


CÁPSULA REGA ND7 MOVING MAGNET
Christian Pruks
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Um dos dilemas do audiófilo em ascensão, é se ele quer algo que soe quente, eufônico, com graves cheios, corpos harmônicos generosos, e baixa fadiga – ou se ele quer ouvir o ‘super-detalhe’ das roupas do regente da orquestra roçando no corpo (algo que nem o primeiro violinista consegue ouvir), ou quer saber do processo digestivo do percussionista, ou mesmo quer saber quantas espinhas a cantora oriental de jazz está escondendo embaixo do pó compacto…
Acreditem, eu já vi (ouvi?) de tudo nesse mundo audiófilo. E o fluxograma de vida de muitos é, geralmente, de se deslumbrar com a quantidade de detalhamento absurdamente escancarado (que eles erroneamente chamam de ‘definição’), cair em um sistema onde ele quer ‘enxergar’ (ouvir?) até a árvore genealógica da criação de cabritos do bisavô do pianista e, depois de não muito tempo, vai descobrir o quanto aquele som analítico pacas é simplesmente fatigante e irreal ao extremo!
Ou vai descobrir – em uma tremenda evolução em matéria de percepção sonora e compreensão musical – que o hiperanalítico é algo que soa artificial e falso comparado com o som real dos instrumentos, ou seja, com a música de verdade.
Esse tipo de analítico exacerbado tão adorado por tantos ‘perdidos’ do hobby, sempre vai me lembrar quando saíram as primeiras TVs LED, e na loja havia uma dúzia delas, todas ligadas em alguma partida de futebol, onde a cor do gramado era um verde ‘radioativo’ que não só não existe na natureza, como faz muita bala e chiclete do mercado parecerem produtos tão naturais quanto arroz integral.
E para que, você deve estar pensando, é toda essa introdução?
É para fazer a seguinte pergunta: Você quer uma cápsula que vai te mostrar um super-detalhamento, correndo o risco de soar artificial e fria? Ou quer uma cápsula que vai soar quente e cheia – mas com bom detalhamento e arejamento – e permitindo a apreciação profunda de uma série de LPs cuja música você gosta, mas que até agora, soavam magros e irritantes?
Eu sei a resposta que eu daria à mim mesmo – e é: a Cápsula Eufônica, claro!
Minhas conversas com audiófilos de orçamento limitado, ao longo dos anos, sempre me deixou com a ideia de que a busca do Equilíbrio entre o Eufônico e o Analítico – a tão afamada Neutralidade Tonal – é para quem está disposto ($) a montar sistemas de altíssimo nível, onde até o parafuso da tampa faz diferença na sonoridade final, para não dizer acessórios, elétrica dedicada, acústica, etc e tal. E a razão disso é porque, em sistemas mais simples, para muita gente a busca desse detalhamento traz frieza e fadiga, e a busca eufonia traz perda de definição… O velho cobertor curto, que cobre a cabeça e descobre os pés…
Mas, não tema! A solução, pelo menos em matéria de cápsula, já chegou: Rega Nd7!
A Rega é um velho conhecido fabricante de toca-discos e cápsulas – e um pouco menos conhecido fabricante de amplificadores, prés de phono, CDs, DACs e caixas acústicas. Seus toca-discos são resistentes, seus braços são bem projetados, e muitos de seus modelos, como o RP1, são difíceis de bater pelo preço. E olha que eu já tive vários modelos da marca, e também todas as cápsulas de sua linha Moving Magnet.
Mas, agora, a Rega acertou o alvo de uma maneira incrível com a linha Nd – as primeiras cápsulas MM a usarem magneto de Neodímio, que é muito eficiente sendo compacto e leve, e é um material que está começando a ser usado com sucesso até em falantes de caixas acústicas de alta performance.
Imagine, em uma cápsula onde o magneto é móvel, a vantagem que se obtém tecnicamente com o uso desse magneto menor, com muito menos massa e bem mais poderoso! E, com esse poder maior, a Rega pôde miniaturizar mais as bobinas. Ou seja, uma bola dentro não importa de onde você estiver chutando.
A Nd7 é a topo dessa linha (que também inclui a Nd3 e a Nd5, para todo tipo de poder aquisitivo), trazendo um cantilever de alumínio bem decente, com um diamante perfil Fine Line (montada de maneira ‘nude’, ou seja, com o diamante sendo uma peça inteiriça) que é o mesmo usado nas cápsulas MC de linha alta da empresa. Isso é uma tendência normal, na verdade, em cápsulas MM de alta performance, onde se descobriu ser muito interessante ter a sonoridade quente e cheia, e a saída alta das MM (e consequentemente alta compatibilidade com prés de phono mais simples), e ao mesmo tempo ganhar uma enormidade de definição e detalhamento com o uso de uma agulha especial.
Como acontecia com a linha MM anterior da Rega, as agulhas não são desencaixáveis – não são substituíveis pelo usuário – por motivos de rigidez e, consequentemente, performance. Então esse serviço tem que ser feito pela própria Rega, em um esquema de troca por uma cápsula igual nova, diretamente com a empresa, com condições financeiras facilitadas (para tal, consulte o importador oficial da marca).
A Nd7 é, na minha opinião, a cápsula MM que conseguiu o melhor resultado que já ouvi neste meio das MM especiais. E o que eu chamo de ‘melhor’? Calor, corpo, eufonia, com ótimo detalhamento e limpeza. Um compromisso que é, para mim, o melhor possível, pois nos dá, entre outras coisas, altíssima compatibilidade com discos cuja gravação ou prensagem não é das melhores – e todos temos gravações desse tipo cuja música amamos!
Ouvi, com a Nd7, muitos discos desse tipo com um prazer musical que praticamente nunca tive com eles.
SETUP & REGULAGEM
A cápsula Rega Nd7 foi testada com os seguintes equipamentos. Toca-discos MoFi StudioDeck e Technics SL-Q303. Amplificadores integrados Gold Note IS-1000 MkII (com pré de phono) e Aiyima D03. Pré de phono Lehmann Black Cube II. Caixas acústicas MoFi SourcePoint 8 e Elac Debut 2.0 F5.2. Os cabos de caixa foram VR Cables Trançado e Sunrise Lab, os de interconexão foram de marcas variadas, e o de força foi o Transparent PowerLink MM.
Por causa da agulha ser um perfil avançado e complexo – típico de cápsulas Moving Coil até 7 ou 8 vezes mais caras – a Nd7 precisa que o braço tenha regulagem de VTA para dar sua performance correta, o que não é difícil de se achar em braços de toca-discos de entrada e intermediários das últimas décadas.
E, claro, os toca-discos da própria Rega já têm seu braço na altura certa para toda a linha de cápsulas Nd, já que foram projetadas para tal – inclusive com o esquema de três parafusos que, nos braços da marca, já garante o alinhamento correto. Então, em um toca-discos Rega, basta instalar a cápsula, prender com os três parafusos, e regular o peso para 1.75g (assim como usar o mesmo valor no ajuste de anti-skating).
Com toca-discos de outras marcas, a compatibilidade também é plena – assim como com qualquer pré de phono tipo MM. Porém, os cuidados com o alinhamento dela, assim como com a precisão de todas as regulagens, incluindo VTA, são absolutamente necessários – como se a cápsula fosse uma MC de nível médio para cima!
COMO TOCA
Em poucas palavras? Apaixonante! Porque você não quer largar nunca, ouvindo um disco após o outro, para perceber coisas que você não havia percebido naquelas gravações que você mantém porque gosta da música. Gravações que agora pode ouvir com prazer e sem fadiga, como por exemplo os LPs prensagem nacional do selo GRP, que soavam magros, sem grave e com agudos irritantes – agora, com a Nd7, não mais.
