


NAGRA STREAMER
Fernando Andrette
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Começo esse teste dizendo que fotos mentem! Pois ao vivo o Nagra Streamer é ainda menor do que eu poderia imaginar.Se você quiser, leitor, ter uma ideia exata do seu tamanho, anote aí: 18.5 cm de largura, 4.1 cm de altura por 16.6 cm de profundidade.
E se não fosse o gabinete feito de um bloco sólido de alumínio, que determina seu peso final de 1.9kg, ele certamente seria um daqueles produtos que, para não voar com um esbarrão nos cabos, teria que ser travado com algum peso considerável em cima dele.
Mas como todo produto deste renomado fabricante Suíço, os detalhes é que determinam sua qualidade final.
O Nagra Streamer foi projetado para ser usado tanto com os DACs Nagra, como DACs de outros fabricantes. O importante é que os DACs estejam à altura de sua performance.
E se for usado em um DAC Nagra com entrada “Nagra Link”, o resultado será superior à conexão coaxial.
Os atuais DACs Nagra: Classic DAC II, TUBE DAC e o HD DAC X, possuem a entrada Nagra Link para reprodução até de arquivos DSD-4x até 11.2 MHz.
E, para a reprodução de DSD, basta conectar um pendrive à entrada do Nagra Streamer, e ele lerá sem problemas gravações disponíveis neste formato em DSD 256. Mas, pela saída Coaxial, apenas poderá sair DSD 64.
Claro que fizemos comparações entre as saídas N-Link e a Coaxial, para saber o quanto havia de diferença em termos de performance entre elas.
Mais tarde detalharei as diferenças audíveis.
Pois existem outras questões relevantes antes da avaliação auditiva. O Streamer da Nagra vem com uma pequena fonte externa de bom nível, e que não compromete a performance geral.
Mas, e se usarmos a fonte PSU do Transporte Nagra, do TUBE DAC ou do pré de linha Nagra Classic, haverá melhoras significativas?
O cabo de rede pode influir no resultado sonoro final?
E o uso de um switch de rede, como o Melco S100/2 (leia teste na edição 313 de dezembro), ou o switch de rede Reference da Sunrise Lab, haverá ganhos audíveis?
Todas essas questões serão respondidas daqui a pouco.
Quando estávamos encerrando o teste, soubemos pelo distribuidor, a German Audio que o Roon Ready acabou de ser habilitado no Streamer – o que trará certamente alguns ganhos adicionais à operação.
No entanto, eu não tenho nada a reclamar do mConnect Control, que funciona perfeitamente sem travamentos ou problemas, para ouvirmos nossos álbuns.
Para poder usar uma fonte Nagra ligada ao Streamer, será necessária a aquisição de um cabo Lemo para DC especial, fabricado pela própria Nagra.
Caso contrário, o usuário terá que se contentar com a fonte que acompanha o Streamer.
Para o teste utilizamos os seguintes DACs: Nagra TUBE DAC e Ferrum Audio Wandla. Amplificadores integrados: Norma Audio REVO IPA-140 e Soulnote A-3. Prés de linha: Nagra Classic e Audiopax
Reference. Powers: Gold Note PA-1175 MkII (leia Teste 2 na edição 313 de dezembro de 2024), e monoblocos Nagra HD (clique aqui). Cabos digitais: N-Link (somente compatível com o TUBE DAC), e coaxial digital Aniversário da Sunrise Lab. Caixas acústicas: Wharfedale Aura 2, Marten Oscar Trio (leia Teste 1 na edição 313), Harbeth 40.3 XD (leia teste edição de março de 2025), e Audiopax Mandolin Ceramik II (clique aqui).
Para o teste também utilizamos o streamer Innuos ZENmini Mk3 com fonte externa, ligado ao TUBE DAC pela entrada USB com cabo Dynamique Audio Apex. Os cabos de rede utilizados foram: Transparent Reference e Sunrise Lab Reference.
O teste foi realizado primeiramente usando a fonte de alimentação que vem com o Streamer Nagra, e com ambos switch de rede (Melco e Sunrise Lab) nos dois DACs, e com os respectivos cabos – N-Link e Coaxial no TUBE DAC – e apenas o coaxial no DAC Wandla.
A primeira observação é: se o usuário do Streamer Nagra não tiver um DAC Nagra, invista no melhor cabo coaxial possível para ligar ao seu DAC, e esqueça realizar um upgrade para a fonte Nagra – pois as melhorias, ainda que audíveis, são pequenas para tamanho investimento.
Mas, mesmo nessas condições que chamaria de ‘básicas’, o Streamer Nagra se mostrou muito acima do Innuos ZENmini Mk3. Questões que, para mim, são muito relevantes, como imagem 3D (principalmente em termos de profundidade), corpo harmônico e texturas, são extremamente mais corretas e próximas dos exemplos que tenho cópia em mídia física CD.
Agora, o que este consumidor deve investir, se quiser ainda tirar o último sumo deste Streamer, é no melhor switch de rede que puder. E em um bom cabo de rede. Aí você extrairá o máximo deste
Nagra.
Diria que, após passar todos os exemplos dos quesitos de minha Playlist – usando o DAC Wandla – sem switch de rede, e reouvir os mesmos exemplos com o Nagra ligado ao switch, tudo melhorou: silêncio de fundo, foco, recorte, profundidade, textura…
Agora, quando passamos a usar o Streamer Nagra com seu par TUBE DAC, e o cabo N-Link, passamos para uma nova dimensão. Estamos falando de pelo menos três a quatro pontos a mais do que quando ouvimos as mesmas músicas pelo cabo Coaxial.
E isso antes de colocarmos uma nova fonte, o switch de rede e cabos de rede mais adequados. Aí temos uma ideia exata da qualidade final deste pequeno notável!
Seu equilíbrio tonal é de outro nível, com maior extensão nas duas pontas, uma imagem 3D com planos corretos, recorte, foco, reprodução de ambiência, nos permitindo relaxar e aproveitar em detalhes o acontecimento musical à nossa frente.
Foi a primeira vez que meu cérebro sentiu prazer em ouvir o primeiro movimento da Quarta de Shostakovich com regência de Klaus Mäkelä com a Orquestra Filarmônica de Oslo (já indiquei essa maravilhosa gravação no Playlist).
Pois se meu cérebro perceber nos primeiros compassos que a orquestra soa perfilada, apenas com largura e altura, sem profundidade, então esquece, meu amigo, pois para mim a audição acabou ali!
Mas, na minha frente surgiu um palco amplo, profundo, com os naipes devidamente focados, sem perda ao se ouvir o todo, como em uma apresentação ao vivo!
Conversando com um amigo músico, que sabe de minhas restrições ao atual estágio do streamer, a primeira pergunta que me fez após minha descrição e do meu empolgamento com essa descoberta, foi: “Então você agora abriria mão da mídia física?” – menos, “Batista”, menos…
O que posso dizer é que nessas condições, gravações excelentes como essa do selo Decca, ficam muito mais ‘confortáveis’ e interessantes se ouvir no streamer, mas não que chegou lá a ponto de substituir a mídia física em um sistema de alto nível.
O que acho importante dizer é que existem caminhos que podem nos levar a investir em um streamer de excelente performance, tomando os cuidados inerentes a este nível de investimento, sem se tornar uma exorbitância monetária com resultados duvidosos!
Todo esse resultado promissor foi alcançado apenas com a utilização da fonte do meu transporte Nagra. O que ocorreria se ligasse a SPU do TUBE DAC e do pré de linha Classic?
Aqui tínhamos um problema. A SPU só pode alimentar dois produtos Nagra simultaneamente. Então para acoplar o Streamer, eu precisaria desligar o pré Classic e usar o pré Audiopax no seu lugar.
Foi o que fiz.
E voltei a passar toda a lista da Metodologia, agora na melhor fonte de alimentação disponível.
Aqui o resultado mais importante foi em termos de silêncio de fundo e, com isso, uma melhora impressionante na apresentação de micro e macrodinâmica. Pois tudo pareceu, nos crescendos, ter mais folga – e nos pianíssimos, mais detalhes!
Nos outros quesitos eu não ouvi diferenças significativas. Então, a outra dica que posso dar para os futuros interessados no Streamer Nagra, é: invistam na fonte Nagra ACPS-III (a que veio com o transporte da Nagra). Acho que com essa fonte a melhora no resultado já será bastante significativa em relação à fonte original.
No entanto, isso só será válido se você também possuir um DAC Nagra para poder usar o cabo óptico N-Link, OK?
Para o uso com DAC de outro fabricante, com o uso de cabo coaxial, fique com a fonte original, como já expliquei.
Uma boa surpresa, que notei mesmo com a fonte original e o uso do cabo coaxial, é que o corpo harmônico do Nagra é impressionante (principalmente comparado com o Innuos ZENmini Mk3). E as texturas também – muito mais refinadas e até com uma boa apresentação de intencionalidade.
E se o futuro comprador seguir minhas recomendações, de investir nos periféricos, ele terá um resultado muito acima do esperado pelo investimento feito.
CONCLUSÃO
Imaginar que dentro de uma embalagem tão minúscula se esconda um Streamer de tão alto nível, é bastante difícil de acreditar, só olhando para este Nagra.
Mas lhe dê a chance de mostrar suas virtudes, e lhe garanto que no mínimo você irá se perguntar como é possível tal façanha sonora?
Se eu fiquei surpreso e cético ao recebê-lo, com larga experiência em ouvir e testar de tudo que existe neste universo hi-end. Imagine o consumidor que está acostumado a sonhar com Streamers com tela OLED, gabinetes do tamanho de um pré de linha Estado da Arte, e se depara com um mini monolito prateado sem nenhum botão para apertar ou girar?
Acredite, eu o entendo! Mas se tudo que lhe interessa é a performance final, e o resto é apenas ‘confeitaria’, você está pronto para descobrir o que este Streamer da Nagra pode fazer pela sua coleção de música armazenada nas nuvens!
E não duvide, a forma como sua música será apresentada poderá até mesmo abalar as suas crenças sobre o que é preciso para se extrair o supra-sumo dessa topologia.
Sabe o conceito de ‘menos é mais’?
A Nagra levou, no desenvolvimento deste seu primeiro Streamer, esta ideia às máximas possibilidades.
O resultado está aí para quem quiser ouvir!

| NAGRA STREAMER (COM FONTE ORIGINAL E CABO COAXIAL) | Nota: 99,0 |
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| NAGRA STREAMER (COM FONTE ORIGINAL E CABO N-LINK ÓPTICO) | Nota: 104,0 |
| AVMAG #314 German Áudio comercial@germanaudio.com.br (+1) 619 2436615 U$ 7.900 | ![]() |

RECEIVER MA9100HP DA JBL
Jean Rothman
O JBL MA9100HP é o topo da linha Modern Audio de receivers da marca, focado em unir estética amigável, interface intuitiva e performance sonora convincente. São nove canais de amplificação Classe D, com suporte a Dolby Atmos e DTS:X para formar layouts 5.1.4 ou 7.1.2, em um chassi com display colorido de alta legibilidade e frente ‘despoluída’ – inclusive com iluminação sob o painel em LED para compor um visual mais arrojado. A proposta é seduzir tanto entusiastas (pelo som e recursos) quanto quem quer um AVR menos intimidante no dia a dia.
Em posicionamento, ele briga com modelos intermediário-premium de marcas tradicionais, tendo como apelos o uso simples, a apresentação moderna e o pacote de conectividade amplo, o que o coloca como uma alternativa ‘lifestyle’ sem abrir mão de potência e imersão.
O design aposta no ‘menos é mais’: frontal limpo, display colorido grande e feedback visual elegante. Seu gabinete apresenta construção sólida, sem ser extremamente pesado. Atrás, a conectividade é abrangente, mas organizada para não assustar. A construção busca ser mais leve e eficiente que a média, graças ao uso de módulos Classe D, responsáveis por um som descrito como dinâmico e responsivo, com potência nominal divulgada de 140 W em 8 Ω (dois canais acionados) – abordagem típica de especificação em AVRs sérios. O chassi e a ergonomia foram pensados para reduzir a sensação de complexidade tradicional desse tipo de aparelho.
Por dentro, a filosofia Modern Audio mira a máxima entrega com o mínimo de atrito: nove canais internos e limitação consciente a 5.1.4 / 7.1.2, em vez de ‘correr’ atrás de contagens maiores que complicariam o uso e a instalação. Essa decisão simplifica a vida do usuário e, em contrapartida, permite à JBL polir a experiência de interface e set-up sem sacrificar a imersão dos formatos atuais.
Entre seus recursos de conectividade, oferece Wi-Fi de banda dupla e Bluetooth, com Google Chromecast e Apple AirPlay 2 integrados, além de acesso a serviços como Spotify e Tidal diretamente. Também possui entrada de phono integrada para cápsulas Moving Magnet, permitindo conectar um toca-discos sem necessidade de adquirir um pré de phono externo, além de entradas digitais coaxiais e ópticas, e duas entradas analógicas.
Sua interface é bem intuitiva, com menos botões no painel e display colorido claro com objetivo de não intimidar o usuário.
O controle remoto reflete a simplicidade do painel frontal, basicamente replicando a mesma funcionalidade. É bem projetado e confortável de segurar e usar, porém senti falta de backlight nas teclas para melhor uso em ambientes escuros. Há também um aplicativo de controle remoto para iOS e Android, se você preferir controlar por meio de um smartphone ou tablet.
A instalação e ajustes iniciais são bem simples, e contam com apoio do app EZ Set EQ que, apesar de não medir automaticamente as distâncias das caixas acústicas, cumpre bem seu papel.
O EZ Set EQ guia você por todo o processo usando uma interface gráfica intuitiva e o microfone integrado do smartphone (embora a JBL recomende o uso de um microfone de terceiros para dispositivos Android). Não é apenas simples, mas surpreendentemente eficaz, embora entusiastas de áudio e vídeo mais experientes possam optar pela atualização opcional Dirac Live, para uma correção de ambiente ainda mais sofisticada.
Assistindo filmes, o MA9100HP revela uma assinatura dinâmica e detalhada, com bom detalhamento dos efeitos sonoros, impactando sem soar agressivo. A sensação espacial com Dolby Atmos cria bolhas de som coerentes, com camadas bem definidas na horizontal e na vertical e palco tridimensional que se abre além das caixas, sem costuras evidentes nas passagens entre canais quando o sistema está bem calibrado.
Graves têm boa pegada e controle: explosões e impactos descem com autoridade, mas o que chama a atenção é a ótima inteligibilidade nos diálogos, trilhas e efeitos sem mascarar detalhes finos.
Em shows e filmes-concerto, a coerência tímbrica e o foco de vozes contam mais que espetáculo pirotécnico. Aqui, a entrega de médios se mantém limpa e inteligível, com brilho suficiente para revelar ambiências e reverberações de salas reais, sem ganho artificial nos agudos. A macro-dinâmica impressiona nas passagens de percussão, enquanto a micro-dinâmica aparece com naturalidade, reforçando a sensação de ‘ao vivo’ que mantém o espectador conectado ao palco.
Em estéreo puro, o MA9100HP surpreende para um receiver multicanal. A topologia Classe D é silenciosa e transparente, com bom controle de graves e médios articulados.
O palco sonoro é bem definido, com boa separação entre instrumentos e sensação de profundidade. Não chega ao refinamento de um integrado high-end dedicado, mas entrega musicalidade acima da média para a categoria.
É um produto elegante e moderno, com bom custo benefício e que não desaponta os fãs da marca.
| Nota: 87,0 | |
| AVMAG #322 JBL www.jbl.com.br R$ 17.339 | ![]() |

CD-PLAYER NORMA REVO CDP-2
Fernando Andrette
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Quem ainda não caiu na tentação de se desfazer da sua coleção de CDs e mergulhou de cabeça no streamer?
Eu faço frequentemente essa pergunta nos nossos Cursos de Percepção Auditiva, consultorias e Workshops.
E, à medida que os anos passam, percebo que a resistência em não cometer este erro é muito maior do que ocorreu com a entrada do CD no mercado, na década de oitenta, em que as pessoas se desfizeram de seus LPs a preço de banana, fazendo a alegria e o lucro de milhares de sebos espalhados por todos os continentes!
Percebendo essa ‘resiliência’ duradoura, é que estamos vendo nos últimos cinco anos muitos fabricantes mantendo em sua linha CD-Players ou até mesmo resgatando esse produto no seu portfólio.
E dou risada quando leio ou vejo novos revisores, ‘encantados’ com a descoberta da sonoridade do CD em relação ao streamer.
E mesmo audiófilos rodados, que se desfizeram de suas mídias físicas, ao ouvirem um sistema em que a fonte é um CD-Player bem ajustado em um sistema hi-end, suspiram fundo e reconhecem que poderiam ter mantido ao menos aqueles discos mais significativos.
O que questiono é: como tantos audiófilos abrem mão da qualidade apenas por mais praticidade?
Pois foi este o ‘mote’ para a substituição do LP pelo CD e, agora, o mesmo discurso se repete com a praticidade que o streamer oferece ao usuário, sem ocupar espaço físico e ter aquela dor de cabeça para manter os CDs razoavelmente organizados nas prateleiras.
Quando escuto pela milésima vez esse argumento, ouço silenciosamente até o final e aí faço uma única pergunta: você já ouviu falar em tempestades solares?
Pois se você souber dos riscos de uma tempestade solar G5 dirigida diretamente para o Planeta, e que tudo que estiver armazenado nas ‘nuvens’ correm riscos reais de sumirem, você talvez não coloque todos os ovos em apenas um cesto.
E esse risco é cada vez mais iminente, acredite!
Voltando a todos os ‘precavidos’ e apaixonados pela sua coleção de CDs eu tenho uma ótima notícia para vocês. O mercado hi-end tem excelentes propostas de CD-Players para reforçar o quanto essa mídia ainda soa muito bem!
E um dos expoentes desta nova safra de CD-Players hi-end é o Norma Revo CDP-2 – que também é um DAC para os que possuem um Transporte ou um Streamer.
Nosso leitor assíduo, certamente leu o teste do integrado Revo 140 (clique aqui) um dos nossos integrados de referência, e portanto estávamos ansiosos para poder ouvir este conjunto e descobrir se o Revo CDP-2 se encontra no mesmo patamar do seu parceiro.
A Norma Audio Electronics é uma empresa italiana fundada em 1987, por Enrico Rossi, um engenheiro com sólida formação profissional e ideias bastante originais, e que se mostraram através de todos esses anos esplendidamente convincentes.
Todos os seus produtos, levam anos antes de chegarem ao mercado. Pois seu perfeccionismo o faz ouvir etapa por etapa de cada protótipo para os ajustes necessários.
No caso deste CD-Player, foram quatro anos, pois à parte eletrônica por ser toda desenvolvida pela Norma, exigiu muito mais tempo do que o imaginado.
O CDP-2 utiliza o confiável transporte da TEAC, e a seção DAC é um circuito totalmente proprietário, desde o próprio circuito D/A, passando pela conversão, até o circuito de saída.
Em termos de aparência, o CDP-2 segue o mesmo padrão de toda a linha Revo. O chassis é feito de chapas grossas de alumínio e a parte frontal é fresada a partir de uma peça também do mesmo material.
O painel frontal tem um grande visor azulado que permite ler de longa distância (o que acho excelente). Acima do enorme display temos a gaveta e, na lateral do lado esquerdo, um pequeno botão para ligar o aparelho. Do lado direito, os botões para abrir gaveta, play, stop e avançar e retroceder as faixas.
Na parte traseira, temos tomada de IEC, botão de liga desliga, saídas analógicas RCA e XLR, e aí todas as entradas digitais do DS-2 que faz parte deste belo pacote: USB para reprodução em PCM e DSD 512, AES/EBU, coaxial e óptica para PCM até 24/192 kHz.
A Norma guarda a sete chaves a implementação de seu DAC proprietário, afirmando apenas tratar-se de uma combinação de circuitos digitais e analógicos em um circuito multi-bit, e não um circuito delta-sigma.
O que faz muitos deduzirem que possa ser uma escada de resistores R-2R controlada por um chip DSP com um algoritmo proprietário.
O módulo em questão está totalmente revestido em resina, e blindado.
O filtro digital antes do conversor também foi idealizado pelo fabricante, sendo baseado no filtro DF 1706 da Burr-Brown com uma sobre-amostragem de oito vezes.
O DAC é alimentado por um transformador toroidal com secundários separados para a seção digital e analógica. E no circuito são encontrados 24 estabilizadores de tensão.
Seu controle remoto é o RC-31 CD, feito de alumínio, com todos os comandos nele.
Para o teste utilizamos obviamente o integrado Norma Revo 140 (clique aqui) o Arcam Radia SA45 (clique aqui) e o Moonriver 404 Reference (teste edição de novembro próxima). Os prés de linha foram Air Tight ATC-5s (teste em outubro próximo), Nagra Pre Classic, e os powers Air Tight ATM-1E (clique aqui) e Nagra HD (clique aqui). Os cabos de interconexão foram Zavfino RCA Silver Dart (clique aqui) e Dynamique Apex XLR (clique aqui). Os cabos de força foram Virtual Reality (clique aqui), Zavfino Silver Dark e Transparent Audio Reference
G6 (clique aqui). Os cabos digitais para o teste do DAC interno foram o USB Dynamique Apex (clique aqui) e AES/EBU Dynamique Apex (clique aqui).
O aparelho nos foi enviado com menos de 100 horas de queima. Então fizemos o mesmo caminho de sempre: ouvimos as gravações dos discos da Cavi Records, fiz minhas anotações pessoais e o coloquei por mais 50 horas de amaciamento em repeat, ligado ao integrado Moonriver 404 Reference, que também está em início de amaciamento com as caixas Stenheim Alumine Two.Five (teste de setembro próximo).
Nas observações iniciais, anotei: “que incrível vivacidade e fluidez!” – sim, em minhas anotações pessoais me permito usar expressões que sejam fáceis de memorizar, quando tiver que puxar para algum comparativo futuro com aparelhos similares, quando obviamente usarei os mesmos discos produzidos por nós, tocando no mesmo setup com que fiz essa primeira impressão.
Mas o CDP-2 não é apenas fluido, ele possui virtudes absolutamente convincentes também dentro dos quesitos de nossa Metodologia.
Eu não me lembro de nenhum outro CD-Player recente por menos de 10 mil dólares que possua um equilíbrio tonal tão correto e coerente como esse Norma. A maneira de fazer a prova do grau de coerência do equilíbrio tonal, é ouvir as gravações de referência abaixo de 65 dB e observar se está tudo lá.
Geralmente, neste volume, se o equilíbrio tonal não for perfeito, os graves irão ficar aparecendo e sumindo dependendo da variação dinâmica do instrumento.
Com o Norma isso não irá ocorrer nunca! Pode ser no menor volume audível, que os graves estarão presentes e sem nenhuma dificuldade de acompanhar.
E nos volumes ‘normais’ em que utilizamos para as avaliações, entre 75 e 88 dB, existe uma energia, presença e deslocamento de ar, desconcertantes para apenas um CD-Player na sua faixa de preço.
A região média é fluida, transparente, e muito realista! Nada soa artificial ou sombreado. Instrumentos acústicos e vozes soam naturais, orgânicos e verossímeis!
E os agudos são do nível de CD-Players e DACs Estado da Arte Superlativo!
Lindos são o decaimento, a extensão e o corpo.
Se tem um quesito em que tudo que ouvi da Norma se destaca, é a apresentação do Palco Sonoro, com amplo espaço, tanto em largura, como altura e profundidade. A música está para muito além da lateral das caixas e para trás das paredes.
Amantes de música clássica se sentirão agraciados com a amplitude, respiro e reprodução da ambiência da sala de gravação.
O engenheiro projetista Rossi sempre se orgulha de falar dessa qualidade de seus equipamentos. E realmente é muito admirável o resultado obtido.
Mas eu pessoalmente me apaixonei pelo integrado da Norma por dois motivos: equilíbrio tonal e textura! Acho que essas são as duas virtudes que diferenciam a Norma de outros excelentes fabricantes de hi-end.
Pois percebo que nesses dois quesitos (além do soundstage tão admirado pelo projetista) a Norma embasa toda sua filosofia e assinatura sônica de seus produtos.
As texturas possuem paletas de cores, que tornam os timbres dos instrumentos extremamente convincentes. Nos permitindo diferenciar não só a qualidade do instrumento, como também a escolha do microfone do engenheiro de gravação e a técnica do instrumentista.
Mesmo que você não se atenha a esses detalhes, neste Player serão tão explícitas essas diferenças, que seu cérebro irá notar e memorizar.
E depois que isso ocorrer, se prepare, pois ao ouvir suas gravações sem essas ‘nuances’, você irá achar algo estranho.
Pois é assim que funciona nosso cérebro. Sabe aquela máxima que diz que o excelente é melhor que o bom? Exatamente é assim que seu cérebro lhe dirá de texturas que não foram tão ‘ricas’ como naquele Norma!
Quando deixei anotado a vivacidade como uma de suas características – nas minhas primeiras impressões – foi justamente ouvindo a faixa 5 do disco do André Geraissati – Canto das Águas, que mostrou o quanto seus transientes eram incisivos e corretos, deixando a reprodução desta complicada faixa, tão impactante quanto ouvir a mesma sendo gravada dentro da sala junto com os músicos (hábito que sempre tive em todas nossas gravações, para poder memorizar os timbres e as intencionalidades o máximo possível).
Se você ama acompanhar seus discos batendo os pés, não imagino opção melhor para fazê-lo se o Norma estiver na sua faixa de consumo.
A dinâmica também foi uma grande surpresa, pois este CD-Player não é daqueles que, para ‘impactar’ o audiófilo, se mostra ‘nervoso’ com a faca entre os dentes o tempo todo.
Pelo contrário: ele só o faz quando necessário. Mas se precisar, ele estará perfeitamente preparado para qualquer fortíssimo que surja!
E a microdinâmica, graças à sua transparência, é exemplar. Tudo que foi captado será reproduzido, porém sem o ouvinte perder a concentração do todo para ouvir o detalhe!
Quanto ao corpo dos instrumentos, muitos que estão acostumados a uma ‘simulação’ de instrumentos reais, terão uma surpresa com o tamanho dos contrabaixos, do piano de cauda, tuba ou órgão de tubo!
E materializar o acontecimento musical a sua frente, é algo tão simples e natural como estar em uma apresentação a três metros dos músicos.
CONCLUSÃO
Eu escrevi nas minhas conclusões do amplificador integrado da Norma, o quanto eu havia sido surpreendido pelas suas inúmeras qualidades e como o Sr. Rossi conseguiu materializar seus conceitos e ideias em seus produtos, de maneira tão eficaz, que ficamos nos perguntando como ele fez aquilo?
Pois a música parece fluir sem esforço e de maneira tão convidativa que não sobra espaço para nenhum tipo de elucubração mental sobre topologia, escolha de componentes, que truque foi usado para aquele resultado… Seu cérebro quer apenas mergulhar mais e mais fundo, e só!
Pois o CDP-2 me surpreendeu ainda mais que o Evo 140, pois não estava preparado para ouvir um CD-Player de menos de 10 mil dólares capaz de uma performance tão impressionante!
E seu DAC certamente é o responsável por este nível de reprodução eletrônica. E fiquei ainda mais chocado, quando para fechar a nota do aparelho, liguei o DAC no nosso Sistema de Referência, bem acima dos equipamentos que havia utilizado e vi que ele podia render ainda mais!
Meu amigo, se você está à procura de um CD-Player com um nível de performance Estado da Arte Superlativo, e quer gastar apenas o necessário para realizar este tão almejado sonho, faça um favor a si mesmo e escute o CDP-2.
Ele certamente irá fazê-lo reouvir todos os seus CDs ainda com maior prazer e emoção.
O engenheiro Rossi está mais uma vez de parabéns pelo belo produto criado. Entendo perfeitamente os quatro anos necessários para criar essa joia musical!

| Nota: 101,0 | |
| AVMAG #320 KW Hi-Fi fernando@kwhifi.com.br (48) 98418.2801 (11) 95442.0855 R$ 58.300 | ![]() |

PRÉ-AMPLIFICADOR ATC-5S DA AIR TIGHT
Fernando Andrette
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Em um mundo cada vez mais veloz em que temos tudo ao alcance das mãos, preciso dizer que se você não se sujeita a ter um pré de linha sem controle remoto, nem leia esse teste.
Mas, se você ainda tem o hábito de levantar de sua cadeira a cada 20 minutos para virar ou trocar um LP, acho que você tem o perfil correto para ler e conhecer essa pequena maravilha nipônica, que honra a história do áudio hi-end japonês. E que, no caso da Air Tight, com algumas décadas de existência e uma longa e bonita trajetória de produtos que fazem centenas de audiófilos felizes em todos os continentes.
Sua tradição no desenvolvimento de prés de linha minimalistas iniciou-se há mais de 30 anos com a apresentação do ATC-1, um pequeno pré que tinha como objetivo reproduzir música de maneira natural e com realismo.
Em um momento em que o áudio passava por profundas transformações com a entrada de grandes prés transistorizados, a Air Tight manteve-se fiel aos seus princípios e objetivos, lançando apenas produtos valvulados.
A filosofia de desenvolvimento da Air Tight é de simplificar em todos os seus produtos o caminho do sinal, buscando um ponto de equilíbrio entre transparência e naturalidade, atendendo ao anseio de audiófilos e melômanos que têm como referência instrumentos reais!
Eu ouvi todos seus prés: o ATC-1, o 3, o 5, e agora o 5s. E posso afirmar que nenhum outro modelo chegou tão próximo dos objetivos centrais em termos de assinatura sônica como o 5S.
Deixando-me muito curioso em algum dia ouvir o topo de linha, o modelo 7, que me parece ser alguns degraus acima do 5s pelo que li até o momento.
O ATC-5s é um pré de linha valvulado que utiliza cinco válvulas 12AX7 (ECC83) no total de três montadas deitadas dentro do gabinete slim dele, do lado esquerdo, e duas válvulas 12AT7 deitadas internamente no gabinete, referentes ao pré de phono.
No painel frontal do ATC-5s temos: chave de comando para duas entradas de phono para cápsulas MM, o seletor para canais esquerdo e direito, chave de escolha das três entradas de linha, botão de volume e chave de liga/desliga.
No painel traseiro temos: as duas entradas de phono, uma saída ‘Equalizer’ (para o pré de phono), três entradas de nível de linha (todas RCA), porta fusível e tomada IEC.
Segundo o fabricante, a impedância de saída é de 47 KOhms, tensão de saída 20V com carga de 100 KOhms e com 1% de distorção – o que deve deixar qualquer objetivista ortodoxo com espasmos musculares na mandíbula!
Assim como a distorção harmônica (THD) é de 0,02%. E a resposta de frequência de 20 Hz a 100 kHz (-1 dB). Seu gabinete padrão cinza escuro Air Tight possui 40 cm de largura, 26 cm de profundidade e 9 cm de altura, e pesa 9 kg.
Sua construção, como todos os produtos da Air Tight, é com solda ponto a ponto – e alguns funcionários estão na empresa desde sua fundação.
Para o teste utilizamos seu par ideal (na minha opinião): o ATM-1E (clique aqui), e os monoblocos Nagra HD.
As caixas utilizadas foram, com o ATM-1E: Wharfedale Super Linton (clique aqui), Basel V01 (leia teste edição de novembro) e Stenheim Alumine Two.Five (clique aqui), e com os monoblocos Nagra HD (clique aqui) a caixa Estelon X Diamond Mk2. Os cabos de interconexão todos RCA foram Zavfino Silver Dart Gold (clique aqui), Dynamique
Audio Apex e VR Cables Argento.
Acho que não precisarei dizer que o casamento ideal do ATC-5S será com o ATM-1E – e que belo casamento, meu amigo!
Trata-se daquele grau de sinergia, que será quase impossível superar, pois a assinatura sônica se entrelaça de tal maneira, que o seu desejo será apenas ir empilhando as gravações que você quer ouvir serem ‘interpretadas’ por essa dupla.
Eu adoraria, no nosso próximo Workshop, poder compartilhar com todos vocês como essa dupla apresenta a música, livre de artificialidade.
Tudo soa de maneira tão honesta, natural e graciosa, que seu cérebro quer apenas ouvir mais e mais.
Você já sentiu aquela sensação de estar incomodado com o calor excessivo e, no auge deste infortúnio, encontrar uma grande sombra fresca e relaxante? E se sentir imediatamente abraçado por aquela sensação de bem-estar?
Essa dupla – ATC-5S e ATM-1E – têm essa capacidade de nos acalentar e nos oferecer momentos musicais inesquecíveis, dando-nos um contraponto entre ouvir música racionalmente e apreciar a música emocionalmente.
Você apenas está lá para ser conduzido a experimentar suas gravações de uma maneira mais relaxada e harmoniosa. O interessante é que você não necessita se esforçar para ter essa postura: em poucos segundos seu cérebro já terá desistido de interpretar, para apenas ficar ali, mergulhando cada vez mais profundamente no acontecimento musical.
Como sempre alerto todos vocês, esses são os equipamentos mais perigosos e traiçoeiros de se avaliar, pois precisamos resistir às ondas sonoras que nos levam para bem longe da terra firme. E manter-nos firmes para cumprir com o nosso papel, é um desafio e tanto.
Meu pai dizia que sistemas com este tipo de assinatura são um convite à procrastinação sonora.
E tenho mais uma vez que concordar com ele – e acrescentaria que esta dupla, além da procrastinação, tem o poder de nos seduzir e criar desculpas para ficarmos muito mais horas do que podemos diariamente ter com a nossa música.
Eu me vi indo dormir depois da meia noite, só para ouvir a ‘saideira’, manja? Que você jura ser a última e se estende pelo disco todo.
Seu equilíbrio tonal é corretíssimo – você não achará absolutamente nada que macule sua reputação neste quesito.
Pelo contrário, muitos céticos em relação a prés valvulados, ficarão surpresos com a extensão nas duas pontas e o decaimento suave e arejado nos agudos (a pedra no sapato de inúmeros prés valvulados).
A região média não é apenas sedutora, pois seu grau de transparência aliado ao calor e naturalidade, deixam vozes e instrumentos acústicos com um grau de realismo impressionante.
O soundstage deste conjunto, com as três caixas utilizadas, foi espetacular! Com planos e mais planos devidamente focados e recortados, e com um palco enorme, tanto em largura, como profundidade e altura.
Os amantes de música clássica ficarão eufóricos com sua apresentação.
E aí entramos na questão central do que os excelentes prés de linha valvulados fazem com a apresentação de texturas, que os prés transistorizados não tem.
A reprodução de texturas: neste quesito é difícil bater um bom valvulado meu amigo. Pois até os mais minimalistas, como o ATC-5s, tem uma riqueza na apresentação dos timbres que nos faz repensar a razão de não desejarmos misturar um pré de linha valvulado com um power transistorizado.
Eu tive a possibilidade de fazer este casamento, ao substituir o ATM-1E pelos Nagra HD, só para ouvir como seria a apresentação de texturas com um power de estado sólido. E chegou tão perto do meu pré de linha também valvulado – que custa o dobro do ATC-5S – que fiquei falando para mim mesmo: “como este Air Tight é bom!”
Se sua referência é música ao vivo não amplificada, meu amigo, timbres e intencionalidades, você precisa ver como são reproduzidos neste pré de linha.
E se você desejar ainda maior calor e ‘humanização’, fique com o seu par, o ATM-1E, com uma excelente caixa (qualquer uma das três que utilizei), e viva feliz pelo resto de seus dias aqui no planeta.
Outra queixa que escuto é que os valvulados não são tão bons em marcação de tempo e ritmo quanto os melhores transistorizados.
Meu amigo, isso não serve para os valvulados atuais de excelente nível. Ouça, e comprove que isso é passado.
O ATC-5s (com o ATM-1E) tem uma precisão na marcação de tempo e ritmo impecável, capaz de fazê-lo bater os pés em qualquer música.
E a outra resistência audiófila em relação às válvulas, é a reprodução de macro-dinâmica. Pois eu te digo, que com nenhuma das três caixas que utilizamos, tivemos qualquer problema na reprodução dos fortíssimos.
Com a caixa certa, isso não será problema nenhum.
E para saber o quanto o pré era fidedigno na reprodução de macro-dinâmica, ouvi as mesmas faixas da Metodologia para este quesito nos Nagra HD – e o pré ATC-5S e tem um controle e fidelidade exemplares.
Quanto à micro-dinâmica, nenhum mistério, já que seu grau de transparência é excelente!
Corpo harmônico: prepare-se! Pois você irá se surpreender com a reprodução de pianos íntegros em sua sala, assim como de contrabaixos, órgão de tubo, bumbo de bateria e tuba.
E para a materialização do acontecimento musical a sua frente, basta ter as gravações tecnicamente corretas, e terá shows ‘particulares’ diariamente, para você e toda sua família.
CONCLUSÃO
Começarei pelo final de minha conclusão: eu teria esse conjunto como meu sistema pessoal.
Pois tudo que qualquer revisor de áudio por décadas na estradadeseja, quando não está trabalhando, é ouvir sua música sem que seu cérebro esteja o tempo todo focado, para não perder nada do que precisa ser avaliado.
E você vai concordar comigo, que não será um sistema transparente ou neutro que me possibilitará esquecer da ‘profissão’ e voltar apenas a ser um ouvinte apaixonado pela música.
Para esses escassos momentos de lazer, um sistema que ‘desconecte’ meu cérebro do trabalho é tudo que mais desejo ter. E esse conjunto seria minha primeira opção, não tenho dúvida.
Pois ele conseguiu me fazer querer ouvi-lo por muito mais tempo, mesmo depois de encerrado o teste de ambos.
E, para convencer o distribuidor a ficar com ele mais três semanas, disse que estava fazendo um teste com as válvulas Ray Tube (leia teste edição de novembro) e precisava de ambos, para ter mais opções que os meus Nagras (pré de linha Classic e o TUBE DAC), e o Fábio Storelli gentilmente me permitiu.
E aí criei um novo problema, pois com as válvulas premium da Ray Tube, o que já era maravilhoso sonicamente, ficou divino.
Mas isso eu contarei para vocês na próxima edição.
Para concluir esse teste, tenho que dizer que o pré ATC-5s foi uma surpresa desconcertante. Pois ainda que tivesse apreciado os outros prés que escutei da Air Tight, nenhum havia me chamado tanto atenção a ponto de desejar tê-lo em meu sistema.
Isso mostra o quanto este novo pré da marca evoluiu em relação aos modelos anteriores.
Diria até mais que o próprio ATM-1E, que é bem superior ao anterior que tive – porém não foi uma surpresa tão acachapante como foi o novo ATC-5s.
Se você acima de tudo deseja um pré de linha que lhe proporcione audições sem nenhum grau de fadiga auditiva, e possui um amplificador no mesmo nível, não perca a oportunidade de escutá-lo em sua sala.
Ele pode facilmente ser o cérebro e a alma do seu sistema.

