Teste 2: CAIXAS ACÚSTICAS QR 7 SE DA AUDIOVECTOR

Melhores do Ano 2025: FONES DE OUVIDO
5 de janeiro de 2026
Teste 1: PRÉ DE PHONO AUDIOPAX REFERENCE PHONO
3 de janeiro de 2026

Fernando Andrette
fernando@avmag.com.br

Quando recebemos do distribuidor uma nova versão de um produto que foi amplamente consagrado, a primeira pergunta que me faço é: quanto de ‘evolução’ audível foi alcançado?

Pois a QR 7 original foi uma caixa que colocou a Audiovector no chamado nicho de caixas mais acessíveis, em destaque desde seu lançamento, levando-a receber inúmeros prêmios e excelentes reviews.

E foi a caixa de maior destaque em nosso Workshop Hi-End Show de 2024!

Para os que não leram o teste publicado em nossa edição 294 (clique aqui), reproduzo minha conclusão:

“Não tenho dúvida que a Audiovector irá colher enorme sucesso com a linha QR. Pois seus atributos estão acima de atender a nichos específicos audiófilos, podendo agradar uma ampla parcela de consumidores que buscam dar a seus sistemas uma assinatura correta e nada mais que isso. E quando falo correta não cabe nenhum subjetivismo, gosto pessoal ou modismos. Correta no sentido literal do termo. Sem concessões para deixar o som mais aveludado, ou com médios mais proeminentes. Não! A QR 7 é uma caixa feita para atender a audiófilos e melômanos que desejam apenas melhorar seus sistemas parando de privilegiar quesitos pontuais, olhar a reprodução eletrônica e suas múltiplas facetas como um todo”.

Foi uma caixa que realmente me impressionou, levando-me a compartilhar suas qualidades com o público que se fez presente no Workshop do ano retrasado.

E ao saber do lançamento da nova geração, pedi imediatamente à Ferrari Technologies que nos enviasse uma amostra para avaliação.

Segundo o fabricante, as alterações foram muito pontuais, no entanto com resultados expressivos em termos de performance.

Começando pela placa frontal do tweeter Gold Leaf Air Motion, usinada a partir de uma única peça de alumínio de grau aeroespacial, jateada com fibra de vidro escovada e em seguida anodizada em um atraente tom de cinza titânio tungstênio, que utiliza uma malha de dispersão banhada a ouro rosa que funciona como um filtro S-Stop.

Todos os modelos SE apresentam emblemas de latão dourado discretos e uma placa nas costas do gabinete.

Essas são as alterações estéticas para o modelo original.

Na parte eletrônica, os upgrades foram realizados no crossover com a escolha de novos capacitores duplos de cobre estanhado, e polipropileno criogênico.

Essa escolha proporcionou (segundo o fabricante) uma maior extensão ao tweeter AMT, com uma sonoridade ainda mais detalhada e aberta.

A fiação interna foi também modificada com a utilização de cobre puro tratado criogenicamente.

O gabinete recebeu reforço com o uso de um novo material de amortecimento Nanopore da Audiovector para a eliminação de ondas estacionárias.

Os drivers de graves Pure Piston com imãs desenvolvidos pelo fabricante, têm a capacidade de funcionar como um pistão perfeito na resposta de várias oitavas, com menor distorção em relação ao modelo original com uma resposta ainda melhor – baixando de 28hz para 23 Hz. Seu falante de médios de 6 polegadas também utiliza os imãs desenvolvidos pelo próprio fabricante.

Sua resposta de frequência foi ampliada nas duas pontas: 23 Hz a 52 kHz. A sensibilidade é de 90.5 dB/W/m, impedância de 6 ohms, capacidade de potência máxima de 330 Watts, e os cortes do crossover são em 425/ 3000 Hz.
É bass reflex com duto voltado para o chão, e suas dimensões são: altura de 1.14m, largura de 25 cm, e profundidade 40 cm.

O fabricante oferece três opções de acabamento: Seda Branca, Piano Preto e Nogueira Escura.

O distribuidor nos enviou o modelo com acabamento em nogueira, que pessoalmente acho o mais bonito de todos. Mas, sou suspeito, pois adoro caixas acústicas com gabinete de madeira!

