Teste 2: CAIXAS ACÚSTICAS Ø AUDIO FRIGG 02
6 de abril de 2026
AUDIOFONE – Teste 1: FONE DE OUVIDO AUDIO-TECHNICA ATH-WP900
6 de abril de 2026

Fernando Andrette
fernando@avmag.com.br

Conheço os produtos da Weiss Engineering desde a virada do século, quando nas produções tanto dos discos Genuinamente Brasileiro para a gravadora Movieplay, quanto para o nosso selo na produção dos SACDs, utilizei em alguma fase da gravação os conversores da Weiss.

Portanto, não pensem que sou da ala dos RCA (Revisores Críticos de Áudio), que torcem o nariz para produtos que são fabricados tanto para o mercado de áudio profissional, quanto para áudio doméstico.

Pois se assim pensasse, jamais teria tido produtos da dCS (que também teve seu início com um pé no áudio profissional) e, principalmente, os produtos atuais que são minha referência: Nagra (que também atua nos dois segmentos).

A Weiss transita nos dois mercados com enorme competência e respeitabilidade.

E vem ganhando cada vez mais notoriedade no mercado hi-end com seus conversores digitais analógicos de alta performance.

Todo audiófilo certamente já leu a respeito de algumas das opções oferecidas por esse fabricante Suíço ao mercado doméstico, e as excelentes resenhas críticas e prêmios conquistados nos últimos anos!

Mas que é a Weiss Engineering?

Daniel Weiss tem uma carreira brilhante, que se iniciou assim que se formou como engenheiro eletrônico e foi contratado pela Willi Studer AG. Lá ele trabalhou no laboratório de áudio digital por cinco anos, e seu trabalho incluiu o desenvolvimento de um conversor de frequência de amostragem de processamento digital para gravadores de estúdio.

Em 1985, Daniel Weiss fundou sua empresa, e desde sua fundação centrou-se no projeto de fabricação de equipamentos de áudio digital para estúdios de masterização.

O seu projeto 102 Series foi a primeira linha de produtos, e teve uma aceitação enorme, já que se tratava de um conversor de 24 bits/96 kHz – uma novidade naquele momento.

O produto era tão eficiente, que a Sony Music de Nova York o utilizou para mixar todas as suas gravações de música clássica da época. Com o sucesso alcançado, muitos estúdios de masterização começaram a usar o 102.

No início da década de 90, a Weiss lançou uma unidade de equalização com processador dinâmico denoise/declicker e um conversor A/D e conversor D/A. Esse processador utiliza ponto flutuante de 40-bits e taxas de amostragem de até 96 kHz.

Com essa nova plataforma, o número de estúdios de masterização se multiplicou exponencialmente, fazendo a marca se tornar líder nesse segmento.

Com o sucesso garantido, no ano de 2000, a Weiss decidiu atender também o mercado de áudio Hi-End.

O conversor D/A MEDEA e o transporte de CD JASON foram os primeiros produtos para esse novo segmento. Seguido do DAC 202 e das interfaces FireWire INT 202 e INT 203 e, ainda no mesmo ano, a interface USB 204.

No meio da primeira década do século 21, chegaram os conversores D/A DAC 501 e DAC 502. E da linha mais recente, os DAC 204 MkII (que avaliaremos ainda neste ano), o DAC 205, e o top de linha Helios.

Segundo Daniel Weiss, o Helios mantém o mesmo nível de qualidade com design e recursos que o mercado profissional exige e procura.

Por isso, muitos audiófilos podem estranhar o Helios possuir tantas entradas digitais em diversos formatos, e saídas analógicas balanceadas e single ended – com todas as frequências de amostragem padrão até 384 kHz, além de DSD 64 e 128.

Além de dar ao consumidor a possibilidade do Helios funcionar como pré-amplificador, amplificador de fones de ouvidos e streamer (UPnP/Roon). As saídas RCA e XLR do Helios portanto podem ser usadas para serem conectadas a pré-amplificadores, powers (se o audiófilo o quiser usar como pré de linha), ou pré de fones de ouvido dedicados.

Seu processamento DSP pode ser alternado para o modo de ‘alto-falante’ ou ‘fone de ouvido’, conforme a escolha do ouvinte.

O gabinete do Helios é feito em um sistema de estrutura dupla, com uma parte interna de aço inoxidável e a estrutura externa de alumínio espesso. Ele utiliza um chip conversor D/A de 32-bits e oito canais, com quatro canais de conversão em paralelo por canal saída de áudio.

Todo processamento analógico é feito com os próprios módulos de amplificador operacional discretos da Weiss – OP2-BP – que segundo o fabricante é uma referência de áudio nessa topologia.

Seu gerador de clock interno é um dispositivo de alta precisão e baixo jitter, para uma sincronização ultra estável para a seção de conversão D/A.

A Weiss faz questão, em seu site, de lembrar que o processamento de áudio digital do Helios é baseado nos mesmos algoritmos utilizados nas ferramentas de áudio profissional da Weiss Engineering – tendo nessa máquina ajustes de áudio usando os mesmos algoritmos disponíveis nas versões usadas para mixagem e masterização.

O Helios vem com um controle remoto infravermelho para selecionar a entrada e saída ativas, assim como as predefinições de processamento de áudio DSP, e para ligar e desligar o aparelho.

No painel, é possível controlar e configurar o Helios através de um navegador, o que possibilita um controle detalhado do processamento DSP e do gerenciamento visual no seu visor dos presets. Seu design é limpo, objetivo, intuitivo e precisamente sóbrio, como os melhores produtos de áudio da Suíça que conheço e testei.

Para o teste, utilizamos o transporte da Nagra via cabo AES/EBU Dynamique Apex, e o Nagra Streamer com cabo coaxial (vários modelos).

A eletrônica utilizada foram os pré-amplificadores Nagra Classic, Soulnote P-3 (clique aqui) e o Air Tight ATC-5s (clique aqui). Os amplificadores: Boulder 1151 (leia teste edição de junho de 2026), e Nagra HD (clique aqui).

Caixas acústicas: Ø Audio FRIGG 02 (leia Teste 2 nesta edição), Monitor Audio Platinum 100 (leia teste na edição de maio de 2026), Piega Coax 811 (teste ainda no primeiro semestre de 2026), e Estelon X Diamond MkII (clique aqui).

Os cabos de interconexão do Weiss para os pré-amplificadores foram: Dynamique Apex 1 e 2 XLR (clique aqui), e Apex 2 RCA (clique aqui).

Todo audiófilo que gosta de ‘xeretar’ nos fóruns de áudio pelo mundo, já cansou de ver debates acalorados entre os que dizem que um DAC bem-feito de 1000 dólares soa tão bem quando um de 30 mil dólares! E que gastar mais que o necessário seria mera ‘ostentação’.

Claro que cada um pode defender seu ponto de vista, e tenho enorme ‘apreço’ pelos que defendem que um DAC de 1000 dólares é o ideal! Pois certamente são esses que não escutam diferenças entre DACs de 1000 e de 10 mil, que vivem felizes reproduzindo sua música sem se preocupar se o timbre daquela voz que ele tanto gosta tem mais informações do que ele está acostumado a ouvir.

Se aquela passagem de fortíssimos que endurece, e ele vive baixando o volume quando a passagem chega, em um DAC mais sofisticado não seria necessário correr no botão de volume.

E aquela dúvida na marcação de ritmo de que soa melhor no DAC de um amigo que investiu mais nesse componente, do que no seu que parece mais arrastado e menos empolgante.

Meu amigo, eu poderia gastar linhas e mais linhas mostrando as diferenças entre o DAC bom e o DAC excelente.

Porém, se você já fincou pé que essas diferenças não existem, nenhum exemplo que eu te mostre irá fazê-lo reparar nessas diferenças.

No entanto, eu tenho que lhe dizer que não só existem, como são audíveis. Deixe seu cérebro livre para interpretar o que você está escutando, e irá se surpreender com o tanto de informação que ele vive dizendo para você escutar, e que você se nega.

Os exemplos que mais utilizo nos Cursos de Percepção Auditiva são exatamente aqueles que nos permitem observar que a mesma passagem musical soa distinta em dois DACs diferentes, ligados no mesmo sistema.

E o que nosso cérebro nos mostra é exatamente o que soa fatigante e o que soa prazeroso.

A mesma passagem, em um DAC que não possui folga para reproduzir a macrodinâmica corretamente, seu cérebro irá notar instantaneamente que tem algo que endureceu, sujou, comprimiu, compactou tudo dentro das caixas acústicas, e tornou aquele momento desagradável.

O problema é que sempre existe a famosa ‘saída honrosa’: a gravação não é boa, por isso essa passagem é suja e soa estranha!

Adoro pegar esses exemplos, e mostrar a diferença da resposta macro-dinâmica entre um DAC sem folga, e um com folga. É tão chocante que alguns acham que o que mostrou a passagem corretamente, tem menos dinâmica que o DAC que ‘vomita’ a informação.

Não, meu amigo – o que o DAC excelente fez foi reproduzir com fidelidade o que está na gravação, com a folga suficiente para ouvirmos com total inteligibilidade e prazer auditivo a variação dinâmica.

Fiz toda essa longa introdução, apenas para iniciar essa avaliação dizendo que o Helios pertence a elite dos DACs excepcionais existentes hoje no mercado.

