
Fernando Andrette
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Essa questão atravessou dois séculos até ser respondida, finalmente.
O estudo foi realizado com 49 bebês recém-nascidos, e foram utilizados trechos de obras para piano de Bach para saber se mesmo com dias de vida eles eram capazes de antecipar padrões rítmicos.
As melodias de Johann Sebastian Bach foram as escolhidas pela forte marcação rítmica e foram aplicadas pelo Instituto Italiano de Tecnologia.
Já sabíamos que em todas as culturas, os seres humanos têm a capacidade de antecipar ritmo e melodia inerentemente – no entanto faltava saber qual o bebê aprende primeiro.
Estudos mostraram que, por volta da trigésima quinta semana, os fetos começam a responder à música com mudanças de frequência cardíaca, e nos movimentos corporais ainda no útero da mãe.
O que era incerto ainda era qual aspecto específico da música – se a estrutura rítmica ou a melódica – impulsiona essas predisposições precoces.
O estudo foi publicado no jornal científico PLOS Biology.
Enquanto os bebês ouviam trechos de obras de Bach, os pesquisadores usaram eletroencefalografia para medir suas ondas cerebrais.
As ondas cerebrais dos bebês mostravam sinais de ‘surpresa’, o que significava que eles esperavam que a música seguisse um outro caminho, quando o ritmo mudava inesperadamente, não atendendo às suas expectativas musicais.
Já em relação à melodia, não foram encontrados nesse grupo de bebês nenhuma ‘surpresa’ com mudanças inesperadas nela. Mostrando que essa aptidão humana se desenvolve depois do ritmo – e precisa ser estudada em várias faixas etárias de crianças na primeira infância, para se ter certeza de quando esse processo se inicia.
O estudo comprova que os recém-nascidos já chegam ao mundo percebendo o ritmo e mesmo com apenas dois dias de vida conseguem antecipar padrões rítmicos, mostrando que alguns elementos chaves da percepção musical são programados ainda no ventre da mãe.
Esse grupo italiano de estudo agora deseja saber se a predominância de ritmo sobre a melodia reflete fatores genéticos, ambientes e culturas distintas. E quando o ser humano equilibra essas duas tendências, de ritmo e melodia, que carregamos na vida adulta.
Minha experiência com os grupos de Percepção Auditiva e consultorias, mostra claramente que para parte dos audiófilos, o ritmo na vida adulta ainda é mais predominante. E percebo claramente essa tendências quando dinâmica e transientes são, para esses, os dois quesitos mais importantes da Metodologia.
Demonstrando que, talvez, essa equidade na vida adulta entre ritmo e melodia não seja assim tão equilibrada.
Eu arrisco dizer que não seja mesmo!
E você, tem alguma preferência?
Adoraria saber, pois sempre pergunto aos participantes dos nossos Cursos de Percepção Auditiva.