Teste 3: CÁPSULA ANALOG RELAX EX700
5 de agosto de 2026
Teste 1: AMPLIFICADOR INTEGRADO ACCUPHASE E-5000
5 de agosto de 2026

Fernando Andrette
fernando@avmag.com.br

Quando uma nova turma inicia nosso Curso de Percepção Auditiva, a dica mais valiosa que transmito aos participantes é: comecem escolhendo o sistema pelas caixas acústicas.

Pois serão elas que definirão, em grande parte, a assinatura sônica do setup.

E que enorme responsabilidade para um único componente da cadeia de áudio!

Em teoria, parece simples definir o que desejamos de uma caixa acústica: basta transformar sinais elétricos em variações de pressão sonora capazes de reproduzir, com razoável fidelidade, aquilo que foi gravado.

Na prática, porém, essa é uma das tarefas mais complexas de toda a cadeia de reprodução. O sinal elétrico que chega à caixa pode variar em frações de milissegundo, cobrindo uma ampla faixa dinâmica e contendo, simultaneamente, frequências distribuídas por todo o espectro audível.

Para reproduzir toda essa complexidade, os falantes precisam acelerar, deslocar grandes volumes de ar, interromper movimentos e mudar continuamente de direção, preservando, a todo custo, as relações temporais, tonais e dinâmicas – do mais sutil pianíssimo ao mais explosivo fortíssimo.

Isso nos leva a compreender que a qualidade de uma caixa acústica não depende apenas do equilíbrio tonal ou da linearidade de sua resposta em frequência. Ela também precisa responder instantaneamente aos sinais recebidos, preservar as variações de intensidade, minimizar a compressão dinâmica e manter os níveis de distorção o mais baixos possível, mesmo nas passagens musicais mais complexas.

Se você nunca escolheu uma caixa acústica sob essa perspectiva, sugiro que reflita sobre isso. São justamente esses ‘detalhes’ que separam uma boa caixa de uma caixa realmente excepcional.

A Odeon Audio é um renomado fabricante alemão que, há três décadas, combina transdutores convencionais com cornetas construídas em compensado multilaminado de bétula.

Seu objetivo não é simplesmente alcançar elevados níveis de pressão sonora, mas aproveitar as principais vantagens das cornetas: maior eficiência, menor excursão dos diafragmas e excelente capacidade de reprodução dos transientes, sem cair no erro tão comum das colorações tonais ou das alterações no timbre de vozes e instrumentos.

A Orfeo S é a única bookshelf da Odeon Audio e sintetiza brilhantemente a filosofia do fabricante. Em vez de recorrer a uma grande corneta de compressão ou a uma arquitetura multivias de grandes dimensões, ela combina um tweeter de domo carregado por uma pequena corneta esférica com um único falante de médios e graves, instalado em um gabinete de acabamento impecável.

O sucesso desse projeto é tão grande, que a Orfeo permanece em linha há mais de vinte anos, sendo a versão S sua atualização mais recente.

O novo modelo utiliza um tweeter Audax e um alto-falante de médios-graves da Scan-Speak. O divisor de frequência emprega indutores Mundorf e cabeamento interno em cobre OFHC.

Seu fundador e projetista, Axel Gersdorff, é um apaixonado pelas cornetas esféricas de madeira, razão pela qual elas se tornaram a principal assinatura técnica e estética da Odeon.

Nenhuma fotografia é capaz de transmitir o requinte do acabamento da Orfeo S. Durante todo o período em que esteve conosco, não houve uma única pessoa que, ao observá-la pela primeira vez, acreditasse que sua corneta esférica fosse completamente lisa. Nossos olhos insistem em enxergar camadas concêntricas sobrepostas (veja a foto).

Se o ano passado foi o ano dos amplificadores integrados Estado da Arte, acredito que este será, sem dúvida, o ano das caixas bookshelf.

Confesso que ainda me pergunto por que tantos leitores resistem à ideia de utilizá-las em salas de até 12 m².

Elas são plenamente capazes de proporcionar enorme prazer auditivo e, de quebra, contornar diversos problemas acústicos inerentes aos ambientes pequenos.

