


FONE DE OUVIDO EDIFIER ATOM MAX
Fernando Andrette
E nossa busca por bons fones abaixo de 400 reais, continua.
Parece que esse valor é um divisor de águas aqui para os nossos novos leitores.
Fico me perguntando o motivo, e o que ocorre se, em vez de 400, esse limite máximo subir para 500 ou 600 reais, vindo com esse acréscimo uma performance ainda mais consistente?
E o que ocorre com aquele leitor que gastou acima de 400 e fez uma má escolha?
São perguntas que cada vez que saio garimpando fones abaixo de 400 reais, voltam a minha mente como um filme que já vi dezenas de vezes.
Deixemos minhas divagações de lado, e vamos ao que interessa: achei mais um bom fone custando, até o momento em que esse artigo está sendo publicado, 399 reais!
O que o coloca na linha de frente das boas opções atuais nessa faixa de preço.
Outra constatação iminente – a Edifier vem se solidificando no segmento de entrada com um leque de opções matadoras.
Estão de parabéns, pois estão conseguindo em sua vasta linha, manter um padrão de qualidade nível referencial.
Eu não gostaria de ser o concorrente neste exato momento do mercado de fones baratos. Pois me parece que conseguiram realizar na prática aquele famoso slogan dos biscoitos Tostines: de serem líderes por fazerem mais que o óbvio.
Entre as principais características do Atom Max está a longa duração da bateria: o fabricante fala em 26 horas com cancelamento de ruído, e 46 horas sem o uso de cancelamento de ruído.
A conectividade é Bluetooth 5.4, o que permite uma transmissão muito mais estável, com menor índice de interferência e menor consumo de energia.
Para os apaixonados por jogos, o fabricante afirma que este é o fone ideal, com sua baixa latência de apenas 0.06 segundos, proporcionando uma sincronização audiovisual perfeita.
Seu cancelamento de ruído reduz em até 44dB o ruído externo, deixando-o a sós com sua música mesmo em ambientes muito ruidosos.
Sua performance é alcançada com um driver dinâmico de 40 mm, para uma resposta de frequência equilibrada nos graves, médios e agudos.
As chamadas telefônicas são de boa inteligibilidade e seu microfone nos pareceu bastante eficaz.
Ele pode ser dobrável, o que facilita seu transporte e sua estrutura plástica parece durável. As espumas sintéticas são de boa aparência, e encaixam bem tanto na cabeça como nas orelhas.
Como todo fone Edifier atual, através do app Edifier Connex, o usuário pode buscar as opções de equalização pré-definidas, ajustar o volume por segurança, personalizar suas equalizações por estilo musical, alertas sonoros, programação de desligamento automático, entre outros.
Seu alcance é de até 10 metros, e é compatível com os codecs de áudio AAC e SBC. E seu peso é bastante razoável: 260g.
Antes de falar especificamente da performance do Atom Max, devo citar que gostei do recurso do cancelamento ativo de ruído regulável pela opção alto (- 44 dB), Som Ambiente, que permite você ainda manter contato com o mundo a sua volta, e a posição ‘Desligado’.
E uma outra opção que é relevante, é a possibilidade do uso de áudio cabeado pela porta USB-C – que também é a mesma para o carregamento da bateria.
Para o teste buscamos as opções de equalização mais flat possível (Classic). Pois as outras nos pareceram excessivamente desequilibradas.
O que mais me incomodou foi a tentativa de ouvir na opção Spatial Sound. Meu cérebro deu um nó! Pois tudo ganhou som de catedral, e com uma sonoridade artificial e puxando totalmente para o brilho nas altas.
Se eu fosse da equipe de desenvolvimento da Edifier, eu engavetaria imediatamente essa opção!
Em modo Classic é possível ouvir todos os estilos musicais e com um volume extremamente seguro.
Aos que seguem nossas dicas, e querem acima de tudo preservar sua audição, podem colocar em sua lista de candidatos o Atom Max.
Seus graves são bastante convincentes, com ótima inteligibilidade e velocidade. A região média tem excelente equilíbrio e naturalidade, e os agudos, se não possuem a extensão de fones mais caros e mais requintados, ao menos não sofrem de brilho ou são cansativos.
E isso para um fone de menos de 500 reais, é um trunfo e não uma limitação.
As texturas são muito bem apresentadas, inclusive nas intencionalidades e na facilidade com que você observa um instrumento mais refinado de um mais limitado. Dando aos timbres uma coloração rica e de bom nível referencial!
Transientes são seguros, bem marcados em tempo e variação rítmica, que nos fazem prestar a atenção na música sem desvios ou perda de interesse.
Microdinâmica muito perceptível, e macro dinâmica em volumes seguros, convincente.
A música, ainda que esteja o tempo todo dentro da cabeça, ou à frente dos nossos olhos (não me permito chamar esse efeito irrisório jamais de palco sonoro), em gravações tecnicamente de alto nível, faz o acontecimento musical parecer mais presente.
CONCLUSÃO
A velocidade que os fones sem fio de entrada evoluíram é para ficarmos absolutamente impressionados.
Falar que podemos, por menos de 400 reais, possuir fones que irão nos presentear com momentos prazerosos com a nossa música, seria irreal dez anos atrás. E hoje é um fato mais que corriqueiro.
E a contribuição da Edifier neste segmento, é simplesmente exemplar. Pois eles não só acertaram a mão, como me parece estarem ditando os novos caminhos a seguir.
Se você está pensando em presentear alguém (Dia dos Namorados está logo aí), ou a si mesmo, não quer gastar muito e deseja um fone moderno, leve, com bom acabamento, sem fio e com cancelamento de ruído, eis uma excelente opção!
Não vejo como se decepcionar com uma relação qualidade/ custo tão boa!

| Nota: 71,0 | |
| AVMAG #318 Edifier Brasil contato@edifier.com.br (11) 5033.5100 R$ 399 | ![]() |