Foram três meses de longas audições, com essa enorme variedade de equipamentos e caixas, e seu grau de precisão, refinamento e prazer auditivo foi absolutamente pleno e reconfortante.

E não sou eu que estou afirmando isso. E sim meu cérebro – pois houve dias de cargas horárias de mais de 11 horas, e sai tão confortável à noite como estava no início do dia!

Meu amigo, quando você ouvir um sistema que lhe permite esse grau de conforto, por horas a fio, escute seu cérebro e seu corpo – pois eles não erram!

O equilíbrio tonal do Helios além de referencial é uma aula de como o digital atingiu um nível de performance que permite que gravações tecnicamente limitadas soem bem o suficiente para resgatarmos literalmente todos os nossos CDs.

Essa é outra informação a qual só o seu cérebro pode lembrá-lo: quando você escuta aquele disco que por anos foi reprovado por inúmeros setups digitais, e agora passou na prova auditiva.

“Então o Helios faz milagres, Andrette?”

Óbvio que não, ele apenas possui mais folga – e essa folga adicional, em volumes corretos, permite a audição de gravações até mesmo exageradamente comprimidas ou mal captadas, mixadas e masterizadas.

Os graves são absolutamente contundentes: em energia, deslocamento de ar, velocidade, precisão e corpo. Ouvi bumbos em marcação de tempo, absolutamente grudado na cadeira – e o mesmo com solos de contrabaixo, pianos, contrafagote, sax barítono, clarone e órgão de tubo.

A região média é intrinsecamente detalhada, rica, envolvente e natural. Toda gravação bem executada e gravada, soa com frescor e nos prende de maneira visceral.

Você sabe o quanto conhece aquela gravação, e ainda assim ela parece estar sendo apresentada com sutis detalhes nunca antes percebidos.

E, novamente, quem nos lembra dessas sutilezas é nosso cérebro, como por exemplo nos lembrar que aquela segunda voz no canal direito do cantor, nunca soou antes tão nítida – como se estivéssemos ouvindo outra mixagem e não a que nos lembramos.

Ou o número de vozes em um apoio coral, naquela música que sempre nos deixou em dúvida – eram 4 ou 6 vozes? Ou a quantidade de saxofones soando uníssonos naquela passagem da big band?

O Helios desmembra todas essas ‘sutis’ informações, sem que se tornem transparentes em excesso. Pelo contrário: elas apenas emergem, como se um dedinho de luz a mais fosse o que faltava para deixarem de ser sombras, e surgirem na gravação.

E os agudos, possuem o que chamo de extensão real! Aquela possibilidade de ouvirmos a acústica das salas de gravação, das salas de concerto, da escolha da reverberação digital, do decaimento suave e natural dos pratos, a finesse das notas mais agudas dos instrumentos de sopro, ou das últimas duas oitavas da mão direita do pianista.

Agudos que não agridem, não nos desconcentram, e não nos causam fadiga auditiva!

O soundstage é corretíssimo: foco, recorte, planos e aquela possibilidade do nosso cérebro apontar com precisão milimétrica se o cantor está sentado ou de pé entre as caixas acústicas.

E com o primor do equilíbrio tonal, não tive nenhuma surpresa ao constatar que a paleta de cores para a definição do timbre dos instrumentos é uma das maiores virtudes do Helios.

Quem tem como referência instrumentos musicais não amplificados, a reprodução de texturas desse DAC é divina! Assim com o grau de apresentação das intencionalidades artísticas, dos músicos, da qualidade dos instrumentos, dos microfones e da mixagem e masterização.

Você poderá, com o Helios, avaliar com precisão o grau de intencionalidade existente em cada gravação que você tanto admira. E talvez se dê uma resposta do motivo daquela gravação te emocionar tanto!

A macro-dinâmica, como disse, tem uma folga impressionante, e o melhor exemplo que tenho será sempre faixas de música clássica, em que muitos DACs se esforçam em reproduzir essas passagens ficando notório onde escorregam, e os que reproduzem essas mesmas passagens com total controle e autoridade.

Esse é outro grande atributo do Helios!

E a micro-dinâmica, não se tem nem o que dizer, pois se as texturas são tão ricas, para se ter esse resultado a microdinâmica só pode ser excelente (pela nossa Metodologia, pois para muitos audiófilos micro-dinâmica não pode ter nenhuma relação com texturas).

Quer saber o quanto, em uma gravação de contrabaixo, o engenheiro foi feliz em captar o tamanho dele tocado com arco? Se tiver a oportunidade de ouvir no Helios, essa dúvida será fácil de ser sanada.

E chegamos a um dos quesitos (junto com palco sonoro) que nossos leitores mais buscam em seus sistemas – materializar o acontecimento musical em sua sala de audição!

