

Christian Pruks
christian@avmag.com.br
Uma nova seção mensal – trazendo disparates ditos sobre áudio e audiofilia!
patacoada (substantivo feminino)
dito ou ação ilógica; disparate, tolice.
gracejo desabusado.
Em cartaz, este mês, os seguintes ‘gracejos desabusados’:
‘ESPECIALISTAS’ DIZEM QUE PARA QUEM TEM AUDIÇÃO DIMINUÍDA PELA IDADE, ARQUIVOS HI-RES NÃO TÊM SERVENTIA NENHUMA
A questão parece ser conectada com o fato de arquivos de áudio em Hi-Res, em alta-resolução, terem resposta de frequência estendida como uma das características da extensão de sua taxa de amostragem. Por exemplo: 44.1kHz de amostragem significa uma resposta de frequência de 22.05kHz. Portanto, o arquivo em 96kHz tem resposta de frequência dos agudos estendida até 48kHz – isso se o conteúdo musical tiver informações até essa faixa de agudos, que geralmente são de harmônicos e não das frequências fundamentais, pois praticamente não há instrumentos que alcancem tão alto.

Há também um outro pequeno percalço: o ser humano ouve apenas até 20kHz – e isso quando é criança! Mas, claro, harmônicos e sub-harmônicos de fundamentais que soaram em frequências fora da área audível, podem influenciar a qualidade das frequências audíveis.
Daí que, digamos que alguém, com mais idade, escute plenamente até 13kHz – isso não quer dizer que a audição dessa pessoa acaba aí, e sim que a partir daí ela diminui a sensibilidade – então ela pode sim colher parte dos frutos dos ganhos de qualidade por causa da resposta de frequência estendida de uma gravação em Hi-Res! E isso é apenas um aspecto qualitativo que a Hi-Res provê – e tem outros – mas este é o relevante à questão.
A pergunta que fica é: se o ser humano não ouve lá tão alto por definição, mas percebe melhoras harmônicas na sua área audível, então se o Hi-Res não serve para nós velhos ‘decrépitos’, então será que o pessoal mais novo vai substituir os tweeters de suas caixas por ‘apitos para chamar cachorro’?
Ou eu sou o único que achou que essa discussão específica, causada pelos ‘Tarados Pela Tecnologia’, é mais infrutífera que um cacto?
FABRICANTE DIZ QUE SE AS CAIXAS PRECISAM DE UM AMBIENTE ACÚSTICO PROPÍCIO PARA SOAREM BEM, TEM ALGO ERRADO COM AS CAIXAS
Isso é de uma desonestidade incrível – e de uma desonestidade totalmente desnecessária, porque é um ‘tiro no pé’, já que a caixa do tal fabricante também não vai dar o seu melhor em qualquer posição ou ambiente, porque simplesmente isso não existe.

Sempre, em um ambiente com uma acústica minimamente mais limpa de ondas estacionárias e colorações – essas causadas por brilhos, reflexos, retenção de frequências, etc – uma caixa vai soar melhor do que em um ambiente (ou em uma posição) ruim. E o sistema automático de Room Correction não irá salvar o dia, apenas irá melhorar a situação em detrimento, também, da Qualidade Sonora, porque irá diminuir o problema subtraindo do som e alterando o som.
O que as pessoas falam de besteira achando que vão ter mais vendas da base da mentira e da enganação, me deixa careca!
‘ESPECIALISTAS’ DIZEM QUE NÃO EXISTE DIRECIONALIDADE EM CABOS DE SINAL
Se você não ‘acredita’ que cabos de áudio soam diferentes (não percebe essas diferenças), então não há nenhuma explicação que lhe será convincente.

Muitos de nós, audiófilos – e muitos que nada têm a ver com o hobby – percebem essas diferenças. E onde existem diferenças, e existem padrões e referências sonoras a serem seguidos, claramente existirão cabos melhores e cabos piores, especialmente se você tem um sistema resolutivo e equilibrado.
Pois bem. A teoria da engenharia diz que, em cabos onde trafega um sinal elétrico de corrente alternada – que são os cabos de sinal – o fluxo de elétrons vai e vem, muda de direção, e isso invalida, portanto, a ideia de diretividade em cabos.
Acontece que existem outros fatores a serem levados em conta. O primeiro é: muitos de nós sabemos sobre o amaciamento de cabos, quando são novos. Temos a explicação cartesiana para isso? Não, mas sabemos que acontece porque testemunhamos acontecer (é aquele velho caso onde a prática, o fato, informa a teoria científica – ou, como diria um engenheiro amigo de longa data “Na prática, a Teoria é outra”). Não me cabe provar cientificamente a prática disso, mas provaria se soubesse como.
O fato é que, se você pegar um cabo de interconexão que você sabe que sua topologia é idêntica de ponta a ponta, em todo seu comprimento, e ligá-lo quando novo, perceberá que seu som é duro, falta-lhe graves e sobra-lhe agudos. E, ao amaciá-lo durante algumas dezenas de horas, essa dureza irá desaparecendo e o grave começará a encher. Todos nós que sabemos como cabos são, já testemunhamos isso.
Agora, se você inverter a direção desse cabo, fisicamente, recém amaciado, ele soará aproximadamente como ele era quando zero km! Então, alguma direcionalidade ele tem!
Uma coisa mais clara, nesse assunto, é quando o cabo é diferente dos dois lados, seja por espessuras diferentes de condutores, alterações nas torções e outras questões de topologia. Existem, por exemplo, cabos que têm blindagens que são flutuantes em um extremo do cabo, porém conectadas ao terra do lado do amplificador, por exemplo, e necessitam, para correto funcionamento, que a direcionalidade do cabo seja respeitada para dar sua melhor performance, de acordo com como foram projetados.
Por hoje é só, pessoal.
“Se você quiser três opiniões distintas, pergunte para dois audiófilos!” – frase jocosa da década.
E que junho nos traga ainda mais Patacoadas Divertidas!