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Fernando Andrette
fernando@avmag.com.br

Será que todo o nosso esforço editorial para alertar sobre os riscos de ouvir música em volumes excessivos está surtindo efeito?

Nossos leitores estão levando a sério os sinais que o sistema auditivo envia após longos períodos de exposição a volumes elevados?

Quero acreditar que sim. Espero que, após tantas leituras sobre os perigos aos quais estamos expostos diariamente – seja pela poluição sonora das grandes metrópoles, seja pelo uso inadequado de fones de ouvido – todos tenham compreendido a necessidade de redobrar a atenção e manter disciplina na preservação da audição.

Nosso compromisso editorial é reforçar, continuamente, as consequências que o excesso de volume provoca sobre a saúde auditiva.

Possuímos uma quantidade limitada de células ciliadas, estruturas responsáveis por transformar as vibrações sonoras em impulsos elétricos para que o cérebro possa interpretar os sons.

Quando expostas durante muito tempo a níveis elevados de pressão sonora, essas células sofrem danos irreversíveis, pois não possuem capacidade de regeneração.

Como consequência, ocorre uma redução gradual da capacidade de perceber sons agudos. Posteriormente, surgem dificuldades para compreender conversas em ambientes com muitas pessoas e, em estágios mais avançados, aparece a incômoda sensação de ouvido tampado, até que a perda auditiva se torne permanente.

O primeiro sinal costuma ser aquele chiado ou zumbido que permanece por horas após a exposição ao som intenso e que, muitas vezes, desaparece depois de uma boa noite de sono.

Se levarmos esse primeiro alerta a sério, ainda é possível interromper a progressão do problema e preservar a audição. Portanto, jamais subestime esse sintoma quando ele surgir.

Os prejuízos da exposição prolongada ao volume elevado não se limitam à audição. Outro efeito importante é o aumento da produção de cortisol, hormônio que mantém o cérebro em estado permanente de alerta.

Com o passar do tempo, esse excesso de cortisol pode provocar cansaço mental, dificuldade de concentração, irritabilidade e um sono cada vez menos reparador.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) mantém recomendações claras para o uso seguro de fones de ouvido: utilizar volume de, no máximo, 60% da capacidade do aparelho, preferir modelos com cancelamento de ruído em ambientes urbanos, fazer pausas de cinco a dez minutos a cada hora de uso contínuo, e jamais dormir utilizando fones.

Os números continuam alarmantes: cerca de 1 bilhão de jovens entre 12 e 35 anos já apresenta algum sintoma relacionado à perda auditiva.

Segundo o estudo Prevalence and Global Estimates of Unsafe

Listening Practices in Adolescents and Young Adults, publicado na revista BMJ Global Health, as estimativas utilizadas pela OMS já podem estar defasadas. A meta-análise aponta que esse número provavelmente já alcança aproximadamente 1.35 bilhão de pessoas.

Esses dados reforçam, de forma inequívoca, a urgência da implementação de políticas públicas voltadas à prevenção da perda auditiva causada pela exposição prolongada a volumes elevados.

Jamais perco a oportunidade, durante nossos eventos e entrevistas, de lembrar a todos da gravidade desse problema, que já assumiu proporções globais.

Se cada um de nós fizer a sua parte – divulgando os riscos, orientando filhos, amigos e familiares – talvez possamos contribuir para reverter esses números tão preocupantes.

E você? Já se conscientizou da importância de proteger a sua audição?

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