Esqueça a época em que uma bookshelf respondia adequadamente apenas acima de 60 ou 70 Hz. Os melhores projetos atuais reproduzem frequências próximas de 40 Hz com absoluta autoridade, algo mais do que suficiente para salas de até 12 m².

Basta consultar as últimas três edições do prêmio Melhores do Ano para encontrar, certamente, uma bookshelf compatível tanto com seu orçamento quanto com o tamanho de sua sala.

Quem participou do nosso último Workshop talvez tenha ouvido a Orfeo S na sala da Audiopax, um ambiente de aproximadamente 30 m². Diversos participantes comentaram o quanto ficaram surpresos com a sensação de grandeza e com a extensão dos graves produzidos por uma bookshelf.

Vou compartilhar uma observação pessoal: hoje já não me surpreendo mais com a capacidade de algumas books de preencherem nossa sala principal de 50 m².

Algumas são tão ousadas, que inevitavelmente me arrancam um sorriso quando concluo os testes na sala maior e as levo para nossa sala de 12 m² para fechar suas notas.

Sempre admirei as caixas tipo bookshelf. Ao longo dos últimos 35 anos, convivi com inúmeros modelos e fabricantes.

Gosto delas pela extraordinária capacidade de proporcionar inteligibilidade, refinamento e conforto auditivo.

Principalmente quando apresentam um equilíbrio tonal de alto nível, permitindo ouvir música em volumes reduzidos sem perder texturas, palco sonoro, transientes e organicidade.

São aquelas audições na calada da noite, quando você não quer incomodar ninguém e simplesmente não consegue desligar o sistema de tão musical que ele está soando.

As grandes books sempre me transportam às salas de gravação, onde passei tantos anos da minha vida – e às quais ainda hoje tenho enorme vontade de retornar.

A Orfeo S foi ligada aos seguintes amplificadores integrados: Accuphase E-5000 (leia o teste 1 nesta edição), Norma Revo IPA-140 (clique aqui) e Soulnote A-2 versão 2 (teste em breve). Cabos de caixa: Virtual Reality (vários modelos) e Dynamique Audio Apex. Fontes digitais: Arcam CD5 (teste em setembro de 2026) e DAC Weiss 204 Mk2 (teste em setembro de 2026). Fontes analógicas: pré de phono Moonriver 505 (teste em outubro de 2026) e toca-discos Origin Live Aurora (teste em outubro de 2026).

Os demais equipamentos do Sistema de Referência encontram-se relacionados no box ao final deste texto.

A Orfeo S necessita de um período de amaciamento relativamente longo para uma bookshelf: foram pouco mais de 150 horas. Ela exigirá um pouco de paciência do futuro proprietário, até que seu equilíbrio tonal se estabilize completamente.

Nas primeiras 50 horas, poderá soar um pouco magra, com os graves ainda ‘engessados’.

Por isso, sugiro ao futuro comprador dessa belíssima bookshelf que se arme de uma boa dose de paciência oriental, segure a língua e os dedos, e não saia anunciando nos grupos que acabou de fazer um upgrade nas caixas. Combinado?

Enquanto os graves ainda não desabrocharam, os agudos poderão parecer um pouco mais brilhantes. É absolutamente normal e temporário. Quando a região grave atingir sua plena maturidade, todo o restante simplesmente se encaixará como em um passe de mágica. Acredite.

Após cerca de 160 horas de amaciamento, meu amigo, pode chamar quem você quiser para ouvir. A Orfeo S estará pronta para mostrar todo o seu potencial.

É o tipo de bookshelf que toca com enorme folga, preenchendo a sala com música de forma natural, sem esforço e sem exigir volumes exagerados para transmitir presença e realismo.

Sua elevada sensibilidade certamente contribui para isso. Com nenhum dos amplificadores utilizados senti necessidade de ultrapassar 86 dB de pico em nossa sala de 50 m².

Na sala de 12 m², os maiores picos ficaram em torno de 80 dB, mesmo durante a reprodução de música sinfônica.