| Nota: 103,0 | |
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PRÉ AMPLIFICADOR VITUS SL-103 SIGNATURE
Fernando Andrette
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Muitos dos que leram o teste do power estéreo Vitus SS-103 Signature, publicado na edição 316, devem ter achado que eu havia esquecido a promessa de publicar o teste do pré de linha, o SL-103, que também veio junto para a avaliação.
Quem acompanha a revista há muitos anos, sabe de minha resistência em apresentar dois produtos superlativos na mesma avaliação, ainda que o fabricante os tenha feito para trabalharem em conjunto.
Não o faço, pois quando leio avaliações internacionais, sinto falta de ‘pormenores’ que para mim são relevantes. E geralmente a conclusão fala obviamente do conjunto, deixando pouco espaço para avaliações individuais, ou até mesmo com produtos semelhantes de marcas concorrentes.
Levanto essa questão, pois muitas vezes o audiófilo não está disposto a investir ao mesmo tempo em ambos, e a escolha poderia de alguma maneira ser mais consistente se os equipamentos também tivessem sido ouvidos separados.
Afinal, estamos falando de produtos caros e que qualquer audiófilo gostaria de ter o máximo de informações pertinentes à performance e compatibilidade do produto.
Preciosismo da minha parte? Pode até ser, mas como me coloco sempre do outro lado, o do consumidor, eu sempre me pauto por tomar decisões embasadas no maior número de informações disponíveis.
Como expliquei no teste do power da Vitus, a nota de ambos foi feita em conjunto, por questões de sinergia, mas também utilizamos nosso pré e power de Referência para saber o grau de compatibilidade com outros produtos similares em termos de preço e performance.
E já adianto que o pré de linha da Vitus se saiu impressionantemente bem com os nossos powers monoblocos Nagra HD.
O 103 Signature é derivado do aclamado SL-101, que já havia em 2010 recebido inovações do pré top de linha da Vitus, o MP-P201, como um maior número de regulação nas fontes de alimentação, e uma resolução mais alta da atenuação de volume.
O novo volume do SL-103 usa uma rede de resistores ainda mais sofisticada que o modelo anterior, para evitar estalos quando se aumenta ou diminui. A gradação é de 0.5dB por etapa, com o volume variando de -90dB a +18dB.
O pré permite 5 entradas, sendo 3 XLR e 2 RCA, e três saídas: 2 XLR e 1 RCA. Seu painel frontal, ultra limpo e minimalista, tem de cada lado do visor central apenas três botões de pressão. Os do lado esquerdo definem o seletor de entradas, menu e standby. Os do lado direito, volume e mute.
O fabricante disponibiliza 6 opções no total de cores do painel, sendo os três tipos padrão: branco, preto ou cinza. E três cores especiais: Titanium Orange, Dark Champagne e Titanium Grey.
Para o teste utilizamos os nossos cabos de referência: Dynamique Apex, e de força Transparent Reference G6. No digital o Transporte Nagra e TUBE DAC também da Nagra. E, no analógico: toca-discos Origin Live (clique aqui), com braço de 12 polegadas Enterprise (clique aqui) e cápsula ZYX Ultimate Astro G (clique aqui). Caixas acústicas: Estelon X Diamond Mk2 (clique aqui), Audiovector Trapeze Reimagined (clique aqui), e Audiopax Mandolin Ceramik II (clique aqui).
Eu sugiro a todos os interessados que leiam o teste do power Vitus (clique aqui), pois em termos de assinatura sônica, obviamente são complementares. Na avaliação do power, escrevi sobre ter finalmente entendido a ‘obsessão’ do fabricante em buscar o maior silêncio de fundo possível, sem, no entanto, cair no frio ou analítico.
E o SL-103 Signature, conseguiu andar nessa ‘corda bamba’, sem passar do ponto. Seu equilíbrio tonal é extremamente correto, nada falta ou sobra.
E posso confirmar que essa observação se deu tanto com seu par natural, como quando ligado aos monoblocos HD da Nagra.
Seus graves são precisos, com excelente peso, energia e deslocamento de ar. Os médios são incisivos, com enorme precisão e inteligibilidade. E os agudos, de grande extensão, velocidade e corpo, com decaimento suave.
Ou seja, o equilíbrio tonal dos sonhos de qualquer audiófilo que tenha referência real de instrumentos ao vivo não amplificados.
Sua apresentação do espaço sonoro é uma referência, pelo grau de precisão 3D, em termos de altura, largura e profundidade. São planos e mais planos, apresentados com foco e recortes cirúrgicos à nossa frente.
O seu cérebro simplesmente irá se divertir com tamanha regalia sonora!
As texturas são admiráveis, não tanto em termos de paleta de cores, mas em questão de intencionalidade. Seu grau de transparência (devido ao seu silêncio de fundo), possibilita esse nível na apresentação das intencionalidades: impactantes e reveladoras.
Sabe aquelas passagens complexas, em que muitos sistemas ‘engasgam’ ao nos mostrar? O SL-103 Signature as desvenda de maneira explícita e esclarecedora!
Me lembro que uma das principais virtudes da eletrônica Vitus que ouvi há mais de uma década, foi um solo de piano intrincado, e naquele power a alteração de tempo ficou evidente.
Nesse quesito, a Vitus sempre foi referência – e continua sendo.
Ouvi dois solos de bateria no conjunto pré e power, que me convenceram da qualidade na reprodução de transientes dos Vitus.
A microdinâmica, quando liguei o SL-103 Signature nos Nagra HD (clique aqui) e nas caixas Estelon, foi simplesmente fantástica! A autoridade, folga e precisão, só havia escutado neste nível quando ouvi o pré e monoblocos Nagra HD juntos!
E a microdinâmica, meu amigo, é tão reveladora que não necessitamos de fazer nenhum esforço de concentração para ouvir nuances e mais nuances.
O corpo harmônico é referencial e muito prazeroso. Ouvi seis gravações tecnicamente distintas, de piano solo, tão convincentes que acabei por ouvir os seis discos na íntegra. Colocar um Grand Piano à nossa frente quase no tamanho real, é um feito para poucos prés de linha superlativos, meu amigo.
Com esse grau de apresentação dos seis quesitos da nossa Metodologia, materializar o acontecimento musical (organicidade) é uma consequência natural. Pois se seu sonho é trazer o acontecimento musical à sua presença em todas as audições, o SL-103 Signature é um dos mais evidentes candidatos a este feito!
CONCLUSÃO
Já escrevi reiteradamente nos 29 anos da revista, que o produto que menos upgrades fiz na vida foi de pré de linha. Já expliquei as razões para ser tão cuidadoso e criterioso com esse componente.
Chamo-o de ‘cérebro’ de um sistema corretamente ajustado. Pois tudo passa por ele, e ele o entrega na sua saída para os amplificadores.
Sua responsabilidade é enorme, pois manter a fidelidade do que entra sem alterar na saída, é um grande desafio. E é por isso que grandes prés que conseguem esse desafio, devem ser valorizados.
O Vitus SL-103 Signature é dessa estirpe!
Pois ele consegue receber o sinal e mantê-lo o mais fiel à fonte que o gerou.
Então, se você é daqueles audiófilos que buscam dar uma ‘azeitada’ no sinal antes de entregar ao seu power, fique longe deste pré da Vitus, rs! Pois ele não faz concessões a gravações ruins ou fontes com uma assinatura sônica ultra transparente. Os excelentes prés não se sujeitam a esse papel!
Agora, se você leva ao extremo o conceito ‘alta fidelidade’, o SL-103 Signature pode muito bem mostrar-lhe o nível atual que o genuíno hi-end alcançou!
Se for esse seu sonho final, ele certamente é uma das melhores opções atuais.
Ouça-o, e veja se ele cabe no seu sistema e no seu orçamento.
Se der tudo certo, acho que sua busca por esse componente específico, finalmente acabou!

| Nota: 107,0 | |
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PRÉ-AMPLIFICADOR SOULNOTE P-3
Fernando Andrette
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O ano de 2025 ficará marcado pela chegada de uma série de produtos superlativos ao nosso mercado!
E a melhor notícia é que não se trata de apenas produtos de valores estratosféricos, existindo neste pacote produtos também para os simples mortais.
Ainda que o P-3 da Soulnote seja um pré de linha para poucos, seu maior diferencial é seu grau de performance ser superior a muitos outros pré-amplificadores famosos, que custam muito mais que ele.
Então, amigo leitor, não tire essa importante informação de sua mente, OK?
Depois de avaliar cinco equipamentos deste fabricante, acredito que já tenha entendido tanto a filosofia de seu projetista, quanto a assinatura sônica de todos os seus produtos até aqui testados por nós.
E o que mais admiro é a capacidade do seu projetista de utilizar conceitos comprovados, com uma série de insights que objetivistas iriam desdenhar e sequer ouvir como soam.
E o resultado: todos os cinco produtos que avaliei são primorosos, tanto em termos de construção, como de robustez e performance.
A impressão que os produtos Soulnote passam até mesmo para um leigo, é que foram feitos para durar uma vida!
E acho que isso conta muito nos dias de hoje, em que os preços de produtos hi-end não param de inflar.
O P-3 é um pré de linha imponente, e que precisa de um rack que acolha ele e sua base de madeira – independente da qualidade do seu rack, haverá alterações sônicas ao instalar ou não a base.
E como eu sei?
Tive a oportunidade de usar o P-3 tanto no meu rack Finite Elemente Pagode, como também no rack da HRS (leia teste na edição de dezembro próximo), e ainda que o P-3 tenha soado maravilhoso em ambos os racks, ao colocar sua base, escutamos sutis melhorias.
Tenho a impressão de que o P-3 foi a ‘menina dos olhos’ do Sr. Kato, pois os detalhes são tantos que fica explícito que o projetista abriu seu leque de ideias ‘fora da zona de conforto’, integralmente.
Sente-se confortavelmente, coloque um disco e leia o grau de perfeccionismo na concepção técnica deste pré-amplificador.
Todos os relés utilizados são os RSR-2-12D proprietários da Soulnote, encapsulados em tubo de vidro, exclusivos e feitos sob medida, com resistores naked foil de alta precisão, do nível só utilizado por satélites (aqueles lançados ao espaço apenas nos últimos anos, pois se trata de um desenvolvimento tecnológico muito recente), que traz uma relação sinal/ruído ultra-baixa.
Sua saída de linha é equipada com um circuito balanceado discreto Type-R, que foi utilizado primeiramente no pré de phono S-3.
O volume do P-3 não utiliza potenciômetro, fazendo uso de relés e 156 resistores, tendo 144 passos de 0.5 dB, que mesmo com o volume quase que totalmente reduzido, possui um grau de nitidez e inteligibilidade impressionantes.
O cuidado com o aterramento é de um grau de preciosismo absurdo. Para eliminar qualquer tipo de ruído, a Soulnote desenvolveu um método para alternar não apenas o lado do sinal, mas também o do aterramento, de modo que a entrada não selecionada fique como se o conector estivesse desconectado do sinal que está sendo gerado.
O sistema de aterramento é completamente flutuante, para cada canal, tendo esses pontos isolados do chassis por cerâmica.
Sua topologia é a chamada Construção Monaural Dupla, utilizando duas placas de terminais de entrada/saída idênticas para: placas, circuitos de alimentação, transformadores de alimentação, circuitos de acionamento de relé e fontes de alimentação de relé.
Além disso, a alimentação do microprocessador é completamente separada, incluindo o transformador. E o controle de relé, que tem o único ponto de contato com o sistema de sinal, é completamente separado por um foto-acoplador.
E o P-3 ainda disponibiliza um ajuste no painel traseiro para mudar o aterramento do chassis e ouvir as diferenças em relação ao palco em termos de imagem sonora 3D, com um palco sonoro mais amplo e com silêncio profundo (descreverei esse ajuste mais abaixo).
O P-3 utiliza um transformador de grande porte, com 280 VA, com o objetivo de casar-se com qualquer amplificador que venha a ser usado. Sua montagem é vertical e seu aterramento é de 3 pontos, para evitar vibração e ruídos.
O botão de volume é feito de alumínio sólido e utiliza dois grandes rolamentos para eliminar qualquer folga mecânica, e possibilitar ajustes precisos de 0.5 dB sem erros.
Como todo produto Soulnote, a tampa superior do gabinete é flutuante, para não existir estresse mecânico e efeito de descarga de ar.
Quem quiser ouvir as diferenças, existem vários vídeos no YouTube do Sr. Kato demonstrando as diferenças sonoras entre tampa solta e parafusada, de seus produtos.
O arsenal de 4 entradas RCA e 4 XLR é admirável, e o P-3 possui um controle de comunicação UART em que o usuário define a entrada mestre e as entradas escravas, que seguirão a configuração mestre. Podendo adicionar diferenças de volume na entrada mestre das demais entradas, para que o controle flutuante de aterramento (GND) possa gerar problemas de loops devido a usar mais de uma conexão simultaneamente.
São 2 saídas XLR e uma RCA, e seu peso é de robustos 25 Kg (sem contar a base). Seu controle remoto é completo.
No painel frontal, do lado esquerdo temos na parte de baixo o botão por pressão de liga/desliga, pequenos botões em cima para selecionar as entradas balanceadas e single-ended, o logotipo ao meio e, do lado direito, o botão de volume com um pequeno display acima deste.
Tudo muito limpo e discreto.
No seu painel traseiro temos as chaves Bypass on /off, aterramento GND conectado ou separado por entrada, e todas as entradas e saídas, e a conexão de energia IEC.
Para o teste utilizamos os seguintes powers: Soulnote M-3 (clique aqui), monoblocos Nagra HD (clique aqui), e o Air Tight ATM-1E (clique aqui). Fontes digitais: Transporte Nagra, Streamer Nagra (clique aqui) e TUBE DAC Nagra (clique aqui). Fonte analógica: toca-discos Zavfino ZV11X (clique aqui), cápsulas Aidas Malachite Silver (clique aqui) e Dynavector XV-1t (clique aqui), com pré de phono Soulnote E-2 (clique aqui). Caixas acústicas: Estelon X Diamond Mk2 (clique aqui), Basel BA-V01 (clique aqui), Stenheim Alumine Two.Five (clique aqui) e Audiovector QR-7 SE (leia teste na edição de dezembro). Cabos de caixa: Kubala Sosna Resolution, Zavfino (clique aqui) e Dynamique Audio Apex (clique aqui). Cabos de interconexão: Dynamique Audio Apex (clique aqui), Zavfino, Jorma e VR Cables (clique aqui). Cabos de força: Zavfino Silver Dart (clique aqui), Dynamique Audio Apex (clique aqui) e Transparent Audio Reference G6 (clique aqui).
O pré de linha P-3 veio com 50 horas de amaciamento, fizemos uma primeira audição como nossos discos da Cavi Records, e o colocamos para amaciar por mais 150 horas.
O fabricante pede pelo menos de 200 a 300 horas. Sinceramente, com apenas 50 horas já soou tão bem, que fiz o restante da queima em respeito ao fabricante e para ter certeza sobre alterações após todo esse amaciamento.
O que posso dizer é que o sortudo que adquirir essa preciosidade, poderá desfrutar de sua beleza desde o primeiro instante, pois o nível que já sai tocando é muito bom!
Existem alterações no amaciamento? Existem, mas são bem pontuais, como a ampliação do palco sonoro (mesmo antes de brincar com a chave de aterramento), um piso na região grave que ganhará solidez e peso, e um agudo que irá respirar e ampliar a extensão.
Mas absolutamente nada em termos de alteração no equilíbrio tonal, transientes, dinâmica, corpo harmônico etc.
E depois de amaciado, acho que todo audiófilo irá querer saber como mudar a chave de aterramento altera o palco sonoro. Minha experiência foi que ele é alterado, mas não como passe de mágica. Algumas gravações irão soar como se ganhassem maior largura e profundidade, e outras não.
O que posso garantir é que apresentação de soundstage é divina em qualquer posição. Pelo menos em nossa sala e com os sistemas utilizados no teste.
Mas o P-3 dispõe desta possibilidade, então o que sugiro é: testem e escolham.
O que para mim mais surpreendeu no P-3 é o quanto sua neutralidade e precisão favorecem a audição de qualquer gênero musical, e com que conforto podemos ouvir nossos discos!
Pois seu equilíbrio tonal é soberbo, permitindo explorarmos detalhes de qualquer gravação. O limite será apenas a qualidade técnica da gravação, e nunca limitação deste pré de linha.
Tamanho grau de neutralidade só tinha escutado no Pré HD da Nagra (clique aqui), sendo que este custa três vezes o preço do Soulnote.
Então, imagine minha alegria poder ligá-lo ao meu power de referência, o Nagra HD, e ‘reouvir’ gravações que soaram tão impactantes quando ouvi o pré e power HD em nossa sala.
Foi um deleite perceber o quanto meu power pode render mais do que extraio no meu dia a dia.
Quando insisto com todos vocês que o primeiro e primordial quesito a ser buscado é o equilíbrio tonal, pois sem ele não há estrutura que se sustente, ouvir um pré com este nível de resposta tonal faz com que todos que desejam ter um sistema Estado de Arte ajustado entendam a importância deste quesito, para uma busca final.
Tudo soa de maneira rica, refinada e natural.
O soundstage é impactante, com seus planos, abertura de palco, profundidade e altura corretas, permitindo nosso cérebro reconhecer posições de cada instrumento, com apresentação de foco e recorte cirúrgicos.
E aquele respiro, que permite ao nosso cérebro identificar o tamanho da sala de gravação.
E quando avaliamos texturas com esse grau de primor no equilíbrio tonal e no soundstage, reconhecer os timbres dos instrumentos e a qualidade técnica deles e dos músicos, se torna um deleite sonoro.
É possível observar intencionalidades com tamanho detalhe, que chega a nos fazer questionar a razão de tantos outros prés de linha caros não o fazerem com tamanha simplicidade.
E aí eu lembro a todos vocês que certamente o mérito por tal performance está justamente na capacidade do projetista sair da zona de conforto e ousar e buscar soluções que, para muitos, podem parecer subjetivismo total.
O hi-end é feito dos detalhes e não apenas de fórmulas comprovadamente eficazes.
Pena que tão poucos projetistas tenham essa capacidade de questionar o inquestionável!
Os transientes deste pré de linha, como disse um querido amigo, “é como um tiro à queima roupa”. Ele está absolutamente certo em sua descrição da precisão e velocidade dos transientes. A música parece soar mais viva, intensa e convidativa.
E a dinâmica, tanto a macro como a micro, parecem nos fazer desejar tomar sustos e se divertir com eles. Pois a macro é exuberante e a micro nos mostra camadas de detalhes que outros prés nem sabem que esses acontecimentos pianíssimos estão lá.
Porém, antes que você intérprete essa frase acima de maneira errada, não falo de uma apresentação de micro-dinâmica que nos faça desviar a atenção do todo para ouvir aquele sutil ruído. Falo da micro-dinâmica presente na escrita do compositor, em que o pianíssimo é para ser executado da maneira mais delicada possível, com a digitação sendo tão cuidadosa que se apresente apenas como um sussurro.
Ou no cuidado que um instrumento de sopro necessita ter para que o barulho de chave não desvie a atenção da nota sustentada.
Equipamentos em que sua assinatura sônica é neutra, sua micro-dinâmica não pode e não deve ser confundida com a apresentação de micro-dinâmica que acontece em um produto que seja latentemente transparente, OK?
E ao ouvirmos o tamanho real dos instrumentos em nossa sala, é que entendemos a magnitude e importância do quesito corpo
harmônico em nossa Metodologia, que só os melhores prés de linha são capazes de nos proporcionar.
E outra diferença que pode parecer banal ou irrelevante para muitos, mas que na nossa Metodologia faz uma grande diferença, é em relação a materialização física do acontecimento musical – a organicidade.
Pouquíssimos pré-amplificadores conseguem a façanha de trazer os músicos à nossa sala e, em algumas gravações, nos transportar para a sala do acontecimento musical. Conto nos dedos das mãos nesses 30 anos, os prés que conseguem trazer e também nos levar. E o P-3 faz parte desta admirável safra.
‘Estive’ na sala de gravação com Duke Ellington e John Coltrane no histórico encontro desses dois gênios, em disco gravado pelo selo Impulse, e tive o prazer de receber o mesmo Duke Ellington e seus músicos para nossa Sala de audição de Referência, com o belíssimo Blue Orbit (ambas gravações que só escuto em LP).
Meu amigo, momentos assim são memoráveis em todos os aspectos, pois você consegue dar sentido a este hobby e compreender todo o esforço e tempo dispensados a materializar seu sonho.
Não importa o que os outros pensem, pois você saberá que chegou lá!
CONCLUSÃO
Vou repetir pela quinta vez: se você ainda não ouviu Soulnote, deveria fazê-lo, pois este fabricante está se tornando uma referência no mercado hi-end muito rapidamente.
Seus produtos possuem uma assinatura sônica capaz de abalar a convicção de inúmeros audiófilos que ainda pensam que uma eletrônica neutra seja sem graça.
Não, meu amigo, pelo contrário: se o seu objetivo é a construção de um sistema Estado da Arte o mais fidedigno ao que está nas gravações que você tanto admira, não existe caminho mais consistente a ser trilhado.
Desarme-se de todos os preconceitos, e escute umas dez gravações que lhe são as mais queridas, e que contam parte de sua trajetória audiófila, e poderá se surpreender!
Pois o que você extrairá dessas audições poderá lhe fazer rever todas as suas convicções sobre o que é uma assinatura sônica neutra, e as inúmeras vantagens que se apresentam ao fazer essa escolha.
O P-3 é um pré de linha soberbo em todos os aspectos, com altíssimo grau de compatibilidade e um nível de performance final!
O segundo melhor pré de linha já avaliado na revista!

| Nota: 108,0 | |
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AMPLIFICADOR INTEGRADO ARCAM RADIA SA45
Fernando Andrette
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Falo reiteradamente que os integrados evoluíram tanto em termos de performance, que não levá-los em consideração no momento de um novo upgrade pode ser um grande equívoco e custar caro para o seu bolso.
É por isso que nos últimos dois Workshops fiz questão de mostrar todos os sistemas apenas com integrados, para todos que compareceram ao evento, poderem ouvir o nível em que os novos integrados se encontram.
Ano passado mostrei o Arcam SA30, e este ano conseguimos apresentar o SA45, o novo top de linha da série Radia da aclamada empresa inglesa Arcam.
Fizemos a apresentação semanas antes do lançamento oficial no Hi-End de Munique, graças ao esforço de todo o pessoal da Harman Brasil.
E posso dizer que valeu a pena, e todos que tiveram o prazer de escutá-lo junto com a caixa Trapeze Reimagined da Audiovector (clique aqui), poderão dar seu parecer do quanto esse novo integrado é refinado e completo!
E quando digo completo, estou me referindo a um potente amplificador integrado de 180 Watts em 8 ohms e 300 Watts em 4 ohms, pré de phono MM e MC, streamer, um DAC e um dispositivo de correção de sala chamado Dirac.
Seu design alia um enorme visor frontal, extremamente limpo e fácil de comandar, apresentando todas as informações como: nível de volume, entrada utilizada e informações dos discos tocados em streamer.
Como todo produto Arcam, a topologia de amplificação é Classe G, implantada por este fabricante desde sua linha FMJ na virada do século.
Seu streaming permite reproduzir música diretamente da internet usando todas as principais plataformas existentes. Além de suportar Wi-Fi e Ethernet, para se extrair o melhor sinal possível.
Em termos de conexão, então, o SA45 é bem versátil, com entrada USB, coaxial, óptica, HDMI ARC, além de ser compatível com Roon, possibilitando ao usuário controlar sua biblioteca de streaming através dessa plataforma.
Seu DAC suporta arquivos: Flac, WAV (linear PCM), AAC, ALAC e DSD (até 256).
Ele possui três entradas de linha não balanceadas, e uma XLR, além de duas entradas de phono para cápsulas de magneto móvel e de bobina móvel.
Para o teste utilizamos as seguintes caixas acústicas: Audiovector Trapeze Reimagined, Marten Oscar Trio (clique aqui), Dynaudio Contour Legacy (clique aqui), e Estelon X Diamond Mk2. O toca-discos foi o Zavfino ZV11X (clique aqui), cápsula Aidas Trustone Malachite Green (leia teste na edição de agosto próxima). Os cabos de interconexão foram os Dynamique Audio Apex, e o Zavfino Silver Dart no braço do toca-discos. Cabo de força: Transparent Audio Reference G6 e Sunrise Lab série Aniversário.
Como tivemos por mais de um ano o SA30 como uma de nossas referências em integrado, pudemos praticamente fazer uma comparação direta em termos de assinatura sônica com o ex-top-de-linha. E posso garantir que o equilíbrio entre transparência e musicalidade se mantiveram bem próximos do que obtivemos com o SA30.
O que mais gosto na sonoridade da Classe G da Arcam é o grau de inteligibilidade aliado ao prazer auditivo. A música flui, sem resistência, e sem nenhum tipo de pirotecnia, para fazer da primeira impressão algo impactante, sem se tornar cansativo ou ‘irreal’.
Seu equilíbrio tonal é corretíssimo, com graves impactantes se a música tiver, médios com ótima inteligibilidade sem excessos, e uma região alta, limpa, estendida e com um decaimento muito suave e natural.
Quando temos um equilíbrio tonal nesse nível de precisão, percebemos que nenhuma frequência chama a atenção mais que outra, deixando a música se apresentar de maneira harmoniosa e prazerosa.
Como nosso cérebro interpreta esse equilíbrio? Querendo ampliar os tempos de audição, com um número de gravações tecnicamente muito distintas.
Ou seja, o SA45 da Arcam não discrimina gravações ruins, mas também não tenta corrigir o que não tem conserto. Apenas permite que, com volumes cuidadosos, elas nos deixem apreciar aquele conteúdo pelo seu apelo emocional, e não técnico.
E só pelo fato dele não expurgar gravações que nos são muito importantes, já mostra o grau de acerto dos engenheiros da Arcam.
Sua apresentação 3D do palco sonoro é realmente uma referência. Os participantes do nosso Workshop, certamente lembrarão da profundidade e da qualidade dos planos dos naipes dos instrumentos nos dois exemplos mais complexos apresentados, do Copland e do Wynton Marsalis – em que era possível ‘ver’ o que estávamos ouvindo!
Fico muito feliz, quando consigo mostrar aos nossos leitores em nossos eventos, o que ocorre em nossa sala de testes mensalmente.
Pois isso não só passa credibilidade do que descrevemos em todas as edições, como permite aos nossos leitores memorizarem esses exemplos para reproduzi-los em suas salas depois.
O Arcam, junto com a Audiovector Trapeze, recriou em uma sala com mais de 140 metros, e com 60 pessoas presentes, os naipes de metais e percussão, em suas posições corretas, materializando o acontecimento físico ali à nossa frente.
Mas o SA45 não é bom apenas em apresentar a largura e profundidade, ele também apresenta a altura do acontecimento musical. Nos solos do exemplo do Wynton Marsalis, o cérebro podia acompanhar as micro variações dos solistas ao se aproximarem ou se distanciarem dos microfones à sua frente.
Ou seja, para se ter uma capacidade assim de recriação do palco sonoro, é preciso que também o foco, recorte e ambiência, sejam do mesmo nível!
As texturas são absolutamente fidedignas, tanto na apresentação da paleta de cores para a composição do timbre, como no grau de intencionalidade inerente a uma excepcional gravação, e a um sistema digno de reproduzir essas nuances.
Velocidade, tempo, andamento são primorosos neste integrado. Um belo exemplo foi o quinteto apresentado no evento, com piano, percussão, harpa e contrabaixo.
Em que a variação de andamento era de uma precisão desconcertante, principalmente na apresentação da marcação de tempo da mão esquerda do pianista, assim como no acompanhamento da harpa.
Esse exemplo que utilizei no Workshop, em um sistema com certa ‘letargia’, fica enfadonho e desinteressante de se ouvir.
O Arcam não pertence a esse grupo ‘letárgico’.
E, quando chegamos ao quesito dinâmica, os apaixonados por sustos e sobressaltos podem se preparar, pois o Arcam possui folga e impetuosidade suficiente para fazer nosso coração dar sobressaltos em passagens com impetuosos e fortíssimos.
E ele o faz sem dobrar os joelhos ou perder a compostura.
Sua apresentação de microdinâmica é exemplar, e coloca muitos prés e powers em situação delicada, mostrando o motivo de que podemos e devemos passar a olhar essa nova geração de integrados de ponta, com a devida reverência e respeito.
Quer saber o tamanho físico de um tímpano?
Pergunte a quem esteve no Workshop, e ouviu a faixa do Copland.
Ou o tamanho de um naipe de trompas – como soa em tamanho? Novamente, quem esteve no evento e escutou a dupla Arcam e Trapeze saberá te responder.
Ligado à Estelon X Diamond Mk2, em nossa sala, obtive a reprodução de um órgão de tubo mais próximo possível de com o nosso Sistema de Referência, que custa dez vezes mais caro que o Arcam!
E quanto à materialização física, já falei o suficiente algumas linhas acima, quando descrevi a capacidade de nosso cérebro ‘ver o que estamos ouvindo’ à nossa frente.
CONCLUSÃO
O que mais me encantou no Arcam SA45 é sua capacidade de atender do veterano audiófilo, que está querendo minimizar seu sistema sem abrir mão da performance, ao audiófilo iniciante que deseja ter tudo em um só gabinete.
Nesse sentido, os projetistas foram muito assertivos, pois conseguiram juntar e oferecer a um espectro de possíveis compradores uma solução altamente eficaz e objetivamente funcional.
Isso para mim é a melhor definição de modernidade. Pois atende a inúmeras expectativas sem abrir mão da qualidade.
Todo o pacote se encontra no mesmo patamar de performance? Evidente que não, pois se assim fosse ele teria que custar o triplo do que custa.
Para nós, o amplificador está acima do streamer e do DAC, e o phono MC está um degrau acima do streamer.
Mas não se trata de um desnível comprometedor, desde que o ouvinte não o compare com componentes isolados mais caros que o próprio SA45.
Para facilitar o entendimento do nosso leitor, passo aqui a nota de cada componente, e no final deixo apenas a nota do integrado (pré e power), OK?
O streamer do Arcam, comparado com o nosso streamer de Referência, deu: 94 pontos.
O DAC, comparado ao nosso DAC de Referência, deu: 95 pontos.
E o pré de phono MC, comparado ao nosso phono de Referência, deu: 96 pontos.
E, para chegar a nota final do integrado (pré de linha e power) utilizamos nosso streamer, DAC e phono de Referência, OK?
Acho que assim fica mais fácil do nosso leitor entender o conjunto de uma maneira integral.
Como integrado, o SA45 é um Estado da Arte Superlativo, com méritos suficientes para ser o amplificador definitivo de qualquer um que deseje apenas encerrar seu ciclo de upgrades e viver feliz com sua música por muitos e muitos anos.
Um produto que certamente estará entre os Melhores do Ano concorrendo com os dois selos, apenas outorgados aos melhores dos melhores!

| Nota: 102,0 | |
| AVMAG #319 Harman do Brasil www.harmankardon.com.br R$ 45.700 | ![]() |