FONES DE OUVIDO MEZE ALBA
Fernando Andrette
Testamos praticamente todos os principais fones deste fabricante romeno, exceto seus fones tipo IEM.
Então estava na hora de corrigir essa lacuna, e decidi pedir para o novo distribuidor da Meze no Brasil nos enviar o ALBA, um fone IEM com fio, de menos de 160 dólares lá fora, e que recebeu muitos elogios em todos os cantos.
Mesmo sendo um fone de entrada, a qualidade de acabamento e construção do ALBA continua sendo surpreendente, com cuidados de ponta a ponta, como na qualidade do cabo, nas opções de ponteiras em silicone e no adaptador de 3.5 mm para USB tipo C.
A estrutura do corpo do fone utiliza uma liga de zinco com um acabamento branco brilhante perolado, de excelente nível. Em termos de design, o ALBA é muito semelhante ao Meze ADVAR, com o mesmo sistema de ventilação traseira deste modelo.
O estojo achei um pouco apertado – acho que a Meze deveria repensar esse detalhe. Já a ergonomia dos fones, graças ao seu design e leveza, permite um encaixe excelente nos ouvidos.
Segundo o fabricante, o ALBA possui sensibilidade de 109 dB/V, e impedância de 32 ohms, sendo possível seu uso com uma infinidade de celulares e amplificadores de fones.
Utilizei ele ligado ao meu smartphone Samsung, e ao nosso pré de linha Nagra Classic, para fechamento da nota.
O driver dinâmico de 10.8 mm permite uma resposta bastante plana, principalmente na faixa mais crítica entre os 200 Hz e os 4000 Hz, permitindo enorme inteligibilidade e timbres muito naturais para vozes e instrumentos em geral.
É o tipo de fone, na minha opinião, para quem busca realmente ouvir sua música com baixa coloração e sem frequências turbinadas. Li um review em que o revisor não gostou do fone para ouvir hip-hop, pois achou os graves ‘esqueléticos’.
O ALBA realmente não será um fone para os amantes ou viciados em graves capazes de causar trincas no lóbulo frontal do ouvinte. Ele está mais voltado para estilos musicais em que o predominante são instrumentos acústicos e gravações com baixa compressão e equalização.
Para esses gêneros, pode perfeitamente ser a primeira referência de inúmeros leitores que estão buscando seu primeiro fone mais ‘correto’ e equilibrado tonalmente.
Também vi críticas de revisores afirmando que os agudos estão presentes, porém sem “aquele brilho a mais” para deixá-los mais “presentes”. O ALBA também não se sujeita a este tipo de ‘coloração’ para chamar a atenção em um primeiro instante, e depois de meia hora se tornar fatigante e repetitivo.
Ou seja, será um fone que só irá despertar interesse naqueles que já possuem referência de música ao vivo não amplificada, OK?
Com este fone, o ouvinte terá a oportunidade de perceber o acontecimento musical e suas nuances muitas vezes não apresentadas em fones nesta faixa de preço.
Mas não esperem nada impactante sonicamente. Ao contrário, esperem audições imersivas e focadas, se este for o seu desejo ao ouvir sua música através de fones de ouvidos.
Entenderam o recado?
O que me impressionou foi seu silêncio de fundo e sua reprodução de detalhes de texturas, raramente vistas com tanta facilidade em fones abaixo de 200 dólares.
O ouvinte que busca audições em que as paletas de cores, na definição dos timbres, esteja presente de forma explícita irá se deliciar com esta qualidade do fone ALBA.
Os apaixonados por tempo e variação rítmica, se sentirão absolutamente satisfeitos com a aquisição e seus transientes.
Já a macro-dinâmica pode, dependendo do gênero musical, ser de alguma decepção, pois nos fortíssimos, ela irá nos lembrar das limitações neste quesito. Ela está lá, mas sempre de forma mais comedida do que gostaríamos.
Em compensação, sua micro-dinâmica, graças ao seu ótimo silêncio de fundo, será retratada com enorme fidelidade e transparência.
A sensação dos músicos dentro de nosso crânio estará garantida nas excelentes gravações (organicidade). E o conforto auditivo, tão importante para nosso cérebro achar a audição ‘musical’, é uma das melhores qualidades deste fone.
CONCLUSÃO
Quando vejo aquelas intermináveis e calorosas discussões nos fóruns, sobre se fones mais caros realmente tem algo para justificar seu preço, sempre me pergunto o motivo de não se reordenar essa pergunta de uma maneira mais prática e específica, como por exemplo: “o que um fone mais caro deve oferecer para justificar seu preço?” – pois preço não é garantia de melhor performance.
Se muitos destes participantes tivessem a oportunidade, referência auditiva e critério de avaliação, perceberiam facilmente que as diferenças, inúmeras vezes, não estão no óbvio que um fone entrega, para poder ser considerado bom, e sim no grau de refinamento que é possível se extrair atualmente de excelentes fones de ouvidos existentes no mercado.
E um segundo critério importantíssimo: para que gênero musical os fones se destinam?
Pois dependendo do estilo musical, fones de ótima qualidade existentes na faixa de entrada, serão integralmente satisfatórios. Já para estilos musicais mais complexos, estes fones de entrada terão limitações audíveis.
Percebem como essa questão é muito mais delicada? E que na maioria das discussões acaloradas em fóruns, não é levada em conta?
O ALBA é um ótimo fone para quem pretende gastar pouco e adentrar no segmento de fones que oferecem audições mais ‘corretas’ em termos de equilíbrio tonal, porém essa proposta tem um teto em termos de performance e de estilo musical. Pois se sua praia é hip-hop, thrash metal, funk e música eletrônica, minha sugestão é: procure outras opções!
Agora, para os amantes de vozes, pequenos grupos instrumentais, folk, jazz, clássicos e até blues, este pode ser um fone ideal para iniciar sua jornada em busca de imersões musicais mais consistentes.
Se este é seu objetivo, o ALBA merece ser ouvido com atenção!

| Nota: 77,0 | |
| AVMAG #320 KW Hi-Fi fernando@kwhifi.com.br (48) 98418.2801 (11) 95442.0855 R$ 1.500 |

FONE DE OUVIDO W800BT PRO DA EDIFIER
Fernando Andrette
Na edição 278 testamos o W800BT Plus, e ainda que ele tenha se saído bem, não foi um fone que nos encantou ou que deixou saudades.
No entanto, sabemos que a Edifier quando avança tecnologicamente, ela o faz com enorme competência e segurança.
Já constatamos por diversas vezes esses ‘saltos’, e compartilhamos com vocês nessas páginas.
Por isso o nosso interesse em testar a nova versão do W800BT, agora com a denominação PRO.
O que já não é surpresa, é o fato de que a Edifier consegue avanços em termos de performance significativos e ainda assim mantém preços tão competitivos.
Na Amazon este fone sai por menos de 400 reais!
Então, se você está namorando um fone Bluetooth 5.4 com cancelamento de ruído (ANC), autonomia de uso de 45 horas (sem cancelamento) e 26 horas (com cancelamento), e carregamento rápido de 15 minutos para uma nova rodada de 8 horas, pode colocar na sua lista de opções o W800BT PRO.
Eles estão disponíveis em preto, marfim ou cinza. Tanto as almofadas de orelha quanto a de cabeça são de couro sintético macio, os suportes são giratórios e podem ser fechados para viagem, e os controles por botões são bem localizados e fáceis de memorizar. O botão funciona como comando de reprodução e pausa, e abaixo deste, estão os de controle de volume e troca de faixa.
Ainda que todo de plástico, além de leve e confortável na cabeça, parece ser resistente o suficiente para uma longa vida – se devidamente bem cuidado, lógico.
O cancelamento de ruído, segundo o fabricante, é de 44dB (bom para ambientes abertos e pouco para aeronaves ou estações de grande movimento).
Ele também possui modo de reconhecimento de ambiente, permitindo a passagem de sons externos, quando andando em ruas e avenidas, para maior segurança.
E também pode ser usado por gamers, com uma baixa latência de apenas 0,06 segundos de atraso, garantindo que imagem e áudio estejam sincronizados.
O fone pode ser acionado e ajustado pelo aplicativo Edifier Connect, para equalizações personalizadas, com opções para jogos, filmes e áudio. E com a possibilidade de ajuste para graves mais intensos, ou som mais equilibrado (flat).
Como imaginei, o salto em relação ao modelo Plus, foi enorme.
Seu equilíbrio tonal (com a equalização sem picos nos extremos), foi muito correto, permitindo o uso em volumes seguros, sem perda de graves ou de extensão nos agudos.
Sua região média é bastante detalhada e nos permite acompanhar variações complexas de dinâmica ou de andamento, sem perda da inteligibilidade.
As texturas permitem um fácil reconhecimento do timbre dos instrumentos, mesmo que estejam tocando em uníssono, como por exemplo um sax tenor e um alto, ou um clarone e um clarinete.
Vozes à capela são fáceis de acompanhar em cada linha melódica, sem aquela sensação de perda do todo. Os timbres soam naturais e ricos harmonicamente.
A variação dinâmica é ótima para sua faixa de preço e, como escrevi acima, tudo dentro do volume seguro e correto!
Sua micro-dinâmica é surpreendente e detalhada. E nas excelentes gravações, a música parece materializar dentro de nosso cérebro.
É surpreendente como os projetistas da Edifier acertaram na receita de fones ‘de entrada’, direcionando-os para um degrau acima do que eram considerados os fones de entrada de cinco anos atrás.
CONCLUSÃO
No segmento de fones sem fio abaixo de 500 reais, acredito que a Edifier esteja reinando absolutamente sozinha neste momento.
Com sua extensa linha de produtos, ela atende a uma parcela considerável deste mercado, oferecendo produtos cada vez mais eficientes, tanto em termos de performance, quanto de preço!
Os nossos jovens leitores, com um orçamento apertado, certamente estão aproveitando essa maré de grandes opções e realizando o sonho de ter um fone correto e que permite mudar o seu padrão de referência de como ouvir música em volumes seguros.
Quando eu era jovem, amigo leitor, para se extrair graves dos fones de ouvido existentes, você tinha que pressioná-los com as mãos ao ouvido, ou então acentuar o controle tonal ao máximo.
Aproveitem ao máximo este admirável mundo novo dos fones de ouvido, do qual o W800BT PRO é um dos novos expoentes!

| Nota: 78,0 | |
| AVMAG #322 Edifier Brasil contato@edifier.com.br (11) 5033.5100 R$ 350 |

