Teste 2: CAIXAS ACÚSTICAS PIEGA COAX 811 GEN 2

Teste 3: AMPLIFICADOR INTEGRADO ARCAM SA35
6 de julho de 2026
Teste 1: DAC NADAC D & MASTERCLOCK NADAC C DA MASTER FIDELITY
6 de julho de 2026

Fernando Andrette
fernando@avmag.com.br

A Piega é um fabricante suíço de caixas acústicas, com cujos produtos tenho grande familiaridade, pois tive a oportunidade de testar vários modelos, desde o tempo em que a Alpha Áudio & Vídeo era a distribuidora oficial.

Agora ela volta a ser revendida no Brasil pela Impel, e esteve presente no nosso último Workshop, tanto em nossa sala na apresentação do Curso de Percepção Auditiva, como na própria sala da Mediagear/Impel.

Trata-se de uma caixa imponente, com seus 63 kg, mais de 1 metro de altura, quatro woofers de 8.7 polegadas (sendo dois radiadores passivos, pois a 811 é uma caixa selada) e seu famoso conjunto de médios e tweeter tipo ribbon – produzido pela própria Piega – no qual o tweeter se encontra no centro do falante de médios, daí o nome Coax.

Suas membranas têm a espessura de alguns fios de cabelo (0.02 mm) e pesam apenas uma fração de grama. O modelo utilizado na Coax 811 é o C212+, que passa a trabalhar a partir de 450 Hz.

O imponente gabinete de alumínio, com 1.20 m de altura, é ligeiramente curvado, formando um desenho oval, em que a traseira é muito mais estreita que a frente.

Esse novo gabinete foi projetado pelo arquiteto e designer suíço Stephan Hürlemann – e como na maioria dos projetos da Piega, existem dois pares de bornes para o usuário biamplificar ou bicablar, se assim desejar. E a Coax 811 vem de fábrica com um conjunto de jumpers.

Para evitar que o gabinete de alumínio vibre, foi desenvolvido um sistema de fixação composto por 10 trilhos verticais, que travam o gabinete. Esse processo, batizado de TIM2, exerce tensão tanto nas paredes internas quanto nas paredes externas. Tudo para aumentar a rigidez e eliminar qualquer tipo de vibração.

Além de todo esse cuidado com os trilhos, foram colocadas lâminas de amortecimento viscoelástico no interior do gabinete para eliminar ressonâncias de baixa frequência.

A tela de proteção dos falantes também possui uma estrutura lateral muito fina, para o encaixe no trilho metálico, e só pode ser retirada sem danificar as unhas ou a própria tela, utilizando o poderoso ímã que a Piega envia juntamente com as caixas.

Com ele, em poucos segundos, você retira a tela sem nenhum risco.

As principais especificações são: sensibilidade de 92 dB, impedância de 4 ohms e resposta de frequência de 22 Hz a 50 kHz.

Ainda que tenha utilizado vários amplificadores integrados que estavam em teste ou à disposição para o nosso Workshop deste ano (Moonriver Reference 404, Soulnote A-2 Versão 2, Norma Audio Revo IPA-140 e Accuphase E-5000), o fechamento das notas foi realizado com o nosso Sistema de Referência (lista ao final do teste).

A Coax 811 (permita-me abreviar) veio com algumas horas de amaciamento. Então, como sempre, fizemos as primeiras audições com as gravações produzidas por nós, realizamos as anotações iniciais e a deixamos em amaciamento por mais 100 horas antes de iniciar efetivamente os testes.

O impacto inicial da qualidade dos graves foi bastante grande. Eu não esperava tamanha precisão, deslocamento de ar e energia para uma caixa selada. Ela desce tranquilamente, com autoridade, aos 22 Hz.

Mas ficou claro, nesse primeiro contato, que ainda faltavam um pouco mais de extensão nas altas frequências e um melhor encaixe da região média com os graves. Com 100 horas de uso, tudo se encaixou perfeitamente.

Tanto que fiz algo que sempre deixo para o final, antes de iniciar uma avaliação de caixas: definir sua posição ideal na sala.

Senti-me confortável com o que estava ouvindo para fazer esse ajuste antes de iniciar as primeiras faixas de cada quesito da nossa Metodologia.

