

Christian Pruks
christian@avmag.com.br
Um dia ainda vou perguntar para cada pessoa que entra em uma sala de demonstração, o que essa pessoa detestaria ouvir, e que faria ela sair correndo da sala gritando pela mãe, assim que começasse a tocar.
Porque já vi gente que odeia rock ficar mais de hora ouvindo rock em uma apresentação de sistema, e gente que gosta de jazz antigo fugir de um Sinatra instantaneamente.
Ou muita gente de cabelos grisalhos e cara de contador em férias (camisa social com bermuda, meia preta e chinelo), ficar ouvindo eletrônico do tipo bem barulhento com a cara mais normal do mundo. E, ao ser perguntado “Você gosta desse tipo de música?”, a resposta veio instantânea: “De jeito nenhum”. Mas ficam lá ouvindo, com cara de paisagem. Vai entender…
Aliás, ao mesmo tempo que você quer manter um possível cliente ouvindo atentamente seu sistema em demonstração, você sabe que certos tipos de música nada dizem sobre a qualidade do sistema – mesmo que a pessoa esteja com preguiça de sair correndo morro abaixo gritando.
E esse é o ponto: Mùsica de Demonstração.
Além de frequentar outras feiras, quando posso, e ver pela Internet o que toca na maioria das grandes feiras do mundo, sou um dos organizadores do nosso Workshop Hi-End Show, todos os anos no fim de abril.
E o velho-oeste dos filmes, sem lei e sem ordem, é algo que parece ter sido criado por relojoeiros suíços perto de uma visão geral do cenário ‘musical’ atual apresentado em eventos de áudio. Chega a ser chocante!
E olha que o que eu levo menos em conta, é o meu gosto musical – porque, como já disse antes várias vezes, quando você vai avaliar se um chef de cozinha é bom ou ruim, você não o define como um ‘mau chef’ simplesmente porque ele fez um prato que você não curte, ou porque você tem comido muito desse prato recentemente e está ‘enjoado’ de comer aquilo, ou qualquer coisa desse gênero – isso seria muito amador da parte do avaliador, e injusto também.
E é aí que eu digo: o audiófilo é o seu pior inimigo! Fazendo coisas assim, ele está se prejudicando, na verdade – pois já é preciso dar descontos e ‘ouvir nas entrelinhas’ para avaliar o potencial das coisas quando se está na demonstração de um sistema. Porém, quando usamos música mal gravada ou insuficiente para mostrar as características daquele equipamento, ou quando dispensamos música que não gostamos ou “que já ouvimos demais”, estamos perdendo a oportunidade, às vezes rara, de conhecer melhor um equipamento que pode ser um futuro upgrade certeiro.
Muitos reclamam da música por causa de seu ‘gosto pessoal’ – e eu até entendo. Porém, a correta avaliação, na minha opinião, se dá com música que é ‘boa para avaliação’, que mostra as qualidades e capacidades do sistema avaliado – que, muitas vezes, pode não ter nada a ver com nosso gosto pessoal, mas que em sua maioria não chega a ser uma música ofensiva.
Mas, acontece “eu fui lá no evento só para ouvir música”! Eu também ia ao Salão do Automóvel ver carros que, mesmo jovem, eu já sabia que nunca teria, mas eu era, como todo jovem, um aficionado de carros – ou seja, um ‘carrófilo’ – então não era só paixão completamente subjetiva sobre eles: eu queria entender em profundidade!
Eu falo tudo isso, porque sempre espero que o audiófilo queira obter o melhor de sua experiência em uma demonstração de um equipamento ou sistema – seja isso em um showroom de revenda ou em uma feira de áudio.
Somos, afinal, uma maioria de aficionados cuja razão de ser é entender em profundidade sobre nosso hobby.
E, existe também o caso da ‘Música Inócua & Chata’, com os ‘Percussionistas de Copos de Alumínio da Ilha de Pulau-Pulau Bompa’… Música de gosto pessoal estranho de quem a selecionou, que ao mesmo tempo consegue ser completamente desinteressante para a maioria esmagadora da população, e também conseguir não dizer, não expressar NADA, sobre o sistema que está tocando.
E, sobre essa, muitos demonstradores em feiras têm muito o que aprender – pois é como um fabricante de carros prover um Test Drive de seus carros que consiste em pôr o mesmo para frente e para trás meia dúzia de metros apenas. Ou rodar 10 quadras somente na primeira marcha.
De nada serve uma demonstração que a pessoa não ouve porque a música não era de seu gosto pessoal.
De nada serve uma demonstração que a música não era do gosto pessoal de quase ninguém na face da Terra, ou uma música que nada diz, que nada expressa sobre as Qualidades e Atributos Sonoros do sistema ou equipamento específico
Nos vemos em julho!