FONE DE OUVIDO EDIFIER NEODOTS
Fernando Andrette
Os amantes de fones com cancelamento de ruído devem estar preocupados com as informações de que longas exposições com o cancelamento ativado podem causar danos à audição.
Aos que me questionaram sobre essa descoberta, eu pedi calma e precaução!
Pois trata-se de um primeiro estudo, e que certamente deve ser pesquisado com maior intensidade e com um número maior de participantes.
Agora, o que acho prudente enquanto não temos mais análises, é manter a exposição ao cancelamento de ruído nas situações realmente essenciais, como por exemplo em um voo de longa duração ou em ambientes em que o ruído externo ultrapassa os 80 dB (como em locais com tráfego pesado ou obras em execução).
Pessoalmente nunca faço uso de cancelamento de ruído, pois percebo claramente que deteriora o sinal de áudio. E para mim isso se torna inadmissível em qualquer circunstância!
Se é para ouvir música reproduzida com baixa qualidade, prefiro fazer outra atividade.
Então, a todos que me procuraram para saber o que fazer com essa informação, meu recado é esse: usem o mínimo possível o cancelamento de ruído. Seu cérebro irá agradecer e desfrutar muito melhor da música.
O Edifier NeoDots é um fone de menos de 800 reais, sem fio, Bluetooth versão v5.4, com cancelamento ativo de ruído (ANC).
Bastante sofisticado para o seu preço, o NeoDots possui um driver para médio e agudo, e um outro driver de 10mm para os graves. Ele faz uso de processador de sinal digital com um crossover ativo.
O Edifier NeoDots utiliza, para o cancelamento de ruído, seis microfones em cada fone.
Segundo o fabricante, ele suporta LDAC – o codec Hi-Res de 990 kbps para Android – podendo reproduzir gravações de 96kHz caso o DAC de seu smartphone suporte. Ele também suporta codecs AAC e SBC.
Ainda segundo a Edifier, esse fone tem duração de bateria de 56 horas com o case, e 17 horas com uma única carga. Essas cargas são sem o uso de cancelamento de ruído.
Com o cancelamento ligado, cai para 40 horas de duração. Mas também existe o recurso de carga rápida de 15 minutos, que dá autonomia de 5 horas!
O case pode ser carregado sem fio ou com um cabo USB-C.
Me chamou a atenção a qualidade final do fone, e eles serem um pouco maiores que os NeoDots 2 que conheço bem.
Outra mudança significativa foi a substituição dos controles de toque na parte externa por um botão na lateral de cada fone. Existem os que preferem essa opção, como eu, e claro os que preferem o toque – mas diria que é tudo uma questão de se adaptar.
O que para mim é essencial, o NeoDots tem: pausar as músicas quando se tira o fone, e religar imediatamente quando se coloca novamente o fone.
Os botões funcionam perfeitamente bem, para atender chamadas telefônicas e retomar a música.
O aplicativo Edifier Connect dará todo suporte ao usuário. Seu Equalizador é bem fácil de ajustar, e para os dependentes de graves explodindo seu cérebro, existe a opção “Heavy Bass” que obviamente só usei para ver o quanto desequilibra todo o resto – e para constatar que realmente acentua os graves de maneira insana enquanto desequilibra todo o resto.
Voltando à opção mais Flat possível, e em volumes seguros, o NeoDots surpreende e muito pelo seu preço, com um grave correto, com peso, energia e alta inteligibilidade. A região média é limpa, também correta e com muito boa transparência, para uma imersão sedutora. E seus agudos possuem muita boa extensão,
possibilitando ouvir o tamanho de salas de gravação e o uso cada vez mais exagerado de reverb digital em vozes com limitações técnicas e de extensão.
Sabe aqueles cantores e cantoras sem voz que parecem sempre estar cantando em enormes catedrais ou cavernas?
Você ouvirá em detalhes o excesso de reverberação!
As texturas são muito bem apresentadas, tanto os detalhes da qualidade do instrumento e do instrumentista, quanto a escolha dos microfones pelo engenheiro de gravação e a captação e mixagem final!
Os transientes são impecáveis em termos de precisão, fazendo-nos acompanhar com interesse o tempo e as mudanças de andamento.
A dinâmica está entre os melhores fones sem fio que testamos nos últimos dois anos, e quando lembramos que custa menos de 800 reais, fica ainda mais surpreendente o que a Edifier conseguiu em termos de resultado final.
A sensação da música brotando dentro de nossa cabeça, ou à frente dos nossos olhos, é muito convincente.
E o prazer de escutar em volumes seguros sem perder nenhum detalhe, é convidativo para mais uma rodada de músicas, diariamente!
CONCLUSÃO
Bater na tecla do avanço dos fones sem fio nos últimos dois anos, é chover no molhado.
Pois esses avanços já são públicos e notórios.
O que vale a pena ressaltar no novo NeoDots com cancelamento de ruído, é o quanto de benefícios importantes ele entrega a um preço tão significativo!
Para quem deseja um fone sem fio com cancelamento de ruído e uma performance consistente, não se tem a esse preço muitas opções superiores.
Principalmente aqui no nosso mercado.
Se essa é a opção que está procurando, ouvir o NeoDots é uma escolha inteligente e, digo: muito assertiva.
Sabe aquela dica de compra segura que damos aos amigos que confiam em nossas opiniões?
É justamente o que estou dando a todos vocês leitores!

| Nota: 83,0 | |
| AVMAG #315 Edifier Brasil contato@edifier.com.br (11) 5033.5100 R$ 799 | ![]() |

