

Fernando Andrette
fernando@avmag.com.br
Sabemos que alcançamos nossos objetivos quando os leitores enviam suas opiniões referentes ao assunto abordado, certo?
Pois bem, as dúvidas enviadas me surpreenderam, sendo desde: “não fazia a menor ideia de que tapetes e clamps poderiam melhorar a performance do meu analógico”, ao “nunca usei clamps, porque não ouço diferença alguma”, e aos que possuem uma coleção de tapetes e clamps para cada um dos gêneros musicais que escutam.
Um espectro de opiniões mais amplo, impossível!
É esse universo de opiniões que alimenta no hi-end a criação de ‘tribos’, tendências, crenças e antagonismos.
Convivo com esse panorama desde que me entendo por gente, e tenho lembranças frescas de situações que presenciei, desde meus seis anos, na casa dos clientes do meu pai.
Fatos engraçados, situações constrangedoras e alguns raros momentos de sublime admiração por sistemas bem ajustados.
Agora, o que para mim é mais relevante é como, à medida que fui crescendo e tendo uma visão mais realista dos motivos que levam a tantos erros na montagem de sistemas, foi perceber o quanto muito dos problemas eram fáceis de serem sanados, se o audiófilo tivesse referências mais consistentes.
Esse fato continua sendo o ponto nevrálgico, passado mais de meio século de convivência com sistemas de’ alta fidelidade’.
E minha pergunta, próximo dos meus setenta anos, é: o que é preciso fazer para colocar na cabeça de um audiófilo em começo de jornada, entender que sem referência o erro será iminente?
Outro dia, presenciei a conversa de dois audiófilos sobre um sistema que estavam escutando, ambos na faixa dos 50 anos, e ao término de uma faixa o mais velho disse para o dono do sistema: “Achei o acordeon no canal esquerdo, magro e estridente”.
E não era um acordeon, era uma Gaita! Eu quis sumir da sala por tamanha vergonha alheia!
Como alguém pode falar e montar um sistema de ‘alta fidelidade’ se nem conhece a sonoridade dos instrumentos?
Dizer, como disse um participante de um dos nossos Cursos de Percepção, que o violino não tinha ar e as notas mais agudas eram escuras – e não era um violino, e sim uma viola!
Ou os ‘audiófilos’ que confundem um violoncelo tocado com arco com um contrabaixo, ou um clarinete com um saxofone alto!
E essas confusões são constantes, meu amigo. E essas pessoas querem que sua opinião possua o mesmo peso da de alguém que apurou sua percepção auditiva e musical em salas de concerto por anos, e sabe exatamente como soa um violino, uma viola, um violoncelo, contrabaixo, clarinete e um saxofone alto.
Pelas dúvidas que os leitores compartilharam, tirando os que não escutam diferenças entre clamps e tapetes, o restante certamente irá, a partir de agora, ver com bons olhos esses acessórios.
E talvez até se animem em colocá-los na lista de upgrades futuros!
No entanto, tenho que dizer a todos que este é realmente um daqueles ‘quebra-cabeças’, que exigirá paciência e um setup analógico bem ajustado para não correr riscos desnecessários.
Vou dar um exemplo para vocês: quando já tinha praticamente finalizado o comparativo dos clamps, eis que chega para mim uma plataforma chamada Seismion (leia teste na edição de março 2026) de um fabricante alemão. Trata-se de uma plataforma ativa em que faz uma série de ajustes do peso do equipamento, ajuste da base pela distribuição, tamanho do equipamento e depois de tudo estabilizado, uma luz verde acende aí você pode dar finalmente play ou, no caso de um toca-discos, baixar o braço.
E, meu amigo, algumas conclusões que eu havia chegado com os testes nos três toca-discos utilizados, precisaram ser refeitas.
Cito essa questão, pois no analógico nada, absolutamente nada, pode ser descartado ou tratado como irrelevante. Aprenda isso e terá muito menos desgostos. E saiba que, se fizer a lição de casa, o resultado valerá integralmente a pena!
Então chega de ‘delongas’, e vamos ao comparativo dos oito clamps utilizados no teste.
Lenco Record Stabilizer, Ortofon Record Stabilizer, Ortofon Record Stabilizer Heavy, Zavfino Lycan 270g, Zavfino protótipo de 370g, Hexmat Absolute, Hexmat Molekula, e Origin Live Gravity One.




Eram para estar neste grupo também: o novo Origin Live, recém-lançado, e dois clamps da HRS (leia teste 3 do rack HRS nesta edição), mas infelizmente não chegaram a tempo.
Quando vierem, vou dar um jeito de compartilhar minhas impressões com vocês, OK?
Os toca-discos continuaram os mesmos utilizados no teste dos tapetes: Reloop Turn X (clique aqui), MoFi PrecisionDeck Fender, e o Zavfino ZV11X (clique aqui).
Vou compartilhar minhas impressões sem a base Seismion, e apenas pontuar as diferenças que foram muito significativas com o uso desta.
