


PRÉ DE PHONO LEHMANN BLACK CUBE II
Christian Pruks
Ultimamente vários amplificadores e receivers estão vindo com uma placa de phono interna – muitas vezes somente para cápsulas MM, em vez de MM/MC, e quase sempre sem um leque de regulagens que permita a adequação mais perfeita e completa de uma cápsula de alto nível com o pré de phono.
E, claro, nem todos esses prés internos aí de cima são decentes.
A partir de que o fã de vinil vá fazendo upgrades consistentes em todo seu equipamento, especialmente no toca-discos e cápsula, e quer continuar sendo ‘modular’ – ou seja, não procura amplificadores e receiver ‘tudo em um’ – é necessário tirar esse gargalo e, também, fazer o upgrade para um pré de phono de alta qualidade, com todas as regulagens – o que muitas vezes é proibitivo em matéria de orçamento.
E é aí que eu penso que entra o pré de phono Black Cube II, da alemã Lehmann Audio – pois seu altíssimo grau de performance foi uma tremenda surpresa! No que me concerne, é um dos grandes ‘Melhor Compra’ do ano de 2025.
Eu sabia da existência da Lehmann há muitos anos – e, depois, sabendo de sua estirpe sonora por causa do pré que o Fernando Andrette já testou, o Silver Cube, que ele define como um upgrade seguro e definitivo em sua faixa de preço.
O que eu não sabia era que o pequeno Black Cube II é herdeiro de primeira categoria do DNA sonoro da marca, e um polivalente em recursos. E, também acho ele o melhor upgrade em sua faixa de preço!
O primeiro Black Cube era, como diz o Fernando, “minimalista e grandioso” – tenho certeza que este, a versão atual, só cresceu e evoluiu acima do outro.
É um pré de phono diminuto (da largura de ‘um celular e meio’), que não tem botão de liga/desliga (fica ligado direto) e pode muito bem ficar atrás do rack, escondido. Sua fonte é separada, ligada ao pré com um cabo longo umbilical que é fixo no lado do pré. E ela tem entrada IEC, portanto pode-se facilmente utilizar um bom cabo de força. E, obviamente, a fonte sendo externa, sua troca pode ser um seguro upgrade futuro.
Como o aparelho é leve, virar ele com uma mão para acionar as chaves dip-switch de configuração que ficam embaixo dele, é uma brisa. Basta zerar o volume da amplificação, pegar o Black Cube II com uma mão, girar de cabeça para baixo, e acionar as chaves necessárias.
Todas as configurações de ganho (MM, MC alta, MC média, MC baixa), mais todas as de carga para MC (100 e 1000 ohms, e 47kOhms ou um valor personalizável, feito dentro do aparelho), e seleção de filtros de graves (passa-altas), estão presentes.
Simples e direto – dentro da proposta, claro.
Em três ou quatro ‘viradas’ dessas, mudei em segundos todas as configurações necessárias para as duas cápsulas que usei: uma MM de saída alta, e uma MC de saída baixa e carga baixa. Em nenhum momento acionei o filtro de graves, pois julguei desnecessário para meu uso, e não gosto de nada cortando nenhuma frequência, limitando.
O Black Cube II é extremamente bem resolvido em matéria de isolamento, e em momento algum ouvi qualquer ruído ou interferência, não importa o volume – mesmo deixando-o em cima do amplificador integrado. Claro que, o tempo todo, utilizei cabos RCA blindados do toca-discos até o pré, e do pré até o integrado – algo que eu eu recomendo como essencial em toca-discos de vinil.
Para os testes, tive apenas que amaciar o aparelho perto de 100 horas, e o mesmo estabilizou. Felizmente não é nenhum estorvo ouví-lo sem amaciamento, pois o som mais sujo desaparece logo, e de crítico apenas fica faltando extensão de graves, e um bocado de corpo harmônico. Ambos logo estabilizam à contento.
EQUIPAMENTO DE TESTES
O Lehmann Black Cube II foi testado com os seguintes equipamentos: toca-discos MoFi StudioDeck, cápsula Moving Coil Le Son LS10 MkII e Moving Magnet MoFi MasterTracker, entre outras. Amplificadores integrados Gold Note IS-1000 MkII (com pré de phono), e Aiyima D03. Caixas acústicas MoFi SourcePoint 8, e caixas torre Elac Debut 2.0 F5.2. Os cabos de caixa foram VR Audio linha Storm Trançado, cabos RCA variados, e cabo de força Transparent PowerLink MM. E, também, centenas de discos de vinil nacionais e importados, de vários estilos musicais (rock, trilhas, clássicos, jazz etc).
INSTALAÇÃO & CONFIGURAÇÃO
A instalação foi tranquila, começando com a cápsula MM e todas as chaves ‘dip’ desligadas – configuração padrão para MM.