FONE DE OUVIDO 105 AER DA MEZE AUDIO
Fernando Andrette
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Se o 99 Classics é o fone fechado de entrada da Meze, o novo 105 AER é o fone aberto da linha deste fabricante.
Ele fica abaixo do 105 SILVA e do 109 PRO. Agora, não se engane achando que por ser de entrada, haverá restrições em termos de acabamento e performance, pois essa não é a filosofia deste fabricante de fones romeno.
Internamente, o 105 AER tem uma arquitetura muito parecida com o 109 PRO, utilizando também um driver dinâmico de 50 mm, buscando no entanto torná-lo mais acessível e reduzir custos, com a escolha de materiais mais baratos sem comprometer a performance final.
O 105 AER pesa 336g e, em termos de design e arquitetura, é bastante similar ao 105 SILVA e o 109 PRO, com a mesma estrutura de aço e liga de zinco fundido, e acabamento em revestimento por PVD prateado, para realçar com a estrutura preta.
A faixa de cabeça é autoajustável e revestida de couro macio, e preenchida com espuma larga o suficiente para a distribuição do peso na cabeça e ficar de modo confortável sem pressioná-la demasiadamente, para que as conchas fiquem bem fixadas às orelhas, mas seguro para movimentos e caminhadas.
As almofadas auriculares removíveis usam veludo macio, e são grandes o suficiente para cobrir a orelha.
O fone vem com um cabo OFC de 1.8m terminado em plugues monos duplos de 3,5 mm e um conector também de 3.5 mm.
Segundo a Meze, o cabo é reforçado com kevlar, muito flexível e bem fácil de manusear. O usuário, caso deseje realizar upgrades no cabo, pode recorrer a própria Meze que oferece cabos com assinaturas distintas. E, como muitos amplificadores de fone atualmente utilizam cabos balanceados, de 4.4 mm, a Meze possui um adaptador de 3.5mm para os que necessitem de cabo XLR.
Como todo produto deste fabricante, ele vem com uma bolsa de transporte de EVA, o ideal para a manutenção do fone em viagens.
A impedância é de 42 ohms, e a de sensibilidade de 112dB SPL/mW, o que permite que ele seja ligado até mesmo ao celular. Porém, tenha certeza de que neste caso ele será subutilizado, pois sua performance merece no mínimo um player portátil e um DAC de melhor qualidade do que o de um celular.
Estamos falando de um fone de quase R$ 4 mil, e que pode ser perfeitamente o fone de referência tanto de audiófilos como de melômanos.
Para o teste utilizei o amplificador de fone do Nagra TUBE DAC. Como uma de minhas referências em fone aberto é justamente o 109 PRO, foi fácil realizar o teste e saber exatamente seus pontos fortes e fracos.
E não me contive de também compará-lo a minha referência em fone fechado, o 99 Classics original.
Me perguntam o que gosto nos fones da Meze, para ter dois exemplares como referência?
A resposta é objetiva: não gosto de fones que apertam, que sejam pesados e que passem sensação de fragilidade – e, claro, gosto de performance.
E todos os fones da Meze (testei toda a linha), passam com louvor por esses requisitos.
E o que descobri de mais legal ao ir testando toda a linha: existe uma coerência, ou melhor um ‘DNA sonoro’ perceptível em todos eles.
Seja em um modelo de entrada, como o 99 Classics, como no top de linha Elite Tungsten, os cuidados na escolha de materiais, o acabamento e a sonoridade terão algo em comum.
Acho isso essencial para uma marca criar identidade, e fidelidade com o seu cliente.
E o mais importante: os fones Meze que tenho como referência em suas classes, me atendem perfeitamente tanto no lazer, como no trabalho.
Eu já externei várias vezes neste caderno que não consigo entender a razão de um mesmo fone ter avaliações tão distintas em
mídias ditas especializadas. Pegue qualquer fone da Meze testado, em duas ou três mídias, e o leitor irá ficar confuso pois para o avaliador ‘A’ o fone tem grave em excesso, para o avaliador ‘B’ falta grave, e o avaliador ‘C’ pode achar o grave bom, mas apenas para determinados gêneros musicais.
Eu leio esses reviews, principalmente quando acabei de testar aquele fone, e fico me perguntando o grau de referência, conhecimento musical e equipamento utilizado para o teste?
Pois algum desses quesitos certamente está faltando – se não for todos!
O Meze 105 AER não fugiu a essa regra. Li quatro testes, dois acharam um bom grave, um achou que fica a desejar um pouco, e um quarto achou que o médio-grave é mais “evidente” que o grave. Os agudos idem: dois gostaram mas acharam “um pouco suave”, um achou o agudo “morto”, e outro gostou muito pois achou “extenso” e “suave”.
Vou ser chato, mas preciso falar pela centésima vez, amigo leitor: deseja saber a qualidade de um fone na resposta do Equilíbrio Tonal? Primeiro busque gravações que tenham uma boa resposta, sejam bem captadas e, se possível, apenas com instrumentos acústicos e vozes (não importa se não é o gênero musical que você curtiu, é apenas para avaliação de Equilíbrio Tonal), e coloque no volume mínimo em que todos os instrumentos são audíveis – e faça o teste em um ambiente com ruído externos baixo para não atrapalhar a audição.
No volume mínimo não pode existir picos e vales – “o que é isso, Andrette?”
Em volumes reduzidos, não pode haver frequências que soam mais proeminentes e outras que ficam mais escondidas. Pois as proeminentes são os picos e as escondidas são os vales. Entendeu?
Deixe seu cérebro interpretar. Relaxe, apenas ouça.
Como é o grau de inteligibilidade de todos os instrumentos?
Você necessita fazer algum esforço para acompanhar cada um deles?
Ou você precisa levantar o volume para que os graves apareçam?
Se isso ocorrer, esqueça meu amigo – pois nos graves o fone tem um vale que pode ser de mais de 3dB em relação à região média.
Ou o que ocorre é que em volume baixo, os graves aparecem mais que os médio-altos e os agudos. O mesmo problema, só que agora em outro ponto da frequência de resposta.
Ficou claro?
Então, o que eu faço quando recebo um fone, e já li que existem contradições nas conclusões sobre aquele produto? Esse é o primeiro teste que farei, depois de ter certeza de que o fone está 100% amaciado.
Sim! Fones também necessitam de burn-in! Não longos como caixas acústicas obviamente, mas pelo menos 24 horas eu os deixo tocando e vou tratar da vida.
E depois de amaciado, utilizo gravações feitas por mim para a nossa gravadora, ou de queridos amigos que acompanhei o processo de gravação, mixagem e masterização. Porque também são exemplos de referência confiáveis, pois em todo o processo não sofreram equalização ou compressão (se você quiser entender o malefício de compressão, leia o Editorial da Audiofone deste mês).
E posso garantir que no 105 AER não falta grave, nem médio e muito menos agudo! E seu Equilíbrio Tonal é tão bom, que você poderá curtir suas gravações sempre em volumes seguros.
Isso é o que esperamos (ou deveríamos esperar de qualquer fone hi-end). E o 105 AER entrega.
Para um fone de topologia aberta, seu Equilíbrio Tonal é bastante similar ao do 109 PRO, que praticamente custa o dobro.
As texturas também são muito similares ao 109, diferenciando apenas em termos de intencionalidade – que no modelo acima, é mais ‘explícita’.
Já os transientes, não consegui ver diferença alguma, o que mostra que o drive do 105 AER é bem similar ao do 109 PRO. Para os amantes deste quesito, o fato de ter uma opção pela metade do preço é uma excelente notícia.
A micro-dinâmica também é muito parecida entre os dois modelos – e já a macro-dinâmica no 109 é audivelmente superior.
Isso significa que seja limitada no 105 AER? Não, a diferença está nos degraus mais audíveis no 109 entre o pianíssimo e o fortíssimo.
No entanto, nada que desabone, desde que você não tenha o 109 lado a lado para comparar este quesito.
Lembre-se do velho ditado: “o ótimo é inimigo do bom”. Se não tem o ótimo, o bom vai muito bem! Não é verdade?
A materialização física dentro do cérebro, do acontecimento musical, é excelente, assim como no 109 PRO.
E em termos de conforto auditivo (musicalidade), o 105 AER possui a mesma assinatura sônica de todo fone Meze: é um deleite em boas gravações, permitindo profundas imersões auditivas.
CONCLUSÃO
Da nova linha deste fabricante, está faltando agora testar o novo 99 Classics Gen2, e o 105 SILVA (que custa 100 dólares lá fora a mais que este, e ainda não pesquisei quais são as diferenças entre os dois modelos).
O 105 AER é um belo fone e uma opção consistente para quem deseja, na faixa de 4 mil reais, uma referência em sua categoria de opções abertas.
É muito bem-acabado, construção sólida e performance digna de fones hi-end de ponta.
Se você está pedindo de Natal seu fone definitivo, é hora de colocar esse na lista de presentes!

| Nota: 88,0 | |
| AVMAG #323 KW Hi-Fi fernando@kwhifi.com.br (48) 98418.2801 (11) 95442.0855 R$ 3.400 | ![]() |