Equilíbrio Tonal – A Nd7 tem um equilíbrio correto, que não só não dá espaço para ‘procurar’ problemas, como felizmente traz o extra de ter um belíssimo grave grande e cheio, bem recortado, sem sujeira ou embolamento. Aí a pergunta que fica seria se esse grave todo não atrapalharia os agudos, ou se os mesmos não teriam que ser pronunciados para poder contrabalançar esses graves – e a resposta é que a limpeza da apresentação, do palco, é tamanha, e a limpeza desses graves tão bem concebida, que não só não há um agudo pronunciado necessário, como o mesmo é extremamente orgânico, não deixando que nada o endureça ou soe artificial. Ponto para a engenharia da Rega!
Soundstage – Limpo, separado, largo, profundo e arejado – mais do que a maioria das cápsulas nessa faixa de preço (e até acima). Porém, aqui, o ‘profundo’ pode melindrar aqueles que erroneamente acreditam que o acontecimento musical deve estar acontecendo no espaço entre as caixas e o ouvinte – e é preciso compreender que isso chama-se ‘frontalidade’, e a Nd7 não dá nada, nunca, de frontalidade! Ela não é, por isso mesmo, a última palavra em matéria de materialização, corpo, no médio-agudo e agudos, mas para sua faixa de preço está tão boa essa materialização que, nos exemplos mais críticos, que são as gravações de orquestra, não senti nada que denegrisse a experiência.
Texturas – Esse é um dos quesitos que separa ‘os meninos dos homens’ – e aqui elas estão de acordo com seu nível e tipo de cápsula, portanto nada de errado nem com as intencionalidades e nem com a própria textura dos instrumentos, mostrando a qualidade deles com suficiente clareza.
Transientes – Sensação de ritmo e pegada? Ótima! E nunca você fica com sensação de lerdeza geral, falta de vivacidade, ou descaso no som de metais e percussões, por exemplo, no andamento dos ritmos.
Dinâmica – Em alguns momentos, tomei alguns sustos de macrodinâmica com a Nd7, que até provocaram algumas risadas solitárias, aqui na minha sala de audição. Isso combinou de maneira bem interessante com o fato de eu ter digitalizado alguns discos meus que não têm toda aquela qualidade sonora, e quando fui editar as faixas percebi que a real variação dinâmica provida pela Nd7 é enorme! O que estava em mais baixo volume, estava quase imperceptível na representação gráfica da onda, mas perfeitamente audível e detalhado. E o que estava em maior volume era bastante visceral, realmente alto, e perfeitamente discernível. Ou seja, esse grave e essa visceralidade, não encobrem detalhes – a microdinâmica é de primeira!
Corpo Harmônico – Aqui está o maior e melhor responsável por fazer da Nd7 uma cápsula magnífica para quem gosta de ‘capa de gordura no presunto do seu sanduíche’…rs! O corpo harmônico dos graves e médio-graves dessa cápsula é ‘comida da vovó’ e não algo que seria recomendado pela nutricionista. Se os agudos tivessem esse mesmo nível de corpo dos graves, essa cápsula seria páreo duro para a maioria esmagadora das MC de entrada que eu já ouvi na vida. A Nd7 permite você ouvir discos de rock/pop da década de 80, e ainda apertar as bochechinhas redondinhas bonitinhas da cantora!
Organicidade – A eufonia e esse corpo da Nd7 permitem uma tremenda conexão sua com a música, mas ainda não é algo que lhe faz ser o ‘quinto Beatle’ – a não ser, talvez, se pusermos ela para tocar em um toca-discos de 105 pontos, em um sistema de 110 pontos… Porém, aí, limitações dela apareceriam. Mas eu diria para você, que do jeito que está, ela me fez ouvir muitos LPs como nunca ouvi…
Musicalidade – Dá para ver que suas notas são muito equilibradas e, portanto, sua musicalidade é, igualmente, exemplar.
CONCLUSÃO
Já teve a sensação de que, na audição de seus discos de vinil queridos (especialmente gravações que não são as mais ‘audiófilas’) em sistemas audiófilos de entrada, falta peso nos graves e tamanho nos instrumentos? Falta-lhe essa gordura, ou você até consegue um pouco dela com vários artifícios, mas sempre com embolamento do som e perda de detalhes, perda de definição?
Nada tema! Com a Rega Nd7 não há esse problema! rs!
Essa é a cápsula para você! Tanto para praticamente qualquer toca-discos Rega, como para qualquer toca-discos decente, com bom braço, com ajuste de peso, anti-skating, alinhamento e VTA.
O resultado? Música quente, grande, luxuriante e cheia – e ao mesmo tempo limpa e detalhada, arejada – trazendo para muitos sistemas e toca-discos, o melhor tempero de dois mundos: o da definição e resolução de uma cápsula Moving Coil, com o melhor calor, peso e tamanho que eu já ouvi em uma Moving Magnet (além da alta compatibilidade desta última com prés de phono tanto externos quanto integrados em amplificadores, receivers, prés de linha e caixas ativas modernas).
Outra vantagem é que o preço da Rega Nd7 está, hoje, altamente competitivo e vantajoso, pois a mesma é importada direto do Reino Unido, não estando sujeita à crise de tarifas, atualmente tão em voga.
O que eu passei neste último mês ouvindo prensagens de jazz da década de 80, de rock e pop de várias estirpes das décadas de 60, 70 e 80, e mais até alguns LPs de música clássica não muito bem registrados – especialmente em vinis nacionais – não está no gibi!
Não só é a ‘Melhor Compra’, com certeza, como é minha referência atual para esse tipo e nível de cápsula – e, sim, muito disso é porque seu Equilíbrio Tonal é o que eu procuro.
Se você procura também especificamente essas características sonoras, nesse nível de cápsula, acho que a Rega Nd7 lhe dará muito prazer de ouvir.

| Nota: 89,5 | |
| AVMAG #321 KW Hi-Fi fernando@kwhifi.com.br (48) 98418.2801 (11) 95442.0855 R$5.215 | ![]() |

CÁPSULA MOVING COIL LE SON LS10 MKII
Christian Pruks
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Antes de mais nada, não confundir esta Le Son com a fábrica de agulhas e cápsulas (e microfones e tweeters) brasileira Le Son (muitas vezes grafada Leson), fundada na década de 60 e que dominou o mercado de agulhas de reposição durante nossa reserva de mercado de tecnologia.
A Le Son International, fabricante da cápsula LS10, é um nível totalmente diferente – são 50 anos, 18.000 km, 11 fusos horários, filosofias, tecnologias, expertises e mercados completamente diferentes que separam as duas empresas. A única coisa semelhante é o nome, que significa “O Som” em francês – e no caso da empresa de Gregory de Richemont e do Dr Ted Tsai, o nome evoca “O Som Absoluto” (The Absolute Sound), o moto criado por Harry Pearson, fundador da revista de mesmo nome, que diz que o som absoluto é aquele dos instrumentos acústicos reais sendo tocados em um ambiente real.
Obviamente eu simpatizo com esse princípio.
Fundada em 2015, e sediada em Shanghai, na China, a Le Son é fruto da força criativa de um executivo financeiro francês – Gregory de Richemont – audiófilo e melômano com uma paixão por rock progressivo, que viajou o mundo e dedicou-se à restauração de equipamentos de áudio vintage, como toca-discos e gravadores de rolo, e sua associação com o doutor em eletromecânica Ted Tsai, de Taiwan, apaixonado por música clássica.
