Teste 2: AMPLIFICADOR INTEGRADO ALLUXITY INT ONE MKII

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Fernando Andrette
fernando@avmag.com.br

Lembro em detalhes quando no Workshop do ano passado, apresentava aos participantes o segundo sistema do dia, as perguntas imediatas eram: que amplificador era aquele de cor laranja tão destacado entre os outros integrados do evento?

Os mais ‘antenados’ imediatamente diziam se tratar de um integrado da Vitus Audio, empresa dinamarquesa com enorme reputação no cenário audiófilo há décadas!

Esperava o alvoroço criado na sala baixar, para responder que os que disseram se tratar de um Vitus Audio, estavam só parcialmente corretos.

Pois o Alluxity Int One MkII foi concebido por Alexander Vitus, filho de Hans Ole Vitus.

Alexander Vitus, desde muito jovem, já dava suas escapadas para aprender a arte de soldar placas de circuito impresso, na empresa do pai – tomando gosto por engenharia de áudio e que, depois de formado, resolveu fundar sua própria empresa, a AVM-TEC em 2010.

Inicialmente se tornou fabricante OEM no setor de alta fidelidade, até partir para desenvolver seus próprios equipamentos.

Atualmente a Alluxity possui este integrado (já em sua segunda versão), um pré-amplificador, um amplificador de potência e um pré de linha com DAC.

Tanto o design como a disposição dos componentes, foram todos concebidos de forma modular, mostrando-se uma concepção bastante criativa e eficiente (veja foto do integrado por dentro). Tudo está alojado em um gabinete usinado a partir de um bloco de alumínio. E o grande cuidado com vibrações espúrias é levado ao extremo.

Ao leigo, pode parecer que essa disposição por compartimentos internos, deva ter risco de sobreaquecimento – pelo contrário: a dissipação de calor foi estudada profundamente para ser eficiente, e ao mesmo tempo manter a temperatura interna no ponto certo.

O transformador ocupa o centro do gabinete, rodeado de placas geometricamente assentadas ao seu redor, e os transistores de potência escolhidos são da Sanken Electric.

Seu gabinete maciço e sólido, com seus 18 kg, passam a sensação que foi feito para durar por uma eternidade. E os cuidados com os mínimos detalhes, como a qualidade dos terminais de caixa, RCA e XLR, define o padrão de qualidade buscado.

Seu painel frontal é operado por meio de ícones autoexplicativos, sensíveis ao toque, tanto para seleção de entrada, como alteração no volume e luminosidade do display.

O volume fica no centro do display, configurado em barras com valores de -70 a +13 decibéis.

Trata-se de um amplificador Classe AB com potência de 200 Watts em 8 ohms.

O grande diferencial para outros belos amplificadores integrados hoje disponíveis, são suas opções de cores, como preto, cinza, branco, laranja (como o que recebemos para teste) e um azul – batizado de Blu Victory, que na minha opinião é ainda mais ‘vistoso’ que o laranja.

Talvez muitos se decepcionem com seu simples controle remoto da Apple mas, acreditem, seu uso se restringirá apenas em definir o volume de audição, e nada mais que isso. Pois você certamente irá curtir trocar as entradas em seu próprio display.

Para o teste, utilizamos um arsenal de caixas acústicas, como poucos outros integrados tiveram essa oportunidade aqui.

Vamos as que mais se destacaram: Wharfedale Super Linton,

Harbeth 40.2 (que foi sua parceira no Workshop do ano passado), Dynaudio Legacy Contour 1.8, Monitor Audio Platinum 100 (teste ainda neste primeiro semestre), Quad Revela 2 (teste ainda neste primeiro semestre), Audiovector Trapeze (um dos casamentos que mais se destacou), Audiovector QR 7 SE (clique aqui), e Ø Audio Frigg 02 (leia teste na edição de abril de 2026). As fontes digitais foram: Weiss Helios (leia teste edição de abril de 2026), Nagra TUBE DAC, Nagra Streamer e Transporte Nagra. Fonte analógica: Zavfino

ZV11X (clique aqui) com prés de phono Audiopax Reference

(clique aqui) e Soulnonte E-2 (clique aqui). Cápsulas: Aidas Malachite Silver (clique aqui) e Dynavector Te Kaitora Rua (clique aqui). Cabos de caixa: VR Cables Argentum (clique aqui), Kubala Sosna Realization (clique aqui) e Dynamique Audio Apex (clique aqui).

Sabe a famosa frase: “Nem tanto à terra, nem tanto ao mar”? Pois bem, acho que ela se aplica perfeitamente a descrever a assinatura sônica do Alluxity Int One MkII.

Pois ainda que tenha uma sonoridade extremamente confortável, ele também tem um grau de detalhamento que impressiona de imediato. Para os que buscam exatamente essa sonoridade para suas audições, coloquem esse integrado na sua lista de audições futuras.

Mas não pensem que esse resultado será atingido com pares que não estejam a sua altura, pois isso não ocorrerá. Ele é exigente e bastante criterioso com o que o cerca.

Comecemos pelas fontes: ele não irá se contentar em uma fonte digital ou analógica que não tenha atributos sonoros similares.

Pois para se deliciar com sua precisão, rapidez e contundência na apresentação de micro-detalhes, seu par eletrônico de dança, terá que possuir essas mesmas virtudes.

E na outra ponta, o mesmo cuidado será exigido dos sonofletores. As caixas com as quais o Alluxity mais se deu bem, foram justamente com as mais caras: Harbeth, Dynaudio, Audiovector Trapeze (clique aqui) e a Frigg 2. E isso não foi por acaso, e sim pelo nível de refinamento desses quatro modelos.

Seu equilíbrio tonal é preciso, tanto na apresentação nas duas pontas, como na região média, que se apresenta ultra detalhada e de maneira muito natural e confortante.

Porém esqueçam a possibilidade de uma “maquiada” em gravações tecnicamente ruins, para torná-las mais palatáveis, pois não vai rolar! Seu grau de transparência dedará imediatamente as limitações técnicas de qualquer gravação.

“Posso contornar esse obstáculo, Andrette, com caixas menos transparentes ou neutras?”

Pode, mas estará neste caso subutilizando esse integrado. São sempre escolhas, meu amigo, com suas benesses e seus entraves.

Apaixonados por imagens sonoras 3D, vieram ao integrado certo. Pois este é bem semelhante ao Norma IPA-140 (clique aqui) que tem um de seus pontos mais fortes na imagem com planos e mais planos, em termos de profundidade, foco e recorte.

O Alluxity é desse mesmo time! Largura de palco excelente. Altura e profundidade idem. Os cantores e solistas ocupam seu espaço, com aquela aura de silêncio à sua volta, que não apenas encanta, como faz com que seu cérebro relaxe e aprecie ainda mais aquele momento.

As texturas são corretíssimas, tanto em termos de paleta de cores para a definição de timbres, como pela rica apresentação de intencionalidade, graças ao seu grau de transparência. É possível perceber todos os erros e acertos, na escolha de microfones, posicionamento desses, qualidade dos instrumentos e grau de virtuosidade dos músicos.

Os transientes são um quesito à parte, pois sua apresentação de tempo e ritmo é de se tirar o ‘chapéu’, pois é uma apresentação cirúrgica. Quem ama ritmo, se sentirá realizado com este integrado.

A macro-dinâmica dependerá muito mais dos seus pares o acompanharem, do que da sua própria capacidade em responder a fortíssimos. Aqui a caixa que mais o ‘acompanhou’ foi a Trapeze, que adora todo tipo de desafio!

Foi possível levar alguns sustos ao ouvir como ambos reproduziram tímpanos e órgão de tubo!

E a micro-dinâmica é uma aula de como ser transparente na medida certa, sem cair para o analítico. Mostrar os mais ínfimos detalhes, sem nos tirar a concentração do todo!

Pois quando se passa do ponto, nosso cérebro é o tempo todo desviado do geral, para ficar ouvindo aquele triângulo, ou as chaves de um instrumento de sopro, que não deveria ser mais importante que o resto do acontecimento sonoro.

Entendem o que estou tentando explicar? Falo enfaticamente dessa questão nos nossos Cursos de Percepção Auditiva, da ‘armadilha’ dos sistemas ultra-transparentes.

Pois eles têm o que chamo de efeito de ‘pirotecnia sonora’, pois nos impactam por alguns momentos e depois nos cansam. O Alluxity conseguiu fugir dessa armadilha, conseguindo manter o detalhamento na medida certa.

“Como ele fez isso, Andrette?”

Não exagerando no silêncio de fundo, sendo o melhor ‘antídoto ‘para essa tentação que ronda a cabeça de muitos projetistas e objetivistas ortodoxos.

O corpo harmônico do Alluxity é muito bom, o que possibilita ouvirmos o tamanho dos instrumentos de maneira que não incomode nosso cérebro.

Tem integrados em sua faixa de preço melhores? Sim, mas que não são tão bons em outros quesitos, como na transparência por exemplo, como o Alluxity é!

Novamente, lembro a todos, que o perfeito só existe na nossa imaginação e expectativas juvenis! Agora, se sua ‘tara sonora’ é a materialização dos músicos à sua frente, pode novamente colocar esse integrado em sua lista de produtos a serem escutados.

Pois ele é muito bom nesse truque de trazer os músicos à nossa sala de audição.

Em gravações de alto nível técnico, isso é instantâneo!

CONCLUSÃO

Ficou clara a frase inicial para a definição da assinatura sônica do Alluxiti Int One MkII?

Ele tem a correta virtude de não desejar ser brilhante em algo, em detrimento de outras questões relevantes. Porém, isso tem um preço: não é um integrado barato e, como escrevi, bastante seletivo com seus pares.

Tanto que as quatro caixas que mais se casaram com ele, são mais caras que o próprio. Sem falar nas fontes utilizadas nesse teste.

Isso é desanimador, ou frustrante?

Claro que não. Isso apenas nos lembra que todo equipamento acima de 100 pontos, precisa de um ajuste muito mais seletivo e criterioso.

Feita a lição de casa, teremos a possibilidade de esquecer nossos dias de peregrinação desenfreada na busca do setup ‘perfeito’, e poderemos nos dedicar apenas ao essencial – ouvir nossos discos!

Repito: a maior virtude desse integrado foi a capacidade de se ‘equilibrar’ entre o quente e o transparente de maneira inteligente.

E ainda que ele seja classificado como um integrado transparente em nossa Metodologia, ele nos proporciona audições muito confortáveis e de alto prazer auditivo!

Se é isso que você procura, ouça-o com muita atenção! Pois seu custo e performance é excelente, assim como seu design e construção!


PONTOS POSITIVOS

Um integrado Estado da Arte minuciosamente desenvolvido.

PONTOS NEGATIVOS

Exigente com seus pares, até nos detalhes ínfimos.


ESPECIFICAÇÕES

Potência de saída200 W (8 ohms), 400W (4 ohms), 800W (2 ohms)
DesignTotalmente balanceado da entrada à saída, Classe AB
Controle de volume-79dB a +13dB (em incrementos de 1dB)
Entradas3x RCA, 2x XLR
Saídas1x saída de pré RCA
Dimensões (L x A x P)43,5 x 10,5 x 33,5 cm
Peso17,5 kg
Opções de acabamentoPreto, Branco, Prata, Laranja Titânio

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