FONE DE OUVIDO ATH-ADX3000 DA AUDIO-TECHNICA
Fernando Andrette
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Minha convivência com os fones da Audio-Technica é dos anos em que trabalhei em estúdios de gravação e emissoras de rádio.
Lembro bem de calorosas discussões que os técnicos de gravação travavam em defesa de seus fones de monitoração preferidos, e raramente algum deles defendia como favorito um modelo da
Audio-Technica.
A maioria esmagadora usava modelos AKG, Sennheiser ou Beyerdynamic.
E eu, um jovem aprendiz dos macetes de gravação, me contentava com os Audio-Technica pelos seguintes motivos: por estarem sempre disponíveis, seu grau de transparência que me permitia entender as escolhas dos técnicos de gravação pelos microfones, a quantidade de equalização e os macetes que utilizavam na fase de mixagem.
Ou seja, para mim eles eram monitores seguros para o que desejava ouvir e aprender.
E se, no DNA que transmitimos aos filhos, existe também algo na percepção auditiva, talvez esteja aí a explicação do meu filho em suas produções musicais também usar fones da Audio-Technica para gravar, mixar e masterizar.
Ou seja, fica aqui documentado o carinho e admiração que tenho pelos fones deste fabricante japonês (o que também se estende a suas cápsulas fonográficas).
Logo depois da pandemia, um amigo meu músico que acabará de voltar de uma turnê na Europa, trouxe o ATH-ADX5000 para eu conhecer. E fiquei impressionado com o salto dado por este fabricante em relação aos modelos mais simples.
Uma coisa que sempre admirei nos fones deste fabricante, foi a sua leveza. Quem me lê, sabe o quanto reclamo de fones pesados!
Pode ser o melhor fone do mundo, mas se este me incomodar nos primeiros 30 minutos, eu o descartarei imediatamente – para meu uso pessoal, claro.
Esse problema, se também te incomoda, jamais ocorrerá com um Audio-Technica.
O novo ATH-ADX3000 segue essa regra, e veio para enfrentar diversos concorrentes pesos-pesados do mercado.
Para tanto, a empresa não poupou esforços colocando muito da tecnologia do modelo 5000 neste lançamento.
Ele utiliza um driver de 58mm, com diafragma revestido de tungstênio. Sua impedância é de 50 ohms, sensibilidade de 98 dB/mW, com design aberto e pesos de apenas 257 gramas.
Por ser um fone aberto, e que certamente, pelo seu preço final, será para muitos o fone definitivo, lembre-se que as pessoas à sua volta também irão escutar o que você está ouvindo. Então se certifique que todos apreciem igualmente seu gosto musical.
Ele vem com um bonito case de alumínio, e com um cabo de 3 metros. Sua faixa de cabeça é macia, seus protetores auriculares são muito semelhantes ao ADX5000, de veludo, possibilitando um conforto pleno pois ele se encaixa perfeitamente na cabeça com a pressão correta nas orelhas, e uma vedação eficaz para audições em volumes seguros.
Para o teste utilizamos o amplificador de fone do nosso pré de linha, o Nagra Classic, com o Streamer Nagra – e também ouvimos CDs e LPs com nosso sistema de referência.
Antes de iniciar minhas observações auditivas, deixei-o amaciando por 24 horas. Esse burn-in foi necessário para ‘acalmar’ as altas frequências, que nas primeiras horas estavam um pouco mais brilhantes. Depois dessa queima inicial, tudo foi para o lugar.
Os graves têm peso, autoridade e fundação. Com isso o ouvinte consegue acompanhar as baixas frequências sem esforço algum. A região média, além de soar muito natural, possui uma capacidade de apresentar os detalhes de maneira muito precisa.
Fiquei surpreso como no trabalho da cantora e pianista Yumi Ito, no disco Lonely Island, os pedais do piano foram apresentados na medida correta, sem se mostrarem sutis demais e nem tão pouco exagerados, nos desviando a atenção do todo (ou, como diz o nosso colaborador Christian Pruks: “mais realistas que a realidade”).
E os agudos que, no início, tinham um brilho adicional principalmente na última oitava da mão direita do piano, ficaram muito mais corretos, com excelente extensão e um decaimento muito arejado.
Ouvir por exemplo ambiências das salas de gravação e reverbs utilizados nas mixagens, é um deleite no ADX3000.
As texturas são ricas, e criam uma intimidade sedutora entre o ouvinte e o acontecimento musical. Intencionalidades são expostas de maneira que você consegue observar tanto o grau de complexidade na execução da ideia, quanto o sentimento proposto pelo autor.
Se você ama texturas, irá se deleitar com o ADX3000.
Os transientes são impecáveis. Ouvir instrumentos percussivos e cordas como violão e solo de contrabaixo, irá fazê-lo entender a diferença entre precisão e marcação de ritmo em um fone com excelente resposta neste quesito, e um apenas mediano.
A faixa 5, Benguela do disco Canto das Águas do querido amigo André Geraissati, ficou irretocável neste fone! A dinâmica, tanto a macro, quanto a micro, são reproduzidas em volume seguro, de forma inteiramente satisfatória.
Para fechar a nota, ouvi o famoso Bolero de Ravel, mantendo o volume desde o primeiro compasso até o final, sem precisar ir monitorando o volume à medida que a dinâmica crescia (algo que quase sempre é necessário na maioria dos fones e sistemas de áudio).
Fones com esse grau de resposta dinâmica, meu amigo, possibilitam um conforto auditivo ímpar! Justificando o investimento e redobrando o prazer em ouvir seus discos preferidos.
Materializar o acontecimento musical no córtex frontal do cérebro será tarefa fácil para o ADX3000, em gravações tecnicamente primorosas, pois este fone possui folga e arejamento suficiente para fazê-lo.
CONCLUSÃO
Ainda que seja um fone caro para o padrão de inúmeros de nossos leitores deste caderno, ele não o é para os leitores da AV Magazine.
Principalmente os audiófilos, que tiveram que renunciar a seus sistemas estéreo, mas não de escutar sua música diariamente. Coloque-o em um bom DAC e pré de fone de qualidade, e terá restituído o prazer de escutar seus discos, com um prazer auditivo redobrado.
Para os que procuram um fone aberto de alto nível, de um fabricante conceituado, muito bem construído e acabado e, acima de tudo, leve, este Audio-Technica ATH-ADX3000 precisa estar em sua lista de escuta.
Será o ideal para todos gêneros musicais? Tirando estilos em que os graves chutam nosso cérebro como socos em nossa cabeça desferidos por um Mike Tyson, todo o resto será reproduzido de maneira muito eficaz.
Altamente recomendado para quem deseja conforto auditivo e físico!

| Nota: 90,0 | |
| AVMAG #324 Audio-Technica www.amazon.com.br R$ 11.999 | ![]() |

