Teste 5: PEDESTAL DE CAIXA DA VINCI DA TIMELESS AUDIO

Espaço Aberto: INDICAÇÕES DE MÚSICA INTERESSANTE – OUTUBRO 2026
5 de outubro de 2026
Teste 4: DAC BLUETOOTH ZEN BLUE 3 DA IFI AUDIO
5 de outubro de 2026

Fernando Andrette
fernando@avmag.com.br

“O QUE SABEMOS É UMA GOTA; O QUE IGNORAMOS É UM OCEANO” – Isaac Newton

Quando as caixas bookshelf surgiram na década de setenta do século 20, elas eram embutidas em prateleiras de estantes, ou ficavam apoiadas no próprio móvel em que o sistema de áudio se encontrava.

E por anos à fio, ali ficavam, cumprindo seu papel de reproduzir música no ambiente.

Os primeiros pedestais para caixas surgiram nos anos oitenta, à princípio de forma tímida, até que foram ganhando reconhecimento e passaram a ser fundamentais para quem exigia muito mais que som ambiente apenas.

Com sua popularização e importância, inúmeros fabricantes de caixas hi -end passaram a oferecer com seus modelos books, pedestais desenvolvidos sob medida.

E, a partir dos anos noventa, inúmeros fabricantes de pedestais para caixas se estabeleceram, e a diversificação de conceitos se ampliou exponencialmente.

Hoje me parece inconcebível investir em uma caixa book, e não buscar também um pedestal adequado.

Na revista, nos trinta anos, testamos vários modelos, nacionais e importados, e o item mais levado em conta na avaliação é o grau de compatibilidade do produto com o maior número de books que estejam à nossa disposição naquele momento.

Ainda assim, muitos novos leitores têm muitas dúvidas sobre o que um pedestal deve ou não fazer?

Pois muitos acreditam que a função primordial dele seja deixar a book na altura correta para a audição e, se possível, eliminar vibrações de baixas frequências que possam irradiar para o piso da sala.

A questão é que essas são apenas duas das equações que separam um pedestal de um excelente pedestal.

Para entendermos a complexidade, temos que entender que uma caixa acústica além de um transdutor sonoro, é também um sistema mecânico.

Pois o movimento dos falantes produz forças de reação que irradiam sobre o gabinete das caixas, enquanto micro-vibrações são distribuídas em diferentes frequências simultaneamente.

E o pedestal participa mecanicamente do sistema como um todo.

Para solucionar essa equação tem inúmeras possibilidades – uns fabricantes de pedestais buscam utilizar materiais como ferro ou alumínio, com enchimento de areia nos tubos, na tentativa de deixar o pedestal o mais inerte possível.

Outros investem em bases de pedra para o pedestal, como mármore e similares. E alguns em pedestais de madeira.

O problema é que cada caixa se comporta de uma maneira nessas inúmeras opções. Algumas se comportam de maneira satisfatória, e outras perdem corpo, soam secas nos graves, trazendo fadiga auditiva e desconforto em audições mais prolongadas.

Alguns fabricantes, como a Timeless Audio, foram por um outro caminho, como o de conduzir essa energia de maneira controlada, tratando o pedestal como uma extensão mecânica da caixa acústica.

Para os que achem essa abordagem interessante, leiam meu teste de um pedestal da Timeless na edição 277. O que me chamou a atenção naquele teste, foi o alto grau de compatibilidade do pedestal da Timeless com várias caixas books que, durante seis meses, passaram na nossa Sala de Referência.

Muitos projetistas se contentam com uma solução diferenciada, que se mostrou correta na prática.

Mas não o Giovanni Palomba, com sua mente repleta de ideias ousadas e sempre disposto a colocar à prova suas teorias. Ele começou a questionar qual seria o próximo passo para controlar ainda melhor a energia mecânica produzida pelas caixas acústicas.

O que puxou uma outra questão em sua mente: Seria possível atuar antes que essas forças produzissem momentos mecânicos significativos sobre a estrutura?

E depois de meses de elucubrações mentais, surgiu outra pergunta: Como utilizar a própria geometria do sistema para controlar as forças que geram essas reações?

Foi com essas três questões queimando seus neurônios, que surgiu o conceito denominado Da Vinci.

É importante que o amigo leitor entenda que este conceito não nasceu do zero, sua base veio do desenvolvimento do pedestal Unlimited, já que na prática este se mostrou eficiente em diversos quesitos, como:

  • Melhorar o comportamento mecânico de diferentes caixas acústicas
  • Entender o centro de gravidade de cada caixa
  • Aprimorar a distribuição de massa sobre o pedestal
  • Ter rigidez estrutural suficiente sem alterar o equilíbrio tonal da caixa
  • Melhorar a condução e dissipação de energia
  • Ter uma interação eficiente com diferentes pisos
  • E possibilidade de ajustes finos durante a audição

Como todas essas ideias se mostraram corretas na prática, surgiu a resposta para o desenvolvimento do conceito Da Vinci.

