Vinil do Mês: BILL CUNLIFFE TRIO – LIFE AT BERNIE’S (GROOVE NOTE, 2001)

Influência Vintage: GRAVADOR DIGITAL TECHNICS SV-P100 (1981)
5 de junho de 2026
Playlists: GRAVAÇÕES ARTÍSTICA E TECNICAMENTE BEM-FEITAS
5 de junho de 2026

Christian Pruks
christian@avmag.com.br

Todo mês um LP com boa música & gravação

Gênero: Jazz-Trio

Formatos Interessantes: Vinil Importado Duplo 45 RPM

Entre 1990 e 1995, todos os países do mundo pararam de produzir discos de vinil de lançamentos ou catálogo comercial – deixando o CD, que já havia tomado o mundo (naquela época), reinar sozinho. Isso até a volta do vinil ao mainstream – por uma série de motivos – na década de 2010.

Mas, existiu uma Época de Ouro para audiófilos, entre 1995 e 2010, principalmente, onde discos passaram a ser produzidos em baixa tiragem, especificamente para um nicho audiófilo que nunca abandonou o vinil, e que preza principalmente a qualidade sonora que essas prensagens provém: é a época do ‘180 gramas’ audiófilo!

Um desses, provavelmente o disco mais bem gravado que eu tenho, é um exemplo especial da dedicação audiófila: Live At Bernie´s do Bill Cunliffe Trio! Jazz-trio tradicional muito bem tocado pelo pianista Bill Cunliffe, o baixista polonês Darek Oles (Brad Mehldau, Kei Akagi) e o baterista americano Joe LaBarbera (Chuck Mangione, Bud Shank).

A gravadora, Groove Note, gravou e prensou esse disco em 2001, utilizando tudo que havia de disponível de tecnologia e processos audiófilos para a preservação de Qualidade Sonora.

Máquina de Corte Direto

É uma gravação feita “ao vivo” dentro de um estúdio, onde cada faixa é tocada na íntegra pelo Trio todo, sem adições ou modificações posteriores. E não é ‘cada faixa’ e sim ‘cada lado’ composto de 2 faixas, do LP duplo, que é tocado de uma vez só, mixado ‘ao vivo’ e já registrado pela máquina de corte físico do acetato: o chamado ‘disco de Corte Direto’ (Direct-to-Disc). E, aliás, esse é o primeiro projeto do tipo executado pela Groove Note.

O acetato foi então enviado para a empresa de prensagem RTI – Record Technology Inc., que através do processo chamado de 1-step (muito usado até hoje por vários selos audiófilos), passa direto do acetato para a estampa, pulando parte do processo comum que leva à estamparia, reduzindo perdas, ruído e degradação da informação cortada no disco – porém com uma prensagem que usualmente é apenas de 500 a 1000 cópias com uma estampa só, aí diminuindo também perdas sonoras por desgaste da estampa.

E, ainda por cima, a RTI também prensou esse disco em 45 RPM, 180 gramas e, claro, Edição Limitada e numerada!

Tudo que podia ser feito, do ponto de vista audiófilo, para extrair a maior Qualidade Sonora, foi feito – e o resultado ‘soa’ por si.

Selo do disco

Acreditem: musicalmente o disco é excelente, já que Cunliffe é um excelente pianista, o qual tem discos gravados com grandes bateristas como Vinnie Colaiuta (Frank Zappa, Joni Mitchell, Sting) e o baixista John Patitucci (Chick Corea, Wayne Shorter, Herbie Hancock), por exemplo.

Com uma discografia de mais de 30 títulos, o americano William Henry Cunliffe Jr, nascido em 1956, foi criado desde pequeno com música clássica e jazz, sendo filho de uma pianista. Na adolescência tocava rock, até ser convertido permanentemente para o jazz pelos trabalhos do pianista Oscar Peterson, indo estudar na prestigiosa Eastman School of Music.

The Bill Cunliffe Trio

O Live At Bernie´s traz faixas como Satin Doll (Duke Ellington), Waltz For Debbie (Bill Evans), algumas faixas pouco conhecidas, e composições do próprio Cunliffe.

Para quem é esse disco? Para todos os fãs de Jazz-Trio, desde o Bop e o Hard-Bop! E para os fãs de jazz instrumental.

Prensagens interessantes? Só existe uma prensagem, americana, de 2001/2002, pelo próprio selo Groove Note, em Edição Limitada (leia-se: tiragem pequena).

E que junho seja ainda mais cheio de música!

Ouça um trecho da faixa “Satin Doll” no YouTube

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