FONES DE OUVIDO NEUMANN NDH 30
Fernando Andrette
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Fones-monitores de estúdio são uma boa opção para melômanos e audiófilos?
Essa é, para mim, a pergunta crucial que deveria ser a primeira da lista ao avaliarmos fones que possuem uma destinação profissional.
E, no entanto, sequer ela é abordada nas avaliações do produto.
Com o Neumann NDH 30, não foi diferente. Li três testes e vou resumir para vocês o que ocorreu: o primeiro detestou o produto, chegando ao ponto de afirmar em sua conclusão de que o fone não tem qualidade alguma. Um segundo ficou literalmente em cima do muro, e um terceiro gostou do fone.
Eu sempre me coloco no lugar do consumidor, que deseja simplesmente ter um panorama geral de um produto, o quão confuso deve ficar ao ler três testes tão antagônicos!
Que conclusões tirar?
Fones-monitores tem um único objetivo: ser uma ferramenta segura aos engenheiros de gravação quando necessitam, nas fases de captação, mixagem e masterização, de um fone confiável que possa lhe dar uma perspectiva para os ajustes finos de um trabalho em andamento. E que podem ser seguramente uma opção aos monitores da sala de engenharia de gravação.
Agora, se podem ser usados como fones de referência fora desse universo, essa é uma questão que apenas o consumidor pode decidir.
E obviamente ele precisa levar em conta dois critérios essenciais: se um fone-monitor é o que ele deseja para ouvir suas gravações, partindo do pressuposto que eles serão fieis ao que foi gravado e finalizado e, o mais importante: se ele está pronto para ouvir música por essa ‘perspectiva’.
E qual seria essa perspectiva? Em um fone/monitor de alto nível, serão dois os objetivos: fidelidade e neutralidade.
E para mim ficou absolutamente claro que o revisor que detestou o Neumann, não possui nem sequer a referência mais básica de como é o sinal real em uma sala de gravação, antes do uso de equalizações, compressões, plugins de efeitos de reverb digital e afins.
Provavelmente ele nunca pisou em um estúdio e ouviu o som cru de um instrumento antes de ser trabalhado pelo engenheiro, produtor e os músicos envolvidos.
Então, na minha modesta opinião, as conclusões deste revisor só me mostraram o quanto ele desconhece e lhe falta referência de instrumentos reais não amplificados em um ambiente de gravação.
E como posso afirmar sem ser presunçoso, que foi exatamente isso que ocorreu?
Pelas suas conclusões: “os graves faltam peso, a região média é tímida e os agudos não têm brilho”. E arremata o teste afirmando que o “fone é sem graça”.
O revisor que ficou em cima do muro, ao menos tem a honestidade de dizer que talvez não tenha entendido a proposta do fabricante. E o revisor que o admirou, ao menos fez algumas medições e parece ter um conhecimento maior da necessidade de existirem fones-monitores no mercado.
Sei que, às vezes, minhas aberturas se estendem para além da conta, meu amigo, mas existem avaliações que necessitam de serem explicadas detalhadamente.
Pois o Neumann NDH 30 cumpre com primor seu objetivo central de ser um fone-monitor de altíssimo nível e uma referência ao mercado que se destina.
Então, se pode ou não funcionar e ser o fone de referência de audiófilos e melômanos, só você poderá ter essa resposta.
O NDH 30 é um fone aberto, e é bastante semelhante ao NDH 20.
É muito bem construído, com sua base prateada, protetor de espuma preto, faixa da cabeça feita de aço, com apoio duplo para melhor conforto e encaixe na cabeça, e que nos passa uma sensação de um fone para durar uma vida.
Quem acredita na diferença de cabos poderá testar algumas opções e ver se tem melhorias significativas.
Pela sua construção voltada para o dia a dia de um estúdio de gravação, ele é um fone pesado: 352 gramas, sem o cabo.
Sua maior diferença para o NDH 20 é a parte traseira aberta em metal preto de excelente acabamento.
O fone é dobrável, o que facilita ser colocado em uma bolsa para transporte. Seria interessante se a Neumann pensasse no futuro de disponibilizar um saco para a proteção do fone nas idas e vindas do trabalho para casa, ou em gravações externas.
Os dois testes que li com avaliação de bancada, ambos falam do padrão flat do fone (o que não poderia ser diferente, para um genuíno fone-monitor estúdio).
E, no entanto, o revisor que não gostou do fone, reclama justamente por ele ser flat – e o revisor que gostou, ressalta esse comportamento do fone!
Vocês percebem onde se encontra o antagonismo nas conclusões? Um entendeu perfeitamente o que se esperar de um fone-monitor. O outro está preso em seu mundo de equalizações pessoais para os fones ficarem a seu gosto, e quando pegam produtos que fogem desse perfil, acham ‘sem graça’.
O Neumann chegou lacrado, o que nos levou a fazer uma primeira audição, anotar as observações iniciais e deixá-lo em queima por 40 horas. Se você acha que fones não precisam de um período de amaciamento, está na hora de rever sua posição, pois como caixas acústicas, também precisam.
O teste foi feito apenas com o cabo original.
E este é bom o suficiente para nos apresentar todas as qualidades deste belo fone.
Comecei o teste revisitando nossas gravações da Cavi Records, e o primeiro CD foi o Timbres, pois realmente queria ouvir o quando este fone é fidedigno ao que foi gravado. E fiquei muito satisfeito e impressionado, pois ele me deu uma fidelidade precisa das diferenças dos três microfones, e da sala de gravação do Estúdio Comep.
Fui transportado para aquele momento, quando estava junto com o músico ajustando o microfone para extrair o máximo do instrumento e do microfone.
Convencido de sua eficiência, ouvi nossas outras gravações e pude fazer um paralelo entre o fone Stax que usei nos dois discos Genuinamente Brasileiro, e o Neumann.
E hoje se fosse refazer essas gravações, eu escolheria o Neumann para a monitoração. Por um simples motivo: sua resposta de graves.
Ao contrário do revisor que achou o fone sem graça, eu digo que a resposta de grave deste fone é fidedigna.
O peso na mão esquerda do André Mehmari na faixa Passarim, do Genuinamente Brasileiro volume 2, não me lembro de ter ouvido com tamanha precisão e decaimento em nenhum outro fone por mim testado.
O mesmo sentimento de integral fidelidade ao ouvir a introdução em arco do baixista Célio Barros em Chovendo na Roseira, do mesmo CD.
A preservação do invólucro harmônico, os micro detalhes, velocidade, tudo impecavelmente recriado.
É uma sensação indescritível, amigo leitor, ser transportado novamente para aquele momento congelado na memória, e revivê-lo na íntegra.
Mas o NDH 30, não é apenas correto nos graves. Sua região média é exemplar com um grau de transparência e equilíbrio que nos permite saborear, em gravações de qualidade, as nuances até as mais sutis e muitas vezes despercebidas pela esmagadora maioria de fones do mercado.
E os agudos, não sofrem de dureza ou brilho excessivo – e têm o decaimento certo e um grau de respiro para nos permitir entender o tamanho do ambiente de gravação e até mesmo a quantidade de reverb digital utilizado.
As texturas são um caso à parte nesse fone-monitor, pelo seu grau de apresentação e pelo nível de fidelidade.
Nada passará despercebido no NDH 30, seja em termos de timbre ou de intencionalidade.
Tudo é apresentado como foi finalizado.
Para você leitor apenas interessado neste caderno, vou te pedir um favor: leia o meu Opinião nessa edição em que falo sobre Transientes, e você terá uma ideia mais precisa de como os Transientes dão aquele ‘toque’ que a música precisa para se apresentar pulsante e viva.
Este fone reproduz os transientes com enorme precisão e vivacidade. Você irá facilmente perceber quando os músicos deram tudo ou quando tocaram apenas burocraticamente.
Leia a seção Opinião, e entenderá o que estou tentando descrever.
A micro-dinâmica do NDH 30 é referência, e a macro-dinâmica em volumes ‘sensatos’ é muito boa. Você pode ouvir em volumes seguros os crescendos sem nenhum incômodo ou risco de clipar o sinal.
E aquela sensação de estar lá junto com os músicos na sala de gravação, irá ocorrer com muita frequência meu amigo.
E com isso, em gravações tecnicamente bem-feitas, o prazer em ouvir será muito alto.
CONCLUSÃO
Existem outros bons fones-monitores no mercado, e mais baratos que o Neumann.
Já testamos vários e indicamos alguns exatamente por serem muito fidedignos ao material gravado.
Então o que esse, além de ser mais caro que os concorrentes, possui de diferencial para justificar sua escolha?
Dois motivos: fidelidade e neutralidade.
Se não for isso que você deseja em um fone definitivo, esqueça – pois o NDH 30 não será para você.
Já escrevi artigos na seção Opinião falando sobre o que chamo de ‘terceira via’, que não é nem o som eufônico em uma ponta, e nem o som transparente na outra.
Entre essas duas opções, existem alguns produtos que primam por uma Neutralidade, buscando o ponto de equilíbrio entre as duas vertentes que predominam no áudio hi-end.
E quando falo dessa Neutralidade, não confundam com algo ‘sem graça’ ou inócuo. Pelo contrário, a Neutralidade é a única forma de constatarmos que um equipamento foi fidedigno ao que foi gravado.
Pois as outras duas opções irão sempre colocar algo no som que não está na gravação.
E quem escolhe qual o caminho que deseja trilhar, é você.
Costumo afirmar que essa terceira via é para os poucos que trafegaram por anos nas outras duas vertentes, nos outros dois extremos, e estão finalmente querendo apenas ouvir suas gravações da maneira mais ‘fiel’.
Isso é um pacote em que entrará o divinamente bem-feito e o tecnicamente duvidoso.
Se esse é seu objetivo, ouça o NDH 30.
Ele é uma referência em termos de fidelidade e neutralidade!