Para o teste utilizamos os seguintes equipamentos. Amplificadores integrados: 404 Reference da Moonriver (clique aqui), Norma Audio Revo IPA-140 (clique aqui), e PA 3100 HV da T+A (clique aqui).

Amplificadores: Air Tight ATM-1E (clique aqui), monoblocos Progression M550 da Dan D’Agostino (clique aqui), e Nagra HD.

Pré-amplificadores: Air Tight ATC-5s (clique aqui) e Nagra Classic (clique aqui).

Fontes digitais: Wadax Studio Player (teste na edição março de 2026), Streamer Nagra, TUBE DAC Nagra (clique aqui), e Transporte Nagra.

Fontes analógicas: pré de phono Audiopax Reference (leia Teste 1 nesta edição), e pré de phono Soulnote E-2, com toca-discos Zavfino ZV-11X (clique aqui) e cápsulas Dynavector DRT XV 1T (clique aqui) e Aidas Malachite Silver (clique aqui).

Cabos de caixa: Virtual Reality Argentum (clique aqui), Jorma Cables modelo Quality (teste no primeiro trimestre de 2026), e Dynamique Audio Apex 2 (teste no primeiro trimestre de 2026).

Pelo tamanho das QR 7 SE você irá precisar de ajuda tanto para desembalar como para fixar os spikes.

Tenha paciência, pois arrancar o sumo desta caixa necessitará que você deixe sua ansiedade para fora de sua sala de audição. A boa notícia é que, pelo seu duto ser para baixo, elas poderão ser posicionadas mais próximas da parede, porém não grudadas – pois precisam de arejamento para o melhor equilíbrio tonal e apresentação de um palco deslumbrante.

E esteja ciente que os amigos só deverão ser convidados após todo seu amaciamento, e o posicionamento correto delas na sala.

É duro ouvi-las enquanto amaciam?

Não, mas elas precisam de no mínimo 100 horas para seus dois falantes de 8 polegadas de graves se estabilizarem, ganhando peso, energia e velocidade.

Pois são caixas que descem com autoridade! Lembro de como o exemplo da faixa do disco do Copland soou no Workshop de 2024, em uma sala de 124m2 com 60 pessoas assistindo.

E na outra ponta, os agudos precisam de pelo menos 150 horas para ganharem toda sua linda extensão e decaimento. São agudos ultra suaves, que ficam pairando no ar como folhas secas ao vento.

E a região média precisa se encaixar nessas duas pontas, para mostrar o seu grau de detalhamento e naturalidade.
Então, segure a onda e faça a lição de casa, pois valerá cada minuto de sua paciência e resignação. Mas você poderá acompanhar a evolução do upgrade tendo pequenos ‘vislumbres’ diários.

A principal diferença em relação ao modelo original no quesito equilíbrio tonal, para mim, ocorreu nos dois extremos e na região do médio-grave.

Em nossas gravações ficou notório, principalmente nos contrabaixos, que a riqueza harmônica e o peso da nova QR 7 deixou essas gravações ainda melhores.

E a ‘prova dos nove’ foi ouvir o contrabaixo, o clarone e o cello no nosso CD Timbres.

Os agudos, ainda que as diferenças não tenham sido tão evidentes quanto as dos médio-graves, foi possível ter a sensação de maior arejamento e uma apresentação de ambiência ainda mais conclusiva.

“Isso beneficia os médios, Andrette?”

Não de maneira direta na região média, que manteve a beleza e correção já apresentada na versão original, mas indiretamente causa sem dúvida alguma um conforto auditivo ainda mais pleno.

O Soundstage foi o que menos sofreu alteração em relação ao modelo original: os planos, se a caixa estiver devidamente afastada das paredes e corretamente posicionada, se manteve primoroso, com planos e mais planos bem focados e recortados, altura, largura e profundidade de caixas Estado da Arte, e solistas e vozes com um grau de apresentação física (organicidade), referencial!

As texturas são ricas, detalhadas e muito corretas, permitindo por exemplo no CD Timbres, ouvir sem esforço as virtudes e limitações dos três microfones utilizados na gravação. Assim como a qualidade dos instrumentos e dos músicos participantes.