O mais interessante é que a Orfeo S mantém exatamente o equilíbrio tonal tanto em volumes reduzidos quanto em níveis seguros de audição.

Se você aprecia acompanhar, sem esforço, a linha do contrabaixo ou toda a ‘cozinha’ (baixo e bateria) sem precisar elevar demasiadamente o volume, a Orfeo S é uma candidata perfeita.

Ouvi toda a discografia solo de Jaco Pastorius com picos próximos de 70 dB, na sala de 50 m², sem perder uma única nota do contrabaixo.

Na outra extremidade do espectro, depois de completamente amaciada, a Orfeo S apresenta agudos simplesmente sublimes.

Os pratos possuem enorme extensão e um decaimento tão natural que nosso cérebro permanece acompanhando, fascinado, a lenta dissipação do som até o silêncio absoluto.

Se deseja conhecer rapidamente a qualidade da região média da Orfeo S, ouça vozes.

Comece por elas. Encante-se com as inflexões vocais, as intenções interpretativas e a riqueza das nuances.

Eu levaria essa bookshelf para servir como monitor de referência em gravações de voz.

Quanto ao posicionamento, ela aprecia espaço ao seu redor. Se o objetivo for extrair um palco sonoro realmente amplo, é fundamental permitir que ela ‘respire’.

Também será necessário utilizar um pedestal cuja altura deixe o tweeter alguns centímetros acima da altura das orelhas do ouvinte sentado.

Na sala principal, as caixas permaneceram separadas por 3 metros, posicionadas a 1.90 metro da parede traseira. O ângulo em direção ao ponto de audição foi de apenas 15 graus.

Na sala de 12 m², ficaram afastadas 2.60 metros entre si e 1.40 metro da parede posterior, mantendo exatamente o ângulo.

Com a altura correta do pedestal e um posicionamento cuidadosamente ajustado, elas simplesmente desaparecem da sala, transformando-se em meros objetos decorativos diante do ouvinte.

Em troca, entregam uma imagem sonora extremamente convincente em altura, largura e profundidade.

O foco e o recorte dependerão diretamente da precisão desse ajuste fino.

Minha sugestão é utilizar gravações de voz para encontrar a posição ideal. De preferência, escolha uma gravação em que a voz esteja perfeitamente centralizada entre as caixas.

Após encontrar o ponto exato da imagem central, bastará ajustar cuidadosamente o ângulo das caixas em relação ao ouvinte.

Em nenhuma de nossas salas a Orfeo S demonstrou preferência por ângulos muito fechados. Sempre que exageramos na convergência, a profundidade do palco sonoro diminuía de forma bastante perceptível.

As texturas dela são simplesmente magníficas. Para mim, este foi o quesito que mais encantou dentro da nossa Metodologia de avaliação. Com esta bookshelf, reconhecer timbres e intenções musicais torna-se algo extremamente natural.

Se você ainda tem dificuldade para distinguir um Steinway Model D Concert Grand, um Bösendorfer Imperial 290 e um Yamaha CFX, garanto que a Orfeo S poderá ajudá-lo a registrar, de forma definitiva, as principais diferenças entre esses três magníficos pianos.

Os transientes são precisos, incisivos e extremamente envolventes. A música literalmente pulsa diante do ouvinte. Em nenhum dos exemplos utilizados para fechar a nota desse quesito, houve qualquer sensação de lentidão ou letargia. Ela transmite ritmo, energia e vida à reprodução musical.

A dinâmica também merece destaque. Quanto à microdinâmica, seu desempenho é irrepreensível. Já em relação à macrodinâmica, é importante lembrar que existem limites físicos para um único falante de sete polegadas. Ainda assim, dentro de volumes seguros – tanto para a audição quanto para a integridade da própria caixa – é perfeitamente possível apreciar todas as variações dinâmicas presentes na música sem qualquer sensação de limitação.

O corpo harmônico foi outro aspecto que me surpreendeu. Analisando a Orfeo S apenas visualmente, imaginei que a apresentação do tamanho físico dos instrumentos seria um pouco mais contida.

Enganei-me.

