Teste 4: CABO DE CAIXA REALIZATION DA KUBALA SOSNA

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Fernando Andrette
fernando@avmag.com.br

Só me dei conta do tempo que não testava um cabo de caixa da Kubala Sosna, ao ver que o Elation avaliei na edição 179 (junho de 2012)!

Lembro-me de ter feito uma longa introdução ao teste do Elation, para explicar como este fabricante de cabos hi-end americano foi galgando, ao longo dos anos, um lugar de destaque no cenário audiófilo, sem grandes campanhas de marketing ou grandes vendas em todos os continentes – procurando, desde sua fundação em 2002, o trabalho consistente de apresentar seus produtos em parceria com expressivos fabricantes de caixas e eletrônicos nos principais eventos nos Estados Unidos, Europa e Ásia.

O que mais me chamou a atenção no teste do Elation, foi ao visitar o site da empresa e ver um comparativo dos seus produtos com 32 concorrentes, mostrando um gráfico com as diferenças entre o eixo de capacitância e o eixo de indutância, e com uma pergunta logo abaixo: “O que isso prova?”.

E a resposta: “Honestamente, nada!”. Seguido da seguinte frase: “Muito embora nós sejamos diferentes ao utilizarmos nossa arquitetura OptimiZ3, ela não prova que somos melhores e sim que fizemos algo diferente.”

E, no segundo gráfico de impedância, uma nova pergunta: “Podemos dizer que soa melhor? Ele é singular, e não podemos confundir diferente com melhor”.

E em seguida um gráfico com uma onda quadrada quase perfeita, mostrando a qualidade dos cabos Kubala Sosna, independente de mudanças de cargas em qualquer extremidade do sinal.

O Realization era o cabo top de linha até recentemente, quando a Kubala Sosna apresentou o Ovation!

Sua bitola é bem maior que a do Elation, e ainda assim é um cabo flexível e não rígido, como muitos outros desta mesma espessura. Felizmente veio amaciado, o que só exigiu 24 horas para retirar o stress mecânico de vir enrolado.

Já vou fazer um adendo, antes de iniciar a avaliação, já que nossa caixa de referência, a Estelon X Diamond Mk2, utiliza internamente cabeação Kubala Sosna, então nada mais justo que realizar as primeiras impressões nela antes de colocá-lo em um arsenal de caixas e amplificadores que estavam em teste.

Vamos à lista de caixas acústicas usadas: Basel V01 (clique aqui), Dynaudio Contour Legacy (clique aqui), Audiovector Trapeze (clique aqui), Audiovector QR 7 SE (teste em breve), Perlisten S5t (teste será publicado no primeiro trimestre de 2026), Wharfedale Super Linton (clique aqui), Stenheim Alumine Two.Five (clique aqui) e Estelon X Diamond Mk2 (clique aqui).

Amplificadores: Air Tight ATM-1E (clique aqui), monoblocos Dan D’Agostino Progression M550 (leia teste 1 nesta edição) e monoblocos Nagra HD (clique aqui).

Amplificadores integrados: Norma Revo IPA-140 (clique aqui), Moonriver 404 Reference (leia teste 2 nesta edição), Dan D’Agostino Pendulum (teste em breve) e 3100 HV da T+A (clique aqui).

A mais importante conclusão, para um cabo de caixa, além de soar ‘correto’ é seu grau de sinergia e compatibilidade com o maior número possível de caixas e amplificadores.

E neste quesito, o Realization é matador!

Não destoou em nenhum par de caixas ou amplificação. Pelo contrário, em muitos casos acrescentando qualidades que em outros cabos de caixas não estavam tão evidentes.

Por mais que faça anotações minuciosas em meus cadernos pessoais dos produtos testados não posso, sem ter um Elation em mãos, falar com detalhes todas as diferenças.

Mas posso afirmar que, com as gravações feitas por nós, o que ficou mais evidente é o quanto as duas pontas no Realization possuem mais arejamento sem, no entanto, alterar o equilíbrio tonal nessas frequências.

A descrição mais exata seria dizer que o Realization possui mais folga e detalhamento nas pontas, permitindo o ouvinte observar informações sutis de ambiência, e a qualidade do reverb digital utilizado na mixagem das gravações.
Tudo com enorme naturalidade e conforto auditivo.

Ouso dizer que sua assinatura sônica é uma mescla de correção tonal com uma ‘pitada’, na medida certa, de eufonia, que faz com que apreciemos cada detalhe sem nos perdermos no secundário.

E essa é uma fórmula infalível para nosso cérebro parar de ‘macaquear’ e prestar atenção apenas no acontecimento musical.

Sua região média, graças ao seu impressionante silêncio, é muito rica, precisa e repleta de informações micro-dinâmicas, que em outros cabos não soam tão evidentes. Essa região média nos permite acompanhar sem esforço o todo, ainda que estejamos ouvindo uma variedade de instrumentos, como na obra Sagração da Primavera de Igor Stravinsky.

Nada se perde, tudo está à nossa frente e organizado, por mais caótica que seja uma passagem (e existem várias assim na Sagração da Primavera).

Outra diferença que ouvi em nossos discos, foi a apresentação dos planos, foco, recorte, altura, profundidade e largura, que no Realization são ainda mais impressionantes.