AMPLIFICADOR INTEGRADO 404 REFERENCE DA MOONRIVER
Fernando Andrette
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Início essa avaliação dizendo que farei o possível para mostrar no nosso próximo Workshop Hi-End Show 2026, em abril, essa pequena maravilha sueca.
Fabricado artesanalmente em Malmo, por um projetista que antes de realizar o sonho de fabricar seus produtos, foi por décadas um exímio técnico de áudio. E por suas mãos hábeis passaram dezenas de topologias e circuitos consagrados, permitindo que ele fosse, através dos anos, observando o que era digno da nomenclatura Hi-fi e os que eram apenas marketing.
Seu CEO, inspirado na famosa canção Moonriver, imaginou um design que combinasse o vintage com o contemporâneo e foi buscar no design clássico dos anos setenta a inspiração e identidade para os seus produtos.
Atualmente são apenas três produtos: o integrado 404, o 404 Reference que aqui testamos, e o pré de phono 505 (que testaremos no primeiro trimestre de 2026).
Seu primeiro produto foi o 404 standard, que foi um enorme sucesso de público e crítica. Animado com a repercussão, foi lançado o Reference com os controles e a ergonomia semelhante, mas com significativas alterações sem, no entanto, dobrar seu preço final.
Resultado: mais reconhecimento e prêmios!
A seção de alimentação foi aprimorada, passando de uma capacitância de 57.000 uF do modelo standard, para 107.000 uF no Reference, dos quais 21.000 uF são reservados exclusivamente para o pré-amplificador.
Essa alteração, segundo o fabricante, ampliou o desempenho e caráter dinâmico, apresentando mais detalhes, mais informação de micro-dinâmica, um palco sonoro ainda mais amplo e bem definido, e graves com maior autoridade e energia.
Outra melhora enfatizada pelo projetista é em relação às texturas, muito mais reveladoras graças à uma topologia de pré amplificação discreta, aliada a um estágio de saída com potência suficiente, otimizado para uma ampla largura de banda, e baixa distorção – utilizando apenas componentes de alta qualidade.
O 404 Reference, assim como o standard, é modular e pode acomodar tanto um pré de phono MM ou MM/MC, e um DAC assíncrono USB.
A instalação desses módulos adicionais é simples, e pode ser feita a qualquer momento (antes ou depois da compra).
O modelo enviado para teste veio com a placa de phono MM (e a ouvimos com o toca disco Reloop Turn X com a cápsula Ortofon 2M Blue.
O integrado incorpora 5 fontes de alimentação separadas, cada uma com proteção contra sobrecarga. A seção de potência opera em uma configuração dual-mono, a partir de enrolamentos separados do transformador toroidal.
A comutação de sinais é feita por meio de relés, enquanto o controle de volume fica a cargo do potenciômetro ALPS azul.
Ele utiliza um circuito de partida suave, baseado em um relé de 30A, para que o acionamento liga/desliga seja feito sem sobrecarga ou desgaste, por décadas.
O gabinete reduz ainda mais as vibrações e ressonâncias, com materiais absorventes e melhor suporte mecânico integrado.
Não são usados componentes de montagem em superfície SMD. E cada componente utilizado, deve ter estabilidade comprovada sonicamente e desempenho sustentado.
O Reference 404 possui 5 entradas (todas RCA), 2 saídas de pré-amplificação e 1 saída de gravação. Sua potência é de 50 Watts em 8 ohms por canal (calma que falarei adiante sobre essa potência).
Seu painel frontal nos remete imediatamente aos integrados japoneses dos anos setenta, principalmente com sua frente e com a lateral em madeira escura.
Para os mais jovens, a quantidade de botões pode até intimidar, como por exemplo o botão giratório de balanço e o de monitor de fita – para os que ainda possuem tape-deck ou gravador de rolo, e desejam monitorar o nível de volume enquanto gravam.
Além, é claro, do botão de volume, o de liga/desliga com acionamento sem trancos ou ruídos nas caixas, a chave para estéreo/mono (no caso do ouvinte possuir LPs mono) e um botão para o controle da iluminação do painel.
Na traseira, além das entradas e saídas já mencionadas, temos os terminais de caixas WBT e a tomada IEC de força.
Seu controle remoto é discreto e minimalista: mute, entradas e volume.
Para o teste, utilizamos as seguintes caixas: Audiovector QR 7 SE (teste em breve), Wharfedale Super Linton (clique aqui) e Basel V01 (clique aqui). Cabos de caixa: Virtual Reality modelo Argentum (clique aqui) e modelo Trançado. (clique aqui), e o Kubala Sosna Realization (clique aqui). As fontes digitais foram Wadax Studio Player (leia teste na edição de março 2026), Streamer Nagra e TUBE DAC Nagra. Analógico: toca-discos Reloop Turn X (clique aqui), para avaliação do pré de phono.
Primeira boa notícia: pode sentar e ouvir seus discos desde o momento que este integrado for instalado em seu sistema. Não serão nem sofridas e muito menos frustrantes as primeiras 24 horas!
Agora, para chamar os amigos para mostrar a nova aquisição, seja paciente e espere pelo menos 150 horas. Pois as suas maiores virtudes – texturas e palco – precisarão da queima final para mostrar as maravilhas que esse singelo integrado carrega em suas entranhas.
A chamada de capa que dei para este amplificador, é a síntese de minhas conclusões: “Convincentemente encantador”.
Ouso dizer que, mesmo um audiófilo experiente com os olhos vendados terá dificuldade de dizer se o que ele está ouvindo é um integrado valvulado ou transistorizado! Principalmente se eu pedir para este audiófilo se ater às nuances na reprodução das texturas.
Seu equilíbrio tonal possui uma assinatura correta sem nunca transgredir o correto pelo pirotécnico. Os graves são precisos, controlados e com peso suficiente para qualquer gênero musical. A região média é detalhada, natural e calorosa. E os agudos, com boa extensão e decaimento, que deixarão muitos confusos se o que estão a ouvir são válvulas, transistor ou talvez um integrado híbrido.
Com 150 horas de amaciamento, o palco se tornou incrivelmente aberto, profundo e com altura convincente. Com ótimo foco e recorte, e apresentação de vozes e instrumentos solo de maneira precisa e empolgante.
Mas são as texturas, caro amigo, que darão um nó nas convicções dos que só acreditam que os valvulados conseguem soar de maneira tão arrebatadora neste quesito.
De cabeça, não me lembro de nenhum outro integrado nesta faixa de preço com tamanho refinamento na apresentação das texturas como o 404 Reference.
São paletas de cores ricas e que enaltecem as qualidades dos instrumentos e dos músicos virtuosos. E na questão de intencionalidades, este integrado passa a ser uma referência a qualquer nível de preço!
Lindo e comovente ouvir quartetos de cordas, vassoura nas peças de bateria, sopros como clarinete, oboé ou flautas, e vozes solo ou à capela.
Os transientes têm ritmo e andamento corretíssimo, não deixando nada soar estranho ou letárgico.
E esqueça que este integrado tem apenas 50 watts em 8 ohms, pois sua apresentação de macro-dinâmica é segura e impactante. Basta acertar na escolha da caixa para fazer par com ele. As três caixas utilizadas tiveram uma performance neste quesito de nos fazer pensar que ele tinha pelo menos o dobro da potência estipulada.
E a micro-dinâmica é perfeita, pois não joga luz adicional e não desvia nossa atenção do todo.
O tamanho dos instrumentos é fidedigno ao que a captação e mixagem alcançaram, então se esta é uma preocupação sua, para que seu cérebro relaxe e ache convincente o que está ouvindo em termos de tamanho dos instrumentos, fique sossegado, pois o 404 Reference cumpre com o seu papel – nenhuma surpresa em ver materializado o acontecimento musical a nossa frente.
Basta selecionar gravações de qualidade para este quesito (organicidade) e o Moonriver 404 Reference fará sua parte.
CONCLUSÃO
Eu fiquei muito impressionado com este integrado, por mais que já tivesse lido diversos testes e visto quantos articulistas deram prêmio de Melhor do Ano para ele (foram mais de 12 prêmios, se não me engano).
Para uma empresa ‘artesanal’ com apenas três produtos em linha, todo este reconhecimento deve ser alentador, e impulsionar ainda mais a empresa a progredir e manter firme suas convicções.
Alie esse grau de performance e reconhecimento ao seu preço final, e boa parte do sucesso será fácil de entender.
Não vou recorrer mais uma vez à evolução dos amplificadores integrados nos últimos anos, para concluir o teste.
Abordarei a importância de termos projetistas que seguem sua intuição e expertise e nos lembram que a beleza deste hobby está em justamente não haver uma fórmula consagrada para trilhar o reconhecimento e o sucesso.
Muitas estradas nos levam ao cume, e cada uma delas tem sua graça e obstáculos.
E justamente por constatar essa verdade mensalmente é que me abstenho de discussões inócuas a respeito de topologias, mídias e tendências – pois a realidade é muito mais fascinante e imponderável!
O Moonriver é mais uma prova de que existem caminhos ainda a serem trilhados, desde que nos livremos de pré-conceitos ou verdades inabaláveis.
O 404 Reference com as caixas Wharfedale Super Linton foram um daqueles casamentos inesquecíveis, que está gravado em meu hipocampo para o resto dessa minha existência.
Se você deseja um integrado de preço ‘razoável’ para os nossos padrões, com o qual você possa resgatar toda sua coleção musical e passar sua vida apenas ouvindo sem se preocupar com upgrades futuros ou melhorias pontuais, eis o integrado perfeito para esse objetivo !
Eu estou fazendo o possível para reunir esse conjunto e mostrar no nosso Workshop em abril próximo. Torçam para que consiga, pois garanto que valerá a pena ouvi-los juntos!

| Nota: 102,0 | |
| AVMAG #324 German Áudio comercial@germanaudio.com.br (+1) 619 2436615 R$ 59.400 | ![]() |

AMPLIFICADOR INTEGRADO PA 3100 HV DA T+A HIFI
Fernando Andrette
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Se você é daqueles que ainda não se convenceu da força dos integrados no mercado hi-end, sinto bater de novo na mesma tecla mas terei que fazê-lo, pois o número de excelentes opções não para de crescer.
Este mês temos o prazer de apresentar o PA 3100 HV, do renomado fabricante alemão T+A, e da aclamada série HV (High Voltage) que combina qualidade e robustez, herdada do pré-amplificador P 3000 HV e do amplificador de potência A 3000 HV, aqui embalados e adaptados para um único chassi.
Veja que estamos falando da mesma filosofia do Soulnote A-3 (clique aqui), que também é a soma em um único gabinete do pré de linha P-3 com os monoblocos M-3 (clique aqui).
O PA 3100 HV oferece o máximo de versatilidade em termos de conexões e configurações, com entradas RCA e XLR balanceadas, saídas para gravação e pré-out e conexões para dois pares de caixas acústicas.
E, como opcionais, módulos de phono (MM e MC) e um módulo de processamento analógico de sinais que adiciona controles de grave, de tonalidade e equalizadores paramétricos, para correção de ressonâncias de sala.
Como todos os produtos T+A, seu acabamento é impecável e seu design chama a atenção, mesmo dos mais críticos audiófilos.
O painel frontal deste integrado possui dois VUs analógicos em escala logarítmica, que exibem a potência entregue em tempo real.
Outro destaque é seu belo controle remoto em alumínio maciço, o modelo F3001, que centraliza o comando de todos os produtos da série HV.
Segundo o fabricante os maiores diferenciais tecnológicos do PA 3100 HV residem na aplicação do conceito High Voltage em seus circuitos, o que amplia a margem dinâmica e linearidade ao operar em tensões internas muito acima das usuais de amplificadores convencionais.
Essa abordagem também permite a redução da necessidade de correções por realimentação, minimizando distorções e melhorando a sensação de realismo sonoro.
Seus circuitos são todos isolados em uma construção física limpa, e possui uma fonte de energia superdimensionada para um amplificador integrado hi-end.
O chassi do PA 3100 HV é construído a partir de espessa placas de alumínio de 40 mm, usinadas com precisão para formar compartimentos hermeticamente separados, para uma total blindagem contra interferências eletromagnéticas, e uma correta dissipação de calor, já que este amplificador responde 300 Watts em 8 ohms e 500 Watts em 4 ohms.
Além de uma excelente estabilidade mecânica, cada compartimento abriga seções independentes dos circuitos, mantendo estágios de pré-amplificação, de potência e as fontes, totalmente isolados entre si.
Com isso há uma drástica redução do ruído mecânico, da distorção e da microfonia interna.
Com tão alto grau de cuidados, este integrado pesa 38 kg – o que exigirá ajuda ao desembala-lo e instalá-lo.
Ele possui um transformador toroidal de 1200 Watts, encapsulado em uma carcaça de alumínio e amortecido por material isolante especial, para total eliminação de vibrações e ruídos.
Sua fonte possui ampla capacidade de filtragem, com 240.000 uf de capacitância, garantindo reserva de energia instantânea para picos dinâmicos.
E como todos os produtos da série HV, este integrado prevê o uso do módulo de fonte externo PS 3000 HV, que adiciona 1800 W extras, elevando ainda mais a capacidade e estabilidade de controle sobre as mais exigentes caixas acústicas que possam existir na atualidade.
O seu estágio de pré-amplificação emprega um design totalmente simétrico, com caminhos de sinal independentes para cada canal.
A topologia utilizada é com J-FETs cuidadosamente selecionados, e sem o uso de amplificadores operacionais. Com este arranjo, e as tensões internas elevadas de até +/- 85V, e processando sinais de até 30 Vpp, ele é sem distorção mensurável.
O uso mínimo de realimentação global preserva linearidade e dinâmica, enquanto a escolha criteriosa de componentes garante uma resposta de frequência no estágio de pré-amplificação de 0.5Hz a 300kHz.
O controle de volume não usa potenciômetros, sendo implementado por uma rede de resistores de precisão com relés de altíssima qualidade.
E, por fim, o estágio de potência deriva diretamente do amplificador A 3000 HV, com 300 Watts como já mencionado, em 8 ohms, e 500 Watts em 4 ohms. Com uma corrente de pico de até 60 Amperes.
Ou seja, meu amigo, estamos falando de um integrado de ponta em que, em termos de potência, tem pouquíssimos concorrentes em seu encalço.
Para o teste usamos os seguintes equipamentos. Amplificador integrado Moonriver 404 Reference (clique aqui), e caixas Dynaudio Contour Legacy (clique aqui), Stenheim Alumine Two.Five (clique aqui), Wharfedale Super Linton (clique aqui), e Estelon X Diamond MkII. Cabos de caixa Kuba Sosna Realization (clique aqui) e Dynamique Audio Apex (clique aqui). Fontes digitais Streamer Nagra, Transporte CD e TUBE DAC da Nagra. Fonte analógica: toca-discos Zavfino ZV11X, cápsulas Aidas Malachite Silver (clique aqui) e Dynavector DRT XV-1T (clique aqui), com pré de phono Soulnote E-2.
O PA 3100 HV veio com menos de 80 horas de queima, então resolvemos fazer nossa primeira audição com os nossos discos da Cavi Records, e o colocamos mais 120 horas para terminar a queima.
Minha primeira impressão foi: vitalidade e controle absoluto.
Para os que são novos por aqui, é importante lembrar que a primeira impressão de qualquer produto em teste, é ouvir sempre em nosso Sistema de Referência, para termos uma ideia segura de onde estamos pisando.
E como nossa caixa de referência é bastante faminta por Watts, geralmente os integrados costumam sofrer para conduzi-la.
Este T+A não teve, no entanto, a menor dificuldade.
Ficou claro após esse primeiro contato, que poderíamos ter melhor extensão em ambas as pontas, além de um maior arejamento e ampliação do palco sonoro, que se mostrou restritivo em termos de profundidade e largura.
E dito e feito, com 200 horas o que estava faltando, surgiu com facilidade. Então, primeira dica aos futuros pretendentes deste peso pesado dos integrados: tenham paciência… antes de sair tocando tambor e chamando todos audiófilos no raio de 200 km, para escutar seu upgrade novo!
Pois ele precisa realmente do amaciamento integral para entregar todos seus atributos sonoros.
“Isso significa que não posso curti-lo neste período de amaciamento, Andrette?”
Se você sofrer de ansiedade ou insegurança audiófila, não.
Mas se você já tiver passado por essa fase de montanha russa que é todo amaciamento, poderá ir curtindo suas virtudes, como a que citei acima, de autoridade e precisão.
É notoriamente audível que este integrado tem muitas ‘garrafas para vender’.
E se o seu gosto musical for por grandes variações dinâmicas, ele mostrará este pedigree desde o momento que for ligado inicialmente.
Autoridade com enorme folga, esse é seu lema!
Segunda qualidade bastante evidente: silêncio de fundo, possibilitando a recuperação dos mais sutis detalhes micro-dinâmicos.
Junte então uma excepcional micro-dinâmica com sua macro-dinâmica, e a ideia dos céticos de que os integrados não conseguem ombrear com os melhores prés e powers separados, cairá por terra.
E sua terceira virtude inicial, é que seu senso de tempo e ritmo é desconcertante!
Os outros quesitos da metodologia, porém, virão com o amaciamento completo.
Começando pelo equilíbrio tonal que, com as 200 horas, abre impressionantemente nas duas pontas.
Os graves se tornam sólidos, com corpo e enorme deslocamento de ar. A região média, pelo seu incrível silêncio de fundo, possui enorme transparência, e os agudos com as 200 horas, ganham arejamento, se estendem e com um bonito e suave decaimento.
O mesmo ocorre com o palco sonoro, que amplia seu espaço nas três dimensões: largura, profundidade e altura.
As texturas com o assentamento do equilíbrio tonal são muito beneficiadas, com uma melhoria na apresentação dos timbres e das intencionalidades.
E os transientes, ainda que não sofram alterações com o fim do amaciamento, como já se destacavam, ficam ainda mais impressionantes com tudo devidamente em seu sítio.
Meu amigo, os amantes de ritmo irão se deliciar com o T+A.
Em termos dinâmicos, não existe em passagens complexas com enorme variação em curtos tempos, aquela sensação de atropelo ou de compressão do sinal, mostrando a eficácia de sua autoridade e folga para lhe dar com esses acontecimentos.
A apresentação do corpo harmônico dos instrumentos é referencial, fazendo novamente com que céticos em relação à integrados, repense seu preconceito.
E materializar o acontecimento musical na sala de audição, dependerá apenas da qualidade técnica da gravação, e se a fonte geradora deste sinal está à altura do integrado.
CONCLUSÃO
Os últimos dois anos, eu diria, foram um divisor de águas, tanto para amplificadores integrados, quanto para caixas acústicas.
A quantidade de excelentes produtos é simplesmente impressionante.
São tantas as opções, que mesmo os audiófilos experientes terão dificuldades de definir seus upgrades.
Mas este nem é, na minha opinião, o principal desafio. O maior é saber exatamente a assinatura sônica que se deseja para não colocar os pés pelas mãos e se arrepender depois.
O legal é que o espectro de opções se ampliou muito, permitindo que as escolhas não sejam apenas pelo valor, mas também pelo grau de performance e compatibilidade com todo o sistema.
O PA 3100 HV está na linha de frente desta nova geração de integrados, e ainda que seja caro para a nossa realidade, é preciso se ter em conta que ainda assim, pelo seu nível de performance, é mais barato que um pré e power separados do mesmo nível.
Sem falar na economia de um cabo adicional de força, e um de interligação.
Este é o integrado definitivo, e basta uma olhada criteriosa para este produto, para ver que foi feito para durar uma vida.
E se o seu proprietário desejar, ainda realizar um upgrade com a aquisição da fonte separada.
Minha experiência é que todos os produtos que permitem esse tipo de upgrade com fontes, costumam subir de patamar sempre.
O aparelho precisa desse upgrade?
Sinceramente, acho que não. Mas conhecendo o perfil audiófilo, de sempre desejar aprimorar o que dá para ser aprimorado, este T+A possibilita essa opção.
Se você deseja um integrado Estado da Arte Superlativo, pois chegou a hora de montar um sistema definitivo, porém mais minimalista, que ocupe menos espaço, seja muito mais prático de utilizar, e seu gosto musical está repleto de gravações que tem muita variação dinâmica, você vai querer ouvir este integrado.
Ele não é apenas uma peça hi-end bonita no design – sua performance também é surpreendente.

| Nota: 104,0 | |
| AVMAG #322 Audiopax atendimento@audiopax.com.br (21) 2255.6347 (21) 99298.8233 R$ 180.000 | ![]() |

AMPLIFICADOR VITUS AUDIO SS-103 SIGNATURE
Fernando Andrette
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Recebi para teste simultaneamente o power Vitus SS-103 Signature e o pré de linha SL-103 Signature, seu parceiro de jornada musical.
E, imediatamente ao iniciar a queima dos dois, ficou claro que mereciam ser desmembrados para se fazer justiça ao patamar de performance de ambos.
Então, neste mês está saindo a avaliação do power e, em julho, publicarei o teste do pré de linha.
O que é importante salientar é que a nota de fechamento dos dois produtos foi feita em conjunto, OK? Por uma questão de sinergia e coerência na aplicação da nossa Metodologia.
E antes que alguém levante a questão se ambos só podem trabalhar em conjunto? A resposta é não, pois eu também os testei com o pré de linha da Nagra – e os powers HD da Nagra, no caso do pré de linha Vitus.
Para os nossos leitores assíduos, isso já lhes dará uma pista do nível de performance de ambos.
Mas sem querer adiantar a conclusão, vamos as informações técnicas e as avaliações auditivas do SS-103 Signature.
Como todo produto deste fabricante dinamarquês, a construção é simplesmente impecável! Nem o audiófilo mais crítico e meticuloso poderá acusar algo de impreciso na apresentação desse imponente power de 90 kg!
O que demandará, para desembalá-lo, a ajuda de uma ou duas pessoas (dependendo do porte físico do dono dessa beleza).
A primeira pergunta que se faz, ao perceber o peso descomunal, é: qual o motivo para pesar tanto? E parte da resposta certamente estará no ‘cavalar’ transformador UI-core construído exclusivamente para esse power.
De memória não me lembro de nenhum outro power estéreo com um transformador tão avantajado! Fora o fato dele ser todo blindado para não haver contaminação de RF no circuito de áudio.
As fotos, por mais bem feitas, não lhe darão uma ideia fidedigna tanto de seu tamanho e altura, como de seu soberbo acabamento.
Um leigo provavelmente deduzirá que um power desse tamanho e peso, deva ter uma potência final de alguns megawatts. E ficará desapontado ao saber que este gigante debita apenas 50 Watts em classe A, e 100 watts em classe AB, em 8 ohms.
Além dessa possibilidade de mudança de classe de operação no painel frontal, o fabricante possibilita uma intrigante opção batizada de modo Classic ou modo Rock – que dará ao audiófilo, junto com a opção de Classe A ou AB, perspectivas sonoras distintas de uma mesma gravação.
Deixarei para adiante minhas observações sobre essas opções, OK?
O SS-103 é um avanço natural do consagrado SS-102, em que seu projetista buscou fazer melhorias significativas, porém pontuais.
Os transistores continuam sendo rigorosamente casados como era no modelo anterior, a fonte de alimentação foi totalmente redesenhada para que esse novo modelo fosse ainda mais silencioso – o que seu projetista, Hans-Ole, chama de “escuridão de fundo” para que os sons possam brotar diretamente do silêncio total.
E já faço um ‘spoiler’ ao dizer que essa sensação será amplificada ainda mais com o uso do pré de linha da Vitus, o SL-103 Signature.
O painel frontal possui duas fileiras de botões verticais para tirar o amplificador de standby, alterar as opções de mute, mudança de classe A para AB e as opções de Classic e Rock. Seus dissipadores laterais são enormes, e o ideal é que seja instalado em um local com bastante ventilação lateral e por cima. Então meu amigo, nada de enfiar o SS-103 Signature em racks, pois você terá problemas.
No painel traseiro, além de excelentes terminais de caixa, temos a tomada IEC e entradas XLR e RCA.
Para o teste utilizamos os seguintes equipamentos: TUBE DAC Nagra e Transporte Nagra, Pré Classic e Powers HD Nagra
(clique aqui), e Streamer Nagra. Caixas: Perlisten S7t SE (clique aqui), e Estelon X Diamond Mk2. Cabos: todos Dynamique Audio Apex com cabos de força Transparent Reference G6.
Todo projetista de áudio de ponta tem seu próprio ponto de vista do que busca em seus produtos que os diferencie da concorrência, e que tenha uma legião de audiófilos interessados naquela assinatura sônica idealizada pelo fabricante.
A do Hans-Ole Vitus é de que quanto mais silencioso forem seus produtos, menor será a interferência no sinal, possibilitando uma maior fidelidade ao sinal gravado.
Quando me perguntam minha opinião sobre as diferentes maneiras de abordar a alta fidelidade, utilizo da minha experiência de ter testado mais de 2000 produtos, e abortado quase 900 testes nesses 29 anos (sem contar os 3 anos de revista Audio News), para poder dizer com toda sinceridade que existem muitas possibilidades de se alcançar excelentes resultados.
E que o fato de termos tantos projetistas talentosos, e que sabem aplicar na prática suas ideias e gosto pessoal, só enobrece esse hobby.
Então, meu amigo, se posso ajudá-lo é dizendo que antes de escolher seu sistema, ouça tudo que lhe agrada que cabe em seu orçamento.
Pois existem opções muito interessantes.
Agora, se você acreditar, como dizem em muitos fóruns objetivistas, que não deve existir diferenças na sonoridade de powers bem construídos de uma mesma topologia, e que olhar as medições será suficiente, boa sorte!
O que minha experiência diz é o oposto: amplificadores da mesma topologia não só possuem assinaturas sônicas distintas, como o grande barato desse hobby é justamente descobri-las.
Por minha vivência de longa data com a área de instrumentos musicais e com gravação, digo que descobrir a assinatura sônica de um amplificador é tão legal quanto a de ouvir as diferenças entre microfones e entre instrumentos musicais.
Principalmente guitarras e amplificadores de guitarra. Sabe o lance de você ouvir um guitarrista e saber pelo timbre que músico que está tocando? Acredite, com prés e powers ocorre o mesmo (quando feitos por projetistas talentosos, obviamente).
Quando leio esses artigos objetivistas fico me perguntando como o ser humano pode se basear em gráficos e medições para escolher algo que irá ouvir! Para mim é como escolher um sorvete pela cor e não pelo seu sabor. É uma inversão reducionista de valores, ao extremo!
Voltando ao que interessa, quando ao ler entrevistas de projetistas que se destacam, minha curiosidade é elevada ao cubo! Pois tento penetrar na cabeça daquele engenheiro, ouvindo suas soluções para a mesma questão.
E gosto desse desafio, pois isso geralmente amplia minha percepção ainda mais dos caminhos utilizados para o mesmo fim.
Eu não ouvia um Vitus há pelo menos uma década. E confesso que aquela não foi uma audição que me causou algum impacto. Achei correto, silencioso, tudo devidamente bem delineado, mas não me fez querer ouvir de novo e de novo… entendem o que estou dizendo?
Uma década é tempo demais na alta fidelidade (menos para a tribo dos Vintage, que alardeiam que nada de novo foi criado nos últimos 40 anos!).
Eu, ao contrário, morrerei afirmando que a evolução não parou e vivemos um momento auspicioso em termos de reprodução de música por equipamentos eletrônicos.
Mas como a minha opinião, e a de quem está começando ontem, parecem ter o mesmo peso e medida na Internet, cada um que acredite em quem julgar mais apto.
E posso afirmar que do Vitus que ouvi lá atrás, para essa nova geração, o salto foi grandioso!
Pois agora consegui entender a quase obsessão do projetista pelo silêncio de fundo para a apresentação e fidelidade do acontecimento musical.
Muitos podem presumir que, quanto maior o silêncio de fundo, mais hiper analítico será o sinal gerado nesse silêncio. E aí é que entra a genialidade ou não do projetista, de ter a capacidade de ouvir o limite a ser definido para não se passar do ponto.
E isso para mim ficou claro, logo nas primeiras impressões que aplico a todo produto que nos chega para avaliação.
Mesmo zerado, e ainda engessado nas pontas e com uma região média frontalizada, foi possível observar que o ‘conceito’ de Hans-Ole é o de dar ao ouvinte a sensação que temos em uma apresentação ao vivo, do som brotar no silêncio.
Imagine quando as luzes se apagam na sala de concerto, a plateia em silêncio escuta as primeiras notas vindas do palco e elas se manifestam por todo ambiente, e isso faz com que nosso cérebro acione a postura de atenção total.
Essa é na minha opinião a proposta central dos equipamentos atuais da Vitus.
Para ter uma ideia exata da magnitude do alcançado, eu fiz até algo que não costumo fazer: ouvir completamente na penumbra. Só para ter certeza de que não estava “viajando na maionese”, como diz meu filho!
Os sons saem desse silêncio impressionante, e quando na gravação o foco e recorte não são exímios, ficamos com a mesma sensação em uma apresentação ao vivo, em que sabemos o instrumento que estamos ouvindo, mas não precisamos seu ponto de origem.
E antes que alguém me pergunte como, com vários instrumentos e variações dinâmicas, como o Vitus se comporta, eu já respondo: com autoridade uma enorme folga!
E a microdinâmica, Andrette, não interfere no todo? Não desvia nossa atenção?
Aí está o pulo do gato dos novos Vitus: eles não desejam e nem são hiper-realistas. Eles apenas nos fazem apreciar e relaxar adequadamente para que o nosso cérebro foque no que está à nossa frente.
E quem fará o papel de nos emocionar, ou apenas racionalizar o que estamos ouvindo, é a gravação e o grau de preciosismo dos músicos.
Pois ele não irá ‘florear’ ou ‘aveludar’ nada, absolutamente. Seu equilíbrio tonal é hipercorreto e pleno. A ponto de você se surpreender com a extensão nas altas e o corpo nas baixas.
E aí, finalmente, faço um aparte na avaliação para falar das opções que o Vitus nos oferece. Classe A, só foi possível ouvir com as Perlisten (com melhor sensibilidade que as Estelon). E se o ouvinte quiser dar um ‘calor’ a gravações tecnicamente mais duras, será muito bem-vindo.
Para a X Diamond Mk2, os 50 Watts em Classe A na minha sala não deram.
Já com a opção em Classe AB, a Estelon se sentiu em casa! E foi um belo casamento.
Quanto às opções de Classic ou Rock, em ambas as caixas eu pessoalmente preferi sempre o modo Classic. O Rock me dava sempre uma sensação de perda de 3D, deixando o som com menos profundidade.
Mas creio que será sempre uma questão de gosto e de referência com música ao vivo. Sempre achei qualquer gênero musical que ouvi no modo Classic mais correto!
Mas volto a lembrar, se tem as duas opções, divirta-se. Esse é o grande objetivo.
Texturas com esse grau de equilíbrio tonal, será possível desmembrar todas as intencionalidades que foram captadas na gravação. Todas!
E isso é um deleite para quem deseja avaliar a virtuosidade na interpretação do músico, escolha de microfones pelo engenheiro e complexidade na execução de uma obra.
Estará tudo à sua frente para a mais precisa avaliação!
Seu soundstage é o que mais demora para encaixar, e lhe proporcionar aquele 3D impressionante! Mas depois de 250 horas tive à minha frente um palco gigantesco para reprodução de obras clássicas e big bands.
Foco, recorte e ambiência de tirar o fôlego!
Transientes matadores, precisos e nos dando a sensação de que sempre a gravação escolhida foi a qual os músicos deram o sangue. Você não perderá nada do andamento e mudança de tempo, seja algo simples como um dois por quatro, ou um intrincado seis por oito.
Microdinâmica é uma aula de referência a todos que se julgam grandes powers. E a macrodinâmica é absolutamente correta para sua potência. Com a caixa certa, os sustos e o sorriso de orelha a orelha estarão garantidos.
O corpo harmônico é excelente, e você finalmente, se nunca ouviu um contrabaixo acústico ao vivo a quatro metros de distância, poderá fazê-lo na sua sala no aconchego de sua cadeira.
Com todo esse requinte, não poderia ser diferente no quesito de materializar o acontecimento musical à sua frente, e em excepcionais gravações você ser transportado para a sala de gravação.
O que você prefere? É só escolher a gravação correta para ter as duas opções à mão.
Quer algo melhor que isso?
CONCLUSÃO
Eu até receio quando escrevo que algum produto testado tem um patamar de silêncio de fundo impressionante, pois por algum motivo muitos de vocês concluem que então aquele produto certamente será analítico e hiper-realista.
Se você for um leitor atento e estiver acompanhando nossos mais recentes testes, com a introdução do quesito Assinatura Sônica, irá perceber que a graduação na parte transparência vai de um a quatro.
E que a maioria dos equipamentos testados depois que apresentamos esse gráfico nunca passa de dois. O que mostra que o fabricante foi bastante cuidadoso em não extrapolar e deixar seu produto soar frio ou analítico.
E no caso desse power da Vitus, ainda que ele esteja do lado transparente, ele ainda possui características do neutro, principalmente nos quesitos equilíbrio tonal, transientes e corpo harmônico.
Mostrando o esmero em levar mais um passo adiante o conceito de silêncio de fundo, sem perder o equilíbrio geral e poder encantar o ouvinte com suas inúmeras qualidades.
É um power para audiófilos com uma larga experimentação em diversas assinaturas, e que quer extrair tudo de uma gravação sem que ela se torne cansativa ou desinteressante.
E achar esse ponto de equilíbrio, meu amigo, na minha opinião é um mérito e tanto de seu projetista.
Se é isso que você tanto busca para extrair o máximo de sua coleção musical, ouça essa nova geração da Vitus Audio. Pode ser que o que busca esteja à sua disposição e caiba no seu orçamento.