Ou seja, a junção da paixão pela música com a alta fidelidade à ela! E, fica claro ao ouvir a cápsula LS10 MkII, que ela toca muito bem tanto rock progressivo quanto música clássica, especialmente a sinfônica.
A cápsula LS10 MkII é a topo de linha da empresa, e me foi enviada diretamente da sede da Le Son em Shanghai, pelo próprio Gregory de Richemont. Vale dizer que Richemont é um gentleman, uma das pessoas mais interessantes de se conversar neste mercado – e isso deriva muito de sua real paixão por música e áudio analógico, que fica facilmente espelhada em sua filosofia de trabalho: “O segredo é fornecer um som atraente aos ouvidos humanos, portanto confiamos em nossos ouvidos para ajustar um produto. As medições técnicas são importantes, mas as decisões finais são tomadas de acordo com os nossos ouvidos.”
A atual linha de produtos da Le Son compreende – além da LS10 MkII – a cápsula MC de saída alta SL1 MkII, a cápsula Denon DL-103 modificada com cantilever de boro e agulha Line Contact, cabos de interconexão de prata pura mini-DIN e RCA, e acessórios como uma arruela de bronze para dar firmeza de conexão física em headshells removíveis padrão SME, como os de toca-discos da Technics.
Outros produtos estão em desenvolvimento, no horizonte, como um headshell próprio e um pré de phono.
SUPORTE ESPECIALIZADO
Com a compra da cápsula, a Le Son oferece um suporte especializado online – incluso na compra – para auxiliar em todo o processo de instalação e setup da cápsula, e também na regulagem do pré de phono, para extrair a melhor qualidade sonora de seu analógico.
E, para a LS10, a empresa tem uma política de retip com um valor base de US$390 – além de políticas interessantes de período de testes e retorno de produto, que podem ser consultadas em seu site.
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS DA LS10
A construção da LS10, em alumínio e fibra de carbono, com corpo em madeira de ébano, é tão ou mais bonita do que se vê nas fotos. Acabamento fenomenal!
Além desses materiais escolhidos contribuírem totalmente para a sonoridade da cápsula, com suas devidas ressonâncias e amortecimentos, a LS10 também é equipada com o diamante com perfil Shibata, que traz uma área de contato horizontal reduzida, mas a área vertical aumentada, lendo mais informação do sulco, indo mais a fundo no mesmo.
Ela ainda traz algumas inovações próprias da Le Son, como o cantilever feito de Nitrato de Boro, que difere de outros fabricantes, que usam o tradicional Carboneto de Boro. O Nitrato tem uma densidade menor que o Carboneto, reduzindo a massa do cantilever, mas mantendo a mesma rigidez, trazendo mais clareza e micro-detalhes.
O segundo diferencial, é uma invenção do Dr Tsai: um gerador com ECC – Eddy Current Cancellation (Cancelamento de Correntes Parasitas). Essa é uma corrente elétrica induzida dentro de um condutor, quando este é sujeito a um campo magnético variável, e que pode afetar os movimentos do cantilever.
Os geradores ECC das cápsulas LS10 MkII, fazem com que essas correntes anulem umas às outras – sendo um grande avanço no design de cápsulas magnéticas para toca-discos.
EQUIPAMENTO DE TESTES
A LS10 MkII foi testada com os seguintes equipamentos: toca-discos MoFi StudioDeck, amplificador integrado (com pré de phono) Gold Note IS-1000, amplificador integrado Aiyima D03, pré de phono Lehmann Black Cube II, caixas acústicas MoFi SourcePoint 8, e caixas torre Elac Debut 2.0 F5.2. Os cabos de caixa foram VR Audio linha Storm Trançado, cabos RCA variados, e cabo de força Transparent PowerLink MM. E centenas de discos de vinil nacionais e importados, de vários estilos musicais (rock, trilhas, clássicos, etc).
INSTALAÇÃO
Instalar uma cápsula MC – Moving Coil – de alto nível, especialmente com uma agulha de um perfil que é crítico com alinhamento, como é a Shibata, é algo que não permite erros e desalinhos. Sua natureza sempre foi crítica, caso se queira o melhor resultado sonoro. Uma cápsula mal instalada, mal alinhada, soa muito mal e acaba com o prazer de ouvir música.
A LS10 é crítica como qualquer outra MC de seu nível, mas é um produto pensado levando em conta sua instalação, tanto no formato de paredes paralelas do corpo, quanto na facilidade de ser parafusada no braço, no uso do protetor de agulha provido, e nas informações claras dadas pelo fabricante – e a já mencionada dedicação que eles têm em auxiliar você, guiar você pelo processo de instalação e setup de seus produtos.
A mais absoluta precisão que sua paciência, e sua habilidade manual, puderem prover, são os requisitos mínimos. Não vou por aqui um guia completo e detalhado de instalação de cápsulas, porque tomaria muito espaço – e seria um tema a ser desenvolvido em um artigo profundo na seção Espaço Analógico.
Basta as diretrizes básicas, presumindo a disponibilidade de todas as ferramentas e que, ou você tenha muita familiaridade com essa operação, ou tenha um profissional competente à postos.
Claro que é necessário um bom toca-discos, com um braço bem preciso que tenha todas as regulagens mínimas necessárias (alinhamento, peso, anti-skating e VTA). Dito isso, saibam que o alinhamento com um gabarito apropriado precisa ser feito milimetricamente – eu mesmo uso gabarito Baerwald de dois pontos, e sei que a variação de menos de um milímetro na posição da cápsula no headshell, terá resultados sonoros desastrosos. Mas, para tal, as laterais da LS10, assim como sua parte inferior, são completamente retas, o que facilita bastante. Depois da cápsula alinhada e com uma regulagem mínima de peso, é ideal também observar o chamado azimute: olhando a cápsula de frente, a mesma deve estar perfeitamente perpendicular à superfície do disco.
A regulagem de VTA – a altura do braço – deve estar de maneira que a parte inferior da cápsula fique completamente paralela à superfície do disco, além do peso da LS10 ser configurado idealmente para 1.9 gramas, e o anti-skating para o mesmo valor correspondente.
Resta, então, apenas que a carga do pré de phono esteja regulada para algo entre 100 e 500 ohms. Isso vai variar de pré para pré, sendo que alguns têm a capacidade de ter ganho para cápsulas MC de saída baixa, porém não têm a regulagem de carga – o que não impede de utilizar a cápsula, só não vai tirar o melhor resultado.
No pré de phono Black Cube II, da Lehmann Audio, a configuração que deu o resultado mais equilibrado em meu sistema foi: ‘cápsula MC’, ‘100 ohms de carga’, e ‘ganho médio-alto’.
Com essa carga, de 100 ohms, e vários ajustes finos nas regulagens do braço, obtive bom equilíbrio de corpo, com peso dos graves, bons agudos limpos e boa profundidade, além de ótima articulação e recorte.
Ah, todas as regulagens de braço e pré de phono têm que ser revistas, e passar por um ajuste fino, depois que terminar o período de amaciamento da cápsula que, com a LS10 MkII, é de 30 horas. Mas, não se preocupem ao sentar para ouvir, pois ela já toca muito bem depois das primeiras 10 horas.
COMO TOCA
Em uma palavra? Encantadora.
É detalhada e resolutiva, porém consegue soar natural e livre, fazendo tudo sem esforço. O lado negativo? Nesse nível de resolução, nada em uma gravação ou prensagem ruim, é mascarado. E, mesmo assim, foram poucos discos que não me deram um enorme prazer em ouvir, mesmo prensagens brasileiras da década de 80.