| Nota: 91,0 | |
| AVMAG #316 CMV www.cmvaudiogroup.com R$ 7.535 | ![]() |

FONE DE OUVIDO TECHNICS EAH-AZ100
Fernando Andrette
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Das discussões que acompanho nos fóruns em relação a novos produtos, talvez o Technics AZ100 (permita-me abreviar), seja um dos debates mais calorosos que tenho visto desde o seu lançamento, na virada do ano.
Interessante que a maioria dos temas discutidos, são: os elogios e prêmios que o produto vem recebendo são genuínos ou reflexo de uma política intensa de marketing? Deixando o que realmente interessa – performance – em segundo plano.
Vivemos tempos de total inversão de valores em todas as áreas, e em qualquer segmento que implique bens de consumo.
Triste, pois ao desviarmos do que realmente importa, perdemos inúmeras vezes a oportunidade de conhecer produtos realmente diferenciados e que fogem do lugar comum.
E este é o caso do novo fone sem fio earbud da Technics. Um avanço considerável em relação ao AZ60 e o AZ80, e que muitos que insistem em discutir se é ou não ‘tudo isso’, relevam a segundo plano o que é fundamental.
Claro que em fóruns, muitas das opiniões são exacerbadas e feitas muito mais com erradas expectativas do que com racionalidade.
Exemplos: discute-se se o AZ100 realmente tem performance de fones com fio (como se fones sem fio já tivessem chegado lá, e que sabemos que ainda não atingiu esse patamar). Outros discutem que o ‘palco sonoro’ é estreito (como se fones de qualquer topologia, tivessem um palco sonoro razoável e capaz de enganar nosso cérebro) e, o terceiro tema mais encontrado sobre o AZ100, é a qualidade do cancelamento de ruído, com os que acharam ótimo e outros acharam apenas mediano.
E quando encontramos o tema performance, este se resume apenas a qualidade do grave (descrita pela maioria como “potente”) e do agudo (que poderia ter mais brilho).
Perceba leitor, como as questões abordadas são secundárias e pouco ajudam aqueles que realmente desejam saber o nível de performance atingido pelo novo fone top de linha sem fio da Technics.
Se você deseja finalmente conhecer o essencial, seja bem-vindo!
O fone AZ100 foi baseado nos monitores intra-auriculares com fio de referência da Technics, o EAT-TZ700.
O AZ100 utiliza drivers de fluído magnético de 10mm, de alta resolução, para uma performance sem distorção e muito equilibrada tonalmente.
A estrutura de alumínio permite um som mais natural e realista, com frequências estendidas nas duas pontas, para o ouvinte ter uma clara noção de resposta de transientes e de total apresentação de ambiência da sala de gravação.
A câmera acústica foi projetada para reproduzir a região média com enorme transparência e naturalidade.
Em relação a tecnologia de cancelamento de ruído, a Technics buscou uma otimização automática do nível de ruído do ambiente, para melhorar o desempenho independente do formato da orelha.
Os sensores de toque são bem rápidos de memorizar, e precisos.
Com o aplicativo Technics Audio Connect, você pode ajustar equalizações, modo ambiente, entre som de fundo, fala, nível de cancelamento de ruído, e até ajustar para ouvir gravações Dolby Atmos em sua plataforma de música.
Antes de fazer minha avaliação da performance do AZ100, não posso deixar de citar uma das poucas críticas que consegui ler, na minha busca por informações nos fóruns de discussão. Pelo gosto musical do crítico, ele deve ser jovem, e começou sua avaliação dizendo: “A Technics projetou os drivers com ferrofluido ao redor das bordas para eliminar harmônicos que, segundo eles, interferem no som. Isso resulta em uma assinatura sonora incrivelmente suave, isenta de imperfeições. Embora os AZ100, sem dúvida, ofereçam um som tecnicamente perfeito, eles sacrificaram a expressão artística musical”.
Uau! Gostaria de saber como se elimina harmônicos e ainda assim mantemos um ‘som suave, isento de imperfeições’?
Gostaria que o amigo leitor entendesse a gravidade de não se ter referência real de música ao vivo não amplificada, e nem metodologia, e as consequências e confusões que avaliações como essa ocasionam.
Eu desconheço que exista no mercado um fone ‘isento de imperfeições’, e que harmônicos ‘eliminados’ intencionalmente pelo fabricante consigam ainda assim manter o ‘som suave’.
O mais interessante é que a atual CEO da Technics é uma pianista profissional, e que certamente deve ter escutado os novos AZ100, e imagino que ela teria enorme facilidade em perceber que a retirada de ‘harmônicos na borda dos drivers’ seria algo bem negativo.
O AZ100 pesa apenas 5.9 gramas, menos que o AZ80 que pesa 7 gramas. Seu Bluetooth é 5.3 e suporta os codecs: LDAC, SBC, AAC e LC3. A duração de bateria é de até 10 horas com ANC ativado, e 28 horas com o estojo de carregamento. As opções de cores são preto e prata. E ele vem com cinco pares de pontas auriculares de tamanhos diferentes, e certamente um deles será o perfeito para qualquer usuário.
Os toques de comando permitem reproduzir, pausar, pular e retroceder, alternar entre os modos de cancelamento de ruído, controlar o volume, atender ou rejeitar chamadas, e buscar um assistente de voz em qualquer combinação e com o número de toques que você achar necessário.
Outra qualidade referencial do AZ100, é a estabilidade da conexão Bluetooth, sem travar mesmo alternando os dispositivos como smartphone, laptop ou tablet.
Outro grande diferencial, na minha opinião, é o seu cancelamento de ruído, que além de funcional é bastante eficiente (até mesmo para ruídos em estações do metrô, feiras livres – eu experimentei em uma dessas e aprovei integralmente – escapamentos de motos, e britadeiras).
E com a vantagem de uma opção Adaptativa, que ajusta automaticamente o melhor nível de cancelamento de ruído para o ambiente.
São três microfones em cada fone, e a Technics substituiu a tecnologia JustMyVoice pela redução de ruídos Voice Focus AI, para se obter chamadas mais nítidas, graças a um novo chip IA, que elimina ruídos do ambiente ao redor durante a chamada, isso é imprescindível em ambientes externos e com muito movimento e ruído.
É possível ajustar o som do AZ100 a partir de predefinições, ou criar sua própria curva de equalização. As pré-definidas tem o modo Bass+, que simplesmente fará sua alma sair do corpo ao ouvir um tímpano ou um órgão de tubo.
Então resolvi, para toda a avaliação, deixar no modo direto (sem equalização), que realmente permitirá você desfrutar de suas gravações de forma natural e correta!
Neste modo, você terá uma precisão consistente do quanto a gravação é ou não tecnicamente boa.
É o tipo de fone sem fio que não faz concessões a gravações tecnicamente medíocres. Então é, sim, um fone de referência seletivo e, portanto, aconselho-o apenas aos que já tem uma longa quilometragem neste mundo do áudio, e já sabem exatamente o que estão buscando em termos de fone sem fio de referência.
O mesmo eu digo quanto à qualidade do DAC interno de seu smartphone, pois ele será subutilizado se o DAC não estiver a sua altura.
Os graves são realmente impressionantes em termos de extensão e impacto. Soam magníficos em boas gravações e podem fazê-lo até mesmo repensar o que falta em termos de evolução dos fones sem fio, para atingirem aquele último degrau dos fones com fio.
A região média tem uma precisão, naturalidade e realismo impressionantes, permitindo ouvir sem esforço as mais sutis informações.
Porém, ao contrário do crítico que achou que o fone mata as ‘imperfeições’ das gravações, eu achei justamente o contrário. Ele estabelece claramente os erros e acertos de todas as etapas existentes em uma gravação. Desde a qualidade do músico, do seu instrumento e da escolha dos microfones pelo engenheiro.
E os agudos, também ao contrário dos que acharam que “falta brilho”, eu agradeci por realmente não ter esse brilho. Seus agudos possuem enorme extensão e decaimento suave, permitindo ouvirmos com precisão as salas de gravação!
Sua apresentação de texturas, é uma referência em termos de fone sem fio, e a apresentação das intencionalidades, exemplar!
Marcação de tempo, ritmo e andamento, são precisos nos levando a ouvir atentamente as variações, sem esforço ou a perda do todo.
Os transientes não tiram sua concentração, o que torna as apresentações muito mais sedutoras.
Sua apresentação de macro-dinâmica, graças aos seus drivers de baixa distorção, permitem ouvir em volumes seguros todas as nuances na passagem do forte para o fortíssimo, sem sobressaltos ou quebra da concentração.
E a micro-dinâmica é sublime!
A sensação da apresentação musical dentro da cabeça é intensa e convincente e parece que os solistas estão ali no meio de nosso cérebro!
CONCLUSÃO
É notória a evolução dos fones sem fio nos últimos dois anos.
Nós mesmos temos apresentado um leque de opções que vão dos 400 aos 3000 reais, que podem perfeitamente ser seu fone, e permitir desfrutar sua música com segurança e enorme prazer auditivo.
Agora, se sua busca é por um fone sem fio de referência que além de alta performance tenha um excelente cancelamento de ruído, e inúmeros recursos adicionais para total mobilidade no seu dia a dia, esse fone certamente pode ser o Technics AZ100.
É sem dúvida alguma o melhor sem fio fone testado por nós nestes últimos dois anos!
Acho que este seja o melhor argumento, se você deseja um fone de altíssima performance e ainda dentro de um patamar aceitável de se gastar!
Este será nossa nova referência daqui em diante.
Se você está indo viajar, ou algum amigo ou parente irá, eis a chance de comprá-lo no exterior, por menos de 300 dólares.

