

Fernando Andrette
fernando@avmag.com.br
Imagine você dizer a uma plateia com mais de 70 pessoas, em 1996, que a música pode fazer mais pela sua saúde física, emocional e mental do que podemos imaginar.
Tenho certeza de que muitos dos presentes devem ter pensado: “o Andrette está querendo ‘dourar a pílula’”.
Afinal, naquele momento, os benefícios comprovados se concentravam nos estudos em relação ao hipocampo e à memorização de longo prazo.
Trinta anos depois, temos uma série de estudos que ampliaram significativamente os benefícios de se ouvir música diariamente, e os mais recentes nos dizem que ouvir música está associado à uma grande redução no risco de demência.
Trabalho feito pela Universidade Monash, mostrou que idosos que ouvem ou tocam música regularmente têm riscos menores de demência e de declínio cognitivo.
A Monash analisou e acompanhou 10.800 idosos, todos com mais de 70 anos. A análise mostrou que o grupo de idosos avaliados que ouviam música regularmente apresentaram um risco 39% menor que o grupo daqueles que não tinham este hábito.
Os resultados foram publicados no International Journal of Geriatric Psychiatry.
O grupo dos participantes que escutam música diariamente, demonstraram um grau cognitivo mais apurado, assim como uma melhor memória episódica (usada para recordar eventos cotidianos).
O resultado da pesquisa sugere que as atividades musicais podem ser uma estratégia acessível para a manutenção da saúde cognitiva de uma população mundial que está em franco envelhecimento.
Mostrando que o envelhecimento cerebral não se baseia apenas na idade e na genética, mas pode ser influenciado pelas escolhas individuais de estilo de vida e fatores ambientais.
E ouvir música ou tocar um instrumento, pode promover a saúde cognitiva e o bem-estar emocional.
Eu, por diversas vezes, tanto nos Cursos de Percepção Auditiva, quanto em meus artigos de Opinião aqui na revista, defendo que antes de iniciarmos uma audição, façamos um simples exercício respiratório para ampliar nossa concentração e limpar a mente.
Eu não espero que você acredite e, sim, que experimente o exercício por uma semana: sente-se na sua cadeira, feche os olhos e sinta o seu corpo se largando. De olhos fechados inspire fundo, segure o ar por seis segundos, e expire o ar completamente.
Repita essa respiração por sete vezes, mantendo o ar nos pulmões por seis segundos antes de expirar. Feitas as sete vezes, abra os olhos, sinta o corpo relaxado na cadeira, e aperte o play.
Não espere um ‘hiperfoco’ e uma mente silenciosa no primeiro e nem no segundo ou terceiro dia.
Porém, insista. E se fizer corretamente, você irá perceber que a partir do quarto ou quinto dia, a atenção estará redobrada e haverá silêncio em sua mente.
Alguns leitores que já fazem uso deste exercício respiratório relataram que para eles funcionou fazer essas audições com as luzes completamente apagadas e com músicas não tão conhecidas.
Outros, ao contrário, preferiram ouvir com luzes acesas e músicas conhecidas.
Descubra o que será de sua preferência, e experimente.
Não levará mais do que alguns minutos, e você pode descobrir uma maneira de suas audições serem ainda mais prazerosas, impactantes e revigorantes.
Depois me conte se foi ou não benéfico para você.
Desejo um ano novo a todos repleto de música, saúde e empatia!
E espero vê-los no nosso Workshop Hi-End Show, em abril.