O Equilíbrio Tonal é sem rebarbas – ou seja, é enxuto, pois quando a gravação (ou mesmo o instrumento tocado na gravação) tem graves, esses aparecem em quantidade e extensão corretas – e o mesmo se aplica aos médios e agudos. Nada aqui é turbinado ou artificializado. Inclusive, ela tem um timbre menos ‘ardido’, menos ‘artificial’ que a maioria das cápsulas MC que eu conheço.
O Soundstage é soberbo! Com o resto do sistema no mesmo nível, não se ‘vê’ camadas, não se separa em camadas, e sim cada instrumento ou naipe – ou mesmo cada ambiência – está em seu lugar correto na profundidade.
As Texturas estão entre as melhores que já ouvi em meu sistema. Discos nos quais eu achava, há anos, que várias batidas subsequentes na caixa da bateria eram todas iguais, aqui com a LS10 a percepção de que cada batida é distinta em sua intencionalidade, é algo que fica tão claro quanto natural. Mas com um detalhe: esses não eram discos audiófilos, e sim discos de rock progressivo da década de 70! Instrumentos de sopro e metais de orquestra, agora estão mais aveludados – e as cordas, ressonam naturalmente no ouvido (porque o ouvido sabe muito bem quando algo é artificial e você está sendo enganado).
Os Transientes geraram uma situação divertida: em um disco instrumental, música de câmara em estilo neoclássico, em uma longa introdução lenta e calma, em um determinado momento os metais dão uma nota repentina em fortíssimo – e se eu estivesse mascando chiclete, teria engolido o chiclete, pois tomei um baita susto…rs…
Mas isso quer dizer que a Dinâmica é do tipo tensa, tipo ‘faca entre os dentes’, como costuma dizer o Fernando Andrette? Não, não mesmo – o nível dessa cápsula é tão bom, que os crescendos e mesmo as variações repentinas, são sempre naturais.
Aliás, acho que esse seria o melhor adjetivo para o som da LS10 MkII: Natural!
E quanto à micro-dinâmica? Veja, quando você tem um bom Equilíbrio Tonal, um Palco e Transientes da melhor estirpe, a sensação de não haver restrições artificiais indesejadas, ou seja, a sensação de inteligibilidade clara a qualquer momento ou volume sonoro, é do mais alto nível.
O tamanho do Corpo Harmônico aqui soou dependente da gravação ou do tipo de instrumento tocado. Inclusive em gravações um tanto comprimidas. Ou seja, a LS10 não inventa onde não tem, e faz muito bem onde tem.
Como o Fernando costuma dizer em seus testes, de maneira irretocável: o acontecimento musical está ali, na sua frente, que quase dá para tocá-lo.
CONCLUSÃO
A empresa Le Son International, e suas cápsulas, provocam profunda curiosidade. Mais de um reviewer já manifestou querer saber o estágio em que se encontram as cápsulas de fabricação chinesa –
eu incluso.
Se você tem preconceito quanto aos produtos de áudio chineses, está na hora de rever seus conceitos, porque o trabalho conjunto de Gregory de Richemont e o Dr Ted Tsai, é superlativo em todos os sentidos: visão, tato e audição – fabricação, acabamento, projeto e qualidades sonoras!
Considero a Le Son LS10 MkII como uma das melhores opções no mercado de cápsulas MC de saída baixa – e uma opção campeã nessa faixa de preço!

| Nota: 99,0 | |
| AVMAG #315 Le Son International info@leson.org +86 159 0190 4457 www.leson.org Preço sob consulta | ![]() |

CÁPSULA DYNAVECTOR TE KAITORA RUA
Fernando Andrette
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Que o Japão oferece ao mundo audiófilo excelentes cápsulas MM e MC, isso não é nenhuma novidade.
E se as novas gerações olham para sistemas analógicos com um misto de incredulidade e reverência, muito se deve ao fato dos fabricantes de cápsulas hi-end do Japão, terem heroicamente sobrevivido aos anos de ouro do CD-Player.
E a Dynavector é um expoente que não se abalou pelas fracas vendas do final do século 20 até toda a primeira década do século 21, mantendo seu portfólio atualizado e lançando apenas versões pontuais de seus carros chefes, do final do começo dos anos 80.
Quando me perguntam o que mais admiro nas cápsulas da Dynavector, o que me vem imediatamente é seu grau de coerência e consistência de toda sua linha de cápsulas MC.
Seu fundador, professor de Magnetismo na Universidade de Tóquio por várias décadas, o Dr Tominari, sempre foi um desbravador de novos caminhos e para ele, desde sua primeira cápsula, seu objetivo foi aprimorar a capacidade de rastreio dos sulcos do disco e a resposta de fase.
Pois sem essas qualidades, não se pode alcançar com precisão outros dois objetivos: ritmo e tempo.
E esse conceito você ouvirá em todos os produtos deste fabricante. Diferenciados apenas pelo grau de requinte final e nunca pela ausência de alguns desses conceitos estabelecidos pelo Dr. Tominari.
Outro diferencial a ser levado em conta por audiófilos experientes, é o fato de a Dynavector ter vários de seus produtos em linha sem nenhuma mudança por períodos longos (alguns com até uma década de mercado).
E aí fica a seguinte questão, para os que tiverem o interesse em escutar essas cápsulas: elas já foram ultrapassadas pela concorrência, ou quando colocadas no mercado eram tão superiores que ainda hoje continuam sendo uma referência em sua faixa de preço?
Essa resposta eu irei passar a vocês em dois testes. Primeiro avaliando a Te Kaitora Rua, que recebeu seus primeiros testes entre 2010 e 2011 – o que a coloca em linha sem alteração por mais de uma década!
E ainda em uma das edições do primeiro semestre, o teste da top de linha, a DRT XV-1t, também sem alterações a mais de uma década.
O desenvolvimento e o nome da Te Kaitora Rua são um caso à parte na linha das cápsulas da Dynavector, pois ela foi solicitada pelo revendedor da Nova Zelândia ao fabricante japonês.
“Te Kaitora” significa “O Descobridor”, na língua do povo Maori, e “Rua” significa revisitado ou segundo.
A Dynavector topou e incluiu nesse modelo um amortecedor magnético só utilizado nas suas duas melhores cápsulas: DRT XV-1s e DRT XV-1t. Além de bobinas ultrafinas de prata de alta pureza.
Ao ouvir o projeto original da Te Kaitora, o importador da Nova Zelândia pediu uma alteração: substituir a bobina de prata por cobre PCOCC, para suavizar os agudos, e com um corpo de titânio para uma máxima rigidez, em vez do corpo de alumínio original com a bobina de prata.
No resto, o projeto se manteve fiel ao original, com cantilever de boro de 6 mm de comprimento, com a agulha de linha Pathfinder – como a também usada na XV-1s e na XX-2. Completam ímãs de alnico e a engenhosa armadura em formato quadrado, para melhorar a linearidade do fluxo magnético.
Como toda Dynavector, sua instalação é para homens experientes e com nervos de aço. Pois encarar aquela agulha desnuda enquanto se coloca os parafusos e a encaixa no braço, é para mim – hoje aos 67 anos – como levar nas mãos com os olhos vendados carregando nitroglicerina em um desfiladeiro.
Sabendo de minhas limitações, deixei o trabalho para o competente André Maltese, como sempre!
Ela foi instalada no nosso braço Origin Live Enterprise C Mk4, e usando o pré de phono Soulnote E-2. O resto do sistema, além do nosso de Referência, teve também os integrados Norma Revo 140 e Soulnote A-3. As caixas foram Estelon X Diamond Mk2, Stenheim Alumine Five SE (leia teste na edição de maio), Audiovector Trapeze Reimagined (clique aqui), e Perlisten S7t Limited Edition (clique aqui).
Se tem algo que sempre torço, é que a cápsula permita escutá-la desde o primeiro momento, e que seu amaciamento não seja longo demais. Parece que os deuses da audiofilia (se é que existem), foram condescendentes e nos deixaram apreciá-la assim que o Maltese acabou o ajuste.
Essa é a primeira boa notícia. A segunda é que seu tempo de amaciamento foi menor que as 50 horas que imaginei que seria necessário. Com 38 horas, o equilíbrio tonal se encaixou de maneira uniforme, e com 45 horas não notei mais nenhuma mudança.
Permitindo até fazermos o ajuste definitivo de impedância no pré da Soulnote, que ficou em 300 ohms.
Impressionante como uma cápsula com mais de uma década no mercado está tão atualizada e correta. É simplesmente admirável, meu amigo, e aqui está a resposta da questão que levantei acima.
As Dynavector em linha continuam a nos surpreender com seu nível de performance.
Seu equilíbrio tonal é muito correto. Graves com excelente energia, peso, fundação e velocidade. A região média tem uma precisão que nos permite destrinchar todo o tecido musical sem esforço, e os agudos ótima extensão com decaimento suave.
Soundstage de cápsulas Estado da Arte têm uma imagem 3D encantadora. São planos e mais planos, com profundidade, largura e altura. Foco, recorte e apresentação de ambiência de nos fazer mergulhar no acontecimento musical.
As texturas vão muito além do trivial e do esperado de uma excelente cápsula. Pois seu grau na apresentação de intencionalidades é muito revelador e impactante!
Imagine você poder compreender a razão do solista ter dado aquela semitonada proposital para fazer a passagem complexa de alturas das notas ficar mais suave, e que em outras cápsulas ‘esforçadas’ essa passagem parece um deslize ou erro, e não algo intencional para resolver da melhor forma aquele desafio.
A Te Kaitora Rua é desse nível na apresentação de texturas, meu amigo!
Os transientes desde sempre foram uma das principais virtudes de qualquer Dynavector – tanto que meu pai brincava: “Quer ver um amplificador valvulado vintage ‘acordar’? Instala uma Dynavector!”.
E ele usou essa solução dezenas de vezes!
Ritmo, tempo, alteração de andamento, jamais soarão displicentes ou sem graça. E a Te Kaitora Rua faz a lição de casa com maestria.
O mesmo com macro e microdinâmica – nada a fará dobrar as pernas, ela entrega exatamente como recebeu o sinal. Se der algum problema, tenha certeza de que o problema está na eletrônica. Pois sua leitura dos sulcos é de uma integridade absoluta.
E as micro-variações também são uma das maiores características de todos os modelos deste fabricante.
Dizem que a versão japonesa da Te Kaitora com fios de prata, soavam mais magras e tinham mais extensão nos agudos. Mas como eu nunca ouvi, não posso afirmar. A versão com a mão do distribuidor da Nova Zelândia, não soa magra em nenhuma hipótese.
O corpo harmônico é de uma fidelidade impressionante.
Quer fazer a prova dos nove? Coloque um órgão de tubo ou o quarto movimento da Nona Sinfonia de Beethoven quando entra o coral. E você terá a medida exata do corpo harmônico soando à sua frente.
O mesmo em relação ao quesito Organicidade – se queres fazer audições em que todos se materializam na sua sala, ouça os LPs do Frank Sinatra do começo de carreira, lançados pela Capitol, ou os da Verve da Ella & Armstrong. Esses são exemplos máximos para você mostrar aos amigos céticos a razão de um sistema analógico bem ajustado deixar em choque os que nunca ouviram essa topologia na vida.
Eu já fiz essa ‘maldade’ com amigos dos meus filhos, e vizinhos.
CONCLUSÃO
Eu tenho que confessar que não esperava que uma cápsula com mais de uma década desde seu lançamento, estivesse ainda hoje em tão alto nível de performance, por mais que conheça e tenha indicado para inúmeros leitores cápsulas desse fabricante ao longo dos 29 anos da revista.
Sempre admirei a marca e sempre achei sua relação custo/performance muito alta.
Porém ouvir na nossa sala, em nosso Sistema de Referência, a terceira cápsula mais refinada da Dynavector, foi realmente uma sonora surpresa!
Se você busca uma cápsula definitiva com as qualidades aqui descritas, ela é uma forte candidata a conquistar seu coração.

| Nota: 105,0 | |
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CÁPSULA DYNAVECTOR DRT XV-1T
Fernando Andrette
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O universo hi-end tem uma característica bastante peculiar, pois ao mesmo tempo que possui uma dinâmica intensa, por outro lado tem uma tendência a cultuar topologias que se mostraram convincentes e sedutoras por décadas.
Enquanto a América do Norte e Europa são movidos por um mercado frenético de novos lançamentos anuais, a Ásia – principalmente o Japão – convive em harmonia tanto com o novo vindo de todos os continentes, quanto com os seus produtos quase que artesanais.
E a Dynavector faz parte desta ‘dinastia’ japonesa, graças ao talento e visão de seu fundador Dr Noboru Tominari, professor de engenharia na Universidade Estadual de Tóquio, amante da música clássica, que resolveu fundar sua empresa Dynavector em 1975.
Foi ele que desenvolveu a primeira Moving Coil de saída alta que podia ser ligada em uma entrada phono MM (Moving Magnet), que eram o padrão de todos os receivers e integrados da época.
Rapidamente a 10x se tornou famosa, e foi parar na Inglaterra, onde se tornou uma referência para inúmeros audiófilos e melômanos. Hoje muitos audiófilos conhecem a marca pelo modelo de entrada, a 10×5, de saída alta.
Eu tive essa cápsula no meu Thorens 165 com braço SME 3009, em substituição à minha Stanton 500, e como sempre brinco: foi o “massacre da serra elétrica”!
O Dr Tominari faleceu em 2002, mas antes de seu falecimento criou, em 1999, a sua famosa cápsula XV-1, e a XV-1S com cantilever de diamante e com um gerador revolucionário.
Eu diria que a XV-1 e a XV-1S foram objeto de desejo de todos os audiófilos que tinham um setup analógico final na virada do século.
A DRT XV-1T chegou ao mercado no final de 2009, e foram vendidas até o ano passado quase 32 mil unidades!
Um número impressionante para uma cápsula hi-end que está no mercado há mais de uma década!
E aí vem uma questão à mente: como uma cápsula sem alterações em um mercado tão acirrado, se mantém viva e competitiva por tantos anos?
Para isso acontecer, só consigo imaginar uma resposta: ela estava anos à frente de todas as outras cápsulas, para ainda hoje se manter viva. Ou, os sistemas analógicos da segunda década deste século, não conseguiram extrair todo o seu potencial.
Em 1999, o Dr Tominari lançou a topologia exclusiva que incluía 8 imãs de Alnico, culatras frontais magneticamente estáveis e uma armadura frontal quadrada dentro de uma elevação em forma de ‘V’. Com uma topologia batizada de “Flux Damping” patenteada pela
Dynavector, que revolucionou o mercado de cápsulas de referência.
A XV-1T possui um novo corpo laqueado em Urushi, sobre uma estrutura usinada tratada termicamente para um melhor desempenho acústico. A nova armadura em formato quadrado é resistente à corrosão e imune a variações de temperatura.
Seu enrolamento de bobina de 16 mícrons é em torno de uma armadura. Os ímãs de Alnico são usados para estabilizar os circuitos magnéticos, e aumentar a linearidade de distribuição magnética dentro do entreferro.
Segundo o fabricante, a tensão de saída é de 0.35mV (a 1khz, 5 cm/segundos), separação entre os canais de 30dB (a 1khz), equilíbrio entre canais de 1dB (a 1khz), resposta de frequência de 20Hz a 20kHz (+-1 dB), força de rastreamento de 1.8 a 2.2 gramas, impedância de 24 ohms, impedância de carga recomendada maior que 75 ohms, cantilever de 6mm de comprimento e 0.3mm de diâmetro, de boro sólido com armadura especial e patenteada pela Dynavector, o formato da agulha Line Contact PF, raio da agulha 7 x 30 microns, e peso de 12 gramas.
Para o Teste utilizamos o toca disco Zavfino ZV11X com braço de 12 polegadas também da Zavfino TZ-1, e cabo de braço Goldrush ST XLR também da marca (clique aqui). O pré de phono foi o Soulnote E-2, pré de linha Nagra Classic, powers Nagra HD (clique aqui), e powers Air Tight ATM-2211 (clique aqui). As caixas acústicas foram Audiovector Trapeze (clique aqui), Perlisten S7t SE (clique aqui), Stenheim Alumine Five SX (clique aqui), e as Estelon X Diamond Mk2.
Como recebi tanto a Dynavector quanto o Zavfino ao mesmo tempo, resolvi instalar a Dynavector diretamente no ZV11X e realizar um comparativo direto entre esse setup e o de referência da revista (Origin Live com cápsula ZYX).
Assim eu já teria uma dimensão exata do patamar que esse conjunto se encontra, em relação à nossa referência de mais de três anos.
Então sugiro que os nossos leitores apaixonados por analógico, leiam na edição 317 ambos os testes para ter uma ideia mais segura de minhas observações dos produtos, em separado e trabalhando em conjunto.
Bem, como testei na edição passada outra excelente Dynavector, a Te Kaitora Rua (leia teste na edição de abril de 2025), eu já tinha uma ideia do que me esperava em termos de performance.
Interessante como é difícil mensurar mentalmente as distâncias entre produtos do mesmo fabricante, pois às vezes esperamos grandes diferenças e essas não são tão grandes assim, e outras vezes tentamos ser cuidadosos em nossas expectativas e damos com o queixo no chão.
E foi esse o caso aqui. A XV-1T é de outro patamar em relação a Te Kaitora Rua, que já é uma cápsula excelente. E que acredito que 90% dos audiófilos viveriam felizes com ela.
No entanto, a XV- 1T nos mostrou de maneira explícita o motivo de sua longa carreira vitoriosa, e ainda digna de ombrear com cápsulas top de linha de outros renomados fabricantes.
Comparando-a diretamente com a nossa cápsula de referência, a ZYX Ultimate Astro G, diria que ela perde em detalhes, no entanto se mostrou superior à ZYX Omega Gold, outra cápsula que tive e tanto admiro.
Leia nos fóruns as opiniões dos audiófilos que possuem a XV-1T, e o que mais você irá perceber é o quanto a Dynavector consegue ser precisa e fiel.
Ainda que concorde com essas conclusões, o que mais me chamou a atenção é sua impactante leitura, seja de gravações excepcionais ou as tecnicamente limitadas.
Tudo me parece ser sempre mais organizado e com folga audivelmente superior.
Somente a ZYX Ultimate consegue ser a ainda mais impressionante de todas as excelentes cápsulas que testei, ou tive, nos últimos cinco anos.
E aí quando me lembro que esse produto tem quase 15 anos de vida, é realmente de coçar a cabeça!
O casamento da Dynavector com o braço Zavfino foi dos deuses, e acredito que o cabo de braço top de linha, também da Zavfino, contribuiu para essa sinergia impressionante.
O que para mim mais difere a XV-1T da ZYX Ultimate, é que a Dynavector não é tão condescendente com gravações tecnicamente sofríveis.
Mas, quando as gravações são pelo menos razoáveis, a leitura que a Dynavector faz e o silêncio de fundo, chegam a ser perturbadores (no melhor sentido possível).
Você fará audições memoráveis! Gosto de fazer a ‘prova dos nove’ com gravações nacionais de discos da EMI, RCA e Philips de MPB, anos setenta e oitenta, pois geralmente soam magras, estridentes e capadas nas duas pontas.
E infelizmente em gravações que tenho enorme apreço emocional e histórico.
E fiz audições desses LPs que estão comigo há meio século, impactantes com esse setup analógico. Superiores ao sistema analógico de referência.
Pois ainda que a Dynavector seja menos ‘condescendente’, ela tem a capacidade de nos mostrar detalhes de maneira explícita, que nos permite entender plenamente o discurso musical e os belíssimos arranjos que tivemos no auge da MPB.
E para mim isso é mais essencial do que dar uma ‘lapidada’ nas limitações técnicas para tornar a audição mais agradável.
A Dynavector precisou de 50 horas para se estabilizar, e depois de totalmente amaciada o ajuste baixou de 300 ohms para 100 ohms no pré de phono E-2.
Seu grave tem excelente fundação, peso, corpo e energia. Adorei ouvir a trilogia do King Crimson (os discos azul, vermelho e amarelo da década de 80) na edição nacional, que não é das melhores.
No entanto, soaram muito mais convincentes e empolgantes, graças a essa fundação no grave mais sólida.
A região média é de uma riqueza impressionante, nos permitindo ouvir tudo. Sem nenhuma restrição ou algo escuro ou difuso.
E o agudo é pleno, em extensão, decaimento e corpo. Se tem algo que destroi uma audição analógica são os graves magros e os agudos finos e sem corpo.
Pois o analógico possui um invólucro harmônico rico, e muito distinto do digital (isso deve causar urticária em objetivistas que berram em seus fóruns que LPs sequer podem ser chamados de hi-end).
A Dynavector XV-1T possui um equilíbrio tonal corretíssimo, detalhado, envolvente e natural!
Sua apresentação de Soundstage é digna de ser referência para qualquer audiófilo que nunca tenha escutado um setup analógico bem ajustado e de alto nível de performance.
Foco e recorte são de precisão cirúrgica, a reprodução de ambiência é magnífica e com planos e mais planos, sem jamais se aglomerarem como músicos tocando dentro de um elevador.
Profundidade, largura e altura referenciais!
Eu sei que sou chato quando vou descrever o quesito textura, pois por décadas essa qualidade foi tratada como mais um detalhe capaz de nos dar uma ideia da paleta de cores dos instrumentos e vozes, e ajudar na definição do timbre. E aí vem esse Fernando Andrette e incorpora a questão de Intencionalidade.
O que eu posso fazer?
Esse é um componente essencial para se definir a qualidade das texturas, e na música ao vivo não amplificada seu cérebro irá observar essa característica instantaneamente, ao ouvir um bom instrumento de um razoável.
Assim como também o nível técnico do músico.
E essas características estão no pacote de avaliação de texturas, e não me culpem se outros RCA (Revisores Críticos de Áudio) nunca tocaram neste assunto.
E junto com equilíbrio tonal, a textura nos permite uma imersão muito mais prazerosa e livre de fadiga auditiva, ao escutarmos nossos discos.
E a XV-1T é primorosa na reprodução deste quesito, perdendo por centímetros para a ZYX Ultimate. Quase que ‘cabeça a cabeça’, se fizermos uma analogia com uma corrida de cavalos.
Os transientes são precisos, e fidedignos com os tempos e andamento. Nada se perde, nada será perdido ou difuso.
É lindo ouvir blues, rock, jazz-rock e rock progressivo nessa cápsula!
Macrodinâmica é exuberante, impactante e chocante, rs! Tive alguns sustos merecidos, ao me empolgar e abusar do volume na reprodução da Sagração da Primavera de Stravinsky, e na Sinfonia Fantástica de Berlioz!
A microdinâmica irá te impressionar, tamanha quantidade de informação que emerge dos sulcos.
Assim como a textura, o corpo harmônico é outro quesito que sempre torna explícitas as limitações do analógico, ainda hoje. Não tem comparação! Ponto!
Terá um dia? Talvez. Acho que primeiro os engenheiros e projetistas de DACs precisam entender e aceitar que existe essa limitação, pois creio que a maioria nem se deu conta dessa questão.
O que posso dizer a vocês que nunca ouviram um excelente setup analógico, é que irão se assustar com a diferença de corpo harmônico entre essas duas topologias.
Realizar a materialização física do acontecimento musical nessa cápsula é pura covardia. Os músicos estão à nossa frente, a metros de nossas mãos!
E isso ocorre mesmo em gravações medianas.
Pegue as gravações da Verve, Blue Note, Capitol dos anos sessenta e setenta, e você irá se perguntar como é possível com apenas três microfones, ter tamanho, corpo e materialização física?
Pois é meu amigo… pois é!
CONCLUSÃO
A Dynavector DRT XV-1T conseguiu simplesmente a façanha de atravessar uma década e ainda hoje ser uma referência no topo do podium.
O amigo tem ideia do que isso significa?
Se você busca sua cápsula final, e procura essas qualidades para o seu setup analógico, sugiro que a DRT XV-1T esteja nessa lista.
Pois arrisco dizer que ela, com seu pacote de qualidades, tem fôlego para se manter ainda por muito tempo no pódio.
Sinceramente não imaginava esse tão alto grau de performance.
Integralmente recomendada!

| Nota: 111,0 | |
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CÁPSULA AIDAS MALACHITE SILVER
Fernando Andrette
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Estamos apenas no sétimo mês do ano, e já testamos cápsulas que podem perfeitamente ser o upgrade final em inúmeros sistemas analógicos.
No entanto, o teste deste mês tem um diferencial, pois trata-se de um novo fabricante que chega ao mercado e que ainda está fazendo seu nome e se estabelecendo no mercado hi-end.
Estou falando da Aidas, uma empresa de cápsulas MC da Lituânia e que foi fundada por Aidas Svazas, um projetista que não mede esforços para buscar soluções ‘fora da caixinha’ para seus produtos, utilizando materiais exóticos e soluções no mínimo criativas – e com resultados práticos surpreendentes!
Aidas Svazas sempre deixou claro que seu objetivo sempre foi oferecer um pacote de benefícios e qualidade que realmente o pudesse diferenciar da forte concorrência de quem já está no mercado há décadas.
E que sem este esforço, seria impossível ganhar um lugar ao sol!
Seus produtos primam – dito tanto por seus consumidores, como por revisores que tiveram o prazer de ouvir e testar as cápsulas Aidas – por enorme precisão no rastreamento, timbres naturais, dinâmica, grande equilíbrio tonal, clareza e definição nos extremos.
Todas suas cápsulas possuem características em comum, como cantiléver de boro, magnetos de AINiCo5, agulhas MicroRidge e dupla suspensão – seja na série de entrada ou na topo de linha.
Existem quatro séries, atualmente, que são definidas a partir da fiação usada nas bobinas (sempre enroladas manualmente e com enorme precisão), e dentro de cada série seus modelos são diferenciados pelos materiais que compõem o corpo da cápsula.
A série CU emprega fios de cobre puro. A série AG-CU utiliza fios de cobre banhados a prata, o que agrega qualidades sônicas de performance superior à série de entrada. Na terceira série AU-CU já são utilizados fios de cobre banhados a ouro, e com um caráter tonal mais orgânico. E na série top de linha, a série AU, são utilizados fios construídos com ouro puro, mostrando um maior refinamento em riqueza harmônica, naturalidade e precisão (segundo o fabricante).
Os materiais utilizados na construção do corpo das cápsulas são selecionados em função de suas características no controle de vibrações, um dos problemas de qualquer cápsula que busca uma performance hi-end.
Para driblar e minimizar esse dramático problema, a Aidas usa desde compostos com madeiras nobres, pedras semipreciosas e até – na top de linha – marfim de presas de mamutes siberianos com 21 mil anos de idade, com características e resultados impressionantes no controle de ressonâncias internas.
E além de todas as quatro séries disponíveis para pronta entrega, a Aidas produz ‘séries especiais’ como a Mammoth Gold LE, que utiliza magnetos maiores de AINIco5 e a agulha especial Ogura Line Contact, desenvolvida por Junshiro Ogura, para o maior contato vertical com as paredes do sulco dos discos e, ao mesmo tempo, manter o mínimo de contato frontal e traseiro na leitura do sulco.
Outro diferencial do qual a Aidas se orgulha, é de criar cápsulas para serem utilizadas por décadas – e, para conseguir este feito, aplica valores para a manutenção dos seus produtos que estão muito abaixo da concorrência mundial.
Pois enquanto os custos normais do mercado para retips de cápsulas MC podem variar de 60 a 80% do valor da cápsula, a Aidas garante que qualquer uma de suas cápsulas de todas as séries esteja no valor de retip entre 5 a 10% (dependendo do modelo).
Quem, em sua trajetória analógica, nunca danificou uma agulha de uma cápsula MC ainda em perfeito estado, e teve um segundo susto ao saber o preço da reposição?
Com uma cápsula Aidas, o susto será apenas no momento do desastre, e não com o valor de ver sua cápsula zerada e pronta para uso por muitos e muitos anos!
Mas, vamos falar da cápsula que testamos.
A Aidas Malachite Silver, utiliza um corpo feito de Tru-stone, um material composto por mais de 85% de Malaquita, uma pedra semipreciosa e com veios ondulados e tons variados de verde escuro e claro, que é pulverizada e combinada com resinas especiais.
Engana-se quem achar ter sido uma escolha puramente estética, pois este mineral, com estrutura cristalina à base de carbonato de cobre, é ao mesmo tempo denso e macio, o que se traduz em propriedades naturais de eficiente amortecimento de vibrações.
O cantiléver é feito de boro e fabricado a partir do projeto da própria Aidas, pela Adamant-Nakimi Precision Jewel Co, uma empresa líder mundial no segmento de diamantes para agulhas e cantilevers.
O boro é um semimetal notável para esta aplicação, pois tem menor peso que o berílio, mais rigidez do que o alumínio e menos ressonância do que o rubi ou a safira, que são os materiais amplamente utilizados em cantilevers de cápsulas.
Segundo a Aidas, esta combinação única de rigidez, leveza e ausência de ressonâncias faz com que a Malachite Silver tenha um rastreamento extremamente preciso, detalhado e sem distorções.
A agulha da Malachite Silver é do tipo MicroRidge, um perfil que, ao contrário dos esféricos e elípticos, possui um formato complexo que se assemelha à ferramenta de corte original do disco para a fabricação da master. O que resulta em uma área de contato vertical significativamente maior com as paredes do sulco. Proporcionando maior silêncio de fundo, e uma recuperação de micro detalhes impressionante.
Além de conservar muito mais os discos e a própria agulha!
O magneto é feito de AINiCo5, uma liga de alumínio, níquel e cobalto – e essa escolha está ligada à assinatura sônica que a Aidas quis imprimir a todos os seus produtos.