| Nota: 107,0 | |
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AMPLIFICADOR ESTÉREO AIR TIGHT ATM-1E
Fernando Andrette
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Para você poder acompanhar meu raciocínio, preciso pedir para você também ler posteriormente o teste deste mesmo power ATM-1, mas a versão S, que publicamos na edição 190.
E me deixou tão impressionado na época, que acabei ficando com ele e posteriormente troquei-o pelos monoblocos ATM-3 (leia teste na edição 193).
Cito a vocês esses fatos, para que entendam a felicidade que foi, após testar o Air Tight 2211 (clique aqui), receber o novo ATM-1E junto com o novo pré ATC-5s.
Fabricantes japoneses, como Air Tight, Shindo, Kondo e Leben, só lançam uma nova série de seus produtos em linha, se realmente for um avanço considerável.
E, acreditem: quando o fazem, as melhorias serão audíveis!
Com mais de 40 anos de mercado, o power ATM-1 foi lançado em 1987, com uma topologia push-pull com as famosas válvulas EL34, um velho e conhecido pêntodo dos amantes de valvulados, que começaram a ser produzidos logo depois do término da Segunda Guerra Mundial.
Para ser exato, as primeiras EL34 foram lançadas em 1949, e por mais que tenham sido utilizadas em inúmeros amplificadores de áudio desde então, elas realmente se tornaram ‘famosas’ ao serem a escolha do fabricante de amplificadores de guitarra Marshall, pela sua robustez e sua inconfundível assinatura sônica.
Sou fã das EL34, e passei minha infância, adolescência e vida adulta rodeadas de amplificadores push-pull e, por ironia do destino, quando fui gerente de marketing da Oliver (do grupo Roland no Brasil), para o desenvolvimento de nossos amplificadores de guitarra tivemos como referência um cabeçote Marshall e um amplificador Roland, que utilizavam EL34.
O que mais admiro nessa topologia, é que são as únicas válvulas que conheço e ouvi que, em situações extremas de dinâmica, saturam sem, no entanto, tornar insuportável ou ‘estragar’ aquele momento.
Como dizia meu pai, ‘caem com classe’.
O novo ATM-1E foi lançado ano passado, e como todos os produtos deste fabricante, sem holofotes ou inúmeros reviews pelo mundo afora. Existem mudanças visuais, como mais um transformador, novo controle de bias para as quatro válvulas EL34 e o uso de uma ECC81 (12AT7) e duas 6CG7 (6FQ7) para o processamento de sinal, devido a sua excelente linearidade e seu ótimo silêncio de fundo.
Agora, frontalmente não existe mais uma segunda entrada RCA, os transformadores de saída são agora da Tamura, a bobina de indutor é enrolada a mão e envolta em papel oleado, as conexões são ponto a ponto de todos os componentes, os cabos são de cobre em um circuito completamente novo e sem nenhuma placa de circuito impresso.
Se você ama produtos hi-end genuinamente artesanais, e montados um a um, por alguém que faz isso com maestria, você precisa ouvir esse power!
As válvulas são escolhidas e medidas em pares. Os dois botões de volume são os mesmos de sempre, para aqueles que estejam sem um pré de linha por algum motivo e ainda assim desejam ouvir música.
É a melhor solução para se extrair o suprassumo deste belo amplificador? Evidente que não, mas para quebrar um galho é uma opção inteligente.
O terceiro botão no painel frontal é para o ajuste de bias das quatro EL34, e o botão da direita é de liga/desliga.
Nas costas temos uma única entrada RCA, e as opções de terminais de caixas para 4 e 8 ohms, e entrada do cabo de força IEC.
Segundo o fabricante, o ATM-1E fornece 35 Watts por canal, e a recomendação do fabricante é que ele seja usado com caixas de sensibilidade acima de 90 dB (concordo plenamente).
Para o teste utilizamos o nosso Pré Classic da Nagra, e o Air Tight ATC-5s, seu parceiro natural, com vários cabos RCA da Dynamique Audio, Zavfino (clique aqui), Virtual Reality e Sunrise Lab. Os cabos de força foram da Sunrise Lab, Virtual Reality, Transparent Audio Reference G6, e Dynamique Audio Apex.
Vieram direto da alfândega para nossa sala de testes, então foi preciso deixar ambos amaciando por 100 horas antes de iniciarmos as avaliações.
O teste do pré de linha ATC-5s sairá na edição de outubro próximo.
Mas o fechamento da nota do ATM-1E foi feito com ambos os prés de linha utilizados, OK?
Preciso, antes de iniciar a avaliação, dizer duas coisas: nenhuma foto por mais bem tirada, faz jus a ter um contato de terceiro grau com esses dois equipamentos. Sua construção, acabamento e detalhes, são primorosos, a ponto de ser impossível as pessoas não chegarem bem perto para apreciar os detalhes.
Seu design é atemporal, ainda que as formas, tamanho e apresentação sejam as mesmas há quatro décadas!
Isso, meu amigo, se chama paixão levada ao extremo em todas as etapas. Da concepção à execução!
A sensação é que foram feitos para durar um século se bem cuidados, e quando visito fóruns asiáticos de equipamentos audiófilos, vejo fotos de equipamentos da Air Tight de 30, 40 anos atrás, impecavelmente reluzentes e em perfeito estado.
Acho que perdemos muito deste referencial de produtos eletrônicos meticulosamente produzidos, que atravessam gerações encantando e surpreendendo aos desavisados.
Cada vez que pego ou ouço um produto da Air Tight, me penalizo por ter-me desfeito do ATM-3, pois o fiz com muito pesar, pelo fato de muitas caixas que chegavam para teste não terem compatibilidade, pela sua limitada potência.
São escolhas que, como profissionais, necessitamos fazer – não tem jeito!
A primeira grande notícia: o ATM-1E precisará de apenas 40 minutos, para já sair tocando lindamente.
Ele e seu par, o pré ATC-5s, sequer precisaram das 100 horas de queima, pois com 50 horas já estavam naquele ponto de sabermos a hora em que iniciamos as audições do dia, sem a mínima ideia da hora de conseguir parar de ouvir.
Então, as 100 horas mantive por puro preciosismo, na esperança de conseguir mais uma ‘lapidação final’.
A segunda notícia: o ideal, toda vez que for escutá-lo, é esperar esquentar os 40 minutos.
Faz diferença, Andrette?
Sim. A estabilização térmica é essencial para o grau de naturalidade e refinamento que o ATM-1E possui.
E você irá perceber quando ele já se encontra com a temperatura estabilizada, com uma melhora considerável na apresentação das texturas!
Se o amigo não tiver muita referência de instrumentos acústicos, se concentre em observar as vozes. Quando no ponto ideal térmico, nuances de técnica vocal, como sustentação de notas em cantores líricos, se tornam mais ricas e detalhadas.
O invólucro harmônico fica mais evidente, e é fácil de acompanhar todas as intencionalidades.
Gosto muito de ouvir ‘interpretações’ de pianistas para as obras solo dos compositores franceses, principalmente Debussy e Eric Satie. Para ter certeza de que o que estava ouvindo não era uma ‘ilusão interpretativa mental’, eu por três dias iniciei as audições com o sistema frio, ouvindo as mesmas peças com o mesmo pianista.
Nos primeiros 30 minutos, a atenção era dispersa por detalhes como a respiração do pianista (Claudio Arrau, audível em suas gravações solo para o selo Philips, principalmente do Debussy). E, depois do ATM-1E quente, era impossível desviar a atenção do todo, e a atenção se concentrava apenas na execução e interpretação.
Como reiteradamente escrevo em meus artigos de Opinião, nosso cérebro, quando possui a referência mais completa e detalhada de um acontecimento musical, ele imediatamente reconhece quando tudo foi para o lugar, o que denomino de ‘encaixe sonoro interno’, realizado em nossa mente e não no sistema auditivo.
Você quer entender como essa sinapse ocorre? Exercite ouvir uma peça musical simples, que você admira, apenas na sua mente.
Se você conseguir reproduzi-la como se a estivesse ouvindo, você já tem a sua ‘interpretação’ daquela obra fixada no seu hipocampo.
Este é um exercício ótimo para memorizar e entender como são feitas as sinapses em nossa mente, e ganhar confiança na hora de escolher seus upgrades.
Pois você saberá instantaneamente se aquela reprodução musical está precisa ou não.
Veja que evitei usar o termo ‘correto’, trocando por ‘preciso’, pois é o que realmente ocorre quando interiorizamos detalhadamente nossas referências musicais.
Vou dar um exemplo: imagine que você sabe que determinada música que utiliza para avaliar a microdinâmica, tem uma passagem muito sutil, em que um prato de acompanhamento precisa soar 13 vezes, e tem equipamentos em que contar mentalmente essas 13 vezes é extremamente fácil, e por inúmeras razões em outros produtos é uma dificuldade adicional, pois você terá que desviar a atenção do todo para se concentrar na contagem.
Percebe que não é uma questão de achar correto ou errado?
É apenas conhecer exatamente o que se deve ouvir para saber se a microdinâmica é ou não exemplar.
Voltando especificamente ao ATM-1E, ele possui um belo equilíbrio tonal. Se você acha que um amplificador valvulado de apenas 35 Watts terá dificuldade em reproduzir graves corretos, repletos de energia, sustentação e deslocamento de ar, ouça o ATM-1E com um par de caixas devidamente corretas e compatíveis, e irá rever sua concepção de valvulados modernos.
Claro que, para ter essa resposta de graves, as caixas utilizadas nos teste foram as: Stenheim Alumine Two.Five (leia teste na edição de setembro) e as Dynaudio Legacy Contour (clique aqui). Ambas caixas com mais de 90 dB de sensibilidade.
É o que o fabricante sugere, e constatei de fato!
O ATM-1E pode, por exemplo, tocar com as Audiovector Trapeze? Pode, mas não terá o mesmo desempenho, pois é uma caixa de menos de 90 dB de sensibilidade.
Então, a nota final do ATM-1E também foi com a utilização dessas duas caixas com maior sensibilidade.
A região média do ATM-1E é ‘translúcida’ – por favor, não confunda com transparente, pois não é a mesma coisa. Algo translúcido permite a passagem de luz, sem vermos claramente o objeto através dele.
O que desejo dizer é: toda região média possui luz suficiente para vermos o acontecimento musical, sem, no entanto, ser notoriamente transparente e não conseguirmos nos fixar no todo.
Pois quando um sistema é muito transparente, os detalhes possuem o mesmo peso que o principal, que o todo.
Nada de errado se você deseja um sistema ultra transparente, é um direito seu, e existem excelentes exemplares para essa assinatura sônica.
Mas não é o caso do ATM-1E.
Nele o acontecimento musical estará perfeitamente delineado, a sua frente, porém sem os detalhes terem o mesmo impacto que o todo.
Eu sempre lembro os participantes do Curso de Percepção Auditiva, que o esforço necessário para ouvir sistemas transparentes é muito maior que para ouvir sistemas neutros ou eufônicos.
E, voltando ao equilíbrio tonal do ATM-1E, os agudos são de um ‘lirismo e delicadeza’ raríssimos! Pois são precisos sem jamais serem agressivos ou proeminentes.
E você só percebe esse detalhe ao ouvir instrumentos que estão no limite do brilho nas altas, como violinos, flautins, vibrafone e sax soprano. Com esses instrumentos, você percebe nitidamente como alguns equipamentos conseguem se equilibrar entre a fidelidade e a finesse.
O que posso lhe dizer, amigo leitor, é que passar um tempo com este ATM-1E e o ATC-5s, pode lhe fazer rever inúmeros conceitos, ideias e expectativas que temos na nossa busca pelo sistema dos sonhos.
Seu palco sonoro é divino, em termos de tridimensionalidade e planos. Tudo corretamente focado, recortado e apresentado com amplo espaço entre os instrumentos e os músicos. Para amantes de grandes obras orquestrais será um genuíno deleite sonoro.
Como iniciei falando das texturas, para aí falar de equilíbrio tonal e soundstage, sigamos com os transientes. Apenas dizer que a marcação de tempo, ritmo e variação de andamento são precisos, e completamente sem esforço algum para acompanhar.
Nunca, com este pequeno indomável, ocorrerá uma apresentação desleixada ou letárgica. Ao contrário, este ATM-1E pulsa vida, frescor e emoção!
A macro-dinâmica, com as caixas certas, é uma referência absoluta. Nada que ouvi nem em analógico nem em digital, abalou sua autoridade e folga nas passagens dinâmicas mais severas.
Mesmo em nossa sala com 50 metros quadrados!
Com as Stenheim Alumine Two.Five, os tímpanos, órgão de tubo, bateria, pianos solos, nos fortíssimos foram magistrais!
A micro-dinâmica, por não ser ultra transparente, não irá mostrar os ínfimos detalhes, mas nada que tenha sido captado, mixado e sobrevivido intencionalmente na masterização, deixará de ser apresentado.
Falo daqueles detalhes, por exemplo, que apenas as eletrônicas com o maior silêncio de fundo e uma distorção harmônica ínfima reproduzem – esses sutis detalhes não estarão presentes.
Eu me lembro que, quando tive o ATM-1S, eu anotei em meus cadernos pessoais o quanto ele havia sido ‘condescendente’ com a reprodução do corpo harmônico nas gravações digitais
remasterizadas do final dos anos 80, que eram pobres e tudo soava pequeno quando comparado à mesma gravação analógica.
O ATM-1E agora ajuda na reprodução do corpo harmônico do streamer, que é ainda mais pobre que qualquer mídia física. Constatei isso com inúmeros discos que toquei em LP, CD e streamer.
Quer ouvir um piano de cauda na sua sala, corretamente? Se você tem sistema e sala, o ATM-1E com o ATC-5s, não será nenhum problema!
E aí chegamos na materialização física do acontecimento musical em nossa sala. Uma pergunta recorrente que me fazem: Andrette, existe diferença na organicidade nos três tipos de assinatura sônica?
Não. E mostrei isso no último Workshop.
O que ocorre é que um sistema muito bem ajustado, com uma assinatura sônica mais neutra ou transparente, poderá fazer seu cérebro se ‘enganar’ mais rápido do que um eufônico.
Mas, se estivermos falando de gravações tecnicamente primorosas, os três tipos de assinatura conseguem essa façanha.
Então, tive a companhia de inúmeros solistas, cantores e quartetos em minha sala, no tempo de convívio com essa dupla maravilhosa!
Se este é um dos quesitos que você mais procura na montagem do seu sistema, fique sossegado que ele não o decepcionará.
E, então, chegamos ao oitavo quesito de nossa Metodologia – musicalidade, a soma dos outros sete quesitos, que no caso de todo produto com uma assinatura sônica para o eufônico, sempre irá ter um ‘verniz’ mais convidativo a audições regadas tanto de excelentes gravações, como também com espaço para as gravações mais limitadas tecnicamente.
Esse é o grande trunfo da assinatura sônica eufônica.
Sua condescendência nos permite resgatar discos há tempos esquecidos em nossas estantes.
E eu acho isso esplêndido.
CONCLUSÃO
Existem marcas audiófilas autorais, que não aceitam fazer mais do mesmo. Querem ousar, sonhar e sinalizar caminhos alternativos.
Em um mundo tão automatizado e com tudo absolutamente ao alcance das mãos, que fabricante de áudio hi-end irá ousar fazer um pré de linha sem controle remoto? Ou manter o mesmo design por quase meio século, construir um a um, à mão, todos os seus equipamentos, e só lançar novos produtos quando estiverem certos de que existem melhorias a serem feitas.
Felizmente ainda existem empresas com essa filosofia, que atravessaram revoluções tecnológicas e que só acompanham as transformações naquilo que realmente importa – a performance!
O ATM-1E, não venderá centenas ao ano, ainda que perto dos equipamentos ultra hi-end, seja acessível.
Seu público também é especial: são audiófilos que jamais perderam sua essência melômana, e olham para sua discoteca pessoal com a mesma reverência com que guardam suas emoções e memórias.
E, por isso mesmo, desejam montar um sistema do qual possam desfrutar de toda a sua discoteca sem expurgar nenhum exemplar.
E abrirão mão de qualquer praticidade para serem fiéis aos seus princípios e objetivos.
O ATM-1E é para este perfil de consumidores, amantes da música acima de qualquer coisa!
Se você faz parte dessa distinta legião, ouça a boa nova: o
ATM-1E é muito mais que sua exigente expectativa audiófila!

| Nota: 103,0 | |
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AMPLIFICADOR MONOBLOCO AIR TIGHT ATM-2211
Fernando Andrette
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Por mais que nos quase 30 anos da revista tenha tido amplificadores, prés de linha e phono, e até DACs, valvulados, inúmeros leitores encasquetaram que não gosto dessa topologia.
Vai saber a razão!
É tão recorrente, que mesmo agora no Workshop uns dois ou três participantes me perguntaram o que acho desta topologia e eu educadamente respondi: sentem e ouçam nosso Nagra TUBE DAC que estou usando nos quatro setups, rs…
Da Air Tight eu tive o ‘pequeno notável’, o ATM-1S (leia teste na edição 190), e os monoblocos ATM-3 de 100 Watts que usei no Hi-End Show de 2014.
Muitos que estiveram lá irão lembrar dele tocando com a Exquisite Midi da Kharma, em uma sala de 120 m.
Eu sou um grande fã das válvulas EL34, ainda que muitos audiófilos a considerem uma válvula de ‘menor performance’ frente às KT, e principalmente às 300B e às 211.
Felizmente não carrego esse ‘preconceito’, pois sei que nas mãos de um bom projetista as EL34 podem e soam divinas.
Mas hoje iremos falar das válvulas 211, e não de EL34.
Minha relação com as 211 foi muito mais esporádica do que com as EL34, mas reconheço que seu grau de refinamento é considerável, e em uma topologia de alta performance, soam divinas.
Eu ouvi uma única vez o ATM-211 original, e fiquei muito impressionado com a velocidade, precisão e a reprodução do invólucro harmônico deste amplificador. Ainda que as caixas com as quais estava casado o ATM-211, não estavam à altura do amplificador. Isso foi em 2008.
Então, quando o Fábio Storelli da German Audio me perguntou se gostaria de receber os monoblocos ATM-2211 junto com as caixas Stenheim Alumine Five SX (leia teste na edição 317) – eu jamais poderia ter dito não.
E foi uma das experiências mais auditivamente gratificantes que tive nos últimos cinco anos. E creio que os que tiveram a sorte de ouvir esse setup no nosso último Workshop, certamente entenderão minha afirmação.
Na comemoração de aniversário, em 2020 se não me engano, a Air Tight resolveu lançar o ATM 2211. Porém com inúmeras alterações no projeto, como não utilizar feedback Negativo no secundário do transformador de saída, preferindo aplicar uma grande quantidade de NFB da placa de saída da válvula 211 no primeiro estágio – e essa escolha se deu ao fazerem na fábrica as primeiras audições com o protótipo e perceberem que as mudanças sonoras não foram apenas ‘cosméticas’, e sim muito efetivas.
Com um aumento inclusive de potência de 28 Watts para 32 Watts, que para muitos não familiarizados com topologias single-ended pode parecer pouco, mas resulta em melhorias sonoras significativas (descreverei mais adiante essas melhorias).
O ATM-2211 utiliza o método de polarização fixa, e ignição DC para o filamento. Ele utiliza três transformadores de potência independentes para alta e baixa tensão, não existentes no modelo anterior. Além disso, a bobina de indução, que pode ser considerada o coração de um amplificador valvulado, é feita por camadas que dispensam a bobina tradicional e são especialmente projetadas para suportar a alta tensão do 2211.
Esta bobina de indução é feita à mão por artesãos japoneses, peça por peça, sendo responsável (segundo o fabricante) por criar um palco sonoro inteiramente 3D, além de excelente dinâmica de baixa frequência.
Para o transformador de saída, fabricado pela Hashimoto Electric Co LTD, é feito sob medida para a Air Tight para um maior controle rigoroso na resposta de graves.
O chassi, como em todo produto Air Tight, é feito de maneira a controlar ressonância mecânica – e para isso utiliza um sub chassi espesso de cobre puro, suspenso do chassi principal para suportar a placa de amplificação principal e a seção de fonte de alimentação, no qual o capacitor é colocado.
O painel frontal espesso foi usinado a partir de um bloco de alumínio.
Os terminais de alto falantes são WBT e têm as opções para saída alta de 8 ohms e baixa de 4 ohms. São duas entradas para RCA e XLR selecionáveis com uma chave ao lado das entradas.
Quando o aparelho é ligado, um relé temporizador integrado é ativado e a tensão da placa é aplicada com um defasamento de alguns segundos. Isso contribui para a proteção da válvula e para maior vida útil dela.
O ajuste de bias é simples, e um medidor na base ao lado da válvula facilitará o ajuste.
Depois que instalamos nas prateleiras os monoblocos, fizemos o ajuste de bias e, nas cinco semanas em que estivemos com eles, não precisamos mais fazer nenhum ajuste fino.
O ligar e desligar é absolutamente preciso e silencioso.
E nenhuma foto faz jus a ver ao vivo esse amplificador.
As 8 camadas de tinta automotiva aplicadas aos três transformadores à medida que a luz ambiente bate neles, cria um efeito visual incrível.
E nos dá uma ideia exata do grau de requinte na construção desses monoblocos! É um show, literalmente, visual e auditivo!
Para o teste utilizamos basicamente nosso Sistema de Referência, exceto as caixas, que em 95% do tempo foram utilizadas a Stenheim Alumine Five SX – por questões óbvias de sensibilidade e sinergia.
E nos últimos três dias, por curiosidade, ligamos a Audiovector Trapeze (clique aqui), justamente para ver o quanto a chave de amortecimento existente na caixa realmente é eficaz!
E foi bastante eficaz, fazendo esse setup tocar lindamente, ainda que somente em volumes muito controlados.
Então, meu amigo, toda a avaliação feita deste monobloco foi o casamento com a caixa suíça, OK?
Procurei que nem doido alguém que me informasse o tempo mínimo de queima das válvulas 211. E nem nos fóruns de aficionados valvuleiros lá fora, alguém me deu uma pista do tempo de queima dessas válvulas.
Então segui meu feeling, e fui ouvindo por 50 horas as mesmas 5 faixas de gravações nossas, para poder ver quando elas estariam estabilizadas, sem alterações sonoras.
A questão é que desde o primeiro momento é tão cativante e sedutor, que a todo momento precisava relembrar de ficar atento a mudanças, para poder saber se já haviam estabilizado ou não.
O que quero dizer com isso? Que o feliz comprador dessa beleza, não irá precisar perder seu tempo, e poderá desfrutar desde o primeiro minuto das suas qualidades sônicas. Ou seja, aos que detestam período de queima, podem deletar da mente essa fase (ouvi gritos ensurdecedores de comemoração, ou foi apenas minha mente imaginando a reação de todos vocês?).
Ele somente necessitará de 30 minutos sempre que for ligado, para atingir a temperatura ideal mínima – e aí, meu amigo… embriague-se com tamanha beleza!
O que mais me chamou a atenção no 2211, foi que ele não é eufônico no sentido ortodoxo dos single-ended – jamais!
Ele se enquadra nos single-ended modernos, com excelente transparência, impetuosidade, realismo e, acima de tudo, naturalidade.
Tudo parece soar com mais naturalidade. A ponto de você começar a achar que em outros amplificadores não são tão naturais assim! Vozes e instrumentos acústicos serão a melhor maneira de você perceber o que estou tentando descrever.
Hoje temos exímios amplificadores, de todas as topologias, que tiram de letra a apresentação fidedigna de vozes. Capazes de nos levar a relaxar, e nosso cérebro achar que tudo está devidamente apresentado, ali à nossa frente, sem nenhum porém…
E aí você se mete a ouvir as mesmas vozes neste 2211 e aí, meu amigo, você arrumou um grande ponto de interrogação para debulhar durante dias.
Eu gosto de ver o semblante de audiófilos ‘experientes’ tentando decifrar esse enigma sonoro. E as conclusões vão do ultra-subjetivo, até a tentativa de encaixar qualquer coisa da física quântica que faça algum sentido (pelo menos para quem está tentando descrever o resultado, é claro).
Pela nossa Metodologia a diferença não está no equilíbrio tonal, e sim na apresentação das texturas. Toda topologia bem ajustada valvulada possui uma reprodução do invólucro harmônico mais ‘adequada’ ao que nosso cérebro entende por voz mais realista e natural.
Você já ouviu sua própria voz gravada em diferentes microfones? Se um dia tiver essa oportunidade, faça essa experiência.
E se puder ouvir a sua voz gravada em um pré de microfone valvulado de alto nível, você irá se surpreender como ela está muito mais próxima do que escutamos no nosso cérebro, e na ressonância na nossa caixa torácica.
Não é obviamente igual, mas o estranhamento de ouvirmos nossa voz gravada em um bom microfone passando por um pré valvulado, é menos chocante.
Por que isso ocorre? Pela riqueza na apresentação do invólucro harmônico. Que é justamente a capacidade de envolver ou cobrir o sinal elétrico, deixando-o mais ‘palatável’, nos dando uma sensação que ao nosso cérebro agrada e convence, por isso que definimos como mais ‘natural’.
Ou você se convence que não é seu sistema auditivo que escolhe, aprende e memoriza, e sim seu cérebro que interpreta e define, ou você jamais entenderá a importância da percepção auditiva para você realmente fazer escolhas mais assertivas na hora de montar seu setup hi-end, e ampliar seu prazer em ouvir sua música.
E o invólucro harmônico em nossa Metodologia faz parte do quesito texturas e não equilíbrio tonal.
E tentar entender o motivo da voz em uma topologia single-ended, avaliando o equilíbrio tonal, será um desperdício de tempo e totalmente infrutífero.
Então, voltando à avaliação do 2211, seu equilíbrio tonal é tão correto quanto todos os amplificadores por nós avaliados Estado da Arte Superlativos! Ou seja, acima de 100 pontos.
Seus graves são impressionantes, com excelente energia e deslocamento de ar, e ligados às Stenheim Five, jamais tivemos dificuldade alguma em ouvir graves incisivos e precisos como em nossos monoblocos de referência.
A região média possui transparência na medida certa, com um toque de calor que é inerente a excelentes valvulados (e lembrando que o pré de linha utilizado nos testes, também é valvulado).
Ou seja, a região média, em qualquer gênero musical, se tornou um deleite ouvir e apreciar. E os agudos, com absoluta extensão e decaimento suave, e convincente.
A ponto de nos permitir em gravações com excelente ambiência, ouvir por exemplo o rebatimento de instrumentos de percussão nas três paredes à volta da orquestra!
Isso meu amigo, é para amplificadores e sistemas acima de 105 pontos em nossa Metodologia, acreditem!
O que o fabricante cita na descrição do requinte do seu transformador, que permite uma imagem 3D mais impactante, é fato. Em nossa sala, as Stenheim afastadas mais de 2m da parede às costas da caixa e 1.20m das paredes laterais, proporcionaram um palco em termos de profundidade, largura e altura, magnífico – para reprodução de grandes orquestras e big bands! Como todos os solistas devidamente focados e recortados entre as caixas. E todos os planos dos naipes da orquestra devidamente delineados, e sem jamais, na macro-dinâmica, se tornarem bidimensionais (quem assistiu nosso Workshop sabe exatamente o que estou aqui descrevendo).
Tudo ocupando seu devido lugar, como foi brilhantemente captado e mixado!
E chegamos finalmente no quesito que, neste ATM-2211, faz toda a diferença em relação a todos os grandes powers por nós já testados: Textura. Aqui, meu amigo, acho quase impossível qualquer power transistorizado ombrear com este single-ended.
Neste quesito, ele é simplesmente a referência das referências. Fico imaginando o que deve ser então o 3211, o top de linha da Air Tight!
Quer ficar simplesmente atônito enquanto escuta vozes e instrumentos acústicos? Então sente e ouça o 2211, devidamente ajustado. Garanto que será uma audição inesquecível! Daquelas de ir direto para seu hipocampo, e seu cérebro buscar ouvir novamente pelo resto dos seus dias.
E não falo de grandes ‘revelações sonoras’ ou qualquer tipo de pirotecnia auditiva. Falo de sutilezas, que seu cérebro vive tentando lhe dizer, que são essas as mais importantes, pois nos convencem que a busca terminou, que é hora de apenas se sentar e apreciar, como fazemos em uma apresentação ao vivo que nos arrebata e nos faz perder a sensação de tempo e espaço!
Se você já teve a felicidade de viver ao vivo um momento assim, sabe exatamente o que estou lhe descrevendo. E se você nunca teve essa oportunidade, está na hora de ter, meu amigo.
Pois a vida é feita desses detalhes, e não do acúmulo de obrigações e desafios que nós mesmos nos impomos para sermos vistos e respeitados.
O 2211 tem essa ‘magia’ de nos permitir apenas estar ali, junto com o acontecimento musical. E te dizer isso, é muito mais eficaz que tentar lhe explicar racionalmente as diferenças da reprodução do invólucro harmônico mais rico ou mais pobre. Entende?
Mas não pense que seja uma questão de subjetividade, pelo fato de objetivamente não poder ser mensurado e explicado. Se trata do nosso cérebro nos guiando, afinal ele tem milhares de anos de evolução, uma bagagem sensorial muito mais complexa e treinada do que é nosso sistema auditivo – que teimamos em achar ser suficiente para apreciar a riqueza sonora que o mundo nos proporciona diariamente.
E, voltando aos outros quesitos de nossa Metodologia, repito: nenhuma diferença em relação a todos os powers testados com mais de 105 pontos.
Transientes precisos como um metrônomo, com a capacidade de nos fazer apreciar todas nossas gravações como se os músicos, dentro de suas limitações, nos ofereceram seu melhor.
Micro-dinâmica surpreendente, com todos os mais ínfimos detalhes para nossa apreciação. E a macro-dinâmica, será importante apenas que a caixa possua sensibilidade suficiente para ajudar no trabalho pesado, coisa com a qual a Audiovector Trapeze não pode ser obviamente solidária, com sua sensibilidade mais limitada que a Stenheim.
Na nossa sala, com essa dupla 2211 com Alumine Five, toquei de Abertura 1812 de Tchaikovsky e seus tiros de canhão, e a Sinfonia Fantástica de Berlioz, sem sequer fazer a dupla suar frio!
Ou seja, seus 32 Watts, para essa caixa, em uma sala de 50m, foi mais que suficiente.
O mesmo aconteceu com o corpo harmônico e a organicidade. Não teve um senão… Todos os exemplos que usamos para fechar a nota destes quesitos, foram magistralmente reproduzidos.
CONCLUSÃO
Como definir friamente o 2211? Como o melhor single-ended que já ouvimos e testamos até o momento. Isso parece até óbvio demais.
E como defini-lo musicalmente? Aí complica, meu amigo, pois somente audiófilos com uma consistente e contínua referência de reprodução de música não amplificada, poderão entender o grau de requinte deste amplificador.
Os que não possuem essa referência para entender sua magnitude, poderão no máximo apreciar, e se tiverem uma percepção auditiva já em processo de ampliação, começar a buscar observar o quesito textura com maior afinco e interesse. Pois irão perceber que esse 2211 lhes deu novas referências ‘inéditas’ sobre características deste quesito. E que, junto com equilíbrio tonal e musicalidade (o oitavo quesito de nossa Metodologia), é o que nossos cérebros mais ‘clamam’ por aprendermos a ajustar!
Diria que essa é a tríade em que o 2211 mais se baseia. E se foi consciente ou não essa busca dos projetistas envolvidos neste projeto, de alcançar essa performance, o que posso dizer é que eles acertaram na mosca!
Mesmo se tiverem mirado no elefante, rs.
Nos corredores do Workshop, alguns leitores vieram me perguntar como poderia definir a sonoridade do 2211. A todos eu respondi que, para mim, sua melhor definição é “não analise, apenas ouça”! E estendo isso a todos que leram na íntegra esse teste.
Se tiverem a oportunidade de ouvir o 2211, entrem com a mente vazia e certamente sairão com ela repleta de memórias agradáveis de longo prazo!
Acreditem ou não, só os produtos Estado da Arte Superlativos têm a capacidade de nos proporcionar esses momentos únicos!

