

Fernando Andrette
fernando@avmag.com.br
A Organização Mundial da Saúde vem alertando há anos para os riscos associados ao uso inadequado dos fones intra-auriculares, os populares in-ear.
Embora extremamente práticos e eficientes, principalmente em ambientes ruidosos, esses fones exigem alguns cuidados adicionais para que não se transformem em uma ameaça à nossa saúde auditiva.
O principal motivo é simples: por direcionarem o som diretamente para dentro do canal auditivo e ficarem muito próximos ao tímpano, a pressão sonora percebida pode ser significativamente maior do que a produzida por muitos fones externos.
O resultado é que muitos usuários acabam ouvindo música em níveis potencialmente perigosos sem sequer perceber. Outro aspecto preocupante é a questão da higiene.
O uso frequente dos fones intra-auriculares pode empurrar a cera para regiões mais profundas do canal auditivo, dificultando sua eliminação natural.
Além disso, o aumento da umidade e da temperatura dentro do ouvido cria condições favoráveis para irritações e infecções recorrentes, como as otites.
Por esse conjunto de fatores, a OMS recomenda uma regra simples e fácil de lembrar: 60/60
Se após o uso dos fones você perceber:
O ideal é procurar avaliação com um otorrinolaringologista.
Sei que nossa insistência nesse tema pode parecer repetitiva. Mas toda vez que novos alertas surgem, considero importante voltar ao assunto. Afinal, para nós que amamos música, preservar a audição é tão importante quanto escolher bons equipamentos.
O Equilíbrio Tonal Também Protege Sua Audição
Existe ainda um aspecto pouco discutido. Muitas pessoas acreditam que ouvir alto é apenas um hábito. Nem sempre!
Frequentemente o problema está na qualidade do próprio fone. Fones com equilíbrio tonal deficiente costumam apresentar graves insuficientes, médios confusos ou agudos excessivamente destacados.
Como consequência, o usuário aumenta o volume na tentativa de recuperar informações que o fone simplesmente não está reproduzindo adequadamente.
Por isso, sempre recomendo um teste muito simples para avaliar seus fones.
Monte uma playlist que você conheça bem e ajuste o volume do celular para aproximadamente 60%.
Em seguida, faça algumas perguntas:
Consigo ouvir todas as frequências sem esforço?
O grave possui presença e definição adequadas?
Consigo acompanhar a linha de baixo e o bumbo sem que eles encubram os médios?
As vozes permanecem inteligíveis?
Os agudos soam naturais ou se tornam agressivos e estridentes?
Se o seu fone responder positivamente a essas questões mesmo em volume moderado, parabéns. Provavelmente você fez uma boa escolha.
Agora, se a 60% do volume os graves praticamente desaparecem — algo muito comum em fones com equilíbrio tonal limitado — não aumente o volume para compensar. Seu ouvido pagará essa conta.
Nesses casos, o melhor investimento costuma ser a substituição por um modelo mais equilibrado e eficiente.
Um Investimento para a Vida Toda
O mercado atual oferece excelentes opções para praticamente todos os gostos e orçamentos.
E, ao contrário do que muitos imaginam, investir em um fone melhor não significa apenas obter mais qualidade sonora. Significa também reduzir a necessidade de ouvir em volumes elevados.
Ou seja, mais prazer musical e menos desgaste auditivo. Nossa audição é um patrimônio insubstituível.
Amplificadores podem ser trocados. Caixas acústicas podem ser atualizadas.
Fones podem ser substituídos. Mas nossos ouvidos não.
Por isso, se você está pensando em fazer um upgrade ou simplesmente avaliar seus fones atuais, comece pelo mais importante: verifique se eles permitem ouvir música com conforto, equilíbrio tonal e total inteligibilidade em volumes seguros.
Seu cérebro agradecerá! E seus ouvidos também!