Os audiófilos que são ‘tarados’ por soundstage irão se deliciar com este quesito, e a forma com que o Realization apresenta os planos e o foco, e o recorte cirúrgico dos solistas e cantores!

As texturas no Realization são divinas! Possuem uma apresentação refinada das paletas de cores, enriquecendo os timbres dos instrumentos e mostrando que, na medida certa, cabos podem acrescentar sutilmente algo a mais sem comprometer o equilíbrio tonal e a naturalidade dos instrumentos acústicos e vozes.

Ele me lembra os excelentes prés valvulados, quando casados sinergicamente com powers do mesmo nível transistorizados, e nos dão aquele ‘molho’ na medida certa.

E que depois fica difícil voltar atrás!

Eu vejo exatamente isso no Sistema de Referência da revista, em que o casamento entre nosso pré valvulado e nosso power transistorizado é difícil de separar. Ambos casados se tornam quase imbatíveis!

O Realization tem essa característica, que depois que nosso cérebro assimila e se acostuma, sente falta quando é tirado.

Agora, como disse, é tudo feito de maneira tão sutil e requintada que nenhum quesito é comprometido.

E isso fica claro quando ouvimos as faixas para fechar a nota de transientes, e percebemos o quanto o Realization é correto na apresentação de tempo e ritmo! Sua capacidade de marcar o andamento da música é precisa.

E se tem algo que para mim separa os bons cabos dos excelentes, é ouvir a macro-dinâmica, intensamente marcante, porém com folga suficiente para não incomodar ou deixar o sinal comprimido nas passagens dos fortíssimos.

O Realization faz tudo com enorme autoridade impactante, porém com folga.

Tanto que para audiófilos que estão acostumados apenas com macro-dinâmica ‘nervosa’ e que geralmente comprime o sinal (as vezes deixando o som bidimensional), acharão no primeiro momento que o Realization não apresentou essa dinâmica da maneira que o audiófilo está acostumado a ouvi-la.

Muitos demoram a entender que, quando existe controle e folga, ouviremos o crescendo integralmente, sentiremos o deslocamento de ar e o decrescendo até o silêncio. E não apenas o impacto que, sem folga, parece estar separado do resto do acontecimento musical.

É o que chamo de ‘efeito pirotécnico’. Um ótimo exemplo é o momento dos tiros de canhão da Abertura 1812 de Tchaikovsky (Telarc Records), que em inúmeros sistemas os tiros encobrem completamente a orquestra. Já ouvi audiófilo dizer que a sensação que tem nos tiros de canhão é que a orquestra parou de tocar.

Com o Realization, o ouvinte não fará esforço algum para ouvir os tiros e continuar escutando plenamente a orquestra. Esse é um bom exemplo de macro-dinâmica com folga, meu amigo.

Já cantei a bola, alguns parágrafos acima, que com o exuberante silêncio de fundo deste cabo, a micro-dinâmica é impecavelmente reproduzida. Você não perderá nada do que está nos seus discos preferidos.

O mesmo em relação ao quesito corpo harmônico, que é reproduzido neste cabo da maneira mais fidedigna que a captação foi realizada, e que não se perdeu na mixagem ou na master final.

Como eu sei disso?

Ouvindo do nosso CD Timbres (Cavi Records), instrumentos como o Clarone, Contrabaixo e Cello!

Impecável sua apresentação, fazendo com que o nosso cérebro reconheça o tamanho ‘real’ dos instrumentos, relaxe e aprecie!

Com o Realization no sistema certo, ‘ver’ o que estamos ouvindo (organicidade), será constante em todas as boas gravações. Tanto em trazer os músicos em nossa sala, como – em gravações excepcionais – nos transportar até a sala de gravação!

CONCLUSÃO

Sinceramente não sei dizer a razão que nos levou a demorar tanto em avaliar este belíssimo cabo, e compartilhar com vocês nossas observações.

Pela consistência e expertise deste fabricante, fico imaginando o novo salto que o Ovation possa ter dado em relação ao Realization.

A todos que possuam o Elation (e sei que são alguns aqui no Brasil), se o seu sistema estiver à altura deste cabo, ouça-o! Pois as diferenças são significativas, em todos os quesitos.

Trata-se de um upgrade que será justificado tanto em termos de investimento, quanto de performance!

E para os que já possuem o Realization, preparem-se, pois como falei esse é um fabricante de cabos que não dá ‘ponto sem nó’!

Este cabo tem qualidades suficientes para justificar estar na lista dos que desejam aquele último ajuste em um sistema já azeitado, e seu grande diferencial é seu grau de compatibilidade muito alto.

Se anda pensando em um cabo de caixa definitivo, o Realization merece estar nessa lista.


PONTOS POSITIVOS

Altíssima compatibilidade e performance.

PONTOS NEGATIVOS

Preço, e exigência de um sistema do mesmo nível.


CABO DE CAIXA REALIZATION DA KUBALA SOSNA
Equilíbrio Tonal 14,0
Soundstage 14,0
Textura 14,0
Transientes 14,0
Dinâmica 13,0
Corpo Harmônico 14,0
Organicidade 14,0
Musicalidade 14,0
Total 111,0
VOCAL                    
ROCK, POP                    
JAZZ, BLUES                    
MÚSICA DE CÂMARA                    
SINFÔNICA                    
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