Sabendo que o pedestal participa mecanicamente do sistema, talvez a solução não esteja em fazê-lo cada vez mais rígido e robusto, e sim em fazê-lo cada vez mais preciso.

E aí entra a famosa frase de Albert Einstein: “90% de transpiração e 10% de inspiração” – pois para se chegar ao desenho final do Da Vinci, foram desenvolvidos mais de quarenta conceitos.

E foram investigados:

  • Estruturas tensionadas
  • Sistemas pendulares
  • Geometrias trianguladas
  • Princípios utilizados em tensor grids
  • Caminhos direcionais de força
  • Equilíbrio dinâmico
  • Distribuição vetorial de carga
  • Desacoplamento seletivo
  • Controle geométrico de reação mecânica

O processo, segundo o Giovanni, se aproximou mais de uma investigação conceitual e experimental do que do desenvolvimento convencional de mais um produto.

Partindo do processo de: Hipótese – Simulação – Observação – Modificação, até a construção do primeiro protótipo.

HORA DE APLICAR A FÍSICA – FORÇA, BRAÇO DE ALAVANCA E MOMENTO

Quando um transdutor acelera sua massa móvel, uma força de reação é transmitida ao gabinete.

De forma simplificada: “F= m x a”, sendo que F é a força, M a massa acelerada, e A a aceleração.

Essa força de reação faz parte inevitável da física ao funcionamento de toda caixa acústica. E essa força pode produzir efeitos mecânicos muito diferentes, dependendo de sua posição em relação a um ponto de referência.

Porém, quando existe um braço de alavanca, surge uma nova fórmula: “M= F x d”, onde M é o momento mecânico, F a força aplicada, e D a distância entre a linha de ação de força e o ponto de referência.

E isso levou o Giovanni a pesquisar como reduzir os movimentos de forças mecânicas indesejados.

Já que um woofer pode apresentar deslocamentos da ordem de milímetros, por isso o controle das reações da estrutura torna-se particularmente relevante, e deve ser levado em consideração.

No conceito Da Vinci, a força de reação continua existindo, o que muda é a maneira como ela encontra a estrutura e como essa força é direcionada.

Com o protótipo feito, o próximo passo era comparar o Unlimited com o Da Vinci, lembrando que o conceito do Unlimited se baseou no princípio de: Força de reação – estrutura – condução controlada – dissipação progressiva, administrando a energia que chega ao pedestal

Já o conceito do Da Vinci é diferente: Força de reação – geometria – equilíbrio – distribuição de forças, e minimização do movimento mecânico, representando uma mudança significativa de arquitetura.

Poderia resumir o conceito dos dois pedestais da seguinte maneira:

No Unlimited, a engenharia trabalha principalmente sobre o caminho da energia.

No Da Vinci, a engenharia trabalha sobre a geometria das forças.

E para se alcançar tamanho desafio, para a aplicação do conceito Da Vinci, foi necessário abandonar a ideia de que uma caixa acústica poderia ser tratada simplesmente como alguns quilogramas apoiados sobre uma plataforma.

E se debruçar em múltiplas variáveis como: posição do centro de gravidade da caixa, distribuição de massa, dimensões do gabinete, posição dos falantes no gabinete, altura relativa dos centros acústicos, geometria de apoio, posição do ponto do suporte.

Então é preciso entender que o projeto Da Vinci começa pela caixa acústica e não pelo pedestal.

Cada caixa acústica terá, portanto, seu modelo exclusivo de pedestal Da Vinci.

A IMPORTÂNCIA DO CENTRO DE GRAVIDADE E DO END POINT DE CADA CAIXA

No pedestal Da Vinci, o End Point é a referência primordial. Pois, mais do que um ponto de contato entre a caixa e o pedestal, ele constitui uma das principais referências geométricas do projeto.

Sua posição é definida em relação às características específicas da caixa acústica, especialmente seu centro de gravidade e sua geometria.

A partir das medidas são estabelecidos o desenvolvimento do pedestal da Vinci, levando-se em consideração: Caixa – centro de gravidade – End Point – suspensão – braço estrutural e contrapeso.

Sei que a explicação da ideia ficou extensa, amigo leitor, mas ideias geniais não conseguem ser apresentadas de maneira rasa ou resumida.

Aguente firme, pois estou chegando ao final desta parte teórica.

O conceito Da Vinci não é eliminar as forças inerentes em todas as caixas acústicas, mas controlar a maneira como essas forças atuam sobre a estrutura e reduzir os movimentos mecânicos indesejados.

E chegamos ao contrapeso existente neste pedestal, e que é de suma importância para seu primoroso resultado sonoro.

À primeira vista, aquele cilindro colocado abaixo da caixa, pode parecer algo estranho demais, porém ele é parte essencial dos fundamentos do conceito. Sua função não é simplesmente adicionar massa ao pedestal, e sim estabelecer uma relação controlada entre: massa da caixa e o braço de alavanca.

E para esse ajuste fino, o contrapeso tem inúmeros ajustes possíveis, em que pequenas alterações geométricas podem modificar significativamente a calibração precisa da caixa no pedestal.

Conheci o pedestal Da Vinci no nosso último Workshop, realizado em abril. No sábado o Giovanni me perguntou se no domingo pela manhã eu poderia ouvi-lo em nossa sala do evento.

Fiquei meio reticente, pois ele iria me apresentar o protótipo com uma caixa Wharfedale Super Denton, em uma sala de mais de 150 metros.

Mas o receio se dissipou assim que apertei o play e ouvi a Fanfarra do Copland, uma das faixas que uso no Workshop para mostrar soundstage, corpo harmônico e dinâmica.

A apresentação foi notável nos três quesitos, levando-me a fazer inúmeras perguntas simultâneas.

Como ainda não havíamos testado a Super Denton na revista solicitei, se ao término do evento, ele poderia disponibilizar a caixa e o Da Vinci, para ouvir em nossa Sala de Testes.

E assim foi feito.

Junto com o término do Workshop, também nos foi enviadas as Odeon Orfeo S (clique aqui) e, no dia que o Giovanni trouxe as Super Denton e o Da Vinci, fiz uma breve apresentação da Orfeo S no seu pedestal Unlimited (minha referência em pedestal para books) e perguntei se ele não poderia fazer um Da Vinci para a Odeon, e eu poder testar duas caixas distintas (Orfeo S e Super Denton), em ambos os pedestais da Timeless.

Ele prontamente topou, e para este teste utilizamos então duas excelentes books: Wharfedale Super Denton (teste em breve) e Odeon Orfeo S (clique aqui).

Começarei pela conclusão: Ambas as books no pedestal Unlimited tiveram a nota que publicarei no teste da Super Denton e já publiquei no teste da Odeon Orfeo S (clique aqui) e com o pedestal Da Vinci sobem pelo menos de um ponto e meio a dois pontos.

Pode, para muitos dos nossos leitores, parecer pouco, mas preciso sempre lembrar aos que não tem familiaridade com nossa Metodologia, que acima de 95 pontos, cada ponto adicional tem uma melhoria audível consistente.

A mais significativa diferença entre os dois pedestais se encontra na imagem sonora tridimensional, que no Da Vinci faz as caixas sumirem literalmente de nosso campo visual, e com isso há melhoria do foco, recorte e planos.

E, consequentemente, nosso cérebro irá adorar a sensação de materialização do acontecimento musical. Tudo soa mais descongestionado, com uma fluência encantadora.

As fundamentais se destacam, sem se tornarem incisivas demais, permitindo apreciar os longos decaimentos de instrumentos solo, ou a técnica vocal de grandes cantores.

Para o teste liguei ambas as books com um arsenal de amplificadores integrados: Arcam SA35 (clique aqui), Soulnote A-2 versão 2 (clique aqui), Quad 3 (teste em breve), Norma Revo IPA-140 (clique aqui), e Air Tight ATM-1E (clique aqui).

Com vários cabos de caixa da Virtual Reality e Dynamique Audio Apex.

E essas características citadas entre os dois pedestais da

Timeless, se mantiveram em todos os setups.

Eu em breve receberei o Da Vinci para ouvir na Wharfedale

Super Linton, uma book de grandes dimensões, e caso as diferenças sejam ainda mais significativas, irei compartilhar com vocês minhas conclusões, OK?

CONCLUSÃO

Fiz o papel do ‘advogado do diabo’ ao questionar com o Giovanni o fato de ser um pedestal hi-end personalizado, e se isso não seria um empecilho para que o consumidor renuncie ao Unlimited e opte pelo Da Vinci?

Ele está curioso para saber também.

Depois desta longa convivência com ambos, minha opinião é que o Da Vinci só será a escolha para aquele leitor que já tem sua book definitiva, está integralmente satisfeito e deseja tirar de seu setup o último ‘sumo’ de performance.

Neste caso, eu não apenas endosso o Da Vinci, como afirmo ser o acessório mais importante para se extrair tudo que uma book hi-end oferece.

Se você se enquadra nesse perfil, eu sugiro iniciar conversações com a Timeless Audio, para adquirir seu pedestal personalizado.

Editorialmente, afirmo ser o pedestal de caixa mais impressionante que já testamos nesses trinta anos!


PONTOS POSITIVOS

Um pedestal revolucionário.

PONTOS NEGATIVOS

Tem que ser totalmente personalizado para cada modelo de caixa acústica.


ESTADO DA ARTE SUPERLATIVO



Timeless Audio
giovannipalomba@gmail.com
(11) 98211.9869
Pedestal é customizado e feito especificamente para cada caixa, onde o preço do pedestal varia entre R$12.000 e R$17.000

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *