Editorial: UM GÊNIO QUE VIVEU APENAS 38 ANOS

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5 de outubro de 2026

Fernando Andrette
fernando@avmag.com.br

Talvez você nunca tenha ouvido falar de Alan Blumlein, mas pergunte a qualquer engenheiro de gravação ou fabricante de cápsulas de bobina móvel e ficará surpreso com o quanto esse engenheiro ainda hoje é reverenciado.

E não é para menos: em sua curta trajetória neste planeta, ele registrou 128 patentes. Algumas delas foram cruciais para o desenvolvimento do som estéreo, do cinema binaural, do radar aerotransportado, da televisão de alta definição, de circuitos de amplificadores, de microfones e de cápsulas de bobina móvel.

Alan Dower Blumlein é considerado, na Inglaterra, o maior engenheiro eletrônico do século XX. Nasceu em 29 de junho de 1903, em Hampstead, no norte de Londres. Seu pai, Simon Blumlein, era um cidadão britânico naturalizado, de origem judaico-alemã, e sua mãe, Jessie Dower, era escocesa.

Seu interesse por eletricidade se manifestou muito cedo, tornando-se quase uma obsessão. Aos sete anos, já buscava solucionar problemas e construir apetrechos úteis ao dia a dia da família.

Seus professores perceberam que Alan tinha uma habilidade incomum para solucionar problemas complexos, com enorme naturalidade e interesse.

Quando tinha apenas 13 anos, seu pai faleceu. Sem uma bolsa de estudos, ele não teria conseguido completar sua formação.

Aos 18 anos, ingressou no Imperial College, a escola mais renomada de Londres, para estudar engenharia elétrica. Formado com louvor aos 20 anos, foi contratado pela Western Electric e se destacou ao encontrar uma solução para melhorar a inteligibilidade do sinal transmitido pelos cabos de telefonia.

Seu primeiro pedido de patente foi apresentado em 1927, com uma solução para reduzir a diafonia em cabos telefônicos, tornando as transmissões mais limpas e com menor interferência de campos eletromagnéticos.

Sua genialidade o levou a ser contratado pela Columbia Gramophone Company, em 1929, justamente para melhorar a qualidade do som gravado no final da década de 1920.

Ele percebeu que precisava atacar o problema em duas frentes. Desenvolveu uma cabeça de corte de discos de bobina móvel, que melhorou significativamente a qualidade do material gravado, e trabalhou no desenvolvimento de microfones de bobina móvel.

O resultado foi tão significativo que a concorrente EMI o contratou a peso de ouro e lhe ofereceu um laboratório de ponta para aplicar seus conhecimentos no desenvolvimento de novos recursos.

Alan já havia percebido que a maior limitação das gravações era o sistema monofônico, no qual o som vinha de um único ponto. Isso o incomodava profundamente.

Em 1931, ele registrou a patente britânica número 394.325, que tratava da gravação, transmissão e reprodução de som em dois canais.

A proposta abrangia novas técnicas de microfonação e de corte de discos, além do desenvolvimento de novos monitores e circuitos de amplificadores para a reprodução nos lares. Era uma ampla revolução, com soluções que cobriam o processo do início ao fim.

O grande pulo do gato de Alan foi desenvolver um sistema de sulco para discos que chamou de 45/45. Nele, os sinais dos dois canais eram codificados nas paredes do sulco, posicionadas a 45 graus em relação à vertical, correspondendo aos canais esquerdo e direito. Isso ocorreu 27 anos antes do lançamento dos primeiros LPs estéreo, que só chegaram ao mercado na década de 1950.

Na mesma patente, ele também descreveu a disposição dos microfones para captar o som em dois canais simultaneamente: dois microfones com padrão polar em figura de oito, cruzados a 90 graus e posicionados o mais próximo possível um do outro.

Para convencer a EMI de que sua patente era viável, Alan e sua equipe realizaram, entre 1934 e 1936, experimentos no estúdio Abbey Road, com a Orquestra Filarmônica de Londres. Essas gravações ainda estão preservadas e continuam a surpreender, pela qualidade, quem as ouve.

Alan morreu em um trágico acidente de avião, em 7 de junho de 1942, durante um teste de seu sistema de radar H2S, que seria crucial para os bombardeios noturnos, sem visibilidade, em território inimigo.

Quando ouvimos nosso sistema estéreo e nos extasiamos com o nível alcançado pelos sistemas hi-end, é importante lembrar que muitas mentes brilhantes contribuíram para que pudéssemos desfrutar de todo esse prazer auditivo.

E Alan Blumlein é, sem sombra de dúvida, um dos maiores expoentes dessa história!

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