Apesar de alguns fabricantes de toca-discos não recomendarem o uso de clamps – como a Rega, por exemplo – o trabalho será descobrir se um clamp trará vantagens sonoras ou não em algum desses modelos de equipamento, como já pude comprovar resultados bons em alguns.
Acredito que, para a grande maioria, algum desses 8 clamps, que foram todos testados nos três toca-discos, pode ser um upgrade seguro e satisfatório para você.
No caso do Reloop Turn X, o único direct drive, os clamps mais leves foram os que melhor resultado tiveram: Ortofon Record Stabilizer de apenas 270g de metal, o Origin Live Gravity One e o Hexmat Molekula. Isso com o tapete de borracha original do Reloop.
Quando trocamos o tapete para casar com o clamp da Origin Live e o Molekula, substituindo o tapete original pelo da Origin Live de três camadas (clique aqui) e o Hexmat Eclipse (clique aqui), o Reloop Turn X subiu de patamar como se tivéssemos também feito um upgrade na cápsula.
O único obstáculo são os valores, para se adquirir o conjunto clamp/tapete desses – tanto da Origin quanto da Hexmat – mesmo que o resultado seja surpreendente, com uma melhora no silêncio de fundo, transientes, tridimensionalidade do palco sonoro, corpo harmônico, extensão nas duas pontas e texturas.
Ou seja, uma mudança de patamar na performance do Reloop, mostrando o quanto este toca-discos é surpreendente pelo que custa.
Agora, se essas duas opções estão fora de cogitação, o Ortofon será uma boa proposta, ainda que as melhorias sejam menores e muito pontuais: transientes mais precisos, um grave mais marcado e fácil de acompanhar e melhor silêncio de fundo.
Um upgrade interessante e mais realista para essa faixa de preço do Reloop.
Bem, aí colocamos na base Seismion, e entrou mais um concorrente no páreo: o Zavfino Lycan 270g. E entrou para brigar com os ganhadores (Origin Live e Hexmat). E, detalhe: com o tapete de borracha original! Resultado? Um grave vincado, enérgico, com uma precisão e corpo impressionante! Transientes soberbos em tempo e ritmo, e um palco lindo!
Claro que ninguém em sã consciência usaria essa base ativa em um toca-discos de menos de 15 mil reais. Mas isso mostra o que essa base é capaz de fazer até mesmo em toca-discos mais simples, e o quanto esse toca-discos, com ajustes, pode render ainda mais.
No MoFi Fender, um toca-discos já de um nível superior, os clamps que proporcionaram uma subida de patamar foram: o Zavfino Protótipo (que pelos resultados, precisa ser colocado no mercado urgentemente), o Hexmat Molekula, o Lenco de 370 gramas de metal, e o Ortofon Heavy de 340 gramas de metal.
E os tapetes que melhor casaram com estes clamps foram: o Zavfino de couro e o Hexmat Eclipse.
Todos esses clamps trouxeram upgrades ao MoFi Fender: melhor palco sonoro, maior silêncio de fundo, aprimoramento da microdinâmica, transientes ainda mais corretos e um maior grau de refinamento na apresentação das texturas.
Em um toca-discos deste nível, o audiófilo, deve ouvir essas opções e escolher aquela que esteja dentro do seu gosto e do gênero musical que escuta – e do bolso. Pois já se trata de um investimento em clamp e tapete mais caros.
O que posso garantir é que todos serão upgrades válidos!
E na base Seismion, para deixar-me balançando a cabeça, o clamp Zavfino Protótipo subiu ainda mais de patamar com o uso do tapete da Zavfino de três camadas, ou o Origin Live também de três camadas.
Com qualquer dos dois tapetes, na base, minha escolha seria o clamp Zavfino, pois a música na reprodução da macro-dinâmica ganhou ainda mais autoridade e folga!
O que posso dizer é que, em toca-discos de melhor nível, será preciso se munir de mais paciência e tempo para ouvir com calma esses clamps, antes de bater o martelo.
E chegamos, enfim, ao nosso toca-discos de referência, o Zavfino ZV11X.
Aqui se afunila os clamps e tapetes que podem ser considerados upgrades. Os clamps que acrescentaram algo, foram ambos Hexmat, o Origin Live e os dois Zavfinos. E minha sugestão é que, neste nível de performance Estado da Arte, casem o clamp meticulosamente com o tapete que será usado.
Ou seja, se o clamp Origin Live foi o escolhido, então o par ideal dele será o tapete triplo da Origin Live.
Se foi o clamp da Zavfino, então usar ou o tapete de couro ou o novo de três camadas.
E, no caso dos clamps da Hexmat, usar ou o tapete Eclipse para fazer par com o clamp Molekula, ou o conjunto Absolute, claro!
“E o que ocorreu, Andrette, quando o Zavfino foi colocado na base Seismion?”
Você precisará esperar para saber na edição de março de 2026, pois não vou dar spoilers aqui, rs.
