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Fernando Andrette
fernando@avmag.com.br

Em uma década, o designer Antonio Meze construiu uma reputação impressionante no segmento de fones de ouvido. A fabricante romena se destacou em um mercado competitivo ao combinar design sofisticado e performance hi-end.

Sou fã da marca desde que testei o 99 Classics, que permanece comigo. Depois dos primeiros fones fechados, a Meze surpreendeu ao entrar no segmento de modelos magneto-planares de alto nível, como Empyrean, Elite e Liric, todos já testados nesta revista. Atenta ao mercado, a empresa percebeu uma lacuna em sua linha de fones fechados e desenvolveu o Strada: um modelo dinâmico, circumaural e fechado, com preço de US$ 800 no exterior e a proposta de reunir as qualidades que tornaram o 99 Classics conhecido.

Sempre me pergunto como a Meze consegue oferecer um acabamento tão cuidadoso por um preço competitivo. O Strada parece visualmente mais caro do que é. Suas conchas usam ébano

Makassar, cujos veios realçam a madeira. A estrutura de magnésio recebe acabamento verde-escuro metálico, de aparência automotiva. A faixa de cabeça, mais larga que a do 99 Classics, traz almofadas macias que distribuem melhor os 330 g do fone. Na parte inferior, há couro e uma logomarca discreta. Os ajustes deslizantes de metal se movem suavemente e ajudam a encontrar a posição desejada. As almofadas circumaurais cobrem as orelhas e isolam bem o ruído externo.

Com impedância de 40 ohms, o Strada também pode ser utilizado com um celular.

Ele vem em estojo rígido, acompanhado de dois cabos trançados, de 1.8 m e 3.5 m, um plugue de 4.4 mm e um adaptador de 6.3 mm.

Quando leitores perguntam se os fones sem fio já alcançaram os melhores modelos com fio, respondo que depende de quais produtos estão sendo comparados. Diante do Strada, a comparação se torna difícil, apesar da evolução dos codecs nos últimos anos.

No teste, utilizei o fone com o DAC NADAC D (clique aqui), com o Nagra TUBE DAC (clique aqui) e com vários celulares. Comparei-o diretamente ao 99 Classics, que conheço bem e uso desde 2017. O avanço é enorme: o Strada pertence a outro patamar de performance.

O equilíbrio tonal melhorou em todas as regiões. Os graves se estendem mais, os médios soam mais naturais e os agudos apresentam maior extensão e arejamento, lembrando, nesse aspecto, os modelos planares da própria Meze. A sonoridade é graciosa e relaxada, convidando a longas sessões. Quem acompanha meus testes sabe que raramente passo de duas horas ouvindo fones. Com o Strada, cheguei a ultrapassar quatro horas, o que atribuo à ergonomia e à ausência de fadiga auditiva.

Nas caminhadas diárias, usei o fone com celulares por meio do Go Link 2 da iFi Audio (clique aqui).

As texturas também são mais refinadas que as do 99 Classics, com timbres e intenções musicais apresentados de forma convincente. Os transientes permitem acompanhar sem esforço

pequenas mudanças de tempo. A macro-dinâmica tem mais autoridade e folga – em volumes seguros, pude apreciar os fortíssimos sem precisar reduzir o nível de reprodução. O silêncio de fundo favorece a percepção dos detalhes mais sutis de microdinâmica, mesmo em volume baixo. Em gravações de boa qualidade técnica, impressiona a solidez das imagens sonoras percebidas dentro da cabeça ou à frente do ouvinte.

CONCLUSÃO

Os fones da Meze alcançaram um nível de performance que torna difícil estabelecer uma hierarquia simples entre eles. Para o consumidor, a escolha pode se concentrar no orçamento e nas preferências pessoais.

Para quem conhece e aprecia o Meze 99 Classics, porém, a diferença é clara: o Strada está vários degraus acima. Se ele ultrapassa seu orçamento, ouvi-lo talvez torne difícil voltar ao modelo anterior.

A combinação de acabamento, design, conforto e performance também representa um desafio para concorrentes e para outros fones da própria Meze, inclusive os mais caros. A meu ver, Antonio Meze criou um modelo com potencial para se tornar um ícone da marca.

Para quem prefere fones fechados, o Strada merece uma audição como possível escolha definitiva. Ouça e veja se concorda comigo.


PONTOS POSITIVOS

Uma referência entre os fones fechados.

PONTOS NEGATIVOS

Nenhum identificado no teste.


ESPECIFICAÇÕES

Tipo de driverDriver dinâmico de 50 mm (cúpula de composto de biocelulose com suspensão revestida de berílio)
Faixa de frequência5 Hz a 30 kHz
Impedância40 Ω
Sensibilidade111 dB (SPL/mW a 1 kHz)
Distorção Harmônica Total (THD)< 0,1% (a 1 kHz)
Conector de entradaConector TS duplo de 3.5 mm
Peso330 g
Capas para os fones de ouvidoMadeira de ébano Macassar
Material da armaçãoMagnésio e zinco

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