

Christian Pruks
christian@avmag.com.br
Todo mês um LP com boa música & gravação
Gênero: Eletrônico / Progressivo
Formatos Interessantes: Vinil Importado Duplo
Primeiro é preciso lembrar que a música eletrônica da década de 70 não tem nada a ver com que se pensa da música eletrônica atual – e nem a atual eu diria que tem a ver com a atual…rs! Dizer “música eletrônica” é como dizer “música que usa violão ou guitarra” – tamanha a quantidade de gêneros que usam esse tipo de instrumento.
Mas, quem gosta de Rock Progressivo, depois chamado de Art-Rock, lembra de expoentes como Jarre e Vangelis, mencionados junto com o célebre grupo alemão Tangerine Dream. E o alemão Klaus Schulze foi, efetivamente, um dos membros do Tangerine Dream, bem no começo, por menos de um ano, e no papel de baterista – uma aptidão e dedicação aos ritmos que transparece em muitos dos seus discos, e isso na minha opinião é uma das coisas que enriquecem um bocado sua música.

Parte da fama de Schulze é por ter sido do Tangerine Dream, e parte é por ter gravado mais de 60 discos em 40 anos de atividade, ter fundado bandas como Ash Ra Tempel e assim ter sido uma figura ativa no cenário do Krautrock – a chamada de ‘música espacial’ ou ‘música cósmica’, forte vertente experimental do rock alemão do final da década de 60 e grande parte de 70. E essa ‘cosmicidade’ e experimentalismo acabaram por por essas bandas no mesmo balaio de gato do Progressivo do resto da Europa, especialmente do prolífico Reino Unido.
E também Berlim, a cidade de Schulze, foi o cenário da famosa Escola de Berlim da música eletrônica (da qual Tangerine Dream faz parte), o que faz de Klaus aqui um dos iniciantes, formadores e fomentadores do rock experimental, progressivo e eletrônico, na década de 70, em seu país – e com um bom reconhecimento em várias partes do mundo.
O disco X (com esse nome por ser o décimo disco de Schulze) poderia ser facilmente definido como sendo do estilo do Tangerine Dream – o que vai agradar muitas gente – mas com um par de diferenciais: bateria e percussão, que o tornam extremamente mais rico musicalmente, e ocasionais cordas como cello e violino, e uma orquestra de cordas gravada separadamente e manipulada eletronicamente, coisa típica do experimentalismo.

O X, que é muito mais musical e palatável, e interessante, que a maioria do trabalho de loopings e sequencers da maioria dos discos do Tangerine Dream, tem uma temática geral: todas as (longas) faixas levam nomes de intelectuais que influenciaram Schulze, como o filósofo Friedrich Nietzsche, o poeta austríaco Georg Trakl, o escritor americano de ficção científica Frank Herbert, o organista Friedemann Bach (filho do famoso compositor clássico), Ludwig II Von Bayern (Rei da Baviera), e o escritor Heinrich Von Kleist. Aliás, o disco seguinte de Schulze chama-se Dune, dedicado à maior obra literária de Frank Herbert, de mesmo nome.
Além de Schulze liderando nos sintetizadores e percussão, o disco conta com Harald Grosskopf na bateria, Wolfgang Tiepold no cello, B. Dragić no violino solo, e cordas da Orchester des Hessischen Rundfunks (usada em loop manipulado eletronicamente).

X é composto, arranjado, gravado e mixado pelo próprio Schulze, que usa os seguintes instrumentos eletrônicos: Moog, Ppg Synthesizer, Minimoog, Arp Odyssey, Korg Polyphonic, Polymoog, Synthi A, e Mellotron.
Para quem é esse disco? Para todos os fãs de música eletrônica instrumental ligada ao Rock Progressivo da década de 70, assim como fãs do progressivo propriamente dito. Mas muitos dos que tiveram apenas contato com o gênero Ambient do eletrônico das últimas décadas, também poderão apreciar muito X.
Prensagens interessantes? As melhores são as várias prensagens alemãs pelo selo Brain Records, da década de 70 e começo de 80, assim como a prensagem americana. Existe uma prensagem alemã de 2009 que pode ser boa. E uma ‘Europeia’ de 2017 que é aquela que me deixa com os dois pés atrás por ser ‘remasterizada’.
E que maio seja ainda mais cheio de música!