A Coax 811 é bastante exigente quanto ao posicionamento, necessitando de espaço tanto entre as caixas quanto em relação às paredes.

E, se o ouvinte quiser extrair seu grande diferencial – foco, recorte e planos sonoros – precisará munir-se de paciência, pois, como sua topologia utiliza um falante de médios com o tweeter em seu centro, o ângulo perfeito em relação ao ouvinte precisará ser ajustado milimetricamente.

A notícia não é tão boa para quem estiver fora do triângulo equilátero, pois não terá os planos e a profundidade tão bem definidos. Se a sala permitir, uma forma de atenuar um pouco essa perda será aumentar a distância entre as caixas. Aqui as posicionei com 4 metros entre elas, 1.20 m das paredes laterais e 3 metros da parede atrás das caixas. Com um ângulo de 25 graus voltado para o ponto ideal de audição.

Nessa posição final, o foco e o recorte foram absolutamente impressionantes. Assim como a imagem 3D, com planos e mais planos em profundidade, ampla largura, ultrapassando mais de 1 metro além das caixas, e altura perfeita.

Para quem tem na música clássica sua prioridade, a materialização do acontecimento musical à sua frente é contagiante. É possível, em termos de ambiência, ouvir os rebatimentos nas paredes ou a quantidade de reverberação digital utilizada na gravação.

Iniciei falando do quesito soundstage antes do equilíbrio tonal, justamente por ter ficado tão impressionado com ele.

Mas voltemos ao primeiro e mais importante quesito da nossa Metodologia. Os graves são simplesmente soberbos em qualquer estilo musical, com um controle e uma autoridade que deixam inúmeras caixas muito mais caras em dificuldade para justificar seu preço.

Além disso, são articulados, velozes e possuem um decaimento corretíssimo. Ouvi inúmeros solos de contrabaixo acústico e elétrico, e não se perde uma nota, por mais complexo que seja o solo.

Bumbos farão o ouvinte arrepiar os pelos dos braços e sentir aquela pressão no peito que tantos apreciam. No entanto, meu amigo, será preciso que sua sala esteja preparada para reproduzir frequências de 22 Hz sem colorações, justificando plenamente o investimento.

Fechei as observações sobre os graves com duas gravações de órgão de tubos.

Primorosas!

Foi o melhor adjetivo que meu cérebro encontrou para definir o que escutei.

A região média é corretíssima, com um grau de naturalidade e realismo que nos faz, imediatamente, parar de analisar e simplesmente ouvir e apreciar a música.

Os agudos apresentam o mesmo nível de naturalidade, acrescido de duas características fundamentais: velocidade e corpo.

Os pratos de condução possuem excelente precisão e permanecem soando como nuvens pairando à nossa frente.

Não há qualquer excesso de brilho nos agudos, o que permite reproduzir violinos, saxofone soprano, flautim, vibrafone e a última oitava da mão direita do piano sem aquele indesejável ‘som de vidro’.

Ou seja: conforto auditivo absoluto.

As texturas, naturalmente, acompanham esse excelente equilíbrio tonal e são igualmente exuberantes. Os timbres possuem uma riqueza impressionante, permitindo reconhecer imediatamente as qualidades do instrumento, do músico e até mesmo do engenheiro de gravação, tanto pela escolha dos microfones quanto pelo seu posicionamento.

Os transientes também apresentam elevado grau de precisão na marcação do tempo e do ritmo, permitindo que a música flua com energia e absoluta ausência de sensação de letargia. É um convite irresistível para acompanhar o andamento da música com os pés.

A Coax 811 tem ‘bainha’ suficiente para encarar qualquer desafio de macrodinâmica, desde que a eletrônica esteja no mesmo nível, evidentemente. Nem mesmo tiros de canhão são capazes de desestabilizá-la. Quem precisará tomar cuidado será o ouvinte, para não levar um belo susto, rs.

Já a microdinâmica é reproduzida de maneira exemplar.

Outro enorme desafio para inúmeras caixas concorrentes – independentemente de custarem mais ou menos – será igualar sua reprodução do corpo harmônico. Quer alguns exemplos? Órgão de tubos, piano, bateria, tímpanos, contrabaixo, fagote e clarone.