| Nota: 106,0 | |
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AMPLIFICADOR MONOBLOCO PROGRESSION M550 DA DAN D’AGOSTINO
Fernando Andrette
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O design e o peso deste Progression M550, deixa claro se tratar de mais uma criação do projetista Dan D’Agostino, que não faz concessões e nem tampouco abre mão de seus conceitos, mesmo na série mais de entrada no seu portfólio de produtos hi-end.
Quer um exemplo?
O design do dissipador de calor do Progression foi integralmente inspirado no amplificador top de linha, o Relentless, que utiliza um dissipador usinado a partir de um único bloco de alumínio de 22 kg.
E em um formato elíptico de alta eficiência na capacidade de resfriamento, garantindo que seus amplificadores funcionem com máxima confiabilidade, mesmo em sua potência máxima.
E o Progression M550 oferece 550 Watts em 8 ohms, 1.100 Watts em 4 ohms e 2.200 Watts em 2 ohms. E o fabricante garante que os primeiros 70 Watts são em puro Classe A, para um timbre e um equilíbrio tonal ainda mais realistas.
Segundo Dan, o M550 teve avanços consideráveis na sua topologia de entrada, com um aprimoramento na relação sinal/ruído, separação de canais e largura de banda. Para alcançar esses objetivos, novos transistores com seis vezes mais potência que os usados anteriormente, foram implementados.
Isso exigiu também ajustes no estágio de saída, resultando em uma maior dinâmica, recuperação de detalhes e integridade espacial.
Segundo o fabricante, todo o percurso do sinal de áudio é discreto, balanceado e com acoplamento direto.
Os novos transistores foram usados primeiramente no modelo top de linha, o Relentless, pela sua ampla resposta em altas frequências e uma tolerância maior na escolha dos pares casados, algo essencial para um projeto deste nível de requinte.
Também no Progression M550 foi utilizada a topologia Super Rail, um conceito simples na teoria, porém complexo em sua execução. Para entender essa topologia, precisamos lembrar que todo amplificador utiliza um trilho de tensão positivo, e seu correspondente negativo. Os trilhos de tensão que fornecem energia à saída. O sinal de áudio oscila entre esses dois trilhos mas, devido às perdas naturais, os amplificadores nunca atingem a capacidade máxima dos trilhos.
Segundo o fabricante, o Super Rail supera esse obstáculo inspirando-se na ideia de um turbo em um motor de carro. O Super Rail utiliza trilhos de tensão mais altos nas seções anteriores ao estágio de saída, e esse aumento proposital de tensão permite que o sinal de áudio explore toda a capacidade dos trilhos de saída – estendendo a oscilação do sinal de áudio para mais perto deles, maximizando o desempenho de todo circuito.
O resultado de todo este esforço é, segundo o fabricante, audível.
Essa nova topologia utiliza 48 transistores de potência ancorados por um transformador de alimentação de 2000 VA, e quase 100.000 microfarads de capacitância de armazenamento na fonte de alimentação.
Em termos de design, a placa frontal anodizada apresenta o já famoso medidor de potência da empresa. O ponteiro de 180 graus é acionado por um circuito balístico de alta velocidade, melhorando a resposta do medidor. E o novo arco mais longo do ponteiro, cobre toda a faixa de saída do amplificador.
Essa ‘usina de força’ necessita, para se extrair tudo que oferece, um cabo de 20A – então fique atento amigo leitor, para ter um par de 20A para não se frustrar na hora de instalar esses monoblocos em sua sala – e tem apenas entradas XLR.
Devidamente instalado, o usuário precisa ligar a chave traseira – que lembra um disjuntor, literalmente – e depois ir na frente, embaixo no meio do medidor, acionar um sutil botão, para ligá-lo.
Primeira observação: esqueça querer fazer sozinho essa instalação, pois você irá acabar com sua coluna. Afinal, são 55 kg por amplificador.
E se certifique deles estarem instalados em uma boa base e com garantida ventilação, para os dissipadores cumprirem com o seu serviço. Pois, dependendo da sensibilidade das caixas, e do tamanho da sala, dificilmente o usuário precisará do que mais dos seus 70 Watts iniciais em puro classe A.
Eu mesmo, em nossa sala com 50 m, nas caixas Stenheim Two.Five e nas Audiovector QR 7 SE, acho que nunca o Progression M550 trabalhou em classe AB.
Para o teste, utilizamos as seguintes caixas: Concept V01 da Basel Acoustics (clique aqui), Audiovector QR 7 SE, Stenheim Alumine Two.Five (clique aqui) e Estelon X Diamond Mk2 (clique aqui). Pré de linha: Nagra Classic. Fontes digitais: Wadax Studio Player (leia teste edição de março de 2026), Nagra TUBE DAC, Streamer Nagra e Transporte Nagra. Fonte analógica: toca-discos Zavfino ZV11X com cápsula Dynavector DRT XV-1T (clique aqui) e Aidas
Malachite Silver (clique aqui). Pré de phono: Soulnote E-2 (clique aqui). Cabos de caixa: Dynamique Audio Apex (clique aqui) e Kubala Sosna Realization (clique aqui). Cabos de força: Transparent Reference G6 e Opus G6.
Felizmente os Progression M550 já vieram amaciados, o que facilitou enormemente nossa avaliação. Deixamos apenas 50 horas em queima – pois a viagem foi longa e o mesmo ficou por quase um mês parado na Ferrari Technologies antes de seguir para a nossa Sala de Testes.
Primeira dica: para audições ‘sérias’, deixe-o pelo menos uma hora em pré-aquecimento sempre! Isso fará uma diferença audível significativa.
E, como já escrevi acima, se sua caixa for ‘pêra doce’, e sua sala tiver dimensões de até 50m2 como a nossa, provavelmente 90% do tempo você poderá desfrutar de audições em puro classe A.
“Faz diferença, Andrette, sonoramente?”
Sim, meu amigo, e em volumes ‘seguros’ o prazer será ainda maior. Pois você desfrutará de um calor e naturalidade ‘palpável’, e zero de fadiga auditiva, principalmente naquelas gravações tecnicamente sofríveis.
Com seu equilíbrio tonal, mesmo em volumes tipo ‘na calada da noite’, você não perderá nada de uma linha de contrabaixo, ou a marcação de tempo forte feita pelo bumbo. É um deleite poder, em volumes tão reduzidos, sentir a música respirando.
E nos dias que você necessitar ‘extravasar’ seus demônios, e quiser ouvir em volume alto, o Progression M550 nunca se omitirá. Pois tem autoridade, folga e controle férreo para todas as ocasiões.
Seu grave tem peso, energia e controle. A região média é muito detalhada e realista, e os agudos têm enorme extensão e decaimento ultra suave.
Seu silêncio de fundo permite a apresentação de todos os detalhes existentes na gravação.
Sua apresentação do palco sonoro é muito ampla, com excelente largura, altura e profundidade. Ótimo foco, recorte e ambiência, fazendo-nos ouvir o mais ínfimo rebatimento nas paredes de uma sala de concerto, ou saber a escolha correta ou não da quantidade de reverberação digital utilizada na mixagem.
As texturas eu, pessoalmente, achei mais refinadas com o amplificador trabalhando apenas em Classe A. Mas eu ouço realmente tudo em volumes seguros (afinal tenho que preservar minha audição), e desta forma as texturas são ainda mais ricas na apresentação das paletas de cores que formam os timbres dos instrumentos.
E as poucas vezes que ‘extrapolei no volume’, foram para a avaliação de macro-dinâmica e não avaliação de texturas.
Ficam feias em Classe AB? Claro que não, mas texturas quanto mais ‘naturais’ e fidedignas aos instrumentos acústicos e vozes não amplificados, mais nosso cérebro entende como reais.
E isso o Progression M550 faz com consistência!
Os transientes são referências, permitindo uma apresentação fidedigna em termos de tempo, ritmo e variação no andamento. Difícil não se empolgar e se sentir realizado com sua performance neste quesito.
E aí chegamos em um dos quesitos que inúmeros audiófilos mais desejam: macro-dinâmica. Meu amigo, se prepare para bons sustos com tímpanos em fortíssimo fazendo aquele arrepio correr toda sua espinha dorsal. É de uma folga e precisão, impressionantes.
Se sua caixa permitir esses ‘arroubos sonoros’, e sua sala idem, pode distribuir fraldas para os amigos audiófilos amarrarem seus queixos, pois o Progression M550 não teme este tipo de desafio.
E a micro-dinâmica, graças ao seu impecável silêncio de fundo, é apresentada em detalhes absolutos.
Tenho visto mais leitores admirando o quesito Corpo Harmônico. Parece que finalmente a ficha caiu, de que nada adianta investir em um equipamento Estado da Arte Superlativo e os instrumentos soarem todos do mesmo tamanho.
Como eu sempre digo: nosso cérebro não se engana facilmente. Sua audição pode se enganar, mas se seu cérebro tiver referência de como soam os instrumentos, não!
E a apresentação de corpo harmônico neste amplificador é impecável!
Ouvi uma meia dúzia de gravações de órgão de tubo, e fiquei impressionado tanto com o tamanho como com a ambiência.
É de arrepiar!
Com a soma de todas essas virtudes, é fácil imaginar como se concretiza a materialização do acontecimento musical em nossa sala.
Prepare-se, então, pois o felizardo fará audições com os músicos literalmente ‘em sua sala’, levando-nos a ‘ver’ o que ouvimos.
Quando este fenômeno ocorre, todo audiófilo sabe que finalmente chegou lá. Pois não se trata de um ‘espectro sonoro’, e sim de nosso cérebro duvidar do que está ouvindo e vendo.
CONCLUSÃO
OK… Já sei que você mais uma vez ficará fulo da vida comigo, pois já correu os olhos no preço e viu ser absolutamente impossível sequer sonhar com um par de amplificadores a este preço.
Mas não matem o mensageiro, senhores, este é o meu trabalho e não tenho nenhuma culpa nos preços fornecidos.
Minha função é descrever o que genuínos produtos Estado da Arte oferecem, e seus diferenciais (quando existem) em relação aos concorrentes.
Eu escrevo para um amplo leque de leitores, que nos acompanham há três décadas, então aos que chegaram agora se acostumem, pois sempre haverão produtos mais acessíveis e outros menos.
O Progression M550 está na sua lista de sonhos impossíveis? Isso não significa que você deixe de escutá-lo se tiver condições. Tente observar seus atributos sonoros e se ele possui uma assinatura sônica que te agrada.
Afinal, isso também é aprendizado e pode ajudá-lo muito na sua trajetória neste hobby.
Imagine que eu também não pude ficar com tudo que testei e amei, no entanto isso me deu a oportunidade de conhecer inúmeros projetos encantadores e que enriqueceram meu conhecimento, tanto como editor quanto como consumidor de áudio hi-end.
Faz parte da vida. Frustrações, meu amigo, todos as viveremos inúmeras vezes.
Eu simplesmente digo a mim mesmo: curta enquanto durar a estadia de um excelente produto em nossa sala de trabalho.
O Progression M550 é para aqueles admiradores dos produtos Dan D’Agostino que desejariam ter um Momentum e só podem ter a série de entrada. Sem, no entanto, perder a essência do ‘DNA Sonoro’ deste fabricante.
Se é este o seu caso, ou mesmo o que possui um Krell e deseja realizar um upgrade, eis a possibilidade de fazê-lo.
Se tivesse que resumir em uma frase o que achei deste amplificador seria: Autoridade e requinte na medida certa!
Se é isso que o leitor com posses deseja para seu setup final, escute-o em sua sala e veja se estou certo em minha avaliação.

| Nota: 107,0 | |
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AMPLIFICADOR MONOBLOCO SOULNOTE M-3
Fernando Andrette
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Esse é o quarto produto da Soulnote que testamos. Nossos leitores assíduos certamente já tiveram a curiosidade de ler o teste dos integrados A-2 (clique aqui), A-3 (clique aqui) , o do pré de phono E-2 (clique aqui), que se tornou nossa referência analógica. E agora chegamos ao estágio final deste fabricante japonês – os monoblocos M-3 – e em dezembro publicaremos o teste do pré de linha P-3.
Eu escrevi no teste do integrado A-3, que a Soulnote fala com orgulho de que conseguiu a façanha de colocar o M-3 e o P-3 em um único gabinete, e oferecer ao mercado um integrado de nível ‘superlativo’.
Os leitores que estiveram no nosso Workshop Hi-End Show em abril, tiveram a chance de ouvi-lo e compartilhar conosco seu impressionante refinamento.
Então, não posso dizer que estaria despreparado em termos de assinatura sonora, para escutar os monoblocos M-3 e seu respectivo par, o P-3.
Depois de três meses com os M-3, o que posso afirmar é que é fato o integrado A-3 ter muito do DNA sonoro dos monoblocos junto com o pré de linha.
Mas não dá para afirmar que sua performance esteja no mesmo patamar.
Tentarei, na parte da avaliação, explicar meu ponto de vista e minhas observações auditivas – mas, antes, vamos detalhar o que torna o M-3 tão impressionante!
Nos testes anteriores já pormenorizei em detalhes a história da Soulnote, a genialidade de seu projetista de pensar ‘fora da caixinha’, e os resultados sonoros obtidos com todas as suas intrigantes teorias, aplicadas e comprovadas sonicamente.
Então se este é o primeiro teste que você está lendo deste fabricante, por favor ao término dê uma passada de olhos nos outros três testes.
O M-3 oferece soluções bastante interessantes para um amplificador de potência com topologia push-pull de 80 Watts por canal em 8 ohms, e 160 Watts em 4 ohms.
Como todos os produtos deste fabricante, sua construção é primorosa, limpa e minimalista. Um deleite aos olhos, até mesmo para um leigo em termos de tecnologia.
E seu acabamento é primoroso!
A Soulnote se orgulha da escolha de um estágio de amplificação de feedback não negativo, sendo que apenas um único transistor é usado para amplificar completamente os circuitos de emissor, tensão e diferencial, sem qualquer ganho.
Segundo a Soulnote, foi no desenvolvimento do M-3 que eles descobriram que amplificadores de alta potência devem ser dedicados a uma única função.
Por isso que ele possui apenas um conjunto de terminais de entrada balanceado.
É um monobloco ultra minimalista, sem nenhum seletor ou atenuador.
Os sinais de entrada viajam diretamente para a base dos transistores do primeiro estágio, passam por uma amplificação de estágio único e são enviados por um único circuito push-pull.
A única operação disponível é o interruptor de alimentação. Portanto, este amplificador não contém circuitos ou componentes, como microcontroladores em nenhuma etapa da amplificação.
Ele possui um robusto transformador de 1600 VA, com perda ultrabaixa e com preenchimento de epóxi para evitar ruídos de vibração. Este transformador foi desenvolvido com exclusividade para a Soulnote, é montado verticalmente no painel frontal, e fica suspenso por arruelas de titânio para que a vibração nunca seja transmitida ao gabinete. A fonte utiliza capacitores de 470 uF de filtragem, especialmente selecionados, com alta resistência.
A retificação utiliza diodos de SiC que reforçam o valor máximo de corrente de entrada criando, segundo o fabricante, uma fonte de alimentação mais potente e rápida.
Como todo gabinete da Soulnote, será sempre um choque ver peças soltas com a tampa superior e as placas de terminais de caixa e de entrada XLR. Mas não se assuste, pois não vibram e realmente fazem uma diferença no resultado sonoro.
Para a Soulnote, essa construção resulta em uma qualidade sonora mais precisa e realista.
Aos céticos, sugiro se tiverem a oportunidade de ouvir o M-3, manter os parafusos da tampa superior e depois do amplificador amaciado, retirá-los. Não é mágica, meu amigo, é fato!
Como já citei, o M-3 tem 80 Watts em 8 ohms, dobra de potência em 4 ohms, tem distorção harmônica total de 0,1%, resposta de frequência de 2 Hz a 200 kHz a mais ou menos 1 dB, sensibilidade de entrada de 1V e impedância de 25 kOhms. Seu ganho é de 22 dB, e suas dimensões são: 34 cm de largura, 25 cm de altura e 52 cm de profundidade. E pesa 31 kg.
Os M-3 vem com uma prancha especial de madeira que deve ser usada se o comprador quiser extrair todo o seu potencial.
Infelizmente o pré de linha não veio a tempo para ser usado nesse teste, porém quando avaliarmos o P-3, ainda teremos a oportunidade de ouvi-los em conjunto. Então, o único pré utilizado no teste, foi o nosso pré de linha de referência, o Nagra Classic.
Os equipamentos usados foram os seguintes. Fonte analógica: toca-discos Zavfino ZV11X (clique aqui), cápsulas Aidas Malachite Silver (clique aqui), e Dynavector DRT XV-1T (clique aqui). Pré de phono Soulnote E-2, cabo de braço Zavfino Midas (leia teste na edição de novembro de 2025). Fonte digital: Nagra TUBE DAC, Streamer Nagra e Transporte Nagra. Cabos de interconexão: Dynamique Apex. Cabos de força: Transparent Audio Reference G6. Caixas acústicas: Stenheim Alumine Two.Five (clique aqui), Dynaudio Contour Legacy (clique aqui), e Audiovector Trapeze (clique aqui). Cabos de caixa: Dynamique Apex, Kubala Sosna Realization (clique aqui) e Cabo Speaker Argentum da Virtual Reality (clique aqui).
Toda eletrônica Soulnote que testei até o momento tem a capacidade de já sair soando muito bem, desde o primeiro instante.
Isso o libera para já chamar os amigos? Claro que não. Porém permite ficarmos na sala e acompanharmos cada minuto de sua queima sem sobressaltos, ou dúvidas se fizemos ou não a escolha certa.
Mas não será preciso dias e mais dias. Pode-se desfrutar de audições memoráveis, a partir de apenas 120 horas. Isso para um power pode ser atingido em menos de duas semanas, fácil!
De cara ficou patente o quanto ele lembra a assinatura sônica do integrado A-3, com mais ‘testosterona’ e ainda maior refinamento.
Mas, o que irá ser aprimorado com o amaciamento, Andrette?
Justamente o que mais chama a atenção na eletrônica Soulnote: seu palco amplo, profundo, com foco e recorte precisos, e planos e mais planos, sem nunca se sobreporem ou tornarem uma informação difusa ou opaca.
E com as 120 horas, o que irá se destacar de maneira explícita é sua neutralidade! Ele é tão neutro que você irá perceber, sem esforço algum, as qualidades e limitações de qualquer gravação.
Tudo soa como chegou até à masterização final. Permitindo ao ouvinte ter uma radiografia sonora precisa do acontecimento musical. Você deve estar se perguntando como posso afirmar isso, certo?
Ouvindo as gravações feitas por nós, no selo Cavi Records, obviamente. O nosso CD Timbres é a prova sonora final para fecharmos a assinatura sônica de todo produto testado. Pois quanto mais neutra for a eletrônica ou a caixa testada, mais perceptível ficam as diferenças entre os três microfones.
E no integrado Soulnote A-3, e agora no M-3, as diferenças me remetem ao momento em que eu posicionei cada microfone para a gravação dos 23 instrumentos que utilizamos.
Quando ouço esse CD em produtos neutros sonicamente, sou teletransportado para a sala de gravação novamente! É instantâneo, não tenho que fazer esforço algum.
E, para enfatizar ainda mais essa impressão sonora, tínhamos à mão 4 caixas também com uma assinatura sônica muito similar à do M-3, o que facilitou ainda mais nosso trabalho.
Sempre lembro em nossos Cursos de Percepção Auditiva, e nos Workshops, que em equipamentos acima de 100 pontos em nossa Metodologia, os oito quesitos estarão tão homogêneos e corretos, que nossa preocupação deveria ser de apenas escolher a assinatura sônica final procurada no sistema.
Você não precisará mais se preocupar com o equilíbrio tonal, texturas, corpo harmônico, dinâmica etc.
Atenha-se apenas no ajuste fino do setup.
E, tendo em mãos um power como o M-3, o prazer de fazer esse ajuste é muito gratificante.
Tentar descrever seu equilíbrio tonal será algo puramente burocrático e redundante. Pois não sobra nada e tão pouco falta algo. Tudo será na proporção do equilíbrio tonal de cada gravação escolhida para essa avaliação.
Caberá ao ouvinte definir a qualidade da reprodução do equilíbrio tonal, através de seu gosto musical, e não ao contrário (que seria o amplificador definir o que pode ou não ser tocado decentemente nele).
Com as 4 caixas utilizadas no teste, o equilíbrio tonal foi primoroso.
À princípio achei que 80 Watts não seria suficiente para tocar nossa caixa Estelon X Diamond Mk2, e estava redondamente enganado.
Pois não só tocou, como o fez com autoridade!
E o M-3 deixou cada uma das 4 caixas brilharem com suas peculiares qualidades.
Como já ‘telegrafei’ acima, os Soulnote possuem um soundstage referencial em todos os aspectos. Se você possui uma sala em que suas caixas possuem arejamento suficiente para apresentar um palco 3D, o M-3 fará uma apresentação magnífica!
Ouvir obras sinfônicas com este amplificador é simplesmente um acontecimento memorável, pois os naipes estarão corretamente focados, assim como os instrumentos solo, permitindo ao seu cérebro relaxar e apreciar aquele momento mágico.
As texturas, meu amigo, são de um requinte e uma sutileza que só os melhores e superlativos possuem. É preciso ouvir para entender o nível de refinamento e convencimento, tanto em termos de timbre quanto de intencionalidade.
Você é obcecado por ritmo, tempo e andamento?
Estará na companhia certa.
Pois os transientes do M-3 possibilitam ouvir com prazer redobrado, e acompanhar as variações de andamento sem esforço adicional ou concentração excessiva – absolutamente nada.
Jamais algo soará letárgico ou desinteressante!
E se você associa macrodinâmica com muitos e muitos Watts, pode rever essa ideia. Pois a macrodinâmica do M-3 é impressionante! E a micro idem: nada se perde se estiver registrado na gravação.
Quer fazer seu cérebro acreditar que aquele solo de contrabaixo acústico à sua frente, é bastante semelhante com uma apresentação ao vivo? Ouça o contrabaixo tocado em arco do nosso CD Timbres com o microfone B&K, e veja que o M-3 tem essa capacidade de reproduzir um corpo harmônico muito próximo do real!
E com todo esse grau de requinte na apresentação de cada um dos nossos quesitos da Metodologia, chegamos à ‘prova dos nove’: a materialização do acontecimento musical à nossa frente. E nisso, meu amigo, o M-3 é assombroso!
Pois seu cérebro irá realmente se encantar como os cantores e os músicos em excelentes gravações são transportados para sua sala de audição.
Você simplesmente ‘verá’ o que está ouvindo!
CONCLUSÃO
Toda vez que me deparo com as discussões em fóruns objetivistas, em que os participantes enfaticamente defendem que amplificadores da mesma topologia se estiverem soando diferentes, um deles está com defeito, fico me perguntando o que impede a todos esses objetivistas de escutarem que amplificadores da mesma topologia, tem sim, assinaturas distintas – e não precisamos de ‘ouvidos de ouro’, para perceber as diferenças.
E fico imaginando que, para estes objetivistas, um amplificador transistorizado ter 0.1 % de distorção harmônica (como tem o M-3), deve ser motivo para sequer cogitarem conhecer, já que a distorção harmônica de diversos powers atuais já possuem valores muito menores!
Agora, imagine falar para esses objetivistas, que manter a tampa superior do gabinete travada com seus parafusos para transporte, irá alterar a sonoridade do M-3 para pior?
Eles irão rir da sua cara e desdenhar de sua capacidade auditiva.
Pois bem, quem perderá a oportunidade de constatar esses fatos e talvez refazer seus conceitos, são eles.
Pois se tem algo que podemos aprender com os produtos da Soulnote, é que não existe no mundo apenas uma maneira, ou uma só receita do ‘bolo perfeito’.
E se você é um audiófilo que já passou por todas as fases do soundstage, dos graves profundos, da macrodinâmica ensurdecedora, e se encontra na fase de apenas desejar apreciar seus discos com o devido respeito e atenção que cada gravação merece, você deveria ouvir os produtos deste fabricante japonês.
Eles realmente entendem muito de reprodução eletrônica de alto nível, e possuem uma assinatura sônica que pode e deve ser chamada de alta fidelidade!
Pelo seu grau de performance, o M-3 é o segundo melhor amplificador testado por nós nesses 30 anos da revista.
Acho que isso diz muito do quanto este produto é exemplar!

| Nota: 108,0 | |
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CAIXAS ACÚSTICAS SUPER LINTON DA WHARFEDALE
Fernando Andrette
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Uma das maiores surpresas dos que participaram do nosso Workshop ano passado, foi escutarem com que autoridade e graciosidade a Wharfedale Linton soou em uma sala de 120m2 com sessenta pessoas assistindo à apresentação.
A linha Heritage, composta pelos modelos Denton e Linton, vem galgando sucesso desde o seu lançamento. E a Wharfedale julgou que poderia dar um passo adiante, com a apresentação tanto da Super Denton, quanto da Super Linton – e pelos inúmeros reviews positivos que já saíram, a estratégia foi extremamente assertiva.
Eu recomendo a todos que não foram ao nosso Workshop de 2024, que leiam o teste da Linton (clique aqui), para poderem fazer um comparativo com as melhorias alcançadas com a Super Linton.
A Super Linton é cerca de cinco centímetros mais alta que a Linton, e possui inúmeras melhorias na construção do gabinete e nos componentes, como crossover e falantes.
A Wharfedale escolheu um novo falante de graves para uma maior extensão nas baixas frequências, também um novo falante de médios, com menor distorção e maior transparência, e um novo tweeter para agudos ainda mais estendidos e decaimento mais suave.
Continua sendo uma caixa de alta sensibilidade – 90dB – o que nos permitiu ouvi-la até mesmo com o pequeno notável Air Tight ATM-1-E.
Sua impedância nominal é de 6 ohms, com mínimo de 3.9 ohms. Não sendo nenhum problema para bons amplificadores, que o fabricante recomenda serem de 25 a 200 Watts.
O gabinete é feito de uma construção em sanduíche, com camadas de MDF unidas por adesivo de amortecimento de látex.
Como a Linton, a Super Linton deve ser acompanhada de seu pedestal original, pois a altura do tweeter é bastante sensível para se conseguir seu excelente palco sonoro.
O feliz proprietário desta joia sonora, deve se ater ao desembalar a caixa, que existe o canal direito e esquerdo, justamente pelos tweeters não serem alinhados em relação aos outros dois falantes. E o fabricante indica que ambos tweeters devem ficar voltados para dentro, e não para fora.
“Faz realmente diferença, Andrette?”
Muita, principalmente se você deseja um foco e recorte cirúrgico da imagem sonora!
Outra grande mudança, segundo a Wharfedale, foi na escolha dos componentes do crossover e a redução deste, para uma maior transparência e silêncio de fundo.
Seu acabamento é primoroso, e acho que mesmo o ‘olhar feminino’ mais crítico, irá aprová-lo. Outra vantagem é que a caixa não faz uso de bicablagem para se extrair todo seu potencial.
Os bornes de caixa são excelentes, permitindo tanto o uso de banana quanto de forquilha no cabo de caixa.
O arsenal de eletrônicos utilizado no teste foi abrangente: integrados Norma Revo 140, Moonriver 404 Reference (leia teste edição de novembro), T+ A PA 3100 HV (clique aqui), pré Air Tight ATC-5s (clique aqui), o power ATM-1-E, powers Soulnote M-3 (clique aqui), pré de linha Nagra Classic, e os powers Nagra HD (clique aqui). Fontes digitais: Streamer Nagra (clique aqui), TUBE DAC Nagra (clique aqui) e Transporte CD Nagra. Fonte analógica: toca-discos Zavfino ZV11X, braço original de 12 polegadas, com cápsulas Nagaoka 500 (teste em dezembro), Aidas Malachite Silver (clique aqui) e Dynavector DRT XV-1T (clique aqui).
A primeira dúvida que sempre me perguntam sobre as caixas da linha Heritage da Wharfedale, é se soa melhor com ou sem as grades.
Eu, em todos os modelos testados, sempre deixei o período de amaciamento com a tela e só retirei as mesmas, para fazer um comparativo após o amaciamento integral, para ver se tem ou não diferenças audíveis.
Eu não sinto necessidade de ouvir sem as telas, em nenhum modelo desta série.
Mas isso é uma questão de gosto pessoal.
O que alerto é que retirar suas telas exige enorme cuidado e muita paciência, tanto para não danificar a borda das caixas, como a própria tela. Eu descobri que a melhor maneira é usar uma espátula de pedreiro bem fina para a realização do trabalho.
Mas já alerto: são tão ‘chatas’ de tirar quanto as das Harbeth.
A ótima notícia, é que você poderá fazer todo o amaciamento ouvindo atentamente a caixa. Não passando por nenhum tipo de dúvida se fez ou não uma escolha correta.
Pois desde as primeiras horas de amaciamento, seu equilíbrio tonal já é muito correto, apresentando timbres naturais e realistas.
A caixa é um deleite sonoro! Foi assim que todos que ouviram a Super Linton a definiram.
Não existem arestas ou buracos em seu equilíbrio tonal.
Tudo se apresenta coerente e com uma resposta que não só agrada aos ouvidos, como nos convence que assim devem soar instrumentos reais.
O que irá melhorar com 100 horas de amaciamento? Extensão e um maior arejamento, fazendo com que o acontecimento musical seja ampliado, para uma construção eficiente da imagem 3D.
O palco é excelente, tanto em largura, como profundidade e altura. Mesmo os que resistem a reconhecer que uma book tenha um palco tão amplo para música clássica, irá rever essa resistência. Pois a Super Linton não se restringem a nenhum gênero musical.
Os graves são imponentes, repletos de energia e corpo.
Agora, para se extrair todo esse resultado, elas precisam de respiro na sala. Se você não tiver essa possibilidade, sugiro que escute a Super Denton, para salas menores e que se adaptam melhor a pouco espaço.
A Super Linton necessita de pelo menos 2.5m de distância entre os tweeters, 1 m da parede às costas, e pelo menos 0.80 cm das paredes laterais. Na nossa sala elas ficaram a 3.80m entre elas, 1.30m das paredes laterais e 2.20 m da parede às costas. Um pequeno toe-in para o ponto de audição (apenas 15 graus) e conseguimos, nessa posição, extrair o sumo do sumo de seu potencial.
Sua região média é impecável, transparente na medida certa, mantendo uma enorme coerência entre calor e intensidade na apresentação de vozes e instrumentos.
As pessoas que ainda têm dificuldade para compreender termos como calor, luz, transparência, eu sugiro que deixe seu cérebro interpretar o que está ouvindo.
Quando uma caixa, em sua assinatura sônica, consegue um ponto de equilíbrio entre o grau de inteligibilidade e ausência de fadiga auditiva, fazendo nosso cérebro relaxar e apreciar o acontecimento musical, esse ponto de equilíbrio, tão tênue, foi alcançado.
Outra dica importante que passo em nossos Workshops: para se avaliar o equilíbrio tonal, comece ouvindo no volume mais reduzido que sua sala permitir.
Veja como se comporta o equilíbrio tonal – existem frequências que não são audíveis? Ou todas elas estão presentes?
E à medida que você aumenta o volume, alguma frequência se destaca em detrimento de outras?
E no volume que você gosta de apreciar seus discos, soa muito diferente em termos de equilíbrio tonal em relação à volume bem reduzido?
O que posso lhe dizer é que a Super Linton mantém o equilíbrio tonal independente do volume (desde que não passe obviamente do volume da mixagem). Mostrando o quanto é uma caixa refinada e correta neste quesito!
Os agudos são limpos e sem vestígio de dureza ou brilho, permitindo audições agradáveis, mesmo em gravações tecnicamente ruins.
Seu soundstage, como já me referi, é excepcional para uma book e tem um foco e recorte impressionantes, desde que você siga a orientação do fabricante de não inverter as caixas left e right, pois os tweeters devem ficar para dentro e não para fora.
As texturas, com esse grau de acerto no equilíbrio tonal, fazem da Super Linton uma referência neste quesito da Metodologia. Tanto em termos de timbres, quanto na apresentação das intencionalidades.
Um amigo apaixonado pelo timbre de guitarras Fender, ficou fascinado pela facilidade em observar as nuances de modelos distintos por sutis alterações do captador.
Em termos de texturas, tudo é relevante na Super Linton, nada passará despercebido, fazendo-nos muitas vezes achar que estamos diante de um monitor de estúdio e não de uma caixa hi-end.
Os transientes possuem precisão metronômica, lembrando as primeiras baterias eletrônicas da Roland, que chegavam a dar nos nervos com sua marcação de tempo e virada de andamento.
Você não perderá absolutamente nada, mesmo em complexas variações de andamento e ritmo.
E chegamos à pedra no sapato de todas as books: macro-dinâmica. Não se preocupem, pois a Super Linton consegue administrar bem variações intensas sem perder o fôlego ou endurecer o sinal.
Desde que os volumes não sejam insanos, obviamente.
E haverá sustos sim, aos que julgarem o deslocamento de ar pelo tamanho da caixa! Ela não fará feio, eu garanto!
E sua apresentação de microdinâmica é impecável!
Outro obstáculo comum à toda book é a reprodução de corpo harmônico, mas se para toda regra existem exceções, a Super Linton aqui está para mostrar a razão de tantos elogios pelo mundo afora. Você terá uma apresentação de instrumentos muito semelhante ao real. Seja um naipe de metais de uma big band, ou de contrabaixos em uma orquestra sinfônica, capaz de se o ouvinte não estiver vendo a caixa, jurar estar escutando uma bela coluna!
Dê à Super Linton excelentes gravações, e sinta a materialização instantânea do acontecimento musical em sua sala. Ela faz com enorme graciosidade essa mágica e de maneira convincente para o seu cérebro.
CONCLUSÃO
Eu tenho uns desafios muito pessoais meus, depois de tantas décadas ouvindo e testando produtos. É uma quantidade tão extraordinária de bons produtos, que fico me desafiando a saber quando determinado ‘obstáculo’ será vencido.
E um dos mais recentes era: quando teremos uma caixa Bookshelf de menos de 30 mil reais, romperia a barreira dos 100 pontos em nossa Metodologia?
E finalmente tive a resposta: a Super Linton fez isso com enorme competência.
É uma book que se comporta como uma coluna em termos de performance, custando uma fração de inúmeras colunas que suaram muito para chegar nesse patamar.
Você que sempre desejou ter uma caixa definitiva, mas tinha a restrição de tamanho da caixa para o seu ambiente, agora não tem mais!
A Super Linton resolve inúmeros problemas como: espaço, compatibilidade com diversos amplificadores, é apta para qualquer estilo musical e tem um design vintage que agradará até mesmo ao olhar feminino.
Sem falar no preço, que a torna simplesmente o produto a ser batido no mercado.
Em termos de caixas acústicas testadas em 2025, de longe a melhor surpresa e o melhor custo / performance!

| Nota: 100,0 | |
| AVMAG #322 KW Hi-Fi fernando@kwhifi.com.br (48) 98418.2801 (11) 95442.0855 R$ 24.840 (par) R$ 3.960 (par de pedestais) | ![]() |

