Vinil do Mês: SUPERTRAMP – PARIS (A&M RECORDS, 1980)

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Christian Pruks
christian@avmag.com.br

Todo mês um LP com boa música & gravação

Gênero: Art Rock / Progressivo

Formatos Interessantes: Vinil Importado Duplo

Desde a década de 80 até hoje, falo que o melhor e mais redondo disco ao vivo de uma banda de rock, é o Paris do Supertramp.

E veio até mim como parte das longas audições de rock progressivo que eu fazia com meu vizinho, dos discos do irmão mais velho dele – que efetivamente ouviu tudo que ele conseguiu de progressivo na década de 70, enquanto o negócio estava literalmente acontecendo.

Paris é o melhor álbum ao vivo para mim (não que vários outros de várias bandas não sejam excelentes), e não é pela qualidade de som – que é muito boa – e sim pelo repertório e pela capacidade musical da banda. Afinal, o Supertramp gravou o disco na sua série de shows na capital francesa, logo após lançar todos seus grandes discos, com todos seus grandes sucessos! A playlist do disco é impecável – não há uma faixa que não seja excelente!

Encarte

Eu sempre medi a capacidade musical de uma banda de rock, pelo quão bem eles tocavam ao vivo – e desnecessário dizer que, por isso, me decepcionei com muitas bandas famosas e cultuadas, por sua performance fraquinha em discos ao vivo. Um especialista em rock que, efetivamente, assistiu todas (ou quase todas) bandas de rock ao vivo na década de 70, costumava apontar que algumas delas, inclusive algumas famosas de progressivo, eram perda de dinheiro e de tempo de ver ao vivo, de tão mal que tocavam (seja por desleixo, falta de entrosamento, o que for…) – e eu acredito piamente.

Encarte

Um amigo de quase quatro décadas, músico e profissional de estúdio, costumava me dizer que discos ao vivo nunca concorrem como melhor disco da banda, apenas discos de estúdio. Dizia ele que os discos ao vivo são imperfeitos, e cheios de erros (daquele tipo que só músico ‘pesca’, ou com os quais só músico se importa), são discos tecnicamente imperfeitos. Um dia ele me disse que os discos de estúdio, quando eram premiados, o prêmio ia para o produtor! Bizarro…

Encarte

Quando eu vejo o que uma banda realmente boa é capaz em termos de musicalidade, arranjo, entrosamento, tocando ao vivo, eu sempre penso que, no que me concerne, o produtor pode ficar com o prêmio em cima da lareira dele, se achando o máximo…

Porque quem sabe, faz ao vivo!

E o Supertramp fazia.

Esse disco de vinil duplo foi gravado ao vivo no Pavillon de Paris, em novembro de 1979, pelo estúdio móvel Mobile One, depois mixado no Chateau Recorders em North Hollywood, e masterizado no A&M Recording Studios.

Selo

Traz algumas das melhores faixas dos discos da década de 70 da banda – ou seja, sua época áurea. O Supertramp é considerado como uma mistura de Art Rock e Prog Rock – e eu mesmo sempre o vi pela elaboração da composição, arranjo e instrumentação.

Dito isso, tem algumas faixas com uma levada mais ‘pop’ (pop anos 70, diga-se), como Breakfast in America e Logical Song. E tem umas faixas de complexidade e grandiosidade tipicamente progressivas – e de duração bem mais longa – como A Soapbox Opera, Fool’s Overture e Crime of the Century, que são as minhas preferidas da banda de todos os tempos.

Algumas pessoas vão se lembrar do trabalho mais comercial do Supertramp na década de 80, nas paradas de sucesso, mas o show Paris é outro nível, outra coisa – e para quem pouco conhece essa época da banda, é um verdadeiro descobrimento!

Prensagem Audiófila

Agora, como sempre, acho engraçado os críticos que disseram que o álbum não está à altura dos trabalhos de estúdio da banda – e eu acho o completo oposto disso… Certas coisas eu nunca vou entender. Tanto que as críticas dos compradores se alinham com as minhas, e são mais ou menos unânimes, e o disco chegou ao número 8 dos 200 melhores discos da Billboard, de 1980!

Formado, para esse show, por Rick Davies nos vocais e teclados, Roger Hodgson na guitarra, vocais de teclados, John Helliwell no saxofone, Dougie Thomson no baixo, e Bob Siebenberg na bateria e percussão, o Supertramp foi fundado por Rick Davies em 1970 em Londres, Inglaterra, com o apoio financeiro do milionário holandês Stanley Miesegaes, e teve como primeiro membro contratado – e mais marcante voz – Roger Hodgson.

Sem atingir sucesso comercial nos dois primeiros discos, Miesegaes tirou seu apoio financeiro e, dois anos depois, a banda explodiu quase que mundialmente com o álbum Crime of the Century (A&M Records, 1974).

Na década de 80, Hodgson deixou a banda, mas Davies seguiu em frente com novos álbuns e turnês até o final da década de 90. Depois, com pequenas turnês a aparições nos últimos 25 anos, fechou-se o ciclo de vida da banda com o falecimento de Rick Davies, em 2025.

CURIOSIDADES

Existe um DVD/Blu-ray de 2012 – e um disco de vinil triplo de 2025 – chamado Live in Paris ‘79 (Universal Music) que foi gravado a partir das masters da terceira noite da mesma sequência de shows (29 de novembro a 2 de dezembro de 1979) onde gravaram o original disco Paris. O original (deste artigo) é todo da primeira noite, 29 de novembro.

O Pavillon de Paris, local de shows e eventos, e onde aconteceu essa série de quatro shows do Supertramp em 1979, tinha sido, anteriormente, um matadouro.

Depois do imenso sucesso do disco Breakfast in America, a banda resolveu gravar o Paris para ter material, disco novo, nas lojas, para ganhar tempo até conseguirem se organizar e fazer um disco novo de estúdio, especialmente um que fosse à altura do Breakfast in America.

Para quem é esse disco? Para todos os fãs de rock progressivo e de art rock das décadas de 70 e parte de 80. Quem ouve o inconfundível – e grandemente acessível – som do Supertramp, rapidamente descobre se gosta da banda ou não. Poucos conheci até hoje que não gostassem.

Prensagens interessantes? O Paris foi prensado em vinil quase que no mundo inteiro, de 1980 até 1991, aproximadamente. Claro, como sempre, as melhores prensagens são as inglesas, alemãs, americanas e, a melhor de todas: a japonesa. E, se possível, deve-se procurar uma do primeiro ano ou, no máximo, começo da década de 80. Não tenho notícias de prensagens de 180 gramas atuais – mas existe uma especial (A&M Records, 1982, Canadá) ostensivamente escrita “Audiophile” em letras garrafais na capa, que é considerada a melhor prensagem até hoje, recebendo todo o tratamento especial: master feita pelo Bernie Grundman em ‘half-speed’ e depois prensando no Japão pela JVC em “Super Vinyl”, que é considerado o material vinil com superfície mais silenciosa do mundo.

E que junho seja ainda mais cheio de música!

Ouça um trecho da faixa “School” no YouTube

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