
Fernando Andrette
fernando@avmag.com.br
Ao longo dos trinta anos da revista, poucos produtos sofreram tanto preconceito quanto os amplificadores integrados e as caixas acústicas tipo bookshelf.
Na virada do século, sugerir qualquer um desses componentes aos leitores soava quase como um insulto. O desejo de praticamente todos era montar um sistema hi-end composto por pré-amplificador de linha, power estéreo e imponentes caixas de três vias – ou ainda maiores. Curiosamente, a maioria possuía salas dedicadas com, no máximo, 20m².
Essa resistência começou a diminuir apenas na primeira década do século XXI, impulsionada pelo surgimento de uma nova geração de amplificadores integrados equipados com DAC interno, pré de phono e, mais recentemente, streamer.
As bookshelfs, entretanto, não tiveram a mesma aceitação, apesar de inúmeros fabricantes terem lançado excelentes modelos nas últimas duas décadas. Sempre me pergunto por que essa resistência persiste. Afinal, testamos diversas bookshelfs extraordinárias, capazes de atender plenamente quem possui salas menores ou não pode investir em tratamento acústico.
Com o objetivo de mudar essa percepção, utilizamos apenas amplificadores integrados nos três últimos Workshops. No primeiro deles, realizado em uma sala de 100m², utilizamos a caixa Wharfedale Linton, que é posicionada na fronteira entre uma bookshelf e uma caixa de piso.
O leitor assíduo certamente percebeu a quantidade de amplificadores integrados avaliados nos últimos cinco anos. Há opções para todos os gostos e bolsos, muitas delas superando a marca dos 100 pontos em nossa Metodologia – algo praticamente inimaginável seis ou sete anos atrás.
Agora, esse mesmo fenômeno começa a se repetir entre as caixas bookshelf. Acredito que, dentro de no máximo um ano, veremos os primeiros modelos ultrapassando essa marca.
Se você possui uma sala pequena e deseja reduzir o tamanho do sistema sem renunciar à performance, talvez seja o momento de rever esse preconceito. Todas as bookshelfs que alcançaram mais de 94 pontos tocaram com autoridade, inclusive em nossa sala de 50m², mantendo consistência em todos os gêneros musicais.
Outra grande vantagem dessa nova geração de caixas é sua versatilidade de posicionamento. Além disso, elas já não apresentam as limitações das gerações anteriores em macrodinâmica e corpo harmônico – antigo Calcanhar de Aquiles dessa categoria.
Combine corretamente essa nova geração de amplificadores integrados com a bookshelf mais adequada ao seu gosto musical e ao seu orçamento, e garanto que o resultado será surpreendente.
Nesta edição apresentamos mais um excelente amplificador integrado e uma bookshelf capaz de fazer qualquer audiófilo se perguntar por que demorou tanto para descobrir o quanto essas pequenas notáveis evoluíram.