Editorial: ADMIRÁVEIS PERFORMANCES
5 de janeiro de 2026
Espaço Aberto: A BUSCA DO AUDIÓFILO PELA “COISA MAIS IMPORTANTE”
5 de março de 2026

Christian Pruks
christian@avmag.com.br

Uma seção mensal – trazendo disparates ditos sobre áudio e audiofilia!

patacoada (substantivo feminino)

dito ou ação ilógica; disparate, tolice.

gracejo desabusado.

Em cartaz, este mês, os seguintes ‘gracejos desabusados’:

O QUE MUDA EM NOVOS APARELHOS, É A ESTÉTICA, O PREÇO E AS PROMESSAS DE MARKETING

Muitos, que se recusam a ouvir os equipamentos e sistemas disponíveis, e perceber o quanto eles evoluem, ano após ano, acham que nada muda nesses equipamentos, só marca, visual e etiqueta de preço – e recursos e detalhes técnicos que eles consideram como promessas ‘vazias’ de marketing, ou seja, algo que não existe, conversa mole.

Bom, os showrooms e numerosas feiras de áudio hi-end estão aí disponíveis para que as pessoas ouçam muitos desses equipamentos e percebam que a vida e a evolução não param.

Hoje vê-se (e ouve-se) amplificadores de 5 a 10 mil dólares que tocam MUITO mais do que prés+powers de 10 ou 15 anos atrás que custavam 10 vezes mais. Caixas, então, temos várias de 3 ou 4 mil dólares que ultrapassam fortemente caixas de 20 mil dólares de 15 anos atrás!

E aí vem alguém que não ouve, não quer ouvir, não entende, dizer essa besteira, essa visão (e audição) extremamente limitada – e com completo desconhecimento de causa.

UM AUDIÓFILO ACHA QUE AMPLIFICADORES MODERNOS SÃO SEM GRAÇA

E acha isso basicamente porque amplificadores antigos tinham muito mais ‘recursos’, como controles tonais, reforço de loudness, filtros de graves e agudos, VUs, do que os amplificadores atuais que, para ele, são inferiores por ter menos recursos técnicos.

Bom, primeiro porque a maioria desses controles ou você não usava, ou definia qual era a melhor posição, o melhor ajuste, e não mexia mais. Com a evolução da qualidade desses amplificadores, e das caixas a serem usadas, a maioria desses ajustes se tornaram obsoletos e foram sendo eliminados.

Um dos fatores é que descobriu-se que quanto menor for o ‘caminho do sinal’ de áudio no circuito do amplificador, menor será a perda e distorção das características sonoras do mesmo – então tirou-se um gigantesco caminho de sinal, que passava por todos esses filtros e circuitos e controles (mesmo se os controles estivessem desligados), e ganhou-se uma bocado de Qualidade Sonora.

Outra questão, era o mau uso que era feito desses controles, o qual não era feito com nenhuma parcimônia ou critério, e sim querendo ganhar artificialmente algo que não se tem no som, embolando o mesmo, desequilibrando e perdendo inteligibilidade e naturalidade sonora ao tentar, também, ‘corrigir’ cada música que se ouve, de uma maneira cheia de vícios (como pôr 6dB de agudo onde 1dB seria o suficiente).

O ‘certo’, na minha opinião, seria utilizar controles – como os de graves, médios e agudos (e o equalizador) – para ajudar a melhorar deficiências de sua sala, ou da interação entre os componentes de seu sistema, e não mexer mais! Por exemplo, mais de uma vez me vi utilizando um integrado com um par de caixas bookshelf que não era a última palavra em matéria de graves, e assim aplicando apenas um ponto ou dois de graves no controle tonal do amplificador, para ter um som um pouco mais cheio e equilibrado – e não mexi mais, não importa a música que estivesse ouvindo.

DIZER QUE CAIXAS QUE TÊM DUTO FRONTAL PODEM SER ENCOSTADAS NA PAREDE ATRÁS DELAS

Essa eu ouço, repetidamente, há anos e anos: quando o duto da caixa bass-reflex é frontal, a saída dos graves está apontando para frente e, portanto, você pode encostar a caixa na parede, ou chegar ela mais perto da parede que outras com duto traseiro.

Não é bem assim…

Primeiro: sim, uma caixa de duto traseiro pode ter seu grave reforçado se houver superfícies e obstáculos próximos ao duto – mas, para começar, esse reforço não é muito maior do que se o duto for para frente. E, mesmo que fosse, a questão da distância das caixas da parede atrás delas, envolve muito mais do que reforço ou não de graves, já que graves são omnidirecionais.

E mesmo esse reforço, não é só uma questão de volume de graves, e sim da qualidade dos mesmos, porque quando você reforça eles através do posicionamento físico da caixa, você perde definição e detalhamento, embolando o som e perdendo recorte e diferenciação entre instrumentos graves – consequente, isso estraga legal as texturas dos graves.

Outro problema, e uma razão muito importante na questão de aproximar as caixas das paredes atrás, é que existem reflexões de médios e agudos nessas paredes – reflexões muito pequenas, já que médios e agudos são mais direcionais.

Em um geral, a menor quantidade de som que ouvimos é a que saí diretamente da caixa. A maioria são as ‘primeiras reflexões’, com atraso de menos de 5 milissegundos se a acústica da sala for boa – são reflexões das paredes, vidros, móveis, etc.

E existem reflexões dos médios e agudos para trás das caixas que, quando elas observam uma boa distância dessa parede, uma ilusão de palco com tamanho, ambiência, camadas, profundidade, arejamento, separação entre os instrumentos, se forma (com o correto toe-in das caixas, o correto ajuste, e caixas minimamente decentes).

Então, você pode ver que aproximar as caixas da parede atrás delas, não é uma boa ideia, certo?

Por hoje é só, pessoal.

“Se você quiser três opiniões distintas, pergunte para dois audiófilos!” – frase jocosa da década.

E que março nos traga ainda mais Patacoadas Divertidas!

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