Pianos, contrabaixos e órgãos de tubos foram reproduzidos com uma imponência muito superior à que eu esperava. Quando ouvimos essas mesmas gravações na sala menor, o resultado foi ainda mais surpreendente.

Depois das texturas, o quesito que mais me seduziu nesta bookshelf foi sua organicidade. Como já escrevi anteriormente, as vozes soam extraordinariamente convincentes.

Isso me proporcionou inúmeras audições em que tive o privilégio de literalmente ver o que estava ouvindo, sem o menor esforço.

É exatamente esse tipo de experiência que buscamos em sistemas de alto nível.

CONCLUSÃO

Minha lista de componentes que eu compraria sem hesitar continua crescendo ao longo desses trinta anos.

Agora já preciso usar também os dedos da mão esquerda para contar: são seis bookshelfs que eu teria em meu sistema sem piscar.

Cada uma conquistou esse lugar por um conjunto muito particular de qualidades.

A Orfeo S certamente entra para essa seleção pela beleza de suas texturas, pela impressionante materialização física do acontecimento musical e, principalmente, pela sua musicalidade em volumes reduzidos, permitindo descobrir até que ponto a música permanece integralmente inteligível, refinada e emocionalmente envolvente.

É uma bookshelf destinada ao audiófilo que já percorreu uma longa jornada em busca da caixa acústica ideal e que, ao longo do caminho, sempre encontrou algum pequeno ‘porém’ que o impediu de encerrar definitivamente essa busca.

A Orfeo S representa justamente esse porto seguro.

A caixa para quem olha para trás com gratidão por tudo o que aprendeu ao longo da caminhada e, finalmente, deseja colocar um ponto final nessa incessante procura, concentrando-se apenas naquilo que realmente importa:

A música – e nada mais.

Conversei, durante nosso último Workshop, com vários leitores que se encontram exatamente nessa derradeira encruzilhada.

Depois de inúmeros upgrades, trocas de equipamentos e investimentos ao longo de décadas, muitos já não procuram mais ‘mais graves’, ‘mais agudos’ ou ‘mais impacto’. Procuram, simplesmente, um sistema que lhes permita esquecer a análise técnica e voltar a fazer aquilo que motivou toda essa jornada: ouvir música.

Acredito que a Orfeo S seja uma dessas raras caixas capazes de proporcionar essa sensação de chegada.

Ela não impressiona por efeitos especiais nem por uma apresentação espetaculosa destinada a encantar nos primeiros minutos. Sua maior virtude é justamente a coerência.

Quanto mais tempo se convive com ela, mais difícil se torna desligar o sistema.

E esse, na minha opinião, continua sendo o maior elogio que se pode fazer a qualquer componente de áudio de alto nível.

EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO TESTE

  • Caixa Acústica: Estelon X Diamond MkII (clique aqui)
  • Cabo de interconexão: Dynamique Audio Apex 2 (clique aqui)
  • Cabos de força: Dynamique Apex (clique aqui), Transparent Audio XLPC2 & Opus G6 (clique aqui)
  • Fonte Digital: NADAC C / NADAC D (clique aqui)
  • Pedestais utilizados: Timeless Audio, sendo o melhor resultado foi com o modelo Da Vinci (teste em outubro 2026)
  • Plataforma anti-vibratória: Seismion Reactio-2 (clique aqui)
  • Powers: Monoblocos Nagra HD (clique aqui)
  • Pré-amplificador Nagra II-S (clique aqui)
  • Pré de Phono: Soulnote E-2 SE (clique aqui)
  • Streamer: Nagra (clique aqui)
  • Toca-discos: Zavfino ZV11X (clique aqui)
  • Transporte CD: Nagra

PONTOS POSITIVOS

Uma book Estado da Arte.

PONTOS NEGATIVOS

Cuidados com a qualidade e altura do pedestal, e posicionamento na sala.


ESPECIFICAÇÕES

Faixa de frequência40 a 21.000 Hz
Sensibilidade90 dB (8 ohms)
Frequência de corte do Crossover2200 Hz
Dimensões (L x A x P)22 x 41 x 32.5 cm
Peso11kg (cada)

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