

Fernando Andrette
fernando@avmag.com.br
Se você é daqueles que ainda não se convenceram dos riscos de perder a audição por exposição a volumes excessivos, vou lhe apresentar mais um motivo para rever esse hábito: a perda auditiva, sobretudo quando não tratada, está associada a um maior risco de declínio cognitivo e demência.
A importância da audição vai além de nossa capacidade de apreciar música. Ela participa da comunicação, da percepção do mundo ao redor e das experiências que alimentam nossa memória.
Quando a capacidade de ouvir diminui, acompanhar conversas e compreender o que os outros dizem pode se tornar mais difícil. Essa dificuldade pode comprometer a interação com familiares e amigos, favorecendo o isolamento social. A Organização Mundial da Saúde reconhece tanto esses impactos quanto a associação entre a perda auditiva não tratada e o aumento do risco de demência.
Isso não significa que toda pessoa com perda auditiva desenvolverá demência. Significa, porém, que cuidar da audição também merece atenção quando pensamos em preservar nossa saúde cognitiva ao longo da vida.
Em pessoas com dificuldades auditivas, o afastamento das conversas em família e a redução da participação em atividades sociais merecem atenção. Esses comportamentos, por si só, não permitem concluir que exista demência, mas podem refletir a dificuldade de ouvir e compreender a fala.
Por isso, diante de dificuldades para acompanhar conversas ou de outras mudanças na audição, é importante buscar uma avaliação profissional. Reconhecer o problema permite procurar o cuidado adequado e reduzir seus impactos na comunicação e na qualidade de vida.
Assim como sabemos que o fumo é prejudicial à saúde, precisamos nos conscientizar de que ouvir música em volumes excessivos pode trazer consequências que vão além da própria perda auditiva.
Se nem a possibilidade de comprometer a audição e contribuir para um maior risco de declínio cognitivo for suficiente para fazê-lo rever esse hábito, o que será?
Como sempre lembro em nossos editoriais, a perda auditiva causada pela exposição ao som excessivo pode avançar gradualmente e passar despercebida até que suas consequências se tornem mais evidentes. Não espere sentir dor para começar a cuidar de sua audição.
Para reduzir os riscos, precisamos ouvir em volumes seguros, limitar o tempo de exposição e fazer pausas. Fones com boa vedação ou cancelamento de ruído podem ajudar a evitar que aumentemos o volume em ambientes barulhentos, mas a escolha do fone deve vir acompanhada de hábitos seguros de escuta.
Prevenir continua sendo melhor que remediar!