Vinil do Mês: TRIUMVIRAT – OLD LOVES DIE HARD (EMI / HARVEST, 1976)

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Christian Pruks
christian@avmag.com.br

Todo mês um LP com boa música & gravação
Gênero: Rock Progressivo
Formatos Interessantes: Vinil Nacional / Importado

Existem as pessoas que conviveram com rock progressivo, entre as décadas de 70 e 80 – sendo que nesta última, os adolescentes estavam ouvindo os discos de seus irmãos ou primos mais velhos, ou estavam ainda vendo alguns expoentes do gênero sendo divulgados na mídia musical (e no boca-a-boca), e ficaram curiosos de conhecer mais sobre essas bandas.

Quando eu era adolescente, nos idos de 1982 a 84, víamos nas mãos do pessoal, na escola, desde Jethro Tull até Genesis e Yes, passando por Emerson Lake & Palmer, Supertramp e muitos outros.

A assim criou-se, em muitos, a paixão pelos expoentes mais elaborados e complexos – e interessantes! – musicalmente de toda a história do rock: o Progressivo. Não confundir com ‘prog metal’ o qual, na minha opinião, não poderia ou deveria usar o nome, pelo simples motivo de não ter nada a ver…

Contracapa

No meu caso, fui criado em uma casa onde a música clássica veio em primeiro lugar, mas por ali passaram também discos do Rick Wakeman e do Vangelis – entre outros. E, com um vizinho também ‘aficionado’ ao nível da quase audiofilia, ouvíamos várias pérolas diferenciadas da discografia progressiva. No caso, os discos da banda alemã Triumvirat (que eram do irmão mais velho dele, que já tinha curtido aquela música quase 10 anos antes da gente).

O Triumvirat foi formado na cidade de Colônia, na Alemanha, em 1970, pelo fenomenal tecladista e pianista Jürgen Fritz, com Dick W. Frangenberg no baixo e vocais, e o baterista Hans Bathelt. Em 1972, assinaram com a gravadora EMI, que prontamente os pôs no selo Harvest, criado especialmente para o rock progressivo.

Seu segundo disco, Illusions on a Double Dimple, é dito por especialistas como seu melhor disco, mas para muitos conhecedores da banda, Spartacus (o seguinte) é seu disco mais conhecido.

De 1976, o terceiro álbum do Triumvirat, o Old Loves Die Hard, eu considero como sendo do mesmo nível dos dois anteriores – tanto que já vi muitos críticos considerarem ele como segundo melhor.

Selo

E, se a banda e sua música agradarem, ouvir os três discos é altamente recomendado. O ‘Old Loves’ é interessante também porque é decentemente bem gravado, mesmo a prensagem nacional brasileira.

Como em cada disco anterior da banda há pelo menos uma alteração de músico – que incluem trocas de baixista e de vocalista, entre outros – o ‘Old Loves’ vê o retorno de Frangenberg ao baixo, mas com a entrada do inglês Barry Palmer nos vocais.

A formação é, então: Jürgen Fritz (Hammond, piano, Minimoog e sintetizadores), Barry Palmer (vocal), Dick W. Frangenberg (baixo), e Hans Bathelt (bateria).

CURIOSIDADES

Um ‘triunvirato’, que dá o nome à banda, é um termo vindo do latim, que significa um grupo de três indivíduos poderosos – e origina-se da época da Roma antiga, e se refere à uniões de poder como a do imperador Júlio César com Pompeu e com Crasso. E me parece claro que a banda – cujos discos costumam ter temáticas da Roma antiga – fizeram um trocadilho com essa predileção por história misturada com serem, inicialmente, um trio, já que poucos anos antes bandas como a britânica Cream eram chamadas de ‘power-trios’.

Serem um trio com bateria, teclados, baixo e voz, foram comparados – inclusive musicalmente – com a banda inglesa Emerson Lake & Palmer, que tinha o mesmo tipo de formação e foram uma das mais famosas bandas do progressivo. Inclusive ambas bandas têm um virtuoso como tecladista (Jürgen Fritz e Keith Emerson), ambos prolíficos no Hammond. Porém, eu nunca achei que o Triumvirat tentava ser um ELP…

A divisão da EMI, o selo Harvest, foi criado em 1969 especialmente para abrigar as bandas do rock progressivo e experimental da época – assim como outras gravadoras tinham seus selos equivalentes, com a mesma finalidade: Vertigo (da Philips) e Deram (da Decca), entre outros.

Capa original alemã

Mais por serem alemães do que por terem alguma sonoridade em comum com outras bandas do país, dos anos 60 e 70, o Triumvirat chegou a ser classificado como ‘Krautrock’ (também chamado de Kosmische Musik – Música Cósmica), um termo difundido para se referir à cena alemã do progressivo, experimental, psicodélico, avant-garde e eletrônico.

O Triumvirat, ao vivo na década de 70, é lembrado por ser uma banda muito afinada, entrosada e bem ensaiada – chegando ao ponto de críticos afirmarem que eles, muitas vezes, tocavam melhor ao vivo que bandas muito mais famosas para as quais abriam os shows, como o Supertramp, por exemplo.

O segundo (‘Illusions on a Double Dimple’), o terceiro (‘Spartacus’) e o quarto disco (‘Old Loves Die Hard’) todos têm um rato aparecendo em algum lugar da capa.

Triumvirat

Para quem é esse disco? Para todos os fãs de rock progressivo da década 70, fãs de ELP, Genesis e Yes.

Prensagens interessantes? Old Loves Die Hard veio parar aqui nesta seção, porque a prensagem brasileira (Harvest) tem uma qualidade sonora surpreendentemente boa para essa época e, principalmente, para esse gênero musical. Das importadas, indico as prensagens alemã e holandesa (ambas EMI Electrola), a americana (Capitol Records). E, claro, a japonesa (da Capitol Records, também). Não há prensagem moderna, 180g, até onde eu consegui apurar.

Um Natal e um Ano Novo muito musicais a todos!

Ouça um trecho da faixa “I Believe” no YouTube.

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