Os transientes são reproduzidos com grande precisão, facilitando o ouvinte desfrutar de tempos e variação de andamento sem esforço adicional algum.

Nada soará letárgico ou ‘estranho’, mesmo em um andamento complexo com inúmeras informações adicionais ocorrendo simultaneamente.

E a dinâmica é tão impressionante como os que os participantes do Workshop presenciaram. Uma macro-dinâmica de caixa ‘competente’, e que não se dobra a nenhum obstáculo.

Sim, antes que você me pergunte, ouvi a Abertura 1812 de Tchaikovsky (Telarc) e os apavorantes tiros de canhão, e a QR 7 SE se comportou de maneira íntegra, elevando seu status de ‘caixa de entrada’ para um outro patamar!

E a micro-dinâmica? Graças ao seu maior silêncio de fundo com as alterações no crossover, cabeação e, muito provavelmente, os novos amortecimentos no gabinete, permitindo que os mais sutis detalhes da gravação sejam audíveis.

O corpo harmônico, com a melhor riqueza harmônica na região médio-grave, se tornou ainda mais verossímil para o nosso cérebro.

Novamente, ouvindo o CD Timbres, não precisei nem fechar os olhos para reconhecer o tamanho real de cada instrumento que gravei. Minha referência neste caso é absoluta, pois fui eu que meticulosamente ajustei cada microfone para extrair o melhor resultado, e acompanhei cada gravação junto com o músico dentro da sala.

O contrabaixo, especificamente na QR 7 SE, soou muito, mas muito próximo do seu tamanho real!

Com tantas virtudes e coerência em todos os quesitos, é óbvio que a materialização física do acontecimento musical tenderá a ser muito conveniente, nas boas e excelentes gravações.

A QR 7 SE, neste quesito, também foi alguns degraus além do modelo original, conseguindo em gravações apenas boas tecnicamente, materializar os músicos à nossa frente!

CONCLUSÃO

A Audiovector acaba de criar um grande problema para a concorrência, pois se a série QR já havia mostrado a que veio, a nova geração deixa a situação ainda mais delicada.

Pois no caso da QR 7 SE, o que já era considerado um pacote ‘completo’, tornou-se ainda mais consistente e promissor!
Eu não gostaria de ser a concorrência para descascar este ‘abacaxi’.

No meu último parágrafo da conclusão do teste da QR 7 original, escrevi: “Se você chegou à conclusão de que esse é o melhor caminho a seguir, a QR 7 é uma das mais belas expressões”.

E tenho apenas que acrescentar, nesta nova conclusão: “O que já era extremamente convincente em termos de custo e performance, acaba de se tornar ainda mais tentador!”


PONTOS POSITIVOS

Uma relação custo / performance ainda mais impressionante que a da caixa original.

PONTOS NEGATIVOS

Precisa de uma sala que permita a caixa respirar longe das paredes, e uma eletrônica à sua altura.


ESPECIFICAÇÕES

Resposta de frequência23 Hz a 52 kHz
Limite superior do Gold Leaf102 kHz
Sensibilidade90,5 dB/W/m
Impedância6 Ohms
Capacidade de potência330 W
Frequências de crossover425 / 3000 Hz
Drivers de graves2x 8” com Tecnologia Pure Piston
Drivers de médios1x 6” com Tecnologia Pure Piston
Driver de agudosAMT 2 Folha de Ouro, com S-stop
Princípio3 vias
Sistema de gravesBass reflex com ‘duto Q’
Dimensões (L x A x P)114 x 25 x 40 cm
CAIXAS ACÚSTICAS QR 7 SE DA AUDIOVECTOR
Equilíbrio Tonal 13,0
Soundstage 12,0
Textura 13,0
Transientes 12,0
Dinâmica 12,0
Corpo Harmônico 13,0
Organicidade 12,0
Musicalidade 13,0
Total 100,0
VOCAL                    
ROCK, POP                    
JAZZ, BLUES                    
MÚSICA DE CÂMARA                    
SINFÔNICA                    
ESTADO DA ARTE SUPERLATIVO



Ferrari Technologies
heberlsouza@gmail.com
(11) 99471.1477
(11) 98369.3001
US$ 14.600

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *