

Fernando Andrette
fernando@avmag.com.br
Uma das maiores qualidades do ser humano, é a motivação de ir sempre além dos feitos já alcançados. Tenho profundo respeito por aqueles que não se contentam com o que já fizeram e buscam aprimorar o que já reconhecidamente foi apreciado.
Então, quando o Daniel Hassany da Dynamique Audio me disse que estava trabalhando em uma evolução da linha Apex, confesso que fiquei com um misto de curiosidade e apreensão.
Curiosidade pelo fato de ter testado boa parte de sua linha de cabos, e ter observado uma enorme coerência e aplicação de seu conceito de neutralidade, desde a série intermediária até os cabos mais sofisticados, como Zenith e Apex.
E por usar a série Apex como nossos cabos de Referência por mais de três anos, me perguntei se seria possível avançar sem perder nada de suas inúmeras qualidades sonoras.
Nos nossos dois últimos Workshops, usei em todos os sistemas apresentados em nossa sala os cabos da Dynamique.
No total foram 9 sistemas apresentados, com assinaturas sônicas muito distintas, e sempre lembrei a todos os participantes que se os cabos utilizados em todos esses setups não fossem o mais neutros possíveis, dificilmente poderíamos observar com tanta transparência as qualidades sônicas de cada um deles.
Pois sabemos que ainda hoje muitos audiófilos em todo o planeta usam cabos para ‘corrigir’ problemas de equilíbrio tonal em seus sistemas, e a falta de tratamento acústico de suas salas de audição.
Digo em nossos Cursos de Percepção Auditiva que isso é o mesmo que usar fita isolante para tapar um buraco em um cano de água.
Passei a vida ouvindo ‘dicas’ de vendedores e audiófilos ‘mais experientes’ dando conselhos aos iniciantes de como resolver a falta de agudos de sua caixa acústica, colocando um cabo de caixa com fio de prata, ou para os que tinham excesso de agudos, escolher um cabo de caixa de puro cobre.
E ainda hoje, nas rodas audiófilas, esses ‘conselhos’ circulam como o toque mágico para o ajuste do equilíbrio tonal.
E muitos seguem à risca essas dicas e manifestam nos fóruns, o quanto resolveu essa troca!
Quando me perguntam o que acho dessa solução, costumo responder com outra pergunta: Quando se fizer um upgrade nas caixas, você está preparado para também trocar os cabos? E engato outra: Como você irá realizar a escolha da nova caixa com o cabo que você possui atualmente?
São questões relevantes, e que muitos esquecem de colocar na equação.
Imagine a seguinte situação: você, no passado, para dar mais extensão aos agudos, escolheu um cabo de prata pura, para ‘sanar’ o problema de extensão. Suponhamos que agora no upgrade que você deseja fazer uma das caixas que você ouviu na casa de um amigo ou em uma revenda, tenha lhe chamado atenção pela naturalidade e decaimento suave nos agudos. E ao ouvi-la em seu sistema, os agudos soam brilhantes em excesso.
Você irá se lembrar que o cabo que está usando pode ter feito a caixa passar do ponto, ou irá chegar à conclusão de que ela não é tudo isso que você ouviu em outro sistema, com um equilíbrio tonal mais correto?
Isso é muito mais comum ocorrer do que você imagina.
Agora, se ao montar todo o seu setup desde o início sua prioridade for a busca do melhor equilíbrio tonal dentro do seu orçamento e as condições de sua sala de audição, cabos mais neutros serão uma opção inteligente e bastante bem-vinda. Pois cabos neutros possuem uma sobrevida muito grande em futuros upgrades.
“Mas, como eu reconheço que um cabo é mais neutro, Andrette?”
Ouvindo-o em vários sistemas e observando se o equilíbrio tonal é alterado. E, para isso, você precisa de Referência e de Metodologia – não tem mágica ou achismo!
Quando você escuta um cabo neutro em dois sistemas bem corretos e sinérgicos, o equilíbrio tonal não se altera.
As diferenças serão da assinatura sônica do sistema, e não do cabo.
E os cabos da Dynamique Audio são primorosos nesse objetivo.
O que é excelente para quem busca o ajuste fino do seu sistema, e catastrófico para os que buscam tapar problemas com cabos em seus setups.
Por isso que tenho o maior respeito pelo Daniel Hassany, pois ele foi corajoso demais ao buscar esse resultado – e ele irá frustrar a todos audiófilos que ainda querem que cabos deem ‘um tempero’ ao seus sistemas.
E com isso ele certamente perde boa parte de consumidores audiófilos. E, por outro lado, os que entendem sua filosofia, tornam-se fiéis a marca.
O Apex 2 é uma evolução em todos os sentidos. Desde o acabamento até sua exuberante performance!
Novos plugs e novos fios condutores. No Apex 2 foram utilizados dois condutores de 3/26 AWG por canal, unidos em espiral, que combinam os benefícios dos condutores de núcleo sólido e multifilares.
A prata agora é revestida com paládio, em vez de ródio. E os cabos de cobre agora são revestidos de ouro.
Os novos amortecedores de ressonância agora são duplos por canal, com uma camada de amortecimento trançada. A Prata pura é 5N, assim como a prata revestida de paládio (5N) e como a prata pura revestida de ouro (5N). E o cobre revestido com ouro é 7N.
O número de condutores também mudou para seis de núcleo sólido e dois condutores multi-núcleo, com bitolas: 20 AWG, 22 AWG, 24 AWG e 26 AWG. O isolamento é PTFE Teflon, super espaçado por ar. A geometria é de Matriz octogonal, com design quad-balanceado.
A camada interna de amortecimento é feita em tecido com dois amortecedores de ressonância com trava por canal. As terminações RCA são WBT Nextgen prateado, e as XLR são Dynamique dourado.
Como todo cabo Dynamique, é altamente maleável e fácil de manusear e instalar, mesmo em espaços reduzidos e apertados.
E seus equipamentos não correrão o risco de serem danificados com o peso do cabo ou um diâmetro de mangueira de jardim.
Para o teste utilizamos os dois cabos (1 balanceado e 1 RCA) em nossa configuração de Referência e em todos os equipamentos que fizeram parte do nosso Workshop.
Além do DAC Weiss Helios (clique aqui) e do DAC Nadac D (teste edição de julho de 2026). E nos prés de phono Soulnote E-2 (clique aqui) e Moonriver 505 (teste em breve).
Ambos foram amaciados por 150 horas, e depois diretamente comparados com o par de Apex originais.
Minha atenção antes do comparativo com o Apex 1, foi observar com nossas gravações se as qualidades inerentes ao modelo original, haviam perdido alguma qualidade.
E a conclusão, depois de ouvir na íntegra todos os nossos discos, e uma série de faixas das gravações que lançamos na Musician que tenho as Masters Originais feitas pelo querido amigo Homero Lotito do Reference Mastering Studio, e também o CD de outro grande amigo o baterista Sergio Reze, é que o Daniel Hassany conseguiu avançar ainda mais no novo Apex 2.
Um feito e tanto para um cabo que já tinha um grau de refinamento impressionante.
Se tivesse que resumir o avanço em poucas palavras, diria que o que mais me impressionou foi a melhoria de fluidez e folga em absolutamente todos os quesitos da Metodologia.
O equilíbrio tonal continua sendo reproduzido no melhor que o sistema eletrônico utilizado possibilita. Mas a sensação é que todo esse equilíbrio ganha maior folga, como se a música estivesse soando ainda mais fluida e presente.
O cérebro reconhece essa diferença, mas tem dificuldade em pontuar o que leva a essa sensação de fluidez e folga. Pois não estamos falando de agudos mais estendidos ou mais limpos, e sim de mais conforto auditivo e facilidade de apreciação.
O mesmo em relação aos médios que não são mais transparentes, e sim uma sensação de maior inteligibilidade apenas.
Darei um exemplo para que todos possam compreender. Sabe aquelas gravações em que existem elementos quase sussurrados que para compreender você precisa por um segundo se desviar do todo e se concentrar, para entender o que está sendo sussurrado?
No Apex 2, essa informação flui com maior facilidade, dando uma falsa impressão de que aquele elemento foi remixado.
Entende?
Creio que essa fluidez provavelmente é de um maior silêncio de fundo, mas que não altera em nada o grau de transparência do sistema em que o Apex 2 está conectado.
É de novo a sensação de maior conforto auditivo e nada mais que isso.
E os graves, diria que parecem mais bem delineados, como em gravações que o bumbo e o contrabaixo marcam o tempo forte e fraco no andamento, e que de novo soam juntos, porém com maior respiro entre ambos.
Para o cérebro esse grau de folga e conforto é inebriante, meu amigo. Pois ele, depois que escutou seus discos preferidos dessa maneira, não quer descer desse patamar.
Agora vem o quesito que mais me chamou atenção (junto com texturas): a apresentação 3D do palco sonoro. A primeira gravação que escutei, depois de ambos completamente amaciados, possui duas guitarras soando em ambas as caixas.
É uma gravação que gosto muito e a escuto para avaliar outras questões, e não soundstage. E, no entanto, as duas guitarras soaram fora das caixas bem mais que 30 cm!
Foi a deixa para eu recorrer à Nona Sinfonia de Beethoven, e ver como no Apex 2 os contrabaixos soariam no canal direito e como ficariam os cellos. Foi acachapante ouvir o naipe de cordas inteiramente fora das caixas, e com enorme folga para os cellos.
Nesse quesito, a diferença para o Apex original é significativa. Melhor foco, recorte, arejamento e largura, altura e profundidade com planos e mais planos incrivelmente convincentes aos olhos e ao nosso cérebro!
E aí chegamos nas texturas, o quesito que para mim é o mais relevante junto com equilíbrio tonal, pois eles juntos definem a qualidade na apresentação dos timbres. E aqui o Apex 2 consegue ser de um grau de naturalidade e realismo que o Apex original não consegue.
Claro que, para observar as diferenças, ouvi esse quesito e fechei sua nota apenas no nosso Sistema de Referência, com a ajuda de dois super DACs: Weiss Helios e Nadac D com o seu par o Clock C (teste edição de julho de 2026).
A apresentação da paleta de cores e intencionalidades nesses dois DACs foi de tirar o fôlego, literalmente!
Uso em média 4 faixas em cada quesito para fechar a nota dos aparelhos em teste. Eu me dei o direito de ouvir mais de 18 faixas deste quesito, apenas para me deliciar com o refinamento das texturas e a facilidade em compreender as intencionalidades de cada uma dessas gravações.
O Apex 2 afirmo, sem pestanejar, ser a melhor referência em cabos que já ouvi e testei nesse quesito!
Tudo é transcrito com tanta precisão e fidelidade, que poderíamos facilmente conversar e discutir com engenheiros de gravação, os acertos e erros nas escolhas de microfones, posicionamentos desses no instrumento e qualidade de mixagem e masterização.
E com músicos estudantes, a qualidade de seus instrumentos, execução e interpretação.
Posso dizer a vocês que, com o Apex 2 em nosso Sistema de Referência, essas observações de intencionalidades e timbre se tornaram muito mais fáceis de ouvir e pontuar.
Transientes foi o quesito que mais dificuldade tive de comparar entre o Apex original e a nova versão. Não consegui realmente ouvir significativas diferenças, tanto que a nota final neste quesito foi a mesma em ambos os cabos.
O que significa, na minha opinião, que neste quesito o Apex em suas duas versões continua sendo uma incrível referência.
A macro-dinâmica ganhou ainda mais folga nos fortíssimos, o que nosso cérebro simplesmente agradece e aplaude! E a micro, essa sim me pareceu ainda melhor, com um silêncio de fundo ainda mais impressionante.
Como disse, mais acima, agora não é preciso se atentar ao detalhe e perder o todo, para entender o que ocorreu no pianíssimo.
O corpo harmônico ficou sutilmente mais realista, mas também só consegui perceber no nosso Sistema de Referência e com a ajuda dos dois super DACs. O que mostra o nível neste quesito que o Apex original já se encontra!
E se, com o Apex, trazer os músicos a nossa sala e sermos transportados às salas de gravação já era algo corriqueiro, com os avanços do Apex 2 essa sensação se tornou ainda mais verossímil e sedutora.
O ouvinte poderá fazer audições imersivas e emocionantes diariamente!
CONCLUSÃO
O Daniel Hassany provou mais uma vez sua competência e dedicação em conseguir avançar sem perder absolutamente nada do já alcançado.
Sua nova linha Apex 2 tem tudo para ser um novo marco da busca de uma neutralidade tão necessária a quem gastou muito tempo e energia na composição de um sistema correto e equilibrado.
Se você entende a importância de cabos que não interfiram na assinatura sônica do seu sistema, sugiro que você escute os cabos deste fabricante.
Se a série Apex 2 não couber no seu orçamento, ou for demasiadamente fora de propósito para o seu setup, ouça as linhas abaixo.
Pois existe uma enorme coerência em todas elas, e o conceito de neutralidade está presente desde o modelo de entrada.
Agora, aos que possuem um sistema Estado da Arte Superlativo e desejam um setup de cabos que não precise mais ser alterado em futuros upgrades do sistema, eis a opção mais segura e eficiente que conheço atualmente.
Os cabos de interconexão Apex 2 são soberbos justamente por não prometerem ‘milagres’ onde toda responsabilidade deveria ser exclusivamente da eletrônica e da sala de audição.
Se essa equação já foi devidamente avaliada e compreendida, você entenderá perfeitamente o que o Apex 2 pode fazer pelo seu sistema!
PONTOS POSITIVOS
Um passo a mais em busca de uma neutralidade ainda maior.
PONTOS NEGATIVOS
O preço.
ESPECIFICAÇÕES
| Material dos condutores | Prata pura (5N) Prata pura banhada a paládio (5N) Prata pura banhada a ouro (5N) Cobre puro banhado a ouro (7N) |
| Tipo de condutor (por canal) | 6 núcleos sólidos, 2 núcleos múltiplos, bitola distribuída |
| Bitolas dos condutores | 20 AWG, 22 AWG, 24 AWG, 26 AWG |
| Isolamento | Teflon PTFE, super espaçado por ar |
| Construção | Matriz octogonal, design quad-balanceado |
| Amortecimento | Camada interna de amortecimento entrelaçada 2 amortecedores de ressonância com trava por canal |
| Terminações | WBT Nextgen prata RCA Dynamique ouro XLR |