Para o Helios é como comer mamão no ponto! Sem esforço algum. Só precisa de gravações em que a qualidade técnica foi eficiente neste quesito.

Você tanto ouvirá os músicos em sua sala, como será levado em outras gravações à sala de concerto. Fazendo com que toda audição diária seja um eterno ir e vir dos locais de gravação.

Existe melhor maneira de nos refugiarmos por algumas horas desse mundo cada vez mais insano?

Eu não conheço!

CONCLUSÃO

O Weiss Helios é, sem dúvida alguma, um dos melhores DACs da atualidade.

Em um momento que os preços dos produtos de nível superlativo não param de inflar, o Helios até parece estar em um patamar um pouco mais realista.

O que posso dizer, é que os DACs deste nível não têm mais para onde ir, portanto quem se apaixonar pela sua linda assinatura sônica, estará fazendo seguramente um investimento para ser diluído em muitos anos.

Esse, na minha opinião, é seu maior trunfo frente à concorrência. Um investimento, provavelmente final, para um produto Estado da Arte Superlativo.

Quem ainda não o conhece, terá mais uma chance, no Workshop Hi-End Show, no final de abril.

Independente de ser ou não muita areia para o seu caminhão, eu o ouviria, pois sei que mesmo os DACs de entrada da Weiss têm muito do seu DNA sonoro.

Certamente um dos mais significativos produtos que testamos em 2026, isso eu não tenho dúvidas!


PONTOS POSITIVOS

Uma referência em DAC Estado da Arte Superlativo.

PONTOS NEGATIVOS

Infelizmente, o preço.


ESPECIFICAÇÕES

Entradas digitais(1) Conector XLR
(1) Conector RCA
(1) Conector TOSLINK (óptico)
(1) Conector USB tipo B
(1) Conector Ethernet RJ45
Todas as entradas aceitam padrões profissionais ou de consumo, ou seja, aceitam sinais AES/EBU ou S/PDIF.
Frequências de amostragemEntradas AES/EBU e S/PDIF: 44,1 kHz, 48 kHz, 88,2 kHz, 96 kHz, 176,4 kHz, 192 kHz
Entradas USB e Ethernet RJ45: 44,1 kHz, 48 kHz,
88,2 kHz, 96 kHz, 176,4 kHz, 192 kHz, 352,8 kHz, 384 kHz, DSD64, DSD128
Entrada Toslink: 44,1 kHz,
48 kHz, 88,2 kHz, 96 kHz
Word-length de entradamáx. 24/32 bits
Saídas digitaisNenhuma
Saídas analógicas(2) Conectores XLR (positivo no pino 2), circuito de saída à prova de curto-circuito, acoplamento CC, baixa impedância de saída
(2) Conectores RCA, circuito de saída à prova de curto-circuito, acoplado em CC, baixa impedância de saída
O nível de saída pode ser selecionado através do menu do LCD ou da interface web; quatro configurações estão disponíveis, conforme mostrado abaixo:
Saída XLRConfiguração de 0dB:
16,3 Vrms +26,5 dBu
Configuração de -4dB:
10,2 Vrms +22,5 dBu
Configuração de -8dB:
6,5 Vrms +18,5 dB
Configuração de -12dB:
4,1 Vrms +14,5 dBu
Configuração de -16dB:
2,6 Vrms +10,5 dBu
Configuração de -20dB:
1,6 Vrms +6,5 dBu
Configuração de -24dB:
1,0 Vrms +2,5 dBu
Configuração de -28dB:
0,65 Vrms -1,5 dBu
Como entrada, foi utilizado um sinal de onda senoidal de
0 dBFS. Esses níveis são alcançados com uma configuração de 0,0 dB para o controle de nível na tela LCD.
Saída RCAMetade dos valores de XLR (-6 dBu)
Como entrada, foi utilizado um sinal de onda senoidal de
0 dBFS. Esses níveis são alcançados com uma configuração de 0,0 dB para o controle de nível na tela LCD.
SincronizaçãoAtravés do sinal de entrada no caso das entradas AES/EBU e S/PDIF. Através do oscilador interno no caso das entradas USB e Ethernet.
Chip conversor D/AConversor sigma-delta multibit com sobreamostragem – Quatro conversores por canal de áudio.
AlimentaçãoTensão da rede elétrica: 100 – 120 V ou 200 – 240 V, com seleção automática de tensão
Classificação do fusível: 500 mA de ação lenta
Consumo de energia: 25 VA máx.
Consumo de energia em modo de espera: 2,2 VA máx.
Dimensões (L x A x P)45 x 7,4 x 30 cm
Peso9,4 kg
Dimensões do controle remoto (L x A x P)4,5 x 16,6 x 2,1 cm
Cores disponíveisPrata, Preto

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *