Teste 3: CABO DE FORÇA OVATION DA KUBALA-SOSNA

Teste 4: DAC BLUETOOTH ZEN BLUE 3 DA IFI AUDIO
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Teste 2: ORIGIN LIVE AURORA MK5 COM BRAÇO SILVER
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Fernando Andrette
fernando@avmag.com.br

Poucos cabos são tão desdenhados pelos objetivistas ortodoxos quanto os cabos de força. O argumento se repete como um mantra: “Como um cabo de 1 metro de comprimento pode melhorar a performance de um sistema?”

Não creio que seja possível convencer quem confia apenas nas medições e desconsidera a própria audição. Para mim, insistir nessa discussão é perda de tempo. Já tratei do tema em diversos artigos Opinião, e relembrei o erro cometido por muitos objetivistas no lançamento do CD-Player: por se apoiarem em medições excelentes, não perceberam limitações audíveis e viram nele um avanço incontestável em relação às referências analógicas. Se os chamados “subjetivistas” não tivessem apontado esses problemas, talvez tivéssemos retrocedido algumas décadas. Quando recordo esse episódio aos críticos, eles costumam ficar em silêncio.

Com os cabos, ocorre algo semelhante. Alguns se baseiam nas medições disponíveis e atribuem ao “placebo” as diferenças

percebidas por quem escolhe os cabos do sistema por meio da audição e da comparação.

Minha experiência prática com cabos começou aos 22 anos, quando substituí o cabo das caixas que usava pelo meu primeiro cabo de cobre OFC da Furukawa. Já contei essa história aos leitores. Também acompanhei as reações dos participantes do Nível 2 do Curso de Percepção Auditiva, inteiramente dedicado aos cabos: até entre os mais incrédulos, as reações eram evidentes.

Desculpe a longa introdução, amigo leitor. Ao apresentar minhas observações sobre cabos de força, considero importante retomar experiências acumuladas ao longo da história da revista, sobretudo para os leitores mais recentes. Em um sistema adequado, esses cabos podem fazer uma diferença significativa na performance final.

“Em todos os sistemas, Andrette?”

Em todos os sistemas bem ajustados, coerentes e com pontuação acima de 90 pontos em nossa Metodologia.

Quanto aos preços cobrados pelos fabricantes, peço que não culpem o mensageiro: meu papel é avaliar o desempenho, não determinar se o valor pedido é justo. A boa notícia é que existem cabos de excelente performance para diferentes bolsos e expectativas.

A série Ovation sucede a Realization, lançada em 2017, e se posiciona acima dela. Segundo a fabricante, as melhorias foram significativas em todos os aspectos. Fundada em 2003, a Kubala-Sosna lançou inicialmente a linha Emotion, que recebeu diversos prêmios já em seu ano de estreia.

A cada nova linha, a marca aprimora sua arquitetura OptimiZ4. De acordo com a fabricante, foram oito anos de desenvolvimento preservando os princípios básicos de suas duas patentes: a baixíssima relação entre capacitância e indutância, e a geometria de entrelaçamento. A Kubala-Sosna não divulga outros detalhes técnicos e recomenda que os interessados escutem os cabos e tirem suas próprias conclusões. No fim, é disso que precisamos para formar uma opinião.

Tive a oportunidade de testar todas as linhas da Kubala-Sosna desde que a German Audio se tornou sua representante oficial no Brasil. Estou, portanto, familiarizado com seus produtos há bastante tempo. Os cabos da marca apresentam uma assinatura sonora relaxada, sem serem eufônicos: quando a música exige, revelam toda a sua energia. O resultado é maior conforto auditivo, mesmo após longas horas de audição, sem fadiga.

Com essa referência, comecei a ouvir o cabo de força Ovation e o cabo de interconexão XLR da mesma série, cujo teste está previsto para a edição de dezembro. Surpreendi-me com qualidades sonoras que não esperava encontrar em relação à Realization, que conheço bem. A meu ver, a série Ovation leva a Kubala-Sosna a um novo patamar de precisão e performance.