CAIXAS ACÚSTICAS CONCEPT V01 DA BASEL ACOUSTICS
Fernando Andrette
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Se você me perguntar qual produto gosto mais de testar e conhecer, não ficarei em cima do muro, ou sairei pela tangente, afirmando que depende do meu humor ou estação em que estamos do ano.
Direi serem as caixas acústicas!
Equipamento que mais espaço ocupa em minha memória de longo prazo, pois foi através delas que, aos seis ou sete anos, descobri que eram responsáveis por boa parte do resultado sonoro que escutava tanto em casa, como nos clientes do meu pai.
E desde aquele momento fiz uma correlação entre caixas acústicas e instrumentos musicais, que carrego até hoje.
Tanto que todos que assistiram nossos Cursos de Percepção Auditiva, se lembrarão da minha resposta à pergunta sobre com qual produto devo começar a definir um sistema, saindo do zero?
Sempre pela caixa acústica. Pois ela determinará a assinatura sônica do seu sistema, tanto para o acerto, quanto para o erro.
E quando me perguntam: qual o produto mais ‘encardido’ de se testar?
Minha resposta: caixa acústica!
Se tem um produto que exige demais do revisor, este é sem sombra de dúvida os sonofletores. Pois as variáveis a serem consideradas, são inúmeras.
Começando pela compatibilidade com o sistema, tamanho da sala e sua respectiva acústica, cabeamento (por mais que os objetivistas ortodoxos travem suas mandíbulas e suspirem fundo) e paciência para esperar o amaciamento completo dos falantes e crossover, antes de ir tirando conclusões.
Ou seja, sem as condições necessárias, podemos (nós revisores) cometer injustiças consideráveis.
A lembrança mais antiga que tenho sobre caixas acústicas, foi ver os clientes do meu pai levantando-se, indo até as caixas e batendo com o nó dos dedos no gabinete, para determinar o que ele havia gostado ou não em sua sonoridade.
Ouvi por diversas vezes, que um som oco, determinaria a caixa não ter um grave correto, ou que um gabinete muito rígido, a caixa soaria seca.
Até entender a complexidade que envolve uma caixa acústica soar bem ou não em um ambiente, eu já havia crescido e os primeiros fios de um bigode raso e falho já faziam parte da configuração de meu rosto.
De tanto ajudar amigos e parentes em minha adolescência a montar seus sistemas, foi que entendi o quanto posicionamento, acústica da sala e eletrônica, eram parte integrante do resultado obtido.
Mas foi em 1980 que mais um elemento entrou neste quebra cabeça. A troca dos famosos cabos flamenguinhos e os fios brancos trançados de fio de campainha, por um cabo japonês chamado Furukawa, que fez caixas antes sem grave, velocidade e corpo, se transformarem como mágica bem-feita, dando as problemáticas caixas seladas e sem graça nacionais, um novo sopro de vida.
O produto que mais testamos nos quase trinta anos da revista, foi sem dúvida alguma, caixas acústicas. Fazendo-me entender que não se pode julgar uma caixa apenas estudando suas especificações, curva de resposta, construção, design e qualidade do gabinete.
Cansei de ouvir leitores afirmarem que gabinetes leves ou que soam oco, no teste dos dedos, não podem soar bem e correto.
Fico me perguntando de onde vem essas crendices, já que temos inúmeros exemplos de caixas excepcionais que o gabinete soa como um instrumento musical, fazendo parte do conceito pretendido pelo projetista (o melhor exemplo que me vem à mente, são os modelos da Harbeth, mas existente muitos outros).
Ou o oposto, que caixas de gabinete de alumínio ou mármore, possuem um som seco sem vida.
Meu amigo, se queres realmente escolher a melhor caixa para seu sistema, livre-se dessas ideias pré-concebidas, pois elas irão provavelmente impedi-lo de conhecer excelentes sonofletores que existem atualmente.
Posso lhe garantir que existem opções para todos os bolsos e gostos, do mais simplório ao mais exigente.
Agora é hora de falarmos da Basel Acoustics, um novo fabricante de caixas Suíço, que pode ser chamado corretamente de ‘irmão’ da Boenicke Audio, já que esta foi fundado por Piotr Misiewicz, ex-CEO da Boenicke e sócio de seu projetista e fundador Sven Boenicke. Trabalharam juntos de 2015 a 2020, e continuam muito amigos – e sua mais recente parceria é a primeira caixa da Basel, a Concept V01.
É possível ver as ideias de Sven Boenicke em todos os detalhes, com seu gabinete de madeira maciça, suspensão flutuante para o tweeter frontal, falante de médio-grave de cone de papel de 8 polegadas e um tweeter de 1 polegada na parte de trás do gabinete, como o existente nos modelos Boenicke W5 e W8, por exemplo.
O crossover é também minimalista, com filtro passa-alta de primeira ordem, com ressonador paralelo. Seu cabeamento é litz trançado envolvido em seda, direcional, feito pela LessLoss Audio, e os terminais são WBT. A sensibilidade é de 87 a 90 dB, dependendo da frequência, e sua impedância é de 6 ohms.
Essas são as informações colhidas no site da Basel Acoustics.
A filosofia de Sven Boenicke é: ouça e não se prenda a especificações técnicas. E endosso integralmente, pois o único critério válido para a escolha de uma caixa acústica, é ouvir para saber se é o que você procura e deseja.
Pois se o critério central for avaliar especificação técnica, basta baixar as fichas técnicas de centenas de caixas e se debruçar, como quem preenche seu imposto de renda anual.
Para quem se diverte com comparativos técnicos, deve ser empolgante.
Agora, quem deseja descobrir a razão de uma caixa não soar como uma outra de preço similar e especificações semelhantes, a única maneira é levantar as nádegas da cadeira e ir descobrir um mundo de opções sonoras existentes lá fora.
E essa busca pode ser emocionante e muito elucidativa, meu amigo.
Como todo projeto de Boenicke, essa caixa Concept V01 é um primor de acabamento e design diferenciado. Não me surpreendeu em nada em vez de spikes, a Concept V01 vir com pés de madeira, que são colocados embaixo da caixa para desacoplar o gabinete do piso.
Nesse momento, sugiro a ajuda de uma pessoa, para colocar essas bases circulares. Nada que irá deixá-lo nervoso, principalmente após definir a posição, basta sentar-se e ouvir.
A Concept V01 já sai tocando muito bem, mas 200 horas farão com que os agudos se estendam, os graves ganhem corpo e velocidade e o tweeter atrás – de ambiência – se apresente para a percepção mais clara de ambiência das gravações.
Para o teste utilizamos os seguintes equipamentos: amplificadores integrados Moonriver 404 Reference (teste na edição de dezembro), PA 3100 HV da T+A (clique aqui) e Norma Audio Revo IPA-140 (clique aqui). Powers: Dan D’Agostino Progression M550 (leia teste edição de dezembro), Nagra HD (clique aqui) e Soulnote M-3 (clique aqui). Prés de linha: Air Tight ATC-5s (clique aqui), Soul Note P-3 (clique aqui) e Nagra Classic. Fontes digitais: Transporte, Streamer e TUBE DAC da Nagra. Fonte analógica: Zavfino ZV11X (clique aqui), cápsula Aidas Malachite Silver (clique aqui) e pré de phono Soulnote E- (clique aqui). Cabos de caixa: Zavfino Silver Dart (clique aqui),
Argentum da VR Cables (clique aqui), Kubala Sosna Realization (clique aqui) e Dynamique Audio Apex.
A primeira pergunta ao me sentar para minhas primeiras anotações, foi: “O quanto a Concept V01 será diferente sonicamente da Boenicke W8 que testei e adorei?”
A resposta veio 6 horas após as primeiras impressões, feitas somente com nossas gravações, que são distintas mas mantém uma familiaridade audível.
A começar pela capacidade de criar uma imagem sonora muito similar que, como a W8, vai se ampliando e ganhando maior profundidade à medida que os tweeters às costas do gabinete vão abrindo.
Outra característica semelhante está na apresentação da região média, com o mesmo grau de inteligibilidade e naturalidade dos timbres de vozes e de instrumentos.
Admirável a riqueza do invólucro harmônico na modulação da voz da cantora Yumi Ito na faixa Little Things, do seu mais recente trabalho, Lonely Island.
Acostumado com as W5 e W8, não me surpreendeu este tênue equilíbrio entre detalhe e calor que Boenicke admiravelmente imprime aos seus projetos. Ele está presente também na Concept V01, talvez com uma luminosidade distinta, mais parecida com uma luz de primavera do que de outono, que associo aos seus projetos.
A mim o que importa é a vivacidade sem, no entanto, alterar a intencionalidade captada e transmitida na bela interpretação de Yumi Ito.
Os agudos também me pareceram distintos da W8, respirando com maior facilidade, se espelhando de forma mais natural com a acústica de nossa Sala de Referência, principalmente em gravações com pratos com grande extensão e decaimento suave.
Já os graves, achei-os menos parecidos com as W5 e W8, pois soaram mais abertos e, em algumas gravações que uso para o fechamento do quesito equilíbrio tonal, com menor peso que na W8, na fundação do grave. Porém, com um grau de inteligibilidade muito interessante.
Assim como as Boenicke, a Concept V01 tem alta compatibilidade com cabos, mas os neutros parecem ser o ideal. Quanto à eletrônica, a Concept V01 se saiu bem com todos, portanto será uma questão de gosto e a assinatura sônica que desejará ao sistema.
Meu casamento preferido, com as opções que tinha à disposição?
O pré e power Soulnote: uau! Fiz audições emocionantes com este setup.
Com os integrados, gostei demais do casamento com o Norma e, para grupos musicais menores e vozes, o Moonriver.
Depois das 200 horas, fui buscar o melhor posicionamento para as caixas em nossa sala. Lembre-se que elas precisam de espaço em relação a parede às costas, pois o tweeter atrás precisa de respiro.
Na nossa sala, deixamos a Concept V01 a 2.20m da parede atrás delas, 4m entre elas, com 1.20m das paredes laterais.
O palco sonoro é magnífico – tanto em largura, como profundidade e altura. Planos e mais planos, com cada naipe da orquestra bem focado e recortado. Com o ar à volta de cada solista, perfeitamente delineado.
Tarados por soundstage irão se deliciar com a imagem 3D da Concept V01. É realmente referencial!
E os apaixonados pelo timbre dos instrumentos e intencionalidades, terão aqui um porto seguro, para descobrir os detalhes e a riqueza de paleta de cores de cada instrumento, ou voz.
As texturas são tão impressionantes quanto das caixas Boenicke. Mostrando o quando o projetista entende e sabe como extrair de suas caixas este elemento tão essencial para a beleza da reprodução musical de alto nível.
Transientes perfeitos, em termos de marcação de tempo e variação rítmica.
Dinâmica, surpreendente para o tamanho da caixa e um falante de 8 polegadas. Mas não espere uma macro-dinâmica avassaladora, pois não é este o objetivo desta caixa.
Estamos falando de uma proposta para quem já passou da fase de pirotecnia e testosterona dinâmica. O que a Concept V01 entrega, é uma perfeita ideia do pianíssimo ao fortíssimo, em volumes seguros e confortáveis auditivamente.
Se o seu barato é sustos a cada tiro de canhão na Abertura 1812 de Tchaikovsky, essa não é sua caixa, com certeza!
O corpo harmônico é muito bom, permitindo ouvirmos claramente o tamanho distinto de um cello para um contrabaixo, ou de um clarone para um clarinete. O que exatamente seu cérebro necessita, para relaxar e curtir a música sem ficar estranhando um clarone com um corpo de flauta transversal, e um cello com o tamanho de uma viola.
Entende o que estou dizendo, meu amigo?
Corpo harmônico de um contrabaixo do tamanho de uma pizza brotinho não irá jamais convencer seu cérebro que vale a pena investir um baita tempo e dinheiro em um sistema que tem tamanho reduzido.
A Concept V01 passou com méritos neste quesito!
Eu me lembro o quanto foi chocante ouvir e avaliar a W5SE, e ver aquela book tão diminuta conseguir materializar na minha frente músicos e cantores sem o menor esforço.
E ainda mais surpreso quando testei a pequena coluna W8, ter a possibilidade dela também me ‘transportar’ para o local da gravação.
E a Concept V01 também conseguiu essa façanha, tanto de trazer os músicos para nossa sala, como me levar para ouvi-los na sala de gravação.
Impecável sua apresentação de organicidade!
CONCLUSÃO
Quanto mais caixas acústicas escuto e tenho a oportunidade de acompanhar por anos as ideias de grandes projetistas, mais minha paixão por ouvir novos projetos se aguça.
Um filme passa em minha cabeça, e me leva lá no começo de minha trajetória, em que muitas das caixas que ouvi, nem ficando na ponta dos pés eu encostava minhas mãos na base do gabinete.
Para uma criança, aquelas caixas eram tão imponentes, que chegavam a intimidar em um primeiro contato. Muitas me frustraram, pois como todo leigo e inocente, achava que tamanho é que determinaria a performance.
E logo percebi que tamanho não era a melhor maneira de escolher uma caixa acústica.
A fase seguinte, foi o deslumbramento com design e materiais exóticos para a construção de gabinetes. E novamente percebi que muitas ideias, por mais criativas, podem por inúmeros motivos, desandar.
E ao tornar-me avaliador de equipamento de áudio, finalmente entendi que se tratando de caixas acústicas, as possibilidades são inúmeras, e que no final o melhor a se fazer é: não gerar expectativas antes de ouvir.
Pois surpresas sempre ocorrerão.
A Concept V01 está na lista de belas surpresas, ainda que de antemão soubesse que o projetista tem rodagem e conhecimento suficiente para manter um alto nível de performance.
Ainda assim, Sven Boenicke inovou no design, na forma, na escolha do tweeter fora do gabinete e na própria assinatura sônica final.
Tudo sem perder a mão ou o produto se tornar um ‘primo distante de segundo grau’ de uma família bem estabilizada no mercado.
Inovou-se sem perder o ‘DNA Sonoro’.
E arrisco dizer que essa escolha pode fazer que mais audiófilos desejem conhecer e ter as criações deste projetista.
É uma caixa que possui uma assinatura sônica refinada, aberta (mais que as Boenicke), porém mantendo a fórmula e o equilíbrio tão presente na filosofia e conceito de seu projetista.
O tempo irá dizer se estou certo!
Se você deseja as qualidades que descrevi em minha avaliação, possui uma sala adequada para extrair o melhor desta caixa e eletrônica a altura, escute-a com atenção.
Pois ela possui aquele tênue equilíbrio entre vivacidade e calor, que muitos audiófilos tanto desejam para a assinatura sônica de seus sistemas!

| Nota: 101,0 | |
| AVMAG #323 German Áudio comercial@germanaudio.com.br (+1) 619 2436615 R$ 157.400 | ![]() |

CAIXAS ACÚSTICAS HARBETH M40.3 XD
Fernando Andrette
Uma coisa que todo audiófilo precisa assimilar, desde o início de sua jornada, é que não existe uma única fórmula precisa – matemática – para se chegar a resultados virtuosos na escolha de um sistema hi-end.
E sempre uso o exemplo de caixas acústicas, que tem tantas possibilidades que seria incoerente apontar um caminho como o único para se atingir o ‘nirvana musical’.
É óbvio que cada fabricante puxará a brasa para a sua sardinha, na esperança de o convencer que aquele caminho trilhado é o com melhor resultado sonoro.
Só que, na prática, não é isso que ocorre. Peguemos a questão sobre a importância dos gabinetes para a performance final de uma boa caixa.
Temos de tudo: gabinetes de pedra, composites muitas vezes patenteados pelo fabricante, alumínio, carbono, MDF, sem contar os gabinetes híbridos, em que as frentes são de metal e as paredes de madeira.
Existem os fabricantes que alegam que a única maneira de evitar a coloração é fazendo gabinetes ultra rígidos, e outros fabricantes que dizem que os gabinetes precisam não só respirar como soarem semelhante ao corpo de um instrumento musical.
Agora imagine o audiófilo sendo bombardeado por toda sua trajetória com essas informações tão antagônicas, por toda vida!
Como eu sempre escrevo em minhas consultorias, só existe uma maneira de você saber qual atenderá as suas expectativas: ouvindo! E de preferência todas as ‘escolas’ possíveis e que estiverem dentro do seu orçamento.
Se não ouvir, você jamais terá uma opinião segura do que você acredita ser a melhor solução em termos de caixas acústicas.
Outro erro que muitos audiófilos cometem, é achar que as tecnologias são estáticas e que não sofrerão ajustes, aprimoramentos ao longo de sua vida.
Digo isso a todos que, ao pedirem minha opinião sobre caixas, têm já estabelecido o que lhe parece correto e o que lhe soa errado.
Um exemplo clássico é quando o leitor me diz que toda caixa com gabinete de metal soa seca e analítica. Ou, ao contrário, que caixas com gabinete de madeira fina tem muita coloração e graves sem definição!
Eu sempre questiono essas posições com a pergunta óbvia e essencial: será que todas que usarem gabinetes de metal soarão assim? Ou toda caixa padrão BBC de monitoramento soará colorida e com graves sem definição?
Posso garantir a todos vocês que absolutamente essa não é uma regra, e deveria ser expurgada de todo raciocínio lógico de um audiófilo experiente.
Pois como escrevi algumas linhas acima, tudo pode ser aprimorado e corrigido, quando o próprio fabricante percebe ouvindo feedback do mercado e fazendo o comparativo de seus produtos com a concorrência.
Esse é um mercado super dinâmico, meu amigo, então esteja sempre atento e revisite auditivamente marcas que no passado não lhe agradaram.
Isso é ser inteligente, e pode levá-lo a se surpreender!
Desculpe essa longa introdução, mas não poderia deixar de tocar neste assunto, pois toda vez que testo uma caixa deste renomado fabricante inglês, muitos audiófilos me perguntam se realmente elas são corretas e não coloridas em demasia.
E peço a todos os que tiverem essa dúvida, que leiam os testes que já publiquei de todas as Harbeth desta nova linha XD.
Se minha opinião vale algo, o que posso lhes dizer é que todas as Harbeth que avaliei, e tive o prazer de mostrar no último Workshop
Hi-End Show, não só me convenceram de suas qualidades, como evoluíram muito em relação às séries anteriores que ouvi e testei.
Diria até que essa série XD deu saltos em termos de performance, que deve ter surpreendido a todo o mercado.
Vou dar um único exemplo que corre nos fóruns internacionais: a série XD agora é bem mais compatível com amplificadores valvulados (uma crítica recorrente nos fóruns sobre as linhas anteriores).
E constatei essa mudança ouvindo esta caixa com dois amplificadores valvulados de apenas 50 Watts: o Audio Research I/50 (leia teste na edição 305) e o Fezz Audio Titania (leia teste na edição 308).
Mas não foi apenas essa mudança que chamou a minha atenção.
Mas, vamos por partes, ok?
A primeira pergunta que os fãs da Harbeth irão fazer é: o que mudou da versão 40.2 para essa nova XD?
Segundo o fabricante, as mudanças foram pontuais, porém bastante significativas em termos de performance final.
A primeira alteração diz respeito ao crossover, que ampliou a resposta de frequência do tweeter, dando-lhe maior respiro e um decaimento bem mais suave e natural.
Outra alteração com esse novo crossover foi aumentar a transparência, com a diminuição do ruído de fundo. Outra foi a de deixar a resposta mais plana em todo o espectro audível – o que nos fóruns, para os apaixonados e donos da versão 40.2, não agradou, pois gostam daquele ‘calor’ a mais na região média dessa versão.
Agora, quanto ao que é essencial, ou seja, a assinatura sônica dos consagrados monitores BBC, ela continua fiel às suas raízes.
O que sugere que todos os amantes de vozes e instrumentos acústicos irão imediatamente ser seduzidos pelo ‘canto da sereia’.
É inevitável esse comportamento de audiófilos, que passam sua vida buscando sonofletores que tenham essa capacidade de exprimir calor e naturalidade na medida certa!
Outra fórmula empregada pela Harbeth desde o lançamento da versão 40.1, é de manter a inclinação descendente acima de 10kHz, para manter sua assinatura sônica tão fácil de ser identificável quando a escutamos (enquanto outros fabricantes ingleses da ‘escola BBC’, como a Graham, estendem esse decaimento mais acima, por volta de 13kHz).
São escolhas que fatalmente levarão os audiófilos que defendem o padrão BBC, a optarem ou pela Harbeth ou Graham.
Agora, ao saber desse detalhe, não comece a fazer conjecturas mentais, pois isso não significa que a Graham soe mais brilhante ou a Harbeth mais fechada.
Será preciso ouvir ambas por um longo período, com suas gravações de referência, para saber o que seu cérebro acha mais atraente e confortável.
Mais mudanças pontuais nessa nova série XD foram em relação aos bornes de caixa, e ao reforço sutil em pequenos pontos do gabinete. Mas batendo o nó dos dedos no gabinete, dificilmente nem o Harbethiano mais fanático irá notar diferenças no típico som oco do gabinete.
Fico imaginando o audiófilo ‘teórico’ fazendo essa avaliação, com o nó dos dedos, percebendo o quanto o gabinete é leve, e chegando à conclusão que não vale a pena escutá-la e que não pode valer o que custa.
Repito: ouça sempre antes de tirar conclusões! Pois a Harbeth 40.3 XD pode lhe fazer deletar todas as suas teorias sobre gabinetes.
E se quiser ter a oportunidade de conhecê-las, eu a demonstrarei em nossa sala no Workshop, abril próximo!
Para o teste, além dos dois amplificadores valvulados, também utilizei os integrados Soulnote A-3 (leia teste na edição 312), o
Norma IPA-140 (leia teste na edição 306) e o integrado da Alluxity. E esses três amplificadores integrados também estarão em minha sala no Workshop! E também nosso Sistema de Referência com pré-amplificador Classic Nagra, powers mono HD Nagra, TUBE DAC Nagra, e Streamer Nagra.
As caixas vieram lacradas, o que demandou um longo amaciamento para fazer o woofer de 10 polegadas se soltar e o tweeter ganhar decaimento e extensão.
A região média já sai soando divinamente, desde quando ligada no primeiro minuto.
O que irá ocorrer depois de 180 horas de amaciamento, será o médio-alto se encaixar perfeitamente com a entrada do agudo, fazendo o som passar de frontalizado para uma profundidade digna de 3D!
Segundo o fabricante, a resposta é de 35Hz a 20kHz, sua impedância é de 8 ohms com mínimo de 6 ohms, e sua sensibilidade é de 86 dB. E o fabricante recomenda amplificadores com o mínimo de 35 Watts (eu diria que será preciso ao menos 50 Watts). Seu peso é de 38 kg, então cuidado ao desembalar e colocá-la no pedestal!
Elas não deveriam jamais ser chamadas de ‘bookshelf’, pois suas dimensões são realmente consideráveis, com 75 cm de altura, 43 cm de largura e 38 cm de profundidade. Mas como são feitas para ficarem em cima de pedestais, temos que aceitar sua denominação de ‘super books’.
Eu tenho grande admiração pela assinatura sônica de todas as Harbeths que escutei nos últimos 25 anos! Umas mais que outras, mas reconheço o esforço enorme do fabricante em manter essa assinatura em todos os modelos.
E que assinatura é essa, Andrette?
Uma sonoridade mais para o lado quente do que neutro, porém sem perder a naturalidade que permite nosso cérebro relaxar e desfrutar daquele momento com enorme prazer e admiração.
É perfeito? Óbvio que não, nenhuma caixa independente do seu preço e do marketing do fabricante, o é.
Mas na sala com as dimensões corretas, eletrônica a altura e o pedestal certo, o ouvinte será agraciado com audições muito convincentes.
O que desejo dizer com ‘convincente’, é em relação aos quesitos da Metodologia, que não observei no teste dessa nova série XD, nenhum buraco ou pontas soltas.
O que sempre me perguntei, ao testar caixas desse fabricante, foi o que ocorreria com uma caixa de três vias em com uma resposta nos graves maior – se perderia algo da beleza sonora ou se ganharia aquele corpo e extensão necessários para estilos musicais que necessitam de melhor resposta nos graves, mais corpo e energia?
E a M40.3XD nos dá tudo isso que, nos outros modelos, é mais limitado. Posso garantir que, com esse modelo, não haverá restrição alguma em nenhum estilo musical.
E essa caixa está preparada até mesmo para salas como a nossa, de 50m2!
Tanto que a irei usar em nossa sala no Workshop, de 140m2!
Seu equilíbrio tonal é excelente, com ótimo arejamento nas altas, e um grave realmente com precisão, corpo e energia, sem coloração ou ‘grave de uma nota só’!
E a região média é simplesmente sedutora e realista.
Ou seja, o ouvinte terá a certeza de ter um excelente monitor com o grau de transparência e imersão que todo audiófilo busca, e o melômano sonha!
O soundstage tem largura, altura e profundidade suficientes para nos mostrar foco, recorte, planos e ambiência, fazendo com que possamos acompanhar desde pequenos grupos a grandes obras sinfônicas, sem perder nenhum detalhe.
E as texturas são lindas! Com um grau de nuances de paletas de cores e de intencionalidade de nos fazer redobrar nossa atenção a cada intenção revelada pelo músico, ou na técnica de gravação.
Os transientes, como em qualquer Harbeth, são excelentes na marcação de tempo, andamento e variação rítmica.
E a dinâmica é realmente de outro nível, dentro de todos os modelos deste fabricante.
Sua apresentação de macro-dinâmica é excelente, com os fortíssimos muito bem apresentados, sem deixar a passagem borrada ou difusa.
E a micro-dinâmica é ‘pêra doce’, graças ao seu impressionante silêncio de fundo.
E, finalmente, posso dizer que ouvi uma Harbeth com uma reprodução de corpo harmônico digna de um sonofletor Estado da Arte! Pianos solo do tamanho real, assim como tubas, contrabaixos e tímpanos.
O acontecimento musical se materializa à sua frente, deixando-o a sós com a sua música!
CONCLUSÃO
A Harbeth M40.3 XD é um salto evolutivo capaz de fazer audiófilos repensarem sua opinião sobre as caixas deste fabricante. E digo mais: fazê-los coçar a cabeça se defendem que só gabinetes ultra rígidos são os corretos para a alta fidelidade!
Aos que são abertos a novas propostas fora de sua bolha, perceberão ao ouvir a Harbeth que não é à toa que tantos audiófilos espalhados pelo mundo tenham verdadeira paixão pela assinatura sônica dos monitores de estúdio padrão BBC.
E a 40.3 XD eleva o grau de refinamento e sedução das Harbeth para um novo patamar.
Não as ouvir – se cabe no seu orçamento – é um erro imperdoável, acredite!
Quando já havia escrito esse teste, soube que a Harbeth acaba de colocar em seu site o novo modelo 40.5. Ainda assim resolvi manter o teste, pois com o dólar no atual patamar, creio que a 40.5 chegará a um preço ainda maior.
Então a M40.3 XD, na minha opinião, vale cada centavo do que custa!
Se tiver condições, aproveite, pois a KW Hi-fi ainda a tem em estoque a preço promocional.
Venha à nossa sala no evento, e tire suas conclusões!

| Nota: 102,0 | |
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CAIXAS ACÚSTICAS PERLISTEN S7T SPECIAL EDITION
Fernando Andrette
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Todo profissional precisa estar sempre bem informado, para poder exercer seu trabalho de maneira eficiente. Leio e monitoro mais de trinta revistas, além de fóruns e algumas das inúmeras mídias no Youtube.
E poucas vezes vi um fenômeno tão meteórico como foi a chegada da Perlisten ao mercado.
E o que mais me chamou a atenção foi o fato de não ser uma entrada no cenário hi-end abastecida por uma vultosa campanha de marketing, e sim por já de cara ganhar o prêmio EISA de Melhor Caixa Hi-End, com menos de um ano de vida.
A Perlisten S7T SE possui 4 woofers de 7 polegadas e com defletor de médios e agudos que é chamado por eles de DPC Array. Esse guia de ondas possui, ao centro, um tweeter de berílio de 28mm e 2 falantes médios de domo de carbono, também de 28mm.
Segundo o fabricante, os falantes de médio trabalham de 1.3 kHz até 3 kHz, quando entregam o sinal para o tweeter.
A empresa ressalta que os benefícios sonoros do seu guia de onda são evidentes em comparação com falantes de médio tradicionais, com maior precisão, velocidade, transparência e imagem 3D.
Os woofers têm cones de fibra de carbono reforçados com TexTreme (TPCD), com uma textura que lembra o visual de um tabuleiro de xadrez.
O gabinete em acabamento de madeira, da versão SE, é lindo! Pesando 56kg com sua base de aço, é possível observar visualmente, e com a batida do nó dos dedos, a rigidez e a eficiência com a qual ele evita a coloração por vibração.
Os dois dutos da S7t SE disparam para baixo com suas aberturas de ventilação nas paredes laterais, bem próximas à base da caixa. Sendo essa bastante discreta, e não interferindo no seu design. Os terminais de caixa são feitos de cobre, com 2 pares de conexão para bicablagem ou biamplificação.
O fabricante recomenda o uso de amplificadores com mínimo de 100 Watts por canal. Segundo o mesmo, a sensibilidade é de 92dB, a resposta de 32Hz a 37kHz, a impedância nominal é de 4 ohms (com o mínimo de 3.2 ohms).
Então, agora para todos que não conhecem a marca, farei uma breve apresentação: Perlisten é abreviação de Percentual Listening. A empresa foi fundada por dois veteranos da indústria de áudio, Daniel Roemer (CEO) e Lars Johansen (CSO). Atualmente a empresa possui duas séries completas de caixas, tanto para música como para home-theater, com subs, canais centrais, caixas de teto e surround.
Os dois fundadores da Perlisten estão no mercado desde os anos oitenta, e trabalharam no desenvolvimento desde os primeiros sistemas DSP até alto falantes para a Estação Espacial. Seu grande diferencial em relação à concorrência, está na maneira de abordar problemas e encontrar soluções práticas – como o DPC-Array proprietário, com patente pendente, que é uma baita sacada ao desenvolver uma cúpula em que temos um tweeter de berílio ao centro, cercado de dois minúsculos falantes de médio, todos com apenas 28mm.
Outra grande sacada é que as caixas Perlisten podem, dependendo da acústica do ambiente, funcionar como bass-reflex ou como suspensão acústica.
Os falantes de médio e os woofers utilizam fibra de carbono (TPCD) TexTreme, ultraleve e rígida, sendo 30% mais leve que a fibra de carbono padrão da mesma espessura. Sua trama exclusiva distribui a resposta de picos sem quebra, e sem clipar, mesmo em volumes consideráveis.
Para desenvolver o Array, a Perlisten foi buscar parceiros na Suécia para implementar materiais modernos de modelagem acústica avançada. Foram 18 meses de simulações até se chegar a um resultado surpreendente na junção do tweeter de berílio com os dois médios de fibra de carbono.
Restava, porém, juntar esses sonofletores em uma lente guia de ondas, que permitisse apresentar respostas ultra-lineares, com potência sonora e reprodução plenamente correta e natural.
O resultado foi tão surpreendente, que pegou o mercado de surpresa, recebendo como disse, logo de cara, o Prêmio Eisa e o Certificado THX Dominus – a mais nova e mais alta classe de desempenho de certificação THX.
Para o leitor ter ideia do que significa esse certificado, para tê-lo é preciso que a caixa suporte níveis de pressão sonora de 120 dB, sem distorção!
E a S7t SE foi a primeira caixa a atingir esse tal feito!
Felizmente, sou da área de áudio estéreo e não precisei me submeter ao teste de ver se a S7t SE realmente responde a 120 dB sem distorcer.
No entanto, o que posso garantir é que em volumes seguros, em nossa Sala de Testes, com picos de no máximo 92 dB, elas se comportaram magnificamente bem!
Recebi para o teste, a Perlisten S7t Special Edition na cor Ebony High Gloss.
Para o teste, utilizamos os seguintes equipamentos. Amplificadores integrados Soulnote A-3 (leia teste na edição 312), Norma Revo 140, e Alluxity (em testes). Pré de linha Vitus SL-103 (clique aqui), power Vitus SS-103 Signature (clique aqui), pré Nagra Classic, e powers monobloco Nagra HD (clique aqui). No digital o TUBE DAC Nagra, Transporte CD Nagra e Streamer Nagra. O sistema analógico foi o toca-discos Zavfino ZV-11 (clique aqui), a cápsula Dynavector Te
Kaitora Rua (clique aqui), e a Dynavector DRT XV-1t. O pré de phono foi o Soulnote E-2.
Tenho visto, nesses três últimos anos, muitos testes do modelo S7t SE em que os revisores têm uma certa dificuldade em posicionar essas imponentes colunas.
Como a caixa tem 2 graus de inclinação da frente para a traseira, o ponto exato do posicionamento do ouvinte em relação ao triângulo equilátero será bem importante. Assim como também o respiro das caixas entre a parede às costas delas e as paredes laterais.
Elas necessitam desse respiro para poderem soar com desenvoltura e energia quando assim forem solicitadas.
Outra coisa que tem causado bastante controvérsia, é o quanto elas gostam ou não de toe-in. E posso dizer que tudo irá depender da sala, da acústica e do quanto o ouvinte tem flexibilidade para mudar de posição sua cadeira em relação as caixas, pois isso será determinante para um excelente palco holográfico, repleto de planos, foco e recorte.
Outra questão importante: elas gostam de pelo menos 3m entre elas, e pelo menos 1m das paredes laterais, e 1m das paredes às costas delas.
Se você não lhe der o que elas precisam, você as subutilizará.
Nesse caso, sugiro que se seu espaço for limitado, escute as S5t, que são ideais para espaços menores (16 a 25m quadrados). A S7t SE é para salas maiores que 25m quadrados.
Aí você poderá desfrutar de todas as suas virtudes.
E acredite são inúmeras!
Mas tenho que dar uma péssima notícia aos apressados e desesperados: elas demoram a amaciar e florescer. Não são caixas agradáveis de sentar-se para ouvir nas primeiras 100 horas, pois até tudo se encaixar e aqueles 4 woofers ‘acordarem’ da hibernação, leva tempo.
E o tweeter de berílio tem um processo de queima ainda mais longo – quase 200 horas. Se você tiver paciência, e já passou por isso com outras caixas, saberá não só esperar, como irá ao final das 200 horas se orgulhar da escolha, acredite!
Mostrei para alguns amigos após a queima total de 250 horas – gravações encardidas com violinos, pianos solo, trompas, tímpanos, órgão de tubo – e todos ficaram maravilhados com a riqueza na apresentação das texturas, microdinâmica e equilíbrio tonal, sem resquício de dureza ou brilho em excesso.
Mal sabem eles o sufoco que foi passar pela montanha-russa do amaciamento, dos médios frontais, graves engessados e agudos duros.
Aí você se defronta com os objetivistas/gurus ‘de plantão’, que enchem o peito para dizer que amaciamento não existe! O que existe, segundo eles, é que seu ouvido acostuma e você então se ilude de que o amaciamento acabou.
Quando leio esses absurdos, tenho vontade de convidar todos esses objetivistas para ficar no meu lugar por dias a fio ouvindo a mudança da água para o vinho.
Outra questão levantada nos fóruns, é sobre o foco e recorte das caixas Perlisten, que para alguns não é tão preciso como em outras caixas. Pois bem, o que posso dizer por experiência própria, com a S7t SE, é que depois de integralmente amaciada e na posição correta necessária, eu toquei a faixa 7 do nosso disco Genuinamente Brasileiro vol. 2, e sem precisar fechar os olhos eu ‘vi’ as mãos do pianista André Mehmari explorando o instrumento, com o tamanho exato do piano.
Você literalmente ‘vê’ o que está ouvindo, com um grau de precisão assustador!
Então, o que posso responder a todos que não conseguiram extrair o impecável foco e recorte dessa caixa, que aprendam a fazer ajuste fino, antes de sair culpando a caixa. E eu tenho testemunhas para dizer que se ‘vê’ o que estamos ouvindo na faixa 7 – Passarin, do Genuinamente Brasileiro vol 2, reproduzido nas Perlisten S7t SE.
Depois das 250 horas, seu equilíbrio tonal é excelente.
E a topologia do tweeter rodeado pelos dois falantes de médio, não só é impressionante, como não se tem nenhuma passagem abrupta ou ruptura da passagem do médio para o agudo.
Vozes são impecáveis, tanto em termos de tamanho como na apresentação e no realismo. Com o mesmo resultado em gravações solo de inúmeros instrumentos!
Faça a lição de casa com o posicionamento correto das caixas, respiro para poderem soar livres, defina se elas trabalharão como bass-reflex ou seladas (aqui sempre é bass-reflex), ajuste a posição da cadeira em relação às duas caixas, experimente se precisará de algum toe-in ou se o melhor será com elas paralelas às paredes laterais – e, como recompensa, terá um soundstage exemplar!
Planos e mais planos – fazendo, por exemplo, os tímpanos soarem metros atrás das caixas. Metais, nos fortíssimos, mantendo também sua posição, sem pularem para dentro das caixas, efeito muito comum em caixas com pouca profundidade e altura correta. Para você saber se o cantor estava em pé ou sentado, por exemplo.
As texturas são ricas na apresentação da paleta de cores dos instrumentos, e precisas na maneira de mostrar a intencionalidade.
Os transientes são precisos, capazes de nos fazer redobrar a atenção e ter aquela impressão de que a faixa escolhida foi a qual os músicos estavam mais afinados e íntegros.
Difícil falar sobre macrodinâmica em uma caixa que responde a 120 dB sem distorção, certo? Como disse, eu não cometo essas loucuras, e em picos de 92 a 94 dB, constatei o grau de autoridade e folga sem sensação de dureza alguma.
E sua microdinâmica é exemplar também.
O corpo harmônico o levará a questionar a razão de muitas colunas, até maiores em tamanho, não terem uma apresentação deste quesito tão convincente. Ouvir contrabaixos, pianos solo, clarone, órgão de tubo, e descobrir o tamanho real dos instrumentos à nossa frente como em uma apresentação ao vivo, será um deleite.
E com todos esses atributos, e com uma eletrônica compatível, é óbvio que o acontecimento musical estará materializado a sua frente, sempre que a gravação tiver essa qualidade.
CONCLUSÃO
Eu fiquei tão admirado com o resultado da S7t SE, que escolhi como uma das cinco caixas que apresentarei no Workshop Hi-End Show, nos dias 25, 26 e 27 de abril próximos, no Bristol Hotel Airport Guarulhos, em São Paulo.
Como escrevi na edição passada, todos os sistemas que mostrarei têm mais de 100 pontos, e estão na seleta classe do Estado da Arte Superlativo.
E acho que você, independente de ter bala ou não para uma caixa nesse patamar, não irá perder a oportunidade de ouvi-la e compará-la com outras do mesmo naipe.
O que posso adiantar é que a S7t SE, pelo que custa, pelo seu grau de requinte, acabamento e performance, está entre aqueles produtos que são Melhor Compra em sua categoria, de maneira contundente.
E se você ainda sonha em juntar seu sistema de áudio e vídeo em um só ambiente, aí meu amigo, sugiro que essa caixa entre no seu radar de opções definitivamente.
Pois não consigo ver no horizonte muitos outros concorrentes à altura!