Se o engenheiro de gravação foi competente em captar corretamente o tamanho desses instrumentos, prepare-se. O resultado é tão primoroso que seu cérebro, caso possua a referência desses instrumentos ao vivo, reconhecerá imediatamente a qualidade do corpo harmônico reproduzido.

Some esses seis quesitos nesse elevado grau de qualidade e coerência, e terá aquela tão desejada sensação de materialização do acontecimento musical à sua frente.

Na nossa Metodologia, organicidade e musicalidade representam justamente o reconhecimento de que todo o investimento realizado em um sistema hi-end valeu a pena.

É quando, ao final da audição, nosso cérebro resume toda a experiência com um simples: UAU!!!

A Coax 811, corretamente ajustada e plenamente integrada à sala, à elétrica e ao restante do sistema, proporcionará momentos em que os músicos parecerão estar ali, à sua frente, realizando uma apresentação inesquecível.

Momentos capazes de gerar dopamina suficiente para renovar as energias e enfrentar o mundo lá fora com um sorriso no rosto.

É justamente por isso que, na minha opinião, faz sentido investir durante anos na construção de um sistema hi-end. Para tornar nossa vida um pouco mais rica, significativa e cheia de esperança.

CONCLUSÃO

A Coax 811 é, sem dúvida, uma caixa definitiva.

Ir além dela significará gastar quase o dobro – ou muito mais.

É necessário? Essa resposta somente você e sua conta bancária poderão dar.

Em termos de correção, precisão e refinamento, foi uma enorme surpresa descobrir que a Piega possui uma caixa tão competente em seu catálogo.

Na minha opinião, trata-se de um projeto capaz de atender perfeitamente aqueles que desejam finalmente encerrar a interminável busca pelo sonofletor dos sonhos.

Atributos não lhe faltam, e seu elevado grau de compatibilidade surpreendeu até mesmo quando utilizada com amplificadores integrados, muito abaixo de todo o seu potencial. Imagine, então, quando ligada à eletrônicas do mesmo nível.

Se você possui uma sala com mais de 40m², aprecia diferentes estilos musicais e procura uma caixa com enorme controle, autoridade e refinamento, deixar de ouvir a Coax 811 em seu sistema será um equívoco e tanto, meu amigo.

EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO TESTE

  • Cabos de interconexão Dynamique Audio Apex 2 (clique aqui)
  • Cabos de força Dynamique Audio Apex (clique aqui)
  • Cabos de força Transparent Audio XLPC2 & Opus G6
  • (clique aqui)
  • DAC NADAC C e Masterclock NADAC D da Master Fidelity (Teste 1 nessa edição)
  • Plataforma antivibratória Seismion Reactio-2 (clique aqui)
  • Powers: Monoblocos Nagra HD (clique aqui)
  • Pré-amplificador Nagra II-S (clique aqui)
  • Regenerador de energia StromTank S-2500 (clique aqui)
  • Streamer Nagra (clique aqui)
  • Transporte CD Nagra 

PONTOS POSITIVOS

Uma torre Estado da Arte afinadíssima.

PONTOS NEGATIVOS

Necessita de salas com, no mínimo, 40m² para entregar todo o seu potencial.


ESPECIFICAÇÕES

Tipo de SistemaTorre de 3 vias com radiadores passivos
Driver Coaxial1x Driver ribbon coaxial C212+ (médios e agudos no mesmo eixo)
Woofers Ativos2x Drivers UHQD de 220 mm (8.7 polegadas)
Radiadores Passivos2 x Radiadores UHQD de 220 mm (8.7 polegadas)
GabineteAlumínio extrudado com tecnologia TIM2 (Tension Improve Module)
Resposta de Frequência22 Hz a 50 kHz
Sensibilidade92 dB/W/m
Impedância Nominal4 Ohms
Potência Recomendada do Amplificador20W a 250W
EstruturaChassi de alumínio sem costuras com amortecimento interno de alta densidade
Tecnologia de TensãoMódulos TIM2 para controle de ressonância do gabinete
Terminais de EntradaConectores Piega Multi-Connect para fiação simples ou bi-cablagem
BasePlaca de suporte estável com pontas de desacoplamento ajustáveis
Dimensões (L x A x P)29 x 124 x 42 cm
Peso Líquido63 kg por unidade

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