| Nota: 91,0 | |
| AVMAG #317 Technics www.technics.com US$ 299 | ![]() |

FONE DE OUVIDO MEZE LIRIC 2
Fernando Andrette
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Quais os riscos de se testar uma ‘evolução’ de um produto já consagrado?
Essa é uma pergunta capciosa, pois vai depender muito do nível do produto, e de quem está por trás da mudança.
Pois muitas vezes as mudanças são apenas ‘mais do mesmo’, para manter o produto em evidência ou não perder espaço para a concorrência, ou apenas por ser política da empresa fazer lançamentos anuais.
Produtos ‘consumer’ tecnológicos de larga escala, são quase que obrigados a manter essa estratégia de marketing para não serem engolidos pela concorrência.
Diria que este não seria o caso, à princípio, de um fone desse conceituado fabricante Romeno, que tem nos últimos anos surpreendido o mercado com produtos surpreendentes em termos de performance.
No entanto, tenho que confessar que ao receber o novo Liric 2 para avaliação, essa pergunta me veio à mente, já que quando testei o Liric original, já o achei impressionante em termos de projeto de fone fechado.
Sugiro que todos leiam o teste do Liric original (clique aqui) e vejam o quanto ele se saiu bem em todos os quesitos da Metodologia.
Afinal, trata-se do fone fechado top de linha da Meze, e certamente o objetivo inicial deste fone foi mostrar ao mercado que o lançamento do 99 Classics, não era o ápice que poderiam oferecer aos consumidores que amam essa topologia.
E deixei claro que a diferença em termos de performance do 99 Classics para o Liric, era consistentemente gigantesca!
Então, a pergunta que ficou ressoando em minha mente, foi: “que diabos poderia ser melhorado em algo já tão bom?”
Bem, vamos às respostas!
A primeira boa notícia: o preço não foi alterado em relação ao modelo anterior.
E isso é uma excelente notícia, você não acha?
O mercado parece que não aposta muito em fones isodinâmicos fechados de nível hi-end, onde a predominância (e parece que a preferência do consumidor), é pelas opções abertas.
Segundo o fabricante, as alterações foram bem pontuais, visando melhorar questões que eles achavam que poderiam ser aprimoradas, sem perder o desempenho alcançado.
O driver híbrido isodinâmico MZ4 original foi mantido, porém com uma área ativa de 3507 mm2, que no modelo original era de 4650 mm2, o que deixou o driver mais leve, e mudança do polímero reforçado no lugar do ABS fibra de vidro, para a carcaça.
Uma nova máscara ressonadora de um quarto de comprimento de onda, com uma atenuação das frequências acima de 7 kHz, muito suave em comparação ao Liric original, que resultou (segundo o fabricante) em uma passagem mais suave dos médios altos para os agudos.
A máscara continua sendo fabricada com estrutura de metal, para cobrir estrategicamente aberturas do driver, com seu formato de cunha fixado ao centro do driver.
E a outra mudança significativa foi nas almofadas destacáveis, que são semelhantes agora aos modelos mais caros Empyrean 2 e Elite, presas através de um sistema magnético e não mais velcro como no modelo original.
Visualmente, a mudança mais significativa são as novas placas de madeira nos copos com acabamento preto fosco e magnésio, deixando (na minha opinião) o fone ainda mais bonito e atemporal.
A madeira utilizada é o ébano macassar, com seu famoso veio de tonalidades predominantes para o escuro – sendo que cada novo Liric 2 terá um acabamento único distinto.
Ainda que os drivers sejam menores, o peso final é 36 gramas a mais que o original, segundo o fabricante devido ao novo desenho da QWRM – Quarter Wave Resonator Mask.
Em termos de conforto, o novo Liric 2 é tão agradável quanto o modelo original.
O encaixe na cabeça é perfeito e o isolamento do ambiente externo, tão bom quanto no primeiro.
Mesmo pesando mais de 40 gramas, o equilíbrio de pressão vertical da faixa na cabeça, e seu ajuste preciso e seguro, atenuam esse peso de maneira eficaz.
Para minha grande surpresa, ao abrir a embalagem e ver os novos cabos que o fabricante envia com o produto, deparei-me com o cabo trançado da Furukawa PCUHD com plugue balanceado de 4.4mm.
E também um cabo TPE de 3m de fio de cobre original, com terminação de 3.5mm para quem quiser ouvir o Liric 2 em seu smartphone.
O cabo Furukawa utiliza condutores de 0.04mm por 140mm em uma trança contínua de 8 e 4 fios dentro de uma capa de TPD, sendo um cabo leve com o qual o usuário precisará ter um enorme cuidado no seu manuseio.
Mas já adiando: se você desejar extrair o máximo em performance, esqueça o outro cabo!
A embalagem continua sendo impecável, com uma caixa preta de excelente qualidade e o famoso estojo interno com espumas nos pontos certos, para a proteção do fone.
Para o teste utilizei o Ferrum Audio Oor (clique aqui), e o nosso pré de linha Nagra Classic.
Como no teste do Liric original, deixamos o fone em queima por 30 horas, antes de iniciarmos os testes. Claro que, para saber se as 30 horas de amaciamento seriam suficientes, fizemos uma primeira audição com nossas gravações da Cavi Records, e anotamos o que observamos em termos de equilíbrio tonal.
Posso garantir que o comprador deste fone, poderá desfrutar de toda sua beleza desde o primeiro instante, pois o que falta antes do amaciamento, não o impedirá de ouvir e constatar que fez uma excelente aquisição!
Também utilizamos no teste os mesmos discos citados no teste do Liric original: Cécile McLorin Salvant – Woman Child, Vinnie Colaiuta – Descent Into Madness, e o Miles Davis – What It Is: Montreal 77/83. Além de todas as faixas para fechar a nota de cada quesito de nossa Metodologia.
E para não ter distorção nas observações, a audição para o fechamento das notas foi toda feita no pré de linha Nagra Classic, como foi no do Liric original.
O quanto o Liric 2 evoluiu?
Diria que o suficiente para fazerem sentido as mudanças. Porém não o suficiente, na minha opinião, para valer para quem possui o modelo original e está satisfeito com sua performance.
Parece uma resposta de quem está em cima do muro – mas acredite, não é!
Vamos às melhorias: em termos de ergonomia e encaixe na cabeça, eles são bastante semelhantes, mas achei a nova versão mais segura em termos de movimentos com a cabeça, e consegui ouvir por mais tempo sem me incomodar com seu peso. Isso para mim é um ponto importante, já que minhas audições com fones nunca ultrapassam duas horas, justamente pelo incômodo que sinto.
Também achei que as novas espumas de couro são mais’ respiráveis’, incomodando menos com temperaturas ambiente mais elevadas (acima de 23 graus).
Em termos de performance, posso dizer que o novo Liric 2 é mais neutro que o original. Isso ficou patente, ao repassar todas as faixas e os discos utilizados no primeiro teste.
Li que alguns revisores acharam que a região médio-grave está mais presente no novo modelo – e eu acho que não é que se tenha dado ênfase a alguma frequência, e sim que se tenha deixado todo o espectro auditivo mais equilibrado, trazendo à tona uma reprodução mais fidedigna da qualidade das gravações.
Deixando-o muito mais próximo do Elite, por exemplo.
Isso achei que foi uma mudança extremamente acertada, pois prefiro sempre fones mais neutros, do que os transparentes e os eufônicos.
Para você leitor entender essa mudança, posso dizer que com certeza usaria o Liric 2 como um fone monitor em minhas futuras gravações, e o original não!
Entende o nível da mudança em termos de equilíbrio tonal?
Mas foi realmente pontual, e não algo que mudou drasticamente sua assinatura sônica.
Com isso, as texturas ficaram ainda mais refinadas e as intenções mais inteligíveis do que no modelo anterior, no qual já eram excelentes.
Lembre-se que o modelo original recebeu 96 pontos, tornando-se um dos fones mais bem avaliados nos últimos três anos!
E quando estamos no topo da pirâmide em termos de performance, cada degrau é uma sutil, mas determinante melhoria.
Neste nível, sempre estamos falando de lapidação e não de transformações substanciais.
Os transientes são do mesmo nível que o modelo anterior, porém a dinâmica, principalmente a macro, parece audivelmente ter ganho uma maior folga – permitindo que tenhamos uma unha a mais de flexibilidade no volume seguro auditivamente, que no primeiro Liric.
Observei isso com clareza no disco do Miles Davis, que não é nenhuma referência em termos de qualidade técnica, e no do Vinnie
Colaiuta.
A macrodinâmica realmente ganhou em folga!
E a sensação de materialização física na nossa mente se tornou um pouco mais presente também.
Junte essas melhorias sutis no conjunto total e, claro, será um fone ainda mais prazeroso e convidativo que já foi a primeira versão.
CONCLUSÃO
A Meze foi muito feliz nas suas melhorias, pois conseguiu melhorar exatamente no que era possível, sem alterar a assinatura sônica tão excelente que conseguiu para o seu fone isodinâmico fechado top de linha.
Tanto que ele passa a ser nossa Referência de fone fechado!
Se você precisa de um fone fechado hi-end de nível Superlativo, para ter algumas horas de paz sem incomodar as pessoas à sua volta, e o Liric 2 se encaixa em seu orçamento, meu amigo, sua procura terminou.
É uma opção inteligente, confortável e o investimento final, para quem deseja o seu fone de referência definitivo!

| Nota: 98,0 | |
| AVMAG #319 KW Hi-Fi fernando@kwhifi.com.br (48) 98418.2801 (11) 95442.0855 R$ 18.180 | ![]() |