| Nota: 102,0 | |
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CAIXAS ACúSTICAS AUDIOVECTOR TRAPEZE REIMAGINED
Fernando Andrette
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Falar de um produto que participou do nosso mais recente Workshop é muito legal, pois sei que minhas observações serão muito mais bem compreendidas por todos que tiveram a possibilidade de ouví-lo no nosso evento.
E foram centenas de leitores que ouviram e saíram da apresentação convencidos que essa caixa tem qualidades dignas de um produto reimaginado para comemorar os 45 anos de existência da Audiovector.
A Trapeze original foi lançada em 1979 e ganhou a admiração de muitos consumidores dinamarqueses, que viram no esforço de seu projetista Ole Kliffoth, um resultado surpreendente tanto em termos de formato da caixa como de performance.
A começar pelo seu formato trapezoidal, que visualmente pode a princípio causar um certo estranhamento, mas que quando reproduz a primeira nota, substitui a resistência ao seu formato por um semblante de incredulidade com o que aquele estranho objeto, que poderia estar perfeitamente em uma tela do pintor Salvador Dali, nos apresenta em termos de performance, autoridade e beleza.
Ao criar um gabinete em que nenhuma parede é idêntica a outra, se reduz drasticamente as ondas estacionárias internas, e que junto com a inclinação da frente do gabinete, as três dimensões se tornam bem distintas.
Esse seu formato, que muitos dos participantes do Workshop a princípio estranharam, foi capaz, assim que ouviram as gravações utilizadas para apresentar a assinatura sônica do sistema, de transformar estranhamento em espanto.
Afinal, quem leu algum teste da Trapeze publicado no exterior, ficou com a impressão que pelo seu tamanho é uma caixa para no máximo uma sala de 40m!
E o que cada turma do Workshop, de 60 a 70 pessoas ouviu, era uma caixa soando com autoridade, firmeza e encanto em uma sala de 140m!!!!
Vou dar apenas um exemplo, que li em um dos reviews publicados no exterior, em que o revisor fala que pelo seu desenho a distância máxima entre elas não deve ser superior a 2.40m, e ficarem distantes no máximo a um metro das paredes.
Para você que não foi ao nosso Workshop, deixa eu lhe descrever a posição que as Trapeze foram apresentadas: 6 metros da parede às costas das caixas, 4 metros entre elas e 1.40m das paredes laterais.
Outra coisa que li em pelo menos dois testes: que a Trapeze tem uma imagem mais larga que profunda, e seus graves descem bem, mas não o suficiente para causar aquele deslocamento de ar de caixas muito maiores.
Pergunte a quem esteve lá, como soaram os tímpanos da Fanfare for the Common Man do Aaron Copland. E como era a profundidade dos tímpanos em relação aos naipes de metais.
Outra besteira que um revisor escreveu foi que as caixas, em volumes altos, se saem bem, porém perdem um pouco da inteligibilidade em fortíssimos.
De novo, sugiro que perguntem aos participantes como, nos fortíssimos, se comportaram os planos, foco, recorte e inteligibilidade na faixa do Copland, ou então na magistral gravação da orquestra Jazz at the Lincoln Center com o Wynton Marsalis ao vivo, em Cuba, na faixa Baa Baa Black Sheep. Se em algum momento, foi difícil acompanhar os solos e todo o restante da big band!
E a Trapeze, tendo como parceiro o excelente integrado da Arcam, o novíssimo SA45 (leia teste na edição de julho).
Meu amigo, acho que está na hora de colocarmos os ‘pingos nos is’, sobre revisões de áudio mundo afora. Pois alguma coisa de muito errado existe em muitas das conclusões. Na maioria das vezes, não bate com o que observamos deste mesmo produto em nossa sala de testes, com nosso Sistema de Referência, e agora em nossos Workshops anuais.
A Trapeze é uma caixa que irá surpreender qualquer audiófilo que tenha um bom sistema, uma sala minimamente tratada acusticamente, e que saiba fazer um setup adequado de suas caixas.
É o tipo da caixa que não tem erro para se extrair o sumo do sumo, pois seu design já determina o canal esquerdo e direito, como precisam ser alinhadas (com o mínimo de toe in – de preferência nenhum) e arejamento suficiente entre elas (pelo menos de 2.80m a 4m), e 1m das paredes a sua volta.
Tendo esses cuidados, você precisará ter paciência para passar por todo seu processo de amaciamento (o fabricante fala em apenas 50 horas – esquece, será preciso o triplo para tudo entrar nos eixos), e não esquecer de só usar o ajuste de damping depois da caixa integralmente amaciada. Pois do contrário, você poderá tirar conclusões erradas, como eu mesmo tirei.
Mas vamos lá – dizem que “o que os olhos não veem o coração não sente”, então farei um trocadilho com esta frase popular, para: “o que os olhos não veem, seu sistema auditivo terá dificuldade de entender como a Trapeze faz isso”.
Estou falando dos seus graves, que ainda que pareçam – com seu woofer de 12 polegadas – atender a 90% dos estilos que as pessoas escutam, como ela consegue graves com tanta energia e deslocamento de ar?
A resposta está no que a Audiovector chama de sistema Isobaric Compound Bass, onde um woofer interno se esconde atrás do de 12 polegadas, sendo este um de 8 polegadas, ‘camuflado’ dentro do gabinete, em um compartimento com maior volume, para somar com o externo e dar essa energia incrível e precisa na reprodução dos graves. Esses dois woofers utilizam membrana de papel de fibra longa, leve, porém rígida e com uma bobina de 4 polegadas, livre de histerese e totalmente ventilada.
O falante de médio de cinco polegadas utiliza um cone de papel leve e impregnado com uma resina. Seu chassi é feito de uma composição de alumínio e magnésio, e o imã utilizado é um modelo circular de neodímio ventilado.
O tweeter é um AMT, com a parte traseira ventilada, e fiel ao projeto original do Dr Oskar Heil. Sua membrana de Mylar é extremamente leve, com tiras de alumínio.
Segundo o fabricante, o Mylar foi escolhido pelo seu excelente amortecimento interno e baixa distorção, mesmo em alto volume. Esse tweeter também utiliza imãs de neodímio N51, muito mais fortes do que os normalmente utilizados em projetos concorrentes.
O crossover é bastante simples e minimalista, utiliza capacitores personalizados de alta qualidade, com dielétrico de polipropileno e folha de cobre estanhada. Todos os componentes do crossover são tratados criogenicamente, e com tolerâncias menores que 0.3%.
Como disse alguns parágrafos acima, a Trapeze leva em conta o fator de amortecimento dos amplificadores que podem ser usados, e por isso colocou uma chave seletora de três posições no painel traseiro, junto com os terminais de caixa e o de aterramento.
A primeira posição é para amplificadores transistorizados com damping baixo. A segunda posição do meio para amplificadores com alto fator de amortecimento, e a última posição para amplificadores valvulados.
Vale a pena o usuário, depois que a Trapeze estiver seguramente amaciada, fazer o teste auditivo para saber qual das três posições tem o melhor casamento com sua amplificação.
Pois as diferenças são audíveis!
Eu não consegui utilizar o sistema de aterramento da Trapeze, mas li pelo menos duas avaliações em que seu uso permitiu um maior silêncio de fundo, permitindo uma inteligibilidade da micro-dinâmica ainda mais precisa.
Faz todo sentido essa observação, e creio ser muito interessante a todos futuros compradores desta caixa fazerem este teste.
A lista de equipamentos utilizados nesse teste foi grande. Amplificadores integrados Norma Audio Revo IPA-140, Soulnote A-3, Arcam SA45, Sunrise Lab V8 Anniversary SE, e Alluxity Int One MkII. Powers Air Tight monoblocos ATM-2211 (clique aqui) e Nagra HD (clique aqui). Pré de linha Nagra Classic, e pré de phono Soulnote E-2. No digital, Streamer Nagra, Transporte CD Nagra, e TUBE DAC Nagra. Cabos de interconexão da Dynamique Audio linha Apex, e Zavfino
Silver Dart RCA e XLR (clique aqui). Cabo de caixa Dynamique Audio Apex. Cabos de força Dynamique Audio Apex, Transparent Reference G6 e Zavfino Silver Dart. E cabos de rede Dynamique Audio Apex (clique aqui).
Vou direto ao ponto: corações ansiosos não poderão ouvir as primeiras 100 horas da Trapeze, pois será uma ‘montanha russa’ de sustos.
Pois nesse período a caixa varia muito, hora sobrando grave e faltando agudo, e depois os médios saltam à frente, dando a imaginarmos que ficarão assim para sempre, rs.
Eu cheguei a duvidar que nesse período a caixa ficaria no ponto em que foi apresentado no Workshop. Pois ainda que a quisesse mostrar, já que a QR 7 no ano passado fez tanto sucesso junto aos participantes do Workshop, a data do evento deste ano estava cada vez mais próxima, e tanto a Trapeze como o Arcam SA45, teimavam em não entrar nos eixos.
Quem ouviu como tocou este setup no Workshop, não tem ideia do sufoco que foi preparar ambos para uma performance tão impecável.
Felizmente deu tudo certo, e hoje enquanto finalizo esse teste, me pergunto como tem pessoas que não acreditam em amaciamento, e como um produto pode melhorar tanto depois de feita sua queima.
O audiófilo ansioso, se ouvir a Trapeze antes das primeiras 100 horas, sairá detonando a caixa.
Ossos do ofício, meus amigos.
Depois de tudo encaixado, seu equilíbrio tonal é corretíssimo, sem vales ou picos e com uma naturalidade que encanta. Seja para vozes, instrumentos acústicos ou eletrônicos.
Ela não escolhe estilos musicais, e muito menos se intimida com gravações complexas e com enorme variação de tempo e dinâmica. Seus graves são corretos, com enorme energia, deslocamento de ar e velocidade.
A região média segue a regra da Audiovector, de realismo e precisão, sem passar do ponto e cair no analítico. E seus agudos nos mostram a razão da Audiovector apreciar tanto os tweeters AMT – são velozes, com corpo, decaimento suave e arejamento suficiente para nos apresentar detalhes do tamanho da sala de gravação e até mesmo a quantidade de reverb digital utilizado na mixagem.
Zero de brilho indevido ou dureza na reprodução das altas frequências.
As texturas são ricas, e a qualidade das intencionalidades nos mostra o quanto este fabricante é atento na recriação deste quesito e à importância do nosso cérebro reconhecer as sutilezas de cores da paleta, para termos uma noção exata da qualidade e riqueza tímbricas de cada instrumento.
É um deleite ouvir instrumentos acústicos na Trapeze, justamente por essa facilidade em nos apresentar este quesito.
Os transientes são sedutores, em termos de marcação de tempo e variação rítmica. O ouvinte nunca terá a sensação de um andamento arrastado ou letárgico, se depender da Trapeze. Você facilmente se verá batendo o pé na marcação do tempo, enquanto saboreia sua música.
Eu, na introdução, já falei do quanto a Trapeze é brilhante na apresentação do palco sonoro, planos, largura e profundidade, mas sobretudo em manter o foco e recorte tanto dos solistas como de todo o acompanhamento, sem achatar nos fortíssimos a imagem, como muitas caixas infelizmente fazem (até caixas muito mais caras).
Não imagino prova de fogo maior deste quesito, do que na sala (um verdadeiro ‘corredor polonês’) do Workshop no Hotel Bristol, em que a Trapeze mostrou o quanto ela é versátil e competente em manter os planos solidamente à nossa frente.
Dinâmica idem.
E não imagino exemplo mais contundente do que o Copland utilizado no Workshop, e como ela se manteve íntegra, sem nenhum resquício de desconforto auditivo, mesmo nos fortíssimos com uma sala com 60 pessoas!
Que autoridade, para uma caixa de dimensões tão pequenas!
Seu cérebro demora para entender que aquela caixa a sua frente tem esse grau de imponência e autoridade na apresentação da macro-dinâmica.
E quanto à micro, usarei um termo que meu pai sempre citava quando ouvia algo fácil de ser executado: “mamão com açúcar”.
Você sonha em ver materializados em sua sala de audição os músicos à sua frente?
Junte essa Trapeze com uma eletrônica a sua altura, e esse desejo será realizado. Eu fiz isso nos quatro dias do evento, com todas as faixas utilizadas para explicar assinatura sônica.
A Trapeze não terá dificuldade alguma em materializar o acontecimento musical. Desde que a gravação tenha essa magia. E não estou falando de gravações ultra audiófilas, apenas de gravações bem-feitas, em que o engenheiro de gravação não colocou dois instrumentos na mixagem no mesmo espaço físico.
Com esse cuidado, e uma boa captação, a Trapeze recria o evento musical para você.
A apresentação de corpo harmônico em uma caixa de tamanho ‘modesto’ será um acontecimento, pois ela não só recria o tamanho dos instrumentos, como os coloca com enorme precisão à sua frente. Seja um instrumento solo, ou um naipe de cordas.
É amplo, arejado, permitindo a seu cérebro acreditar que o que está ouvindo é verossímil com uma apresentação real!
CONCLUSÃO
Achar uma caixa acústica no nosso mercado hoje, acima de 100 pontos, não é mais uma raridade como era cinco anos atrás.
Todas as caixas apresentadas no evento estavam acima de 100 pontos. E como expliquei na introdução de cada apresentação do Workshop, a vantagem de ouvirmos caixas acima de 100 pontos, é que não temos mais que nos preocupar se ainda existe ‘pontas soltas’ nos oito quesitos da Metodologia.
Pois tudo está devidamente correto e coerente, permitindo o ouvinte se preocupar apenas com o que deseja extrair do seu setup.
Caixas neste nível são impactantes, emocionantes e nos permitem entender o quanto a música que amamos pode ficar ainda mais intensa e genuína.
Com isso podemos finalmente exercer nosso direito de buscar apenas a assinatura sônica que desejamos, e passamos anos procurando.
Para os que desejam uma caixa que não escolhe gêneros musicais, toca equilibradamente em qualquer volume ‘seguro’, e nos faz ouvir com prazer redobrado nossa coleção, eu sugiro que a Trapeze Reimagined entre na sua mira de escuta.
Pois pode perfeitamente ser a caixa ideal para quem quer som de colunas maiores, porém tem restrição a espaço e grana.
De olhos vendados, eu lhe garanto que ninguém jamais acertará o tamanho da Trapeze. Pois ela realmente é notável em fazer coisas que muitas caixas bem maiores não fazem!
Dê a ela uma eletrônica compatível (não falo de pré e power, e sim de um ótimo integrado acima de 100 pontos) e você irá se surpreender dia após dia com o quanto a Trapeze Reimagined é impressionante!

| Nota: 102,0 | |
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CAIXAS ACÚSTICAS DYNAUDIO CONTOUR LEGACY
Fernando Andrette
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Imagine o que passou em minha cabeça quando a Chiave me confirmou o envio da Dynaudio Contour Legacy, para teste.
Uma edição comemorativa com apenas 1000 exemplares que, embora tenha em termos de gabinete sido inspirada na Contour 1.8, de resto não tem mais nada de semelhante com o modelo original.
Coincidentemente, foi a Contour 1.8 minha primeira caixa deste fabricante dinamarquês, que comprei em 1994 quando ainda estava na revista Audio News. E a mantive como minha referência em meu sistema por mais de três anos, até realizar o upgrade para a Contour 2.8, em 1997.
Tive caixas Dynaudio por mais de 20 anos, e testei nos últimos trinta e três anos, mais de 30 modelos deste fabricante.
Ou seja, me sinto inteiramente em casa, quando estou testando um produto deles, seja um de entrada ou um modelo top de linha da série Confidence.
Nenhum outro fabricante de caixas conseguiu chamar tanto minha atenção e ter minha admiração por tão longo período, como revisor e editor.
Todos os nossos discos foram monitorados, mixados e masterizados com caixas Dynaudio, então acho que consigo explicar meu interesse e curiosidade em ouvir a Contour Legacy.
Pois, assim como o modelo em que foi inspirada, a Legacy também usa um gabinete inteiramente feito a mão pelos experientes marceneiros dinamarqueses, como nos modelos iniciais da Dynaudio, e como se trata de uma edição especial comemorativa, os engenheiros da empresa tiveram total liberdade na escolha dos falantes usados, e optaram pelos drivers usados na Evidence Platinum.
Assim, os woofers de 7 polegadas são moldados em uma única peça, com uma bobina móvel ventilada de 75 mm, acionada por um sistema magnético híbrido. Esse sistema consiste em um ímã de neodímio e um ímã de ferrite que, segundo o fabricante, proporciona melhor concentração do campo magnético, maior linearidade e uma dinâmica aprimorada para um melhor controle do cone dos dois woofers.
O tweeter é o consagrado Esotar 3, também utilizado na série top de linha Confidence. Este usa o clássico diafragma de domo de tecido de 28 mm, com o uso atrás dele do Hexis, um difusor interno cuja função é suavizar a resposta de frequência e sua linearidade, em termos de uma resposta mais plana e estendida.
O Esotar 3 também utiliza um imã de neodímio e, atrás do diafragma, há uma câmara aberta revestida com um material de amortecimento que reduz dramaticamente as ressonâncias.
O crossover utilizado na Contour Legacy, utiliza cabos van den Hul, bobinas de núcleo de ar de grande porte, capacitores Mundorf Evo preenchidos com óleo para o tweeter, resistores Mundorf Supreme e capacitores Duelund Cast para os woofers.
Todo o ajuste fino e medições da Legacy foram feitos pelo seu exclusivo sistema de medição Júpiter.
Uma placa de ferro fundido de 8.6 kg é colocada na base do gabinete que, no total, pesa 30 kg.
Outra grande diferença em relação ao modelo original, é que a Legacy possui dois dutos de saída atrás do gabinete. O que exigirá do usuário um cuidado extremo em relação à parede às costas da caixa, para um correto controle das baixas frequências.
E a outra grande diferença da Legacy em relação à Contour 1.8 original, foi a melhoria considerável de sua sensibilidade, agora de 90 dB, muito mais efetiva do que em todos os modelos anteriores da Dynaudio.
Tanto que isso nos permitiu, pela primeira vez na minha vida, usar uma amplificação valvulada de apenas 35 Watts por canal! Algo inadmissível em qualquer outro modelo que tive ou testei deste fabricante.
A impedância continua sendo de 4 ohms, resposta de frequência de 42 Hz a 29 kHz em uma caixa de duas vias e meia, com corte de divisor em 3400 Hz.
A caixa vem em um seguro case de madeira, e será necessário a ajuda de uma segunda pessoa para não correr riscos de danificar ao desembalar e montar a caixa.
A única coisa que não mudou na Legacy em relação a qualquer outro modelo por nós já testados, é a paciência para aguentar o tempo de amaciamento, que continua sendo longo. Pelo menos 150 horas mínimo, antes de sair ‘batendo tambor’ e anunciando aos quatro ventos que tem em casa o último exemplar feito desta série comemorativa (sim meu amigo, ela está esgotada e esse exemplar será o único que veio para o Brasil).
Tanto que este foi o motivo de não ter conseguido mostrar ela no nosso Workshop no final de abril último. Pois no dia da abertura do Workshop, ela estava apenas com menos de 20 horas de amaciamento. O que me fez abortar sua apresentação.
Foi uma pena, pois depois das duzentas horas de amaciamento ela está simplesmente um desbunde!
Para o teste utilizamos os seguintes integrados: Arcam SA45 (clique aqui), Dan D’Agostino Pendulum (teste na edição de agosto próximo), Norma Evo IPA-140 (clique aqui) e o Alluxity Int One MkII (teste na edição de setembro próximo). Além do nosso Sistema de Referência Nagra (powers HD, pré Classic, TUBE DAC e Transporte).
E, no final do teste, ouvimos ligado ao Air Tight ATM-1E (clique aqui). O cabo de caixa foi o Dynamique Apex (clique aqui), e a fonte analógica foi o toca-discos Zavfino ZV11X (clique aqui), cápsula Dynavector DRT XV-1T (clique aqui), e pré de phono Soulnote E-2 (clique aqui).
Todas as qualidades que sempre admirei nas caixas Dynaudio, estão também presentes na Contour Legacy, como a capacidade de recriar o acontecimento musical sem impor características para ‘dourar’ a sonoridade – quem busca essa característica sonora, irá se decepcionar. Agora se você sempre quis uma assinatura sônica mais próxima dos monitores de estúdios, mas sem aquela secura ou dureza presente em inúmeros monitores profissionais, você se sentirá reconfortado com sua apresentação.
Posso falar com conhecimento de causa (pelas duas décadas de convivência com inúmeros modelos), que este é um fabricante que trilhou um caminho e nunca se desviou dele, por nenhuma tendência ou modismo.
Mas é óbvio que houve melhorias no nível de performance, e na busca por uma fidelidade ainda maior. E a Contour Legacy é um excelente exemplo desta busca incessante por melhorias sem desvios dos conceitos alcançados.
Ela, em muitos aspectos, me lembrou a assinatura sônica da Temptation (meu último exemplar deste fabricante), porém com uma maior compatibilidade com distintos powers.
E, claro, pelo seu tamanho muito menos impetuoso que a Temptation, mais adaptável a diferentes ambientes.
Sua sensibilidade para mim foi a melhor surpresa, e seu grande diferencial, pois isso permitiu o uso desta legião de amplificadores que tínhamos à mão, e com resultados surpreendentes e muito animadores.
A vantagem de poder utilizar integrados com assinaturas tão distintas, só reforçou a principal característica da assinatura sônica deste fabricante – sua busca incessante por maior neutralidade, sempre. Ainda que, como a Temptation, esteja alí com um leve olhar para o eufônico, sem, no entanto, cravar o pé nesse sítio. Deixando para a eletrônica realizar esse papel.
O que estou querendo dizer?
Que quando usamos o ATM-1E da Air Tight, se não tivéssemos mais nenhum outro amplificador à mão, poderíamos cair no erro e dizer que a Contour Legacy seria a primeira caixa da história da Dynaudio a soar eufônica!
E o oposto também: se tivéssemos naquele momento apenas o integrado do Dan D’Agostino, facilmente poderíamos cometer o erro de dizer que a Legacy flertou explicitamente com maior transparência.
Acho que isso dá um sentido exato do quanto a Contour Legacy mantém o conceito Dynaudio de Neutralidade ainda como seu principal trunfo como fabricante de caixas hi-end.
Agora, se não for dado o devido tempo de amaciamento, as conclusões podem ser totalmente tortas. Pois ela, nas primeiras 100 horas, soa seca na região médio-grave, e as altas com muita proeminência.
Levando a deixar inúmeras gravações inaudíveis!
Com 150 horas, as coisas em termos de equilíbrio tonal começam a entrar nos eixos. E com as 200 horas, tudo se encaixa.
Li que alguns fãs da marca, acharam que pela escolha dos engenheiros em melhorar a sensibilidade, os graves ficaram menos ‘impactantes’, e que eles gostam mais dos modelos com menor sensibilidade, e maior peso e energia nos graves.
Eu sinceramente não concordo. Acho que a melhora da sensibilidade foi um acerto enorme. E eu estenderia essa escolha para todos os novos modelos, daqui para a frente.
Pois um maior grau de compatibilidade com diferentes topologias de amplificadores e potências, não só dará maior visibilidade à marca, como também pode atrair novos consumidores que desejam montar um setup mais neutro.
Eu não senti em nossa sala falta de graves, mesmo em gravações de órgão de tubo. A energia, o corpo e deslocamento de ar estiveram sempre presentes em todos os estilos musicais.
Sua região média irá reproduzir fielmente o que a eletrônica é capaz de gerar e enviar para a caixa. E os agudos são refinados, naturais, com zero de agressividade ou brilho artificial.
Outra excelente qualidade da Contour Legacy é sua imagem 3D do acontecimento musical, com excelente profundidade, altura e largura. Ouvi inúmeras gravações de música clássica, em que os contrabaixos estavam a mais de 1 metro para fora do canal direito, e o naipe de violinos para fora do canal esquerdo.
Planos e mais planos da orquestra, impecavelmente focados, recortados e com a profundidade atingida pelo engenheiro de gravação. E uma altura de palco surpreendente para uma coluna com um metro de altura.
Seu agudo tem um decaimento tão suave, que qualquer ambiência foi perfeitamente reproduzida, até mesmo com seus rebatimentos nas paredes da sala de gravação.
As texturas, quando reproduzidas no ATM-1E da Air Tight e no Norma, eram de um grau de refinamento impactante, graças à naturalidade e ao realismo.
Eu, nos anos todos que tive modelos Dynaudio, me ressentia de não poder ouvir texturas (um quesito a mim muito essencial), com maior calor e suavidade, justamente pelo seu grau de incompatibilidade com amplificadores valvulados ou transistorizados classe A de baixa potência.
Pois essa frustração foi superada, ao poder escutar quartetos de cordas com esses dois amplificadores! Quando ouvimos em uma caixa mais neutra, com texturas muito naturais, complexas e refinadas, o efeito em termos de prazer auditivo é intenso.
Pois nosso cérebro se rende sem esforço ao que está ouvindo.
É como ser conduzido a sensações desconhecidas, pois não estávamos esperando por aquela surpresa tão agradável, entende?
Sabe quando você se convence e aceita, que algo que você desejava não irá nunca ocorrer?
E aí ocorre?
Esse foi o efeito em ouvir texturas em um amplificador valvulado – em que este quesito é simplesmente uma referência absoluta.
Fiz três páginas de anotações em meu diário pessoal, pois sei que não repetirei este momento, pois essa caixa já está indo embora (infelizmente).
Os transientes nunca foram obstáculo para nenhum modelo
Dynaudio. Não que me lembre, ou tenha testado. A Contour Legacy é um primor na reprodução deste quesito, e nada irá soar flácido ou letárgico. Para amantes de ritmo, tempo e andamento, eis uma caixa que pode lhe mostrar como as gravações neste quesito devem soar.
A microdinâmica é surpreendente, e tudo que ouvimos foi reproduzido com enorme autoridade e folga. Folga de caixas muito maiores e mais caras.
Eita coluna ousada e destemida! Fiquei receoso de ouvir os tiros de canhão da Abertura 1812 de Tchaikovsky, temendo pelos dois pequenos woofers. E ligada ao Nagra HD, a Contour Legacy reproduziu com tenacidade o exemplo.
E sua apresentação de microdinâmica, graças a sua transparência, é pura ‘pêra doce’! O mesmo posso afirmar na reprodução do corpo dos instrumentos.
Feche os olhos e irá duvidar que uma caixa de tamanho tão modesto reproduz o corpo de um grand-piano com tanto preciosismo, ou um contrabaixo ou um órgão de tubo!
Com essa coerência em todos os quesitos da Metodologia, é quase que redundante falar sobre a materialização física do acontecimento musical (organicidade), e ela irá te surpreender, pois você irá ‘ver’ literalmente o que está ouvindo à sua frente, todos os dias, com suas melhores gravações.
Sem esforço, sem reza ou mágica!
CONCLUSÃO
A Dynaudio em breve completará meio século de vida, e se conseguiu lançar um modelo comemorativo tão impactante antes dessa data tão expressiva, o que virá então para marcar seus 50 anos?
Se a Contour Legacy foi apenas um ‘gostinho’ do que está por vir, devemos nos preparar, pois a equipe de desenvolvimento da Dynaudio está muito inspirada.
Os atributos e soluções apresentados com esse modelo especial, nos permitem vislumbrar que a sequência dessa trajetória será, pelo visto, muito consistente e impactante.
Fico feliz de poder ter escutado esse modelo, e ter uma ideia clara do que a Dynaudio poderá daqui para a frente oferecer ao mercado.
Se você sempre sonhou em ter um modelo exclusivo, e que ninguém mais aqui no Brasil o terá, essa é uma chance única.
Se eu tivesse condições neste momento, de escrever aqui que essa caixa não voltaria para a Chiave, não tenha dúvida que eu o faria!
Pois suas qualidades são impressionantes!

| Nota: 102,0 | |
| AVMAG #319 Chiave (48) 3025-4790 chiave@chiave.com.br R$ 197.000 | ![]() |

