

Christian Pruks
christian@avmag.com.br
Eu sempre fui interessado em tecnologias para áudio – só sou conservador quanto à tecnologias mirabolantes, como áudio 3D, e suas influências e reais possibilidades relacionadas ao que realmente importa: Qualidade Sonora. Ou seja, tem um bocado de tecnologias bem sucedidas que têm espaço apenas para áudio para mercado ‘consumer’.
Isso até me provarem o contrário – e isso só se prova com resultados finais: o famoso “como toca”.
A busca pessoal, ou simples interesse pela chamada amplificação ‘digital’ ou classe D, começou com o tal milagroso amplificador de 6 Watts com o inovador chip Tripath TA2020, que eles chamavam de “classe T”, ou “T-Amp”, que trazia eficiência de mais de 90%, ou seja, consumia pouco, quase não esquentava, e tinha alta qualidade sonora nos tais 6 Watts. E tudo isso não deixa de ser verdade, mas a utilidade de 6W por canal é muito pequena.
Até que eu descobri que a Tripath fazia outros chips – e placas inteiras prontas – de potência classe T, com potências que ultrapassavam 45W por canal. Aí sim valeu a pena montar uma placa dessas em uma ‘caixa de sapato’ com uma fonte e um potenciômetro de volume passivo – coisa que o Ulisses da Sunrise Lab fez para mim, e usei durante um bom tempo. Depois de vários ajustes de fonte e ajustes na sensibilidade de entrada da plaquinha (menor que um maço de cigarros), ficou dando um som bem honesto.
Nesse meio tempo, fiquei sabendo que a Sharp fez amplificadores classe D que eles chamavam de “Purepath”, onde o sinal era tratado todo no âmbito digital, e só convertido para analógico após amplificado. Nunca ouvi esses Sharp, mas obtive depoimentos… O que veio parar na minha mão foi um dos poucos receivers Digital Purepath que a Panasonic fez, mais compactos, não esquentavam, usavam tecnologia semelhante (ou igual) a da Sharp – e o som era muito interessante: dinâmico, silencioso e detalhado.
Mas enquanto que o Tripath era chocho e ausente de definição (e a própria empresa não vingou), os Sharp, os Panasonic, e os mais recentes módulos ICE Power (da Bang & Olufsen) e os módulos UcD (Universal class D) da Hypex (feitos na Holanda há mais de 20 anos), todos foram responsáveis por criarem o mito que fez com que a amplificação classe D fosse adorada por alguns e detestada pela maioria.
Mas, por que são detestados?
A má fama se dá por terem um som que, apesar de silencioso, dinâmico e detalhado, soa frio, magro nos graves (que são, em sua maioria, pífios) e têm um som geral fatigante e artificial.
Hoje é fácil de encontrar amplificação classe D em quase todos os dispositivos de linha de consumo, desde os fones wireless, passando por todos os microsystems, TVs, caixas amplificadas, soundbars, caixas Bluetooth portáteis, etc e tal.
Acontece que os citados, como ICE Power e o Hypex, e suas variações, são usados por muitos fabricantes de áudio hi-end, com resultados variados, mas quase nenhum deles satisfatórios na medida de que não conseguem soar quentes e naturais como um classe AB – e fazem os fãs de valvulados, por exemplo, fugirem desses correndo rua abaixo gritando com os braços para cima!
Eu acabei desistindo, nesse meio tempo, de achar classe D interessante.
Mas, apenas sob ponto de vista que, na década de 60, o transistor era visto pela então dominante válvula, do mesmo jeito: algo artificial e fatigante! E não demorou muitos anos para que o transistor se mostrasse excelente, e passasse a dominar o mundo do áudio de qualidade desde então – quase 60 anos!
Eu sabia, portanto, que assim como acertaram o transistor – e acertaram o som do CD e das fontes digitais como reprodução de arquivos e streamers – também acertariam um dia o classe D.
E já começaram a acertar! Porque existem hoje amplificadores classe D chineses que têm som de classe AB, por preços (e tamanho) diminutos pela qualidade sonora e potência decente que conseguem entregar! E eu acho que isso é apenas o começo.
E o interessante é que, apesar de praticamente hoje apenas os chineses fazerem amplificadores audiófilos com esses chips, os dois bons chips disponíveis foram desenvolvidos e são fabricados um por uma empresa americana (Texas Instruments) e outro por uma empresa alemã (Infineon). Isso, claro, os que propagandeiam, os que falam abertamente qual é o chip classe D que usam. E desses aí, eu não só já ouvi como efetivamente tenho amplificadores usando esses chips – e eles já estão chegando perto de bons classe AB!
O que eu não contava é que existem audiófilos e fabricantes que efetivamente preferem e querem esses classe D que soam artificiais e fatigantes!
Vai querer entender!
Mas, isso seria assunto para outro tipo de conversa…
Bom julho e boa música para todos!