

Fernando Andrette
fernando@avmag.com.br
O Sennheiser HD 550 já estava na minha lista de avaliações prioritárias para este ano. Então, quando recebi o modelo da Sennheiser ao término do nosso Workshop Hi-End Show, em abril, tratei imediatamente de colocá-lo em amaciamento por 50 horas antes de iniciar qualquer avaliação crítica.
E qual o motivo de tanta expectativa? Uma palavra: neutralidade.
Quem acompanha nossos cursos e testes aqui na revista sabe o quanto considero esse conceito essencial em qualquer equipamento de áudio verdadeiramente sério. E foi justamente essa característica que a própria Sennheiser destacou no lançamento da linha HD 50.
Segundo o fabricante, o grande diferencial da série seria exatamente sua proposta sonora neutra. E posso adiantar: no HD 550 essa promessa foi levada muito a sério.
O modelo herda praticamente toda a estrutura física do Sennheiser HD 505: mesmo chassi, mesmas almofadas, mesmo arco, mesmo cabo e até a mesma bolsa de transporte.
As diferenças ficam basicamente restritas ao acabamento visual. Enquanto muitos consideram o HD 505 mais moderno, o HD 550 aposta em uma estética mais sóbria e discreta.
Mas estamos falando aqui de um fone aberto circumaural – característica que naturalmente restringe seu público.
Fones abertos não são ideais para ambientes externos, escritórios compartilhados ou casas movimentadas. Eles vazam som e permitem a entrada de ruídos externos.
Por outro lado, quando utilizados no ambiente correto – principalmente em salas silenciosas ou audições noturnas – conseguem oferecer um nível de naturalidade e conforto auditivo difícil de alcançar em modelos fechados, ou sem fio, na mesma faixa de preço.
E é exatamente aí que o HD 550 começa a impressionar.
Ergonomicamente, ele é leve, extremamente confortável e transmite excelente sensação de durabilidade. O encaixe é firme sem gerar pressão excessiva, permitindo movimentação sem aquela insegurança típica de alguns modelos mais leves.
O fato de envolver completamente as orelhas também contribui bastante para o conforto em longas sessões.
Seu transdutor de 38 mm é fabricado em Tullamore, na Irlanda e, segundo a fabricante, apresenta resposta de frequência de 6Hz a 39.5kHz, com distorção harmônica inferior a 0,2% em 1kHz.
Os drivers são posicionados de maneira inclinada em direção aos ouvidos, solução que ajuda bastante na espacialidade e na naturalidade da apresentação.
Sempre gostei de fones abertos de alto nível justamente pela capacidade de reproduzir música com maior arejamento e menor fadiga auditiva. E o HD 550 entrega isso com enorme competência.
Utilizei o fone tanto no amplificador de fones do Nagra TUBE DAC, quanto diretamente no celular.
Seu Equilíbrio Tonal é simplesmente excelente. Os graves possuem precisão, velocidade e peso corretos, sem exageros artificiais. Há energia suficiente para uma audição envolvente mesmo em volumes seguros.
A região média é apresentada com enorme naturalidade e inteligibilidade, favorecendo tanto vozes quanto instrumentos acústicos.
Já os agudos possuem aquela ‘magia’ normalmente encontrada apenas em fones muito mais caros: excelente extensão, grande sensação de ar e um decaimento extremamente suave.
Resultado?
Praticamente zero fadiga auditiva, mesmo em sessões longas.
As Texturas acompanham o mesmo nível de refinamento do Equilíbrio Tonal. A riqueza harmônica impressiona e permite perceber nuances tímbricas, intenções interpretativas e até limitações técnicas das gravações com enorme facilidade.
É um daqueles fones capazes de revelar desde escolhas de microfonação até posicionamento de captação e a qualidade dos instrumentos utilizados na gravação.
Para quem busca referência confiável para ajuste fino de sistemas, considero o HD 550 uma ferramenta extremamente segura.
Seu grau de neutralidade pode ajudar a identificar problemas em caixas acústicas, eletrônicos ou até na acústica da sala.
Os Transientes também merecem destaque. A resposta de tempo e ritmo é rápida, precisa e muito envolvente, favorecendo especialmente gêneros com maior demanda rítmica.
Na Dinâmica, tanto macro quanto micro, o desempenho é muito convincente. Continuo utilizando o Bolero, de Maurice Ravel, como uma das minhas principais referências para avaliar comportamento dinâmico em fones.
Defino o volume logo no primeiro compasso e mantenho exatamente o mesmo ajuste até o final da obra – algo que em muitos fones se torna desconfortável conforme a música cresce do pianíssimo ao fortíssimo.
O HD 550 passou por esse teste com enorme mérito.
Seu silêncio de fundo e sua estabilidade tonal ajudam a manter a audição confortável mesmo nas passagens mais intensas.
Quando todos os parâmetros da Metodologia aparecem tão bem equilibrados, surge naturalmente aquela sensação de Organicidade: a impressão de que a música simplesmente flui sem esforço.
E talvez esse seja o maior elogio possível para um fone de ouvido.
O Sennheiser HD 550 consegue unir neutralidade, refinamento, conforto auditivo e musicalidade de maneira admirável.
Mais impressionante ainda é perceber que tudo isso acontece sem exigir investimentos exorbitantes.
Ainda é cedo para afirmar que estamos diante da melhor relação custo/performance do ano.
Mas uma coisa é certa: qualquer concorrente que queira superá-lo precisará ser realmente excepcional.
O HD 550 é admirável – e sinceramente surpreendente – pelo que entrega em sua faixa de preço.
PONTOS POSITIVOS
Grande neutralidade.
PONTOS NEGATIVOS
Por ser aberto, pode não ser ideal em grandes centros urbanos ou ambientes barulhentos.
ESPECIFICAÇÕES
| Cabo | 1.8 m |
| Tipo | Over-ear |
| Material da almofada | Veludo sintético |
| Resposta de frequência | 6 Hz a 39.5 kHz |
| Impedância nominal | 150 Ω |
| Pressão sonora (SPL) | 106.7 dB / 1 V RMS |
| THD – Distorção harmônica | <0.2% (1 kHz / 90 dB SPL) |
| Princípio do transdutor | Dinâmico, aberto |