PATACOADAS DE ÁUDIO – DEZEMBRO DE 2025

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Christian Pruks
christian@avmag.com.br

Uma seção mensal – trazendo disparates ditos sobre áudio e audiofilia!

patacoada (substantivo feminino)
dito ou ação ilógica; disparate, tolice.
gracejo desabusado.

Em cartaz, este mês, os seguintes ‘gracejos desabusados’:

DISCUSSÕES SOBRE A ACÚSTICA DE CASAS DE SHOW QUE USAM SOM DE P.A.

Show de música ao vivo, que for amplificado – ou seja, que tenham aquelas caixas grandes de som profissional – não são referência de nada em matéria de qualidade. Talvez, se puser as caixas no meio de uma praça pública, elas sirvam de referência geográfica: “Tá vendo aquelas caixas? É do lado”.

Uma ou duas vezes eu ouvi um P.A. decentemente audível – e jamais ouvi um de alta qualidade. Jamais sequer ouvi um de média qualidade. O som é distorcido, saturado, alto demais, e é sempre mono – porque se fosse estéreo, quem está perto de um lado do palco iria perder de ouvir instrumentos que estão lá do outro lado. Então tem que ser mono por natureza.

E a acústica desses lugares tem zero de preocupação com inteligibilidade através de difusão. Só usam amortecimento, para poder diminuir as ondas estacionárias e o brilho excessivo – isso se já não estiverem todas as paredes amortecidas para isolar o local e não enlouquecer os vizinhos (e tomarem multas).

Em matéria de qualidade sonora, um microsystem da década de 90 é melhor que um P.A. de show ao vivo.

Quando se fala de ‘música ao vivo’ como referência de qualidade sonora para sistemas de audiófilos, sempre estão falando de música acústica, com instrumentos acústicos, sem amplificação.

EQUIPAMENTOS DE $5.000 OU DE $10.000 TEM TÃO POUCA DIFERENÇA QUE SE DEVERIA ESCOLHER PELA BELEZA

Dito por um ‘profissional’ da área – que, se ele acredita mesmo nisso, significa que ele não tem educação e discernimento auditivo para perceber as diferenças.

É como um crítico de restaurante que não tem paladar apurado, não percebe a diferença entre os pratos de um restaurante e de outro. Então o que ele faz? Julga qual o melhor restaurante pela beleza visual do prato.

Essa patacoada, eu lembro, já foi dita várias vezes por alguns fãs de equipamentos vintage, que acreditam que um amplificador da década de 70 e um de hoje em dia, são a mesma coisa em som – só mudaria a beleza do aparelho, o design, o estilo.

Insano.

‘AUDIÓFILO’ DISSE QUE UM CERTO DISCO DE ROCK É RUIM PORQUE QUEIMA OS TWEETERS DA CAIXA DELE

Quando eu era criança, meu pai me deixou sozinho na mesa da sala de jantar, dizendo que não era para eu comer o último pedaço de queijo. Minutos depois ele voltou, o queijo tinha sumido e eu estava mastigando o mesmo. Minha justificativa: “o queijo saiu pulando do prato e pulou na minha boca”… rs…

Eu tenho o disco que o tal ‘audiófilo’ acusou, em CD, LP e streaming – e ouço o mesmo há mais de 30 anos. E não, ele não ‘queima tweeters’.

Me lembrou de um outro ‘audiófilo’ que reclamou que os falantes da bookshelf hi-end que ele comprou, “não duraram uma semana e quebraram” – e ao abrir a caixa, as bobinas tinham derretido. Ele deu ‘festinha de incomodar vizinhos’ com um par de caixas hi-end de um palmo de altura…

Por hoje é só, pessoal.

“Se você quiser três opiniões distintas, pergunte para dois audiófilos!” – frase jocosa da década.

E que 2026 nos traga ainda mais Patacoadas Divertidas!

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