Mas posso dizer que, com qualquer uma dessas opções, o salto foi enorme! Elevando o setup todo analógico para um novo patamar.
CONCLUSÕES
Se você, amigo leitor, não desistiu do analógico, certamente o fez por apreciar sua performance.
E seja você um iniciante ou um audiófilo experiente, sabe o quanto pequenos ajustes em um setup analógico podem dar resultados impressionantes.
Então, se você acha que já chegou lá com seu braço, cápsula e pré de phono, e quer apenas saber se tem algo a mais para melhorar, brinque com as opções existentes no mercado de tapetes e clamps.
Trata-se de um investimento viável, e tem opções para todos os bolsos. Desde um tapete de flanela anti-estático (que é o mínimo que se deve investir para um toca-discos para diminuir os ‘plocs’ não originários de riscos e sujeira nos sulcos) até tapetes e clamps para setups analógicos Estado da Arte que trarão melhora na qualidade sonora.
Tenho absoluta certeza de que alguma dessas opções pode ainda melhorar o que já está bom!
Se aceitar o desafio, e quiser nas férias de início do ano descobrir qual tapete e clamp podem aprimorar seu sistema, adorarei saber seus resultados.
A todos um excelente final de ano, com muita música, harmonia, paz e lucidez!




O QUE ESPERAR DO CLAMP CERTO PARA O MEU TOCA-DISCOS?
O ‘clamp’ (record clamp) é um termo genérico usado para um acessório também conhecido como estabilizador de discos de vinil, contra ressonâncias, e que muitas vezes é chamado de ‘peso’ (record weight) – apesar de amplamente usado e com centenas de opções no mercado, ainda causa bastante controvérsia em inúmeros fóruns de áudio, não sendo nenhuma unanimidade entre os audiófilos e melômanos.
No entanto, quem os utiliza os defende como um acessório importante e que pode ser muito útil para se aprimorar a performance final de um toca-discos.
Então, a melhor maneira de você não ficar neste ‘fogo cruzado’, que tal experimentar algumas opções existentes no mercado e tirar suas próprias conclusões no seu sistema?
O que um clamp deve fazer?
Para responder a essa questão é preciso entender que o toca-discos é um equipamento que está sujeito a inúmeras vibrações vindas do ar, do motor do toca disco, do prato, do chão, criando ressonâncias que irão se misturar com o sinal extraído do sulco do disco, ‘sujando’, interferindo com a reprodução de inúmeras maneiras.
Então, o primeiro objetivo esperado é que o clamp minimize essas vibrações para que o rastreio da agulha no sulco do disco, seja livre de ressonâncias externas.
Um outro benefício que os fabricantes de clamps costumam enaltecer, é estabilizar e minimizar a leitura de discos empenados.
Como eles fazem isso?
O peso ou a pressão (caso o clamp seja preso ao pino central do toca-discos por pressão ou rosqueamento) ajuda a assentar melhor o disco no prato, permitindo que o braço e a agulha trilhem com maior precisão os discos empenados.
Este benefício eu pessoalmente tenho restrições, pois nunca vi nenhum clamp cuidar com eficiência desse problema. Eu encosto qualquer disco que esteja empenado porque não correrei o risco de danificar a agulha.
Outra função importante do clamp, é aumentar o contato do disco com o prato, aumentando a estabilidade mecânica – e então parte das ressonâncias transmitidas pelo próprio toca-discos são dissipadas em maior escala, permitindo maior inteligibilidade do acontecimento musical.
No entanto, lembro a todos que apenas o clamp não fará eficazmente esse trabalho, sem a ajuda de um tapete adequado ao toca-discos – leia o opinião de novembro, edição 323, a primeira parte deste artigo (clique aqui).
Outra dica importante é saber se o toca-discos casa melhor com Record Clamp – um acessório mais leve geralmente com menos de 200 gramas, que pode ser apenas apoiado no pino central ou fixado por pressão (veja na matéria o clamp da Origin Live e o Hexmat Molekula).
Ou um Record Weight – um acessório mais pesado, geralmente acima de 200 ou mesmo 300 gramas que, para ser fixado no pino central do prato, usa de sua maior massa para pressionar e assentar o disco sobre o prato.
Atualmente existem clamps que pesam até mais de 800 gramas! Os defensores desse tipo de acessório afirmam que são os melhores para se extrair o grave mais correto de qualquer disco de vinil.
A questão que esses defensores nunca expõem, é que muitos acrescentam graves, mudando o equilíbrio tonal, o que certamente é um ‘cobertor de pobre’, e que os mais experientes jamais irão concordar com essa escolha.
Leiam a matéria na íntegra, e entenderão que não existe o ‘clamp’ certo para todos os toca-discos.
Sendo este um acessório que precisa ser muito bem avaliado para se ter certeza que acrescentou e não subtraiu características importantes inerentes a um sistema analógico bem ajustado.