CAIXAS ACÚSTICAS MANDOLIN CERAMIK II DA AUDIOPAX
Fernando Andrette
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Muitos leitores acham estranho quando lembro que caixas acústicas bem projetadas, parecem muito mais com instrumentos musicais do que com equipamentos eletrônicos.
E reforço essa ideia, lembrando-os que será a caixa acústica que dará a assinatura sônica final de um sistema.
E que a responsabilidade de fazê-la soar todo seu potencial, está muito além da escolha adequada do sistema e cabos. Tendo que também ser levada em consideração a acústica da sala em que ela será instalada.
E vou além, ao dizer a todos que estejam começando esse hobby do zero, que a caixa deveria ser o primeiro componente a ser escolhido. Justamente por todas essas questões citadas.
Estou há tanto tempo nessa empreitada, que não caio na armadilha tão comum de achar que exista uma ‘fórmula’ padrão para uma caixa soar bem ou não.
Então, quando vejo descrições do tipo: gabinetes são cruciais para uma boa performance, ou que determinados falantes são superiores pelo tipo de material escolhido para o seu cone, sei que existem – por experiência própria – inúmeras ‘exceções’ à essas regras.
No fundo, as caixas mais excepcionais que escutei nos meus sessenta e seis anos bem vividos, são aquelas que são projetos ‘autorais’, e não as feitas em larga escala industrial como biscoitos em uma linha de montagem.
E o fabricante que consegue ‘replicar’ a performance desde a série de entrada, até a mais sofisticada, certamente ganha meu apreço e respeito instantaneamente!
Mas, não pensem que são tantos fabricantes de caixa acústica assim que tenham esse domínio em toda a linha. Pois o mais comum é vermos fabricantes de caixas acertarem mais em alguns modelos do que outros.
E muitos têm enorme dificuldade em manter o mesmo caráter para todos os seus produtos.
E os fabricantes que, além de ‘autorais’, são genuínos artesãos – em que lugar desse segmento eles se encaixam?
Esses, no meu modo de ver o hi-end, deveriam ser os que mais merecem nossa atenção.
Pois se a assinatura sônica dessa caixa bater com o que o consumidor busca e almeja para fechar seu ciclo de upgrades, é mais ou menos como ter um bilhete premiado!
E, felizmente, eles existem e temos um aqui em nosso território!
Quando ouvi a Mandolin Ceramik II, no nosso último Workshop Hi-End Show, em abril, percebi de imediato que estava não só ouvindo a melhor caixa já fabricada pela Audiopax, como também que sua assinatura sônica tinha algo que ia além do refinamento e da naturalidade na apresentação dos timbres.
Algo difícil de se observar em salas que não conhecemos totalmente, e com uma eletrônica que também era uma total novidade para mim.
Tanto que após a audição, pedi ao Silvio Pereira a oportunidade de testar a Mandolin e o pré Reference (leia teste na edição 311).
Antes de entrar em minha avaliação auditiva, acho que, para o leitor entender o nível desta caixa, descreverei as informações que me foram passadas pela Audiopax, assim como o gráfico de resposta da caixa.
“O desenvolvimento da Mandolin Ceramik II objetivou associar características sonoras como precisão timbrística, resolução dinâmica, microdinâmica e musicalidade, com características técnicas como alta sensibilidade, excepcional linearidade nas curvas de fase e impedância, e adaptabilidade à diversos tamanhos de sala. Em outras palavras, queríamos uma caixa que proporcionasse uma experiência realística, cativante, emocional, mas com total flexibilidade na escolha do sistema e do ambiente”.
A Mandolin Ceramik II da Audiopax é uma caixa bass-reflex de três vias e com duto situado na sua parte inferior, e sintonizado com a base.
O tweeter e o falante de médios é da linha de cerâmica da Accuton, e os dois woofers da linha Satori da SB Acoustics. Todos falantes de excelente reputação, e usados em diversos projetos hi-end no mundo!
Os falantes de cerâmica Accuton possuem cones extremamente rígidos e leves, e altamente amortecidos, e isso resulta sonicamente em excelentes características sonoras como baixíssima distorção (menor que 0.07%), transientes perfeitos e uma riqueza tímbrica impressionante.
Segundo a Audiopax, o tweeter de cerâmica foi escolhido pelas suas características únicas de resposta plana, cujo comportamento entre 0 e 60 graus, oferece opções com um decay suave e linear a partir de 6kHz, permitindo grande flexibilidade no seu posicionamento em diferentes salas, e também ao gosto pessoal do ouvinte no posicionamento fino delas para o ponto ideal de audição.
A escolha dos woofers, segundo o Silvio Pereira, foi pelos drivers dinamarqueses da SB Acoustics, pelas características tímbricas de seu cone – que é feito com Egyptian Papyrus, um material de fabricação própria – que segundo o fabricante deles, tem as vantagens dos cones de papel com a leveza do alumínio. Garantindo uma resposta plana e muito natural.
A Audiopax optou pelo uso de dois woofers de 6.5 polegadas em paralelo, para ter uma superfície equivalente a um woofer de 10 polegadas, porém com uma demanda de metade da excursão, e consequentemente com menor distorção por intermodulação.
E isso obviamente deu maior liberdade no desenvolvimento de um gabinete mais slim, elegante para não ser intrusivo em ambientes menores, porém com todo o poder dos graves de caixas maiores.
“Excepcionais falantes requerem um cuidadoso projeto de crossover”, diria meu pai.
E assim foi feito. A topologia do crossover da Mandolin Ceramik II, trabalha em série-paralelo com filtros híbridos de segunda e quarta ordem, projetados para o aproveitamento integral de cada drive.
Com especial atenção a precisão de linearidade na resposta de fase, para que sua performance fosse comparável às dos melhores projetos com falantes full-range – em que o foco, recorte e planos são extremamente precisos.
Os componentes são todos premium, como: capacitores modelo Copper-Wax da Jupiter Condensers, bobinas e resistores não magnéticos da Mundorf, fiação especial em cobre e prata com os melhores fios de cobre da Mundorf, e o topo de linha dos bornes de conexão da Furutech, com torquímetro.
Todo o crossover é em construção ponto-a-ponto, com inúmeras vantagens, como a redução de capacitância e resistência no caminho do áudio.
E, finalmente, chegamos à construção do gabinete, para abrigar todos esses componentes premium! O projeto do gabinete da Mandolin Ceramik II, exigiu um trabalho de Luthieria, não sendo possível a produção em máquina ou automatizada.
Seu baffle é de laminado de 42 mm desenvolvido pela Audiopax com alta densidade e alto nível de amortecimento, e que é fixado na traseira do gabinete através de peças de madeira maciça de baixa densidade, um conjunto que atua como um amortecedor às influências das reverberações geradas na própria sala de audição.
A Audiopax disponibiliza diferentes opções de madeira para a borda do baffle, com opções que vão do Pau de Viola até o Cedro Vermelho.
O amortecimento interno do gabinete é feito com feltros de lã pura, associados a um material da Mundorf especialmente desenvolvido para absorção chamado de “TWARON Unicorn Tail”.
O gabinete não possui paredes paralelas, evitando qualquer tipo de coloração. E sua curvatura traseira segue o contorno perfeito de um quarto de elipse, e harmoniza com suas paredes laterais inclinadas, criando a impressão de uma caixa acústica menor.
O acabamento final do gabinete é feito com resina epóxi e pintura automotiva em sete camadas, e seu baffle tem detalhes de marchetaria similares às utilizadas na icônica série D-28 de violões acústicos do início do século 20, da Martin Guitars – considerados um marco da luthieria mundial.
Segundo o fabricante, sua sensibilidade é de 92dB, resposta de frequência de 30Hz a 40kHz, impedância nominal de 6 ohms e mínima de 4 ohms. As dimensões são de 1.18m de altura, 32 cm de largura e 46 cm de profundidade. Cada caixa pesa 53 kg.
Ela vem embalada em um seguro e eficiente case – e convenhamos, são poucos fabricantes que embalam suas caixas hi-end com tamanha eficiência e segurança para transporte.
Para o teste, utilizamos nosso Sistema de Referência completo, e também o pré de linha Audiopax Reference (leia teste na edição 311), e os seguintes amplificadores integrados: Norma Revo IPA-140 (leia teste edição 306) e Soulnote A-3 (leia teste na edição 312).
Também, em uma audição preliminar, ouvimos o setup completo Audiopax, o mesmo que foi apresentado no nosso último Workshop Hi-End Show, em abril.
Minha pergunta mais recorrente, até a Mandolin vir por três semanas para teste, era: como soará em uma sala com as nossas dimensões (50 metros quadrados) e como ela se comportará com eletrônicos tão distintos do set Audiopax?
Manterá a mesma assinatura sônica, natural e equilibrada?
Perguntas que foram respondidas à medida em que fui desfilando o nosso arsenal de eletrônicos disponíveis naquele momento para o teste.
A primeira grande surpresa, para mim, foi o quanto sua assinatura é neutra, possibilitando se adaptar a cada uma das eletrônicas que plugamos. Se, com um setup todo Audiopax, ela se apresenta mais para o caráter eufônico, com o sistema Nagra ela mostrou o mesmo grau de neutralidade dos eletrônicos Suíços.
O mesmo ocorreu quando casadas com ambos os integrados: Norma e Soulnote.
O que não será alterado, independente da eletrônica, é seu exímio equilíbrio tonal e sua qualidade na apresentação de texturas e intencionalidades.
Poucas caixas de nível Estado da Arte que testei nos últimos anos, possuem esse grau de harmonia tão impecável. Dificultando ao ouvinte separar quando acaba o equilíbrio tonal e quando entramos na apreciação das texturas.
Os graves são absolutamente corretos, com excelente velocidade, precisão e dois fatores essenciais neste nível de performance: corpo e deslocamento de ar.
A região média é de uma transparência no limite correto, nunca chamando a atenção para si, mas sem perder nenhum detalhe de microdinâmica que esteja ocorrendo nessa faixa. E os agudos, assim como os graves, são corretos, velozes, com corpo e um decaimento muito suave e realista.
Ouvir pratos na Mandolin é uma aula à parte de como os decaimentos, corpo e velocidade devem soar com uma gravação bem-feita. Sem nenhum resquício de vitrificação ou brilho excessivo em pianos, ou em instrumentos de sopro.
Deixando-nos apreciar cada detalhe, sem nenhum sobressalto!
Como sempre lembro aos participantes dos nossos Cursos de Percepção Auditiva: quer apreciar as intencionalidades existentes nas boas gravações, além de perceber sem esforço as paletas de cores de cada instrumento?
Então antes de tudo busque o melhor equilíbrio tonal possível! Pois este quesito, e o quesito texturas, são inseparáveis! Nunca se distanciam um do outro, jamais aparecem de forma precisa isolados.
Jamais haverá uma excelente reprodução de texturas, com uma baixa qualidade no equilíbrio tonal.
Como será possível observar a técnica de digitação ou a intensidade usada ao tocar uma tecla na última oitava da mão direita de um piano, se o equilíbrio tonal estiver errado?
Impossível! Ou como ouvir a sustentação e sutis efeitos em uma nota em um sax barítono por um tempo considerável, se o equilíbrio tonal estiver incorreto?
Percebe como são inseparáveis?
Então não inicie essa jornada sem se certificar que o equilíbrio tonal seja o mais correto possível dentro de suas possibilidades orçamentárias.
O soundstage da Mandolin Ceramik II é maravilhoso, desde que a sala permita, e lhe dê o respiro que necessita para brilhar nesse quesito.
Aqui ela ficou com 4 metros entre as caixas, 1.20 m das paredes laterais e 1.94m da parede às costas das caixas.
Com um toe-in de 25 graus apontado para o ponto ideal de audição.
Os planos são simplesmente magníficos, em camada por camada dos naipes de uma orquestra sinfônica ou uma Big Band! Com foco e recorte absurdamente bem delineados, como se ‘víssemos’ o que estamos somente ouvindo!
Sim, esse é o objetivo final de um sistema hi-end bem ajustado em uma sala acusticamente correta – ‘Ver’ o que estamos ouvindo – sem esforço ou termos que ficar estáticos como uma rocha em nosso ponto de audição.
A Mandolin nos apresenta uma imagem 3D com a qualidade extraída do posicionamento dos microfones na sala de gravação. As paredes ‘caem’, e o ouvinte fica ali submerso naquele universo sonoro à sua frente!
Transientes são uma qualidade inerente a esses falantes Accuton. Nunca ouvi transientes tortos ou letárgicos. Amantes de ritmo, tempo e variação de andamento, tipo composições do guitarrista Robert Fripp, tem a caixa ideal para se deleitar e esquecer do mundo lá fora.
Quanto à macrodinâmica, diria que a Mandolin Ceramik II é muito mais do que se espera olhando para o seu tamanho e seus dois woofers de 6.5 polegadas.
E digo isso não reproduzindo esse quesito apenas em CD, mas também em LP, com exemplos encardidos como a Sinfonia Fantástica de Berlioz ou o Pássaro de Fogo de Stravinsky!
Passou com mérito em todos os exemplos!
E a microdinâmica, como já adiantei com o grau de transparência da caixa e o silêncio de fundo, é muito impressionante. Pois ouvimos detalhes ínfimos como roçar de unhas no traste, digitação semitonada, e todo tipo de ruído de plateia em gravações ao vivo.
Deseja um piano de cauda materializado em tamanho real à sua frente, ou perceber as diferenças de tamanho entre um contrabaixo e um cello, como se você estivesse com eles à sua frente?
Isso é a resposta correta de corpo harmônico. Se o engenheiro foi feliz em captar e não perder essa qualidade na mixagem, a Mandolin irá te mostrar as reais diferenças de corpo entre os instrumentos não amplificados.
E chegamos à questão da materialização física do acontecimento musical à nossa frente.
Lembro-me em detalhes de uma senhora que foi desacompanhada em uma de nossas turmas de Percepção Auditiva, algo muito raro. Ela ouvia os exemplos profundamente compenetrada de olhos fechados e não esboçava nenhum sinal facial que pudesse dar alguma pista do que estava sentindo ou pensando.
E veio finalmente a explicação de corpo harmônico, em que mostrei exemplos de vários instrumentos musicais em três sistemas distintos, e cada um deles tinha apresentações de tamanhos distintos.
No de categoria Ouro, todos instrumentos soavam do tamanho de pizzas brotinho suspensas no ar. Era feio, e nosso cérebro jamais se convenceria que aquilo era algo próximo a ouvir música ao vivo.
O segundo sistema, Diamante de entrada, já conseguia mostrar tamanhos diferentes, porém ainda menores que o real, e havia algumas discrepâncias como vozes soarem maiores do que verdadeiramente soam.
E então mostrei os exemplos em nosso Sistema de Referência da época. E todos entenderam o conceito de corpo harmônico e quando ele está certo ou errado.
E fui para o penúltimo quesito – organicidade. E fiz a explanação do que significa materializar o acontecimento musical à nossa frente, para conseguirmos enganar nosso cérebro e fazermos a imersão completa na música.
Essa senhora ouviu e assim que acabei de tocar em nosso sistema de referência o primeiro exemplo, do tenor José Cura – Anhelo, ela finalmente levantou a mão e fez o seguinte comentário: “Se entendi corretamente essa metodologia, nunca irá existir a correta materialização física a nossa frente se o corpo harmônico estiver errado, é isso?”.
E eu tive vontade de ir até ela e lhe dar um sincero abraço! Pois ela entendeu completamente como nossa metodologia funciona. E se a base de toda essa metodologia é o equilíbrio tonal, os outros quesitos são os tijolos que vão sendo erguidos em cima desta base.
E organicidade só ocorrerá se, além do corpo harmônico ser o mais próximo do tamanho do instrumento real, o soundstage também terá que ser impecável.
Essa tríade precisa estar em perfeita conjunção para o nosso cérebro ser ‘enganado’.
E digo mais: quanto mais perfeita for essa tríade, maior a possibilidade de termos exemplos bem feitos de organicidade em que a música vêm à nossa sala, e em outras gravações nós seremos levados até a sala de gravação.
Um dia escreverei um artigo detalhando como isso ocorre.
Mas o que posso adiantar é que são mais fáceis exemplos dos músicos virem à nossa sala, do que sermos levados até a sala de gravação.
Se quiserem colocar suas mentes brilhantes para funcionar, pensem como esse processo ocorre? Será que tem a ver com o posicionamento dos microfones em relação aos instrumentos? A ambiência é um fator determinante para esse efeito?
E o corpo harmônico? E a sala de gravação?
Pensem, meus amigos… pensem…
A Mandolin me trouxe os músicos à nossa Sala de Referência, e também me levou até as salas de gravação! Ou seja, tivemos a experiência sensorial completa com essas caixas!
Já falei tanto sobre o quesito musicalidade em nossa Metodologia ser bastante diferente do que as pessoas pensam sobre musicalidade, que temo estar ficando chato e repetitivo.
Só que não tem como não lembrar a todos que, para nós, musicalidade é a soma de todos os outros sete quesitos – e que ela não existe isoladamente como uma qualidade que pode estar presente sem o apoio essencial de outras características essenciais na reprodução eletrônica de alto nível!
Acreditar que isso seja possível, é pura quimera!
Achar que um sistema possa ser ‘musical’ soando com transientes letárgicos ou equilíbrio tonal torto, é não ter a menor referência de música não amplificada ao vivo. E confundir ‘eufonia’ com ‘musicalidade’ é outro erro primário que muitos audiófilos cometem por anos a fio.
Um equipamento para ter uma excelente nota no quesito Musicalidade, precisará ter em todos os outros quesitos excelentes notas.
Caso contrário, não será possível.
A Mandolin se mostrou integralmente musical independente do sistema que utilizamos, passando com louvor em todos os oito quesitos de nossa metodologia.
CONCLUSÃO
A Mandolin Ceramik II é a melhor caixa já produzida pela Audiopax, e pode tranquilamente ser apresentada em qualquer evento internacional e ser comparada às melhores caixas de referência hoje comercializadas no mundo todo!
E não é apenas um primor em termos de performance, mas também na beleza de seu gabinete e nos mais sutis detalhes!
Se você não veio ao nosso último Workshop Hi-End Show, em abril de 2025 você terá mais uma excelente oportunidade de ouvir essa maravilhosa caixa Made in Brazil!

| Nota: 103,0 | |
| AVMAG #314 Audiopax atendimento@audiopax.com (21) 2255.6347 (21) 99298.8233 R$ 158.000 | ![]() |

CAIXAS ACÚSTICAS STENHEIM ALUMINE TWO.FIVE
Fernando Andrette
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Depois do teste das Alumine Five SX (clique aqui), meus pensamentos em relação a este fabricante se voltaram para a parte de baixo do seu espectro de opções.
Pois queria saber se todas as virtudes sonoras da Five SX, se manteriam em modelos menores.
E torci para o Fábio Storelli nos possibilitar ouvir ou a bookshelf Two, ou a Two.Five, pois por tudo que já havia lido a respeito de sua linha de entrada, a Three provavelmente teria um ‘DNA sonoro’ bem mais próximo da Five, por ser também uma caixa de três vias, como o modelo maior.
E meu desejo foi atendido, ao receber para teste no início de junho as Two.Five.
O próprio fabricante, em seu site, deixa claro que a Two.Five é a evolução da book Two, para atender aqueles que possuem um espaço maior.
Os conceitos de design e de gabinete são os mesmos da book, com um falante a mais, consequentemente um volume de gabinete maior, mas mantendo um crossover hiper minimalista – para manter todas as qualidades mais apreciadas da book-Two.
Como todas as caixas deste fabricante, elas usam um gabinete ultra rígido de alumínio, com dois woofers de 6.5 polegadas, e um tweeter de domo de tecido de 1 polegada. É uma caixa bass-reflex, com seu duto frontal. Sua sensibilidade é de 93 dB, e pode trabalhar com amplificadores a partir de 10 Watts, suportando picos de até 250 Watts. Sua resposta de frequência é de 35 Hz a 30 kHz, a impedância nominal é de 8 ohms. Sua altura é de 94.5 cm, largura de
23 cm e profundidade de 27.5 cm, e seu peso é de 45 kg.
Utiliza terminais de caixa WBT, não aceitando nem biamplificação nem bicablagem.
As opções de acabamento são: preto total, marfim, ou mocca com a frente e a traseira pretas.
Para o teste tivemos a disposição um arsenal e tanto de amplificadores: integrado Norma IPA-140 (clique aqui), Air Tight ATM-1E (clique aqui), Dan D’Agostino Pendulum (edição Melhores do Ano em janeiro de 2026), T+A PA 3100 HV (edição de outubro de 2025), integrado Moonriver 404 Reference (edição de novembro 2025), integrado
Alluxity Int One MkII (edição de dezembro 2025), powers monobloco M-3 da Soulnote (clique aqui) e Nagras modelo HD (clique aqui).
De cabeça, não me lembro de nenhuma outra caixa testada que teve um leque de opções de amplificadores tão vasto assim.
Cabos de caixa, também utilizamos quatro: nossa referência Dynamique Audio Apex, o Kubala Sosna Realization (edição de dezembro 2025), Zavfino Silver Dart (edição de novembro 2025) e o cabo Speaker Argentum da Virtual Reality (clique aqui).
A fonte digital foi a nossa de referência: TUBE DAC, Transporte e Streamer, todos da Nagra). A fonte analógica: toca-disco Zavfino ZV11X com braço original de 12 polegadas, e o pré de phono Soulnote E-2.
As caixas vieram com quase 80 horas de queima, o que nos ajudou muito na agilização do teste.
Como sempre faço, tocamos nossos discos produzidos pela Cavi Records, no nosso sistema de referência, e a colocamos por mais 100 horas de queima, antes de iniciar a longa maratona de avaliação auditiva.
Se tinha receio que, pelo tamanho de minha sala, elas pudessem ter dificuldade para mostrar suas qualidades em termos de resposta de graves e de macrodinâmica, essa dúvida se dissipou assim que ouvi o CD do Copland – The Music Of America da Telarc (Playlist da edição de agosto 2025).
Seu desempenho foi tão excelente, que já solicitei ao Storelli, caso tenha um par à disposição em abril, para apresentarmos em nossa sala no Workshop Hi-End Show (isso se as tensas questões
geopolíticas se acalmarem, obviamente).
Com mais 100 horas de amaciamento, a caixa ganhou mais respiro nas altas, e seu belo grave aprimorou a ‘fundação’ das notas fundamentais, dando um deslocamento de energia impressionante para o seu tamanho.
Ainda que seja impossível ter a impetuosidade na resposta dos graves do modelo maior Five SX, a Two.Five surpreende tanto pela sua autoridade como pela folga em passagens difíceis em termos de graves.
Ela desce mesmo aos 35 Hz, e sem coloração (como tinha nas antigas caixas vintage com seus woofers de 15 polegadas), e sem perder velocidade e definição.
A região médio-grave se beneficiou muito da queima de 180 horas, pois ganhou corpo e encaixou melhor com os graves, permitindo ter maior deslocamento de ar e presença na reprodução de naipes de contrabaixos e cellos.
Sua região média é muito clara, sem, no entanto, exceder em luz ou transparência. Com isso, os timbres possuem uma naturalidade e vivacidade desconcertantes, possibilitando um acompanhamento pleno de todo tipo de informação (da solística à complexa com múltiplos instrumentos).
E os agudos se apresentam com uma linda extensão, velocidade, corpo (principalmente na apresentação de pratos de condução) e um decaimento que nos permite ouvir em detalhes as salas de gravação (até mesmo quando há excesso de reverberação digital e não da própria sala de concerto).
Se você clama por uma caixa que lhe proporcione, no equilíbrio tonal, o maior prazer auditivo possível, você tem na Alumine Two.Five um grande exemplo de como o equilíbrio tonal é essencial para se evitar fadiga auditiva.
O amaciamento completo também é fundamental para se extrair, desta pequena coluna, um palco sonoro amplo, profundo e com altura correta.
Dê a elas espaço de no mínimo 2.5 m entre elas, e mais 1 metro das paredes laterais e às costas delas, e o resultado será um foco e recorte plenos. Permitindo se apreciar planos e mais planos de uma orquestra sinfônica ou de uma big band!
Na nossa sala elas ficaram a 3.5m entre as caixas 1.5m das paredes laterais e 2.9 m da parede às costas delas. E viradas para o ponto de audição em apenas 15 graus. O resultado foi magnífico.
Então leve em conta essa questão de arejamento, para elas darem o melhor em termos de soundstage.
As texturas são lindas, tanto na paleta de cores para a composição do timbre dos instrumentos, quanto em termos de intencionalidade.
São tantos detalhes… por exemplo em gravações de quartetos de cordas ou vozes à capela, que você vai querer ouvir muitas vezes, para absorver toda aquela riqueza em termos de performance, quanto em termos de complexidade dos arranjos.
A Alumine Five SX já havia me surpreendido em termos de velocidade e precisão de tempo e marcação de ritmo.
Então, ao avaliar o quesito transientes, antes de passar as faixas que usamos para fechar a nota deste quesito em nossa Metodologia, fui ouvir as gravações mais ‘encardidas’, como os solos de tablas do disco Shakti – A Handful of Beauty, pois se tiver um resquício de falta de velocidade, isso é dedurado imediatamente.
A Alumine Two.Five é simplesmente exemplar, pois além de ter tudo dentro do tempo, ela possui um senso de autoridade que se impõe e convence!
Eu praticamente já contei, bem no começo do teste, ao descrever que na reprodução do CD do Copland, meus receios sobre sua resposta de graves caíram por terra.
E ali, tive também a certeza de que a macrodinâmica desta pequena coluna é um problema para inúmeros concorrentes, tanto maiores em tamanho, como talvez em preço.
São umas colunas verdadeiramente ousadas, que não se intimidam em passagens com fortíssimos extensos (como os tiros de canhão da Abertura 1812 de Tchaikovsky, da Telarc, por exemplo).
E, o melhor, reproduz com folga essas passagens, sem engasgo ou endurecimento do sinal.
E quanto à sua apresentação de microdinâmica, você ouvirá todo micro-detalhe sem perder a atenção ao todo – graças ao seu silêncio de fundo. Muito provavelmente seu gabinete, totalmente inerte, contribua para tão belo resultado.
O corpo harmônico não poderia ser tão exuberante como o da Alumine Five SX, mas são muito impressionantes pelo tamanho reduzido desta coluna. E seu cérebro não se incomodará, pois é muito próximo do real de um contrabaixo ao vivo, ou uma tuba ou um piano.
Essa é a maior reclamação que escuto de todos os nossos leitores que participaram dos nossos Cursos de Percepção Auditiva, que evitam ter caixas bookshelf, justamente pela limitação destas na reprodução do quesito corpo harmônico.
Ainda que, mesmo para as recentes books, isso esteja mudando, esses leitores também ficam ‘ressabiados’ com colunas slim e de dimensões menores.
Digo a vocês: a Alumine Two.Five não pertence a esta categoria. Sua reprodução de corpo harmônico satisfaz plenamente quem tem referência do tamanho real desses instrumentos que citei.
A materialização física do acontecimento musical com esta caixa só não ocorrerá se a eletrônica ou a gravação não permitir. Do contrário, se prepare para ter a visita diária dos músicos em sua sala, ali bem próximo de seus olhos!
CONCLUSÃO
O mais difícil para mim, ao acabar a avaliação desta caixa, foi escrever essa conclusão, pois inúmeras questões se mostraram vitais para passar minhas impressões a todos vocês. Então nomeei as mais essenciais.
Vamos lá!
É uma caixa de um tão alto grau de compatibilidade com diversos amplificadores, que tenho certeza de que audiófilos que ainda não sabem qual o caminho que mais desejam trilhar, terão enorme dificuldade para escolher, dentre várias assinaturas sônicas, a melhor eletrônica para extrair todo seu potencial.
Com o arsenal de amplificadores que tive à disposição, até eu em alguns momentos me senti como uma criança em uma loja de brinquedos, tamanha a possibilidade de opções e assinaturas distintas que consegui extrair dessa caixa.
Exemplo: para a sublimação de gravações que me são muito caras pelo lado emocional, o resultado em ouvir essas gravações nos conjuntos de pré e power Air Tight, ou nos monoblocos da Soulnote, foi simplesmente imbatível!
Vozes masculinas e femininas, e pequenos grupos como trios, quartetos e quintetos, tinham um grau de refinamento e beleza, que me fizeram estender essas audições por dias!
Se desejava distensionar essa relação emocional, deixando espaço para o cérebro participar de uma maneira menos emocional, o Moonriver foi essa ponte, mantendo uma distância sem, no entanto, perder o contato emocional proposto.
Agora, se o desejo fosse ter audições menos ‘intensas emocionalmente’, aí tinha não só os Nagras, como também os integrados T+A, Dan D’Agostino, Alluxity e o Norma.
Mostrando o quanto uma caixa flexível pode nos abrir o leque de opções, deixando a nosso critério a escolha da assinatura final de nosso sistema.
Outra qualidade: demonstrar sua versatilidade com amplificadores com potências e topologias tão distintas, e ainda assim manter um grau de autoridade, beleza e folga impressionantes para o seu tamanho.
Eu não imaginaria, antes de ouvir, que esta caixa tocaria tão bem com o ATM-1E de apenas 35 Watts em nossa sala de 50 metros!
E quando digo “tão bem”, estou falando de ter passado pelas 80 faixas que utilizamos no fechamento de notas de todos os testes, sem se engasgar ou ficar em situação delicada.
E, por fim, o seu maior mérito: seu grau de performance de caixas tipo Estado da Arte Superlativo.
E ainda que seja uma caixa cara para nossa realidade, é preciso que todos que tenham condições de ter uma caixa deste valor, levar em consideração que temos caixas até muito mais caras, que não possuem nem esse grau de compatibilidade e muito menos essa versatilidade de soar tão bem com um power de apenas 35 Watts ou um de 250 Watts.
Minha caixa de referência, por exemplo, não tem essa versatilidade e custa muito mais que a Alumine Two.Five.
Se você possui um sistema Estado da Arte Superlativo, ou está a caminho de fazê-lo, possui uma sala de pelo menos 25 metros quadrados e deseja uma caixa refinada e surpreendente do ponto de vista de tamanho, ouça-a e sinta o quanto as caixas acústicas evoluíram nos últimos cinco anos!

| Nota: 103,0 | |
| AVMAG #321 German Áudio comercial@germanaudio.com.br (+1) 619 2436615 R$ 249.900 | ![]() |

CAIXAS ACÚSTICAS STENHEIM ALUMINE FIVE SX
Fernando Andrette
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O ano começou bastante movimentado para nós com a chegada de inúmeros produtos lançados no nosso Segundo Workshop, que ocorreu no final de abril em São Paulo, e um dos destaques (que quem esteve no evento teve a oportunidade de escutar), foi a Stenheim Alumine Five SX.
O fabricante explica em seu site que, em 2024, lançou para a Alumine Five, uma elegante base de alumínio usinado sólido com o objetivo de ter o mesmo resultado da plataforma desenvolvida para a série Reference: maior estabilidade e facilidade no ajuste fino da caixa na sala do ouvinte.
E em termos de performance, o fabricante ressalta que graças à plataforma SX, o nível de amortecimento do gabinete é ainda mais acentuado.
Mas se engana quem acha que a Alumine Five SX seja diferente do modelo Five SE apenas pela introdução dessa sólida plataforma, pois houve modificações no crossover, nos bornes, fiação interna e na colocação de um painel de controle de ambiente – recurso antes só disponível na caixa Reference Ultimate Two – que permite o ajuste de diferentes perfis de graves e agudos para adequação à acústica da sala.
Outro aprimoramento foi a colocação de um conector de aterramento virtual.
Fabricada integralmente na Suíça, a Alumine Five SX é um design de três vias, com drivers desenvolvidos sob supervisão direta do fabricante. Seu gabinete de alumínio impressiona pelo grau de qualidade, acabamento e peso.
O modelo enviado para teste em tom cinza escuro realmente se destacou em meio a tantos equipamentos que estavam na sala nesse primeiro trimestre hiper movimentado.
Suas especificações técnicas, segundo o fabricante, são: impedância de 8 ohms (mínimo de 3 ohms), resposta de 28 Hz a 35 kHz, sensibilidade de 94db SPL, e potência mínima recomendada de 20 Watts. Seu peso com a plataforma é de 139 kg, e ela utiliza dois woofers de 10 polegadas, um falante de médio de 6.5 polegadas e um tweeter domo de tecido de 1 polegada.
Ela possui 4 câmaras frontais independentes, o que ‘teoricamente’ permite que não precisem ficar muito afastadas da parede às costas das caixas.
Com a plataforma, a SX ficou quase da mesma altura que a nossa caixa de referência, a Estelon X Diamond Mk2 – porém essa foi a única semelhança, pois de resto as estradas que ambas trafegam são bem distintas.
Em um universo em que as caixas ultra hi-end atuais utilizam falantes exóticos como plasma, berílio, cerâmica e diamante, a Stenheim optou em todos os seus modelos por falantes de cone de polpa de papel e o tweeter de domo de tecido.
O que pessoalmente me agrada, pois quando bem projetado o timbre é muito natural e correto.
O fabricante fala em, no mínimo, 200 horas de amaciamento – e eu estenderia para pelo menos 300 horas, até os woofers finalmente encaixarem com o falante de médios.
No entanto, o feliz proprietário poderá desde o primeiro momento sentar e ir acompanhando o ‘florescimento’ musical que vai gradativamente sendo apresentado.
O que pode ser frustrante nas primeiras 100 horas de queima, e que nos ansiosos podem ser motivo de insônia, é a pouca profundidade.
Mas isso vai gradativamente se ajeitando à medida que o encaixe entre os dois woofers de 10 polegadas vai se soltando, ganhando extensão, peso, velocidade, e o médio também começa a ganhar corpo e maior transparência.
Concordo que 200 horas serão quase que suficientes para esse encaixe até a região média-alta, só que o tweeter necessita de um pouco mais de queima, para arejar, ampliar sua extensão e redefinir seu decaimento.
E como o usuário menos experiente terá a certeza de que os agudos chegaram lá? Quando os detalhes de ambiência em gravações de música clássica começarem a aparecer e nos mostrar o respiro da sala, tamanho e a qualidade acústica dela.
E se não escuto de maneira alguma música clássica, Andrette, como posso saber se o tweeter chegou lá?
Pratos de bateria, meu amigo, será uma prova segura de que o amaciamento terminou ou não. Se os decaimentos forem corretos, nos permitirá ouvi-los ainda que tenha inúmeras outras informações em frequências próximas, é um exemplo seguro que todo o processo de amaciamento foi concluído.
Aqui com 300 horas a caixa estabilizou integralmente.
Para o teste, utilizamos nosso Sistema de Referência todo da Nagra, e o toca-discos Zavfino ZV11 (clique aqui) com braço de 12 polegadas TZ -1 Granite Series, cápsula Dynavector DRT XV-1T (clique aqui), e pré de phono Soulnote E-2.
No final do teste nos chegou os monoblocos single-ended ATM-2211 da Air Tight, que também foram utilizados no fechamento do teste depois de devidamente amaciados (clique aqui).
Depois das 300 horas de amaciamento, a Alumine Five XS ficou com 4 metros de abertura, 1.98 m da parede às costas delas e 1.20 m das paredes laterais, com nenhum toe-in. Totalmente paralelas às paredes laterais.
Descrever seu equilíbrio tonal não é uma tarefa das mais fáceis, pois ela se confunde integralmente com sua imponente assinatura sônica.
Mas tentarei destrinchar de maneira palatável essas minhas observações.
Caixas com enorme controle e precisão do acontecimento musical, diferem de outros projetos pelo fato de sua assinatura sônica ser quase que uma concepção autoral de seu projetista.
E a Alumine Five SX é um conceito que deixa nítido o que o fabricante entende e persegue como fidelidade.
Seus graves são incisivos, ricos em detalhamento harmônico, orgânicos e com um grau de energia desconcertante. Qualquer gravação que você coloque, a fundação na resposta dos graves irá, de cara, se destacar.
Pois tudo parece ter mais informação com menor distorção, conduzindo o ouvinte a prestar muita atenção em características que provavelmente ele nem sabia existir naquela gravação.
E até o processo de amaciamento terminar, e todo o equilíbrio tonal estar inteiramente ajustado, você irá conviver com esses deliciosos detalhes a cada dia.
Então, meu amigo, se você é um tarado por graves, adora rock (principalmente rock progressivo, em que muitos reclamam que falta peso/energia nos graves, se prepare para belas surpresas). Ouvi gravações que não revisitava há quase uma década, e fiquei impressionado e satisfeito com a leitura da Alumine Five SX.
A região média é de uma riqueza harmônica ímpar, pois consegue ser ao mesmo tempo bastante transparente, porém jamais passando para o lado analítico ou cansativo.
Parece estar no limiar entre o eufônico e o neutro.
Ouvi, para constatar essa impressão, várias gravações do selo GRP, que pecavam por ter um corpo harmônico pobre, o que dependendo da assinatura sônica do sistema, deixa essas gravações um pouco cansativas – e na Alumine Five SX, isso foi muito minimizado.
Ouvi todos os LPs do Dave Grusin e Chick Corea Elektric Band, e posso dizer que os redescobri depois dessas audições na Stenheim.
Os agudos, como levam mais tempo de amaciamento, podem parecer que irão se perder nos médios e graves quentes e realistas. Porém, quando finalmente desabrocham, o resultado é um equilíbrio tonal além de correto, muito convincente e prazeroso.
O soundstage, tirando a profundidade que só será plena após as 300 horas, em todos os outros quesitos é espetacular. Principalmente foco e recorte. Em gravações técnicas de bom nível, chegamos a balançar a cabeça, com o grau de precisão, como ver se o cantor está em pé ou sentado.
Aliás, esse é um detalhe que muitos leitores não levam em consideração – a altura do acontecimento musical – mesmo sabendo que nosso cérebro está atento a tudo.
E esse detalhe é sublime nessa caixa!
Quando totalmente amaciada, a profundidade como um passe de mágica irá se apresentar e aí, meu amigo, o quesito soundstage estará finalizado.
Texturas é outro quesito que para os audiófilos iniciantes não passa de um detalhe – e para quem possui referência de música ao vivo não amplificada é um quesito essencial para nosso cérebro parar e dar total atenção ao que está ouvindo. E aqui, meu amigo, temos uma caixa exemplar para nos mostrar o quanto esse quesito engrandece e dignifica uma audição.
Pois não falo apenas da riqueza na apresentação da paleta de cores, ou das intencionalidades mais evidentes como qualidade do músico do seu instrumento, e da escolha e captação do engenheiro de gravação. Falo da parte mais sutil deste quesito: a intencionalidade do compositor ao escrever a obra.
O grau de tensão ou relaxamento em uma passagem em pianíssimo e a explosão de tons em um fortíssimo, permitindo entendermos exatamente o que o compositor queria nos passar.
Poucas caixas, independente do seu preço, conseguem esse grau de refinamento. Muito poucas, meu amigo.
Mas vamos definir o que vem a ser este refinamento?
É a capacidade que um produto hi-end tem de conseguir, em todos os quesitos de nossa Metodologia, estar perfeitamente equilibrado, não deixando arestas ou buracos entre elas. Deixando de ser apenas uma apresentação correta e coerente, para ganhar requinte e refinamento.
Seus transientes são referenciais em todos os aspectos: ritmo, tempo e andamento. Precisão digna dos relógios suíços, onde você jamais sentirá a música soar letárgica ou sem pegada.
E sua apresentação de macro-dinâmica só ouvi igual na Estelon
Forza. Impressionante sua capacidade de recriar o fortíssimo com total autoridade e folga.
Não tenho dúvida que sua sensibilidade de 94dB está por trás desse desempenho tão impactante. Enquanto outras grandes caixas sentem o baque, ela simplesmente executa o que precisa sem endurecer o sinal ou deixar a imagem compactada e bidimensional.
E a micro-dinâmica é perfeita, sem perda de nenhum detalhe captado e presente na gravação.
Agora, junto com textura, outro quesito que me deixou sem palavras foi sua recriação do corpo harmônico dos instrumentos. Novamente, só escutei reprodução desse quesito neste nível com a Forza da Estelon, que custa o dobro!
Os melhores pianos, contrabaixos, tímpanos, órgão de tubo, corais, trombone, trompa, que ouvi depois da Forza!
E, meu amigo, seu cérebro se delicia com essa possibilidade, pois ele percebe que é verossímil aquele instrumento a sua frente.
Falarei rapidamente sobre a organicidade, já que fica evidente que, com todos esses atributos em tão alto nível, ela só pode nos dar a satisfação de ter os músicos diariamente em nossa sala – e, de vez em quando, também irmos nós até a sala de gravação.
Todos que tiveram o prazer de ouvi-la, se encantaram com a sua capacidade de recriar a nossa frente o acontecimento musical, com tão alto grau de convencimento.
CONCLUSÃO
Escuto de muitos leitores que me dizem que têm enorme dificuldade de definir sua assinatura sônica preferida.
Pois uns preferem uma sonoridade mais eufônica, mas não querem que esta assinatura imprima a todas as gravações essas características. Na outra ponta, existem os que dizem buscar alto grau de transparência para não se perder nenhum detalhe da gravação, mas também não querem deixar seus sistemas cansativos.
Os poucos que desejam o Neutro, receiam o custo desses equipamentos e não se sentem aptos a montar um setup que tenha essa assinatura em toda a cadeia do seu sistema.
Acho que para esses que estão em dúvida, sugiro ouvirem as caixas deste fabricante Suíço. Pois ainda que não me pareçam completamente neutras, este modelo que ficou conosco dois meses e meio, se mostrou suficientemente eclético para mostrar impecavelmente a assinatura sônica do power Air Tight ATM-2211 e dos Nagras HD.
Por isso que no gráfico de assinatura sônica essa caixa ficou na fronteira do Eufônico com o Neutro.
Se deseja o calor e a musicalidade na medida certa, que o deixem ouvir tanto suas gravações tecnicamente limitadas, quanto às boas, você precisa escutar as caixas deste fabricante.
E, na minha opinião, existe um outro diferencial em relação à concorrência, muito forte: sua alta sensibilidade, o que permite uma compatibilidade com uma gama enorme de amplificadores de qualquer topologia, com o mínimo de 20 Watts.
O Air Tight 2211 com seus 33 Watts foi uma verdadeira ‘pêra doce’ para a Stenheim. E ela se casou lindamente tanto com o single ended, quanto com o Nagra HD – algo que é impossível para a minha Estelon.
A Stenheim faz parte daquele seleto grupo de produtos Estado da Arte Superlativo que se destaca tanto pela sua performance como pela sua capacidade de possibilitar ao audiófilo ouvir diferentes topologias até definir qual é a que casa com seu gosto pessoal e com suas expectativas.
Não tenho dúvida que existem leitores que estão à procura exatamente de uma caixa com essas qualidades.

| Nota: 111,0 | |
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