Influência Vintage: AMPLIFICADOR INTEGRADO PIONEER A-400 (1990)

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Christian Pruks
christian@avmag.com.br

Equipamentos Vintage que fazem parte da história do Áudio

O termo Vintage tem a ver com ‘qualidade’, mais do que ‘ser antigo’. Vem do francês ‘vendange’, safra, sobre uma safra de um vinho que resultou excepcional. ‘Vintage’ quer dizer algo de qualidade excepcional – apesar de ser muito usado para designar apenas algo antigo.

MADE IN JAPAN

O Japão dominou o mercado de áudio mundial do começo da década de 70 até a virada para a década de 90 – mas principalmente provendo o aparelho de som como um eletrodoméstico.

Mesmo assim, várias marcas japonesas tiveram, ao longo dos anos, equipamentos adotados por audiófilos – quando os mesmos eram desenvolvidos tendo em mente as exigências, as demandas desse nosso nicho de mercado.

Uma dessas empresas que fizeram aqui e ali grandes equipamentos ‘audiófilos’, é a célebre Pioneer.

O AMPLIFICADOR INTEGRADO PIONEER A-400

Em 1990, quando a Pioneer fez o A-400, o consumo de equipamentos de áudio estava começando a mudar mundialmente, indo para microsystems e outras coisas, e logo surgiria a multimídia em computadores e o home-theater – e ainda na mesma década, a Internet – todas coisas que mudariam o entretenimento caseiro para sempre.

Com um bocado de lobby por parte da comunidade audiófila inglesa, e inclusive da própria filial da Pioneer no Reino Unido, a empresa no Japão resolveu em 1990 fazer um amplificador de acordo com os preceitos e necessidades audiófilas – e foi um tremendo sucesso!

Em anos mais recentes, a própria Pioneer fez outros produtos audiófilos, como as caixas desenvolvidas pelo famoso projetista inglês Andrew Jones (depois da Elac e da MoFi) – mas aqui, o A-400, ainda é um aparelho desenvolvido no Japão, por japoneses, especificamente para audiófilos ocidentais.

O que faz dele um amplificador ‘audiófilo’? É espartano em recursos, pois sabemos que circuitos mais complexos e com caminhos de sinal mais longos, interferem na qualidade sonora – então ele não tem controle tonal ou de loudness. O tipo de sonoridade dele foge de coisas mais fatigantes normalmente associadas ao áudio nipônico daqueles anos, e procura o suave e mais correto, e mais musical: um som que conquistou o mercado britânico.

Provendo ‘apenas’ 50W por canal em 8 ohms – mais que suficiente para as caixas da época, onde muitos amplificadores integrados tinham algo entre 20 e 30W de potência – o A-400 tem boas medições de resposta de frequência e de distorção harmônica, e ainda trazia um pré de phono interno para cápsulas MM e MC (o qual foi bastante criticado por não estar no mesmo nível do amplificador, usando opamps de qualidade ordinária).

O Pioneer A-400 foi premiado e altamente elogiado por várias revistas de áudio da época, como a What Hi-Fi (Produto do Ano), a High Fidelity Magazine, a Audiophile Magazine e a Hi-Fi Choice, entre outras.

Sua etiqueta de preço era extremamente competitiva, indo de frente com aparelhos que custavam até 3 vezes seu preço, que era de 240 libras esterlinas – o que significa, em valores atualizados, algo próximo de 700 libras ou 930 dólares! E, ainda hoje, para interessados e colecionadores, um A-400 custa, no mercado de usados internacional, algo entre 200 e 500 dólares, dependendo do estado e se foi revisado ou não.

MODELOS SEMELHANTES

Por ser um dos amplificadores japoneses da ‘época áurea’, de bom preço, com sonoridade que agradou o exigente mercado britânico, o A-400 é um dos nomes de amplificadores mais lembrados, junto com o célebre NAD 3020 – apesar do Pioneer ser considerado mais ‘refinado’, mais detalhado, mais ‘high-end’ que o NAD, que ‘tocava redondo’ apenas.

Poucos anos depois, a Pioneer lançou uma atualização, o A-400X – cujo visual é idêntico a não ser pela supressão da saída para fones de ouvido – mas que não fez sucesso, e até hoje não é considerado bem pelos colecionadores ou fãs do A-400, porque suprimia características que eram consideradas interessantes, como a dinâmica, pegada e vivacidade, para ganhar um pouco mais de refinamento. O A-400X, portanto, errou o alvo.

No geral, muitos adoram o A-400, mas muitos outros não consideram que ele fazia frente a famosos amplificadores integrados audiófilos da época, como o Audiolab 8000A, o Arcam Delta290 Alpha9 ou o Marantz PM80.

COMO TOCA O PIONEER A-400

A qualidade do A-400 foi uma espécie de aclamação pública, uma quase unanimidade – junto com seu bom preço – trazendo (com as caixas bem casadas), um som com pegada, potência e articulação, e ainda assim, bom equilíbrio, resolução e calor.

Ou seja, interessante e surpreendentemente refinado para o padrão de seu tempo.

As críticas sempre foram sobre seu pré de phono ser ‘aquém’ do esperado ou necessitado. E sua ilusão de palco, que soava arejado e largo, mas com pouca profundidade – coisa que, aliás, seria muito ajudada ou até resolvida com bons cabos de hoje em dia!

SOBRE A PIONEER

A Pioneer Corporation (Paionia Kabushiki-gaisha), sediada em Tóquio, no Japão, foi fundada por Nozomu Matsumoto em 1938, para consertar rádios e alto-falantes. É especializada em eletrônicos de consumo que, na maior parte de sua história, foram equipamentos e caixas de som.

A empresa introduziu no mercado, em 1962, seu primeiro aparelho de som modular e, na década de 70, em sociedade com a Warner Bros, passaram a ser distribuidores no Japão do catálogo fonográfico de todos os selos pertencentes à Warner/WEA, até 1990. A partir de 1981, foram uma das empresas mais ativas no desenvolvimento do Laserdisc, e na fabricação de receivers e equipamentos para hi-fi, assim como uma das pioneiras nos aparelhos de DVD – além do mercado de som automotivo, GPS, equipamentos para DJ, drivers de CD/DVD/DVD-RW para computador, TVs de plasma e, depois, de LED e OLED, entre vários outros.

A divisão de Home Audio da Pioneer havia sido vendida para Onkyo em 2015. Mas, apesar da Onkyo ter notoriamente pedido falência, as marcas de áudio Pioneer e Elite haviam sido, em 2021, vendidas pela Onkyo para a companhia americana Voxx International – proprietária das fabricantes de caixas Klipsch e Jamo, entre várias outras.

Poucos anos depois, em 2025, a empresa foi adquirida pela CarUX, uma subsidiária da InnoLux Corporation, de Taiwan – que fabrica paineis LCD para empresas como Toshiba, Samsung, Philips, LG, Sony, Panasonic, Sharp, Lenovo, HP e Dell.

Um bom agosto a todos – e não deixem a música parar!

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