Na sequência, com o uso da MC Le Son LS10 MkII (leia teste na edição 315), a maior parte de seu amaciamento foi com a carga em 1000 ohms, e o ganho para MC de saída média – ganho o qual tocou muito bem, mas achei no final que o som ficou mais redondo com o ganho para MC de saída alta. E, no final, o melhor Equilíbrio Tonal, sem perda nenhuma de dinâmica ou de corpo, se deu com a carga em 100 ohms – que era, aliás, a configuração mais próxima da sugerida pelo fabricante, a Le Son.
Minha paranoia de moço de cidade grande, acha um pouco estranho não ter um botão para desligar o pré de phono, mas ele é quietinho, e a única coisa é se acostumar com a luzinha azul. Claro que, em dias de tempestade, eu sempre desligo o sistema inteiro da tomada.
A combinação do ultra silêncio de fundo do Lehmann, mais o ultra silêncio de fundo do toca-discos MoFi (e a Le Son, que não fica muito atrás, com o tracionamento quieto de sua agulha shibata), resultaram em uma combinação quase sobrenatural. Com um disco em bom estado pode-se tocar meia hora para alguém dizendo que é ‘digital’, e o cara vai acreditar, de tão silencioso.
COMO TOCA
Em poucas palavras? Limpeza, definição, timbre, silêncio de fundo, palco fenomenal, excelentes Texturas, e Transientes ‘sem fazer força’. Passa a sensação de estar ‘descongestionando’ discos de menor qualidade, sem esforço.
Para o Lehmann Black Cube II tocar mal um disco, é porque o disco é intensamente mal gravado.
O lado bom do Equilíbrio Tonal? Clareza, limpeza, descongestionamento, timbre irretocável, resolução. O que pode melhorar? Melhor resposta de graves, mais pesados (sem perder definição) e que, em conjunto com melhor corpo, fariam o Black Cube II decolar para a Via Láctea. Não me entendam mal: o som dele é sensacional do jeito que está, e quem tem um sistema com boa folga em graves e corpo, não sentirá nada ‘aquém’ no som.
Por isso falo em pensar seriamente no upgrade de fonte de alimentação da própria Lehmann Audio – que existe disponível para o Black Cube II – pois acredito que ele assim subiria alguns pontos na sua nota final, e nas notas de Equilíbrio Tonal e Corpo Harmônico!
O lado bom do Palco Sonoro? É mais fundo e limpo que piscina de rico. O interessante é que não parece haver ‘camadas’, e sim algo contínuo, onde instrumentos podem estar aparecendo no que seriam ‘camadas intermediárias’. O que pode melhorar? Manter esse mesmo palco, mas com um Corpo Harmônico melhor nas médias – aí a manifestação 3D viraria algo fantasmagórico, de outro mundo.
O lado bom das Texturas? Um exemplo que me vem à cabeça, é: quando você ouve um baterista bater quatro vezes seguidas na caixa, por exemplo, com esse pré cada uma das batidas é diferente uma da outra em sua textura e, portanto, em sua intencionalidade – e com um pré mais simples, as mesmas quatro batidas soam iguais umas às outras, soam igualadas. Esse é um dos melhores exemplos para as pessoas entenderem o quesito Textura, que eu posso pensar. E, detalhe, essa gravação em questão, da bateria, é decente, mas não é ‘audiófila’, não é uma mega gravação. Mais um ponto para o Lehmann!
A sensação de descongestionamento – e esse nível de intencionalidades – não é possível sem se ter Transientes, Macro-dinâmica e Micro-dinâmica, corretíssimos.
O que é bom no Corpo Harmônico? Ele é correto, muito bom nos agudos e decente nos graves, e é melhor que o de muito pré de phono nessa faixa de preço. Dá para viver bem com ele, e eu estou adorando o alto nível do analógico aqui no meu sistema! Então o que pode melhorar? Um Corpo Harmônico melhor nos graves e nos médios, elevaria este pré à um nível de ficar de boca aberta. Vou ver se consigo experimentar algum upgrade de fonte de alimentação.
A questão com a Organicidade é que, com o Lehmann, o palco e as texturas fazem você dar nova vida aos seus discos, ouvindo coisas que nunca ouviu, ou ‘como nunca ouviu’. Mas o corpo harmônico não leva você para dentro do acontecimento musical, magicamente – não ainda. Mas, vejam, precisa de equipamentos muito mais caros do que este, para isso acontecer, então ele já, nessa nota e preço, está no lucro.
CONCLUSÃO
O pré de phono Lehmann Black Cube II é um achado!
Da mesma maneira que seu irmão mais graduado, o Silver Cube, é um Best Buy em sua faixa de preço, o Black Cube II também é. E ainda mais, porque recebe uma nota altíssima para sua etiqueta de preço e seu leque de funcionalidades.
Quem tem orçamento limitado, e quer tirar o máximo que pode do mesmo, considero o Lehmann Black Cube II a melhor opção disponível no mercado brasileiro hoje.
E, quem se encantar – como eu – com o Black Cube II, não se esqueçam de já reservarem para seu próximo upgrade, a adição da fonte de alimentação melhor da Lehmann Audio.

| Nota: 95,0 | |
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