoas desinformadas são, também, tolas, e devem ser cada vez mais inseguras.
O objetivo desses é criar problemas, e nunca ajudar.
Termos que consideram esnobes, que são criticados, por exemplo, são ‘Palco Holográfico’ – que dizem que significa apenas como ‘a música deveria soar’, mas que não levam em conta que, se a pessoa não se aprofundar na audiofilia, não terá um Palco Holográfico!
Muitos dos termos criticados, bizarramente, são simples questão de compreensão da língua falada e escrita, como som ‘Quente’, ‘Agudos Suaves’, ‘Sinergia’ – onde o provedor do escárnio acaba mais é chamando as ‘ovelhas audiófilas desgarradas’ de tolos, em vez de mostrar os audiófilos em geral como esnobes ou arrogantes.
Qualquer pessoa inteligente e minimamente estudada no hobby, saberia facilmente o que esses e outros termos significam.
AUDIÓFILO PASSOU 50 ANOS TROCANDO DE AMPLIFICADORES PARA DIZER QUE TODOS SOAM IGUAIS
Parte de mim tem um pouco de pena desse específico audiófilo, sempre imaginando se ele tem algum problema auditivo ou perceptivo que o impeça de perceber as diferenças. Até porque eu, passando anos e anos fazendo reviews de equipamentos, e trabalhando no desenvolvimento dos mesmos, percebo diferenças sem grandes dificuldades. E conheço um número grande de pessoas que percebem – especialmente as que se dedicaram a treinar sua percepção, a estudar.
Ou seja, existem muitos de nós, dedicados ao hobby e ao trabalho, que temos essa facilidade – e de maneira repetível, informada, e com uma Metodologia e Referência.
Lembrei-me dos que acham que somos vítimas de placebo ou coisa do gênero – e para esses deve ser incrível um mundo onde nós audiófilos devemos errar todas as vezes, com todos os equipamentos, em todas as condições de audição e teste, com todas as metodologias, em todos os 20 e tantos anos de trabalho com isso. Que somos vítimas de viés e placebo TODAS as vezes que ouvimos um amplificador com mais de 100 faixas em mais de três meses testando-o com várias, fontes, cabos e caixas diferentes…
Devemos ser, para eles, pessoas que surpreendem quando conseguimos operar uma porta sozinhos ou comer sem ajuda de um adulto.
E lembrei-me, claro, de uma vez que um grupo de audiófilos noticiou na Internet que fizeram uma reunião durante um fim de semana, onde ouviram uma dezena de amplificadores diferentes, com topologias e preços diferentes, e chegaram à conclusão de que: “todos os amplificadores tocam iguais”… rs! Esses, e o sujeito dos 50 anos perseguindo a mesma coisa, acho que só devem achar que os outros todos são uns iludidos mentirosos.
Lamentável…
Voltando ao que ficou 50 anos gastando milhares de dólares, trocando de amplificadores, ‘para nada’: será que as caixas, fonte e sala dele seriam tão ruins, eram todas escolhas tão ruins, que ficaram todos os 50 anos mascarando os problemas dos amplificadores?
Será que o gasto de dinheiro, ao longo dos primeiros 5 ou 10 anos não ‘deram a dica’ que para ele não apareceriam diferenças? E ele não se tocou que era melhor ter parado, há muito tempo?
Perguntas que ficarão perdidas, pelo tempo…
Por hoje é só, pessoal.
“Se você quiser três opiniões distintas, pergunte para dois audiófilos!” – rs…
E que agosto nos traga ainda mais Patacoadas Divertidas!