Utilizei o cabo de força Ovation em diversos equipamentos: amplificadores de potência Nagra HD (clique aqui), pré-amplificadores Nagra Reference (clique aqui) e PREAMP II-S (clique aqui), DAC NADAC D e NADAC C (clique aqui), DAC Weiss Helios (clique aqui), Nagra TUBE DAC (clique aqui), pré de phono Soulnote E-2 (clique aqui), Player Soulnote S-3 (teste na edição de dezembro), e integrado Soulnote A-2 versão 2 (clique aqui).

Em todos eles, o Ovation trouxe alguma contribuição.

Entre as melhorias percebidas estiveram o silêncio de fundo, a amplitude do palco sonoro, a extensão dos extremos do equilíbrio tonal, o refinamento das texturas, a riqueza do invólucro harmônico, a precisão dos transientes, o corpo harmônico e a materialização da imagem sonora, que chamamos de organicidade. O cabo mostrou ampla compatibilidade, com ganhos por vezes bastante significativos, principalmente nos pré-amplificadores de linha e de phono, e nos conversores digitais.

O Ovation permite uma imersão profunda na informação musical sem fragmentá-la nem tornar a apresentação analítica. A música permanece como um todo, seja na reprodução de um trio, seja na de uma orquestra sinfônica.

A quem começa a buscar o cabo de força ideal para seu sistema, sempre recomendo observar se ele impõe uma assinatura própria ou se refina a assinatura do equipamento. Nos primeiros passos, é comum confundir uma diferença sonora com uma melhoria. Todos nós já cometemos esse erro.

Lembre-se daquele cabo que, ao ser instalado, deixou a música mais ‘acesa’, como se uma luz adicional iluminasse a apresentação. A impressão inicial encantou mas, após vários dias e muitas gravações, você percebeu que, em certas situações, o efeito passava do ponto.

Um cabo de força adequado ao sistema não deve se impor. Ele soma às qualidades já presentes e favorece uma apresentação mais coesa, coerente e refinada. O Ovation pertence a essa categoria: amplia as virtudes do conjunto e traz um equilíbrio que podemos perceber como maior vivacidade, graciosidade e requinte, sem provocar mudanças radicais ou inesperadas.

Cabos não são equalizadores destinados a corrigir falhas audíveis de equilíbrio tonal ou problemas acústicos da sala. Se o seu sistema é excessivamente analítico ou eufônico, não espere que o Ovation corrija essas características. Ele tende a evidenciar o desempenho que o conjunto já apresenta.

Imagine um diamante semi-acabado que precisa apenas da lapidação final feita por um especialista. É esse o papel que o Ovation pode desempenhar. Para quem possui um sistema Estado da Arte Superlativo, sua contribuição talvez pareça discreta à primeira audição. Depois de instalado, porém, pode ser difícil retirá-lo: a ausência daquele refinamento passa a ser perceptível.

EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO TESTE

  • Caixas Acústicas: Estelon X Diamond MKII (clique aqui)
  • Cabos de Interconexão: Dynamique Audio Apex 2 (clique aqui)
  • Cabos de Força: Dynamique Apex (clique aqui), Transparent Audio XLPC2 e Opus G6 (clique aqui)
  • Fonte Digital: NADAC C / NADAC D (clique aqui)
  • Streamer: Nagra (clique aqui)
  • Transporte CD: Nagra
  • Plataforma anti-vibratória: Seismion Reactio-2 (clique aqui)
  • Pré-amplificador Nagra II-S (clique aqui)
  • Powers: Monoblocos Nagra HD (clique aqui)
  • Cápsula: Analog Relax EX700 (clique aqui)
  • Toca-discos: Zavfino ZV11X (clique aqui)
  • Pré de Phono: Soulnote E-2 SE (clique aqui)

PONTOS POSITIVOS

Lapidação final de um sistema Estado da Arte Superlativo.

PONTOS NEGATIVOS

Preço, para o poder aquisitivo do audiófilo brasileiro.


ESTADO DA ARTE SUPERLATIVO



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