Segundo o fabricante, o campo magnético gerado por essa escolha é mais uniforme e menos agressivo do que os ímãs de neodímio modernos, o que resulta em uma reprodução com melhor decaimento, menor distorção, maior coerência entre os canais, uma textura rica e sem exageros na resolução, e uma reprodução de micro e macro-dinâmica muito mais bem resolvida.
Sua bobina é feita com cobre banhado a prata 6N, e esta combinação garante máxima eficiência na conversão do movimento mecânico em sinal elétrico devido a altíssima condutividade da prata, dando a essa cápsula uma grande transparência e dinâmica, segundo o fabricante.
Os contatos são feitos com pinos de latão banhados a ouro 24k.
Para o teste, utilizamos o toca-disco Zavfino ZV-11X (clique aqui), com cabo de braço Zavfino Gold Rush (clique aqui), pré de phono Soulnote E-2 (clique aqui) e nosso sistema Nagra de Referência, com as caixas Estelon X Diamond Mk2, Dynaudio Contour Legacy (clique aqui) e Stenheim Alumine Two.Five. Os cabos de interconexão foram Dynamique Audio Apex e Zavfino Silver Dart (clique aqui).
Foi interessante retirar a Dynavector DRT XV-1T (clique aqui), uma cápsula com uma performance impressionante pela sua longevidade, e colocar uma cápsula com uma série de conceitos inovadores.
Nos setups analógicos Estado da Arte, as mudanças de cápsulas têm quase o mesmo peso que uma mudança de caixas acústicas. O peso na assinatura sônica do sistema é gigantesco!
Tanto que leitores, quando me pedem ajuda em upgrades de cápsulas em setups Estado da Arte, só os ajudo se puder ouvir o sistema.
Se não puder ouvir, prefiro apenas sugerir que a pessoa ouça em seu sistema a cápsula desejada. Pois pode mudar o caráter sônico de todo o setup.
Então, por mais que eu me sinta um cara de sorte por poder ouvir cápsulas no topo do podium, eu sei o peso da responsabilidade que é testar esses produtos.
Vamos ao que interessa.
A primeira excelente notícia: a Aidas Malachite Silver já sai tocando lindamente. Pode sentar-se e começar a ouvir toda sua coleção de discos.
Nas 50 horas que determinei de amaciamento para iniciar o teste, a única alteração significativa dela de zero para trinta horas, foi a amplitude do palco sonoro, um decaimento mais suave nos agudos e um ligeiro crescimento no corpo dos instrumentos na região médio-grave – o que foi excelente para o assentamento correto de seu equilíbrio tonal.
Nada falta: de ponta a ponta do espectro audível a Malachite Silver é de um equilíbrio referencial!
Seus graves têm enorme energia, deslocamento de ar, corpo e velocidade. A região média é de uma naturalidade e realismo que reforça a razão de nosso cérebro apreciar tanto uma reprodução analógica bem apresentada. E nos faz balançar a cabeça e dar de ombros quando lemos objetivistas afirmarem que o analógico nem hi-end é!
Esses objetivistas se esquecem que, se não fosse o analógico como referência, o digital estaria ainda com todos seus inúmeros problemas iniciais até hoje.
E os agudos desta cápsula são absolutamente limpos, corretos, com corpo e com um impressionante decaimento suave.
Se você adquirir essa cápsula, meu amigo, me ouça e aguarde as 30 horas para chamar seus amigos audiófilos para uma audição, pois a apresentação do soundstage necessita desse amaciamento para o palco se abrir, ganhar maior profundidade, foco e recorte.
E aí, meu amigo, pode apresentar com orgulho seu novo upgrade.
Para amantes de música clássica, o palco sonoro desta Aidas é de nos fazer suspirar fundo de emoção.
As texturas são praticamente uma ‘réplica’ precisa do que escutamos em uma sala de concerto, ouvindo cada naipe da orquestra ou solista, e percebendo as nuances dos timbres do grupo de instrumentos em uníssonos ou individuais.
Aquela riqueza da paleta de cores da orquestra ao vivo, reproduzida em nossa sala, para nosso bel prazer!
Serão audições enriquecedoras em detalhes e intencionalidades.
Os transientes são sustos telegrafados – sabe o que significa? Mesmo que você conheça de cor aquela passagem repleta de ritmos intrincados e mudanças de andamento, com a Malachite Silver haverão surpresas.
A sensação é que, ao ouvir aquele andamento nesta cápsula, a gravação pareceu ser ainda mais precisa e comovente.
E quanto à dinâmica, se os transientes são ‘sustos telegrafados’, na reprodução da macro-dinâmica serão sustos sobressaltados. Eu, sinceramente, fui achando que em determinadas gravações de teste de macro-dinâmica, a Aidas não poderia me pegar despreparado – e ainda assim fui pego!
O fortíssimo possui um deslocamento de ar e uma energia absurda. E tudo com um grau de precisão e autoridade, sem resquícios de coloração alguma.
Pois as vezes ouvimos fortíssimos que impactam pelo ressoar de uma coloração de fundo (principalmente na macro-dinâmica de bumbo ou tímpanos).
Nesta cápsula isso não existe, se é seco, é seco e contundente! Com aquele grau de energia muito semelhante à uma audição ao vivo.
A micro-dinâmica é estupenda, graças à precisão da leitura de sua agulha.
Muitas vezes ficamos ressabiados ao ler a descrição feita pelo fabricante de seu produto em seu site. Pois, claro que todos os fabricantes buscam te convencer, descrevendo as melhores qualidades de seus produtos, e muitas vezes nos decepcionamos (principalmente se a expectativa criada pela descrição do fabricante for convincente). Com a Malachite Silver, o que o fabricante escreve em termos de precisão de leitura, baixa distorção e excelente silêncio de fundo, ‘è vero’!
O corpo harmônico é tão bom quanto o das melhores cápsulas Estado da Arte que tive, tenho e testei.
Foi o único quesito da nossa Metodologia em que não encontrei diferenças consideráveis. E, no entanto, somado às excelentes características do conjunto, só tornam essa cápsula ainda mais impressionante.
E chegamos a um dos quesitos mais admirados pelos nossos leitores, junto com soundstage – a Organicidade! Levante a mão quem não quer materializar a música à sua frente?
Ter o privilégio de trazer nossos músicos preferidos para uma sessão exclusiva para nós! A Aidas faz essa materialização com maestria e requinte: tanto trazê-los até nós, como em gravações excepcionais nos levar até eles!
Meu amigo, quando conseguimos esse feito em tão alto grau, que até nosso cérebro acredita no que está ouvindo, o investimento feito em cada componente de nosso sistema foi justificado.
CONCLUSÃO
No site da Aidas, e em seus raros anúncios, você lerá que o objetivo deles é oferecer cápsulas excepcionais em termos de precisão, naturalidade, range dinâmico, equilíbrio tonal e transparência.
Aí eu te pergunto: quantos fabricantes de produtos hi-end prometem todo este pacote?
E quantas vezes na longa trajetória audiófila de todos nós, o que parecia fantástico acabou em decepção? A ponto de nos deixar absolutamente ‘escaldados’ e fugirmos até de ler esse tipo de informação, não é verdade?
Só que muitas vezes também, o que ali está sendo descrito pode ser verdade.
E no caso desta cápsula da Aidas, tudo que reivindicam para seus produtos, nesta primeira cápsula deles por nós testada, se mostrou absolutamente correto!
É uma bela cápsula, com um grau de requinte impressionante e o melhor, uma relação custo e performance absurda em comparação com inúmeras outras grandes cápsulas!
Aqueles que estão buscando o upgrade final no seu sistema analógico, não ouvirem essa cápsula, será um erro indefensável!

| Nota: 113,0 | |
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