

Fernando Andrette
fernando@avmag.com.br
Minha experiência com produtos desse fabricante se restringiu ao ouvi-los em eventos, como também no showroom da Ferrari
Technologies, muitos anos atrás – e no uso por três anos, em nosso sistema de referência, do pré de phono Boulder 508 (clique aqui), assim como no teste do amplificador integrado Boulder 866 (clique aqui).
Então, quando o Martin Ferrari me perguntou do interesse em conhecer o novo amplificador mono 1151, imediatamente aceitei o desafio.
A Boulder se orgulha em comunicar que este novo amplificador utiliza a nova topologia batizada de “Classe A com tecnologia de corrente inteligente” (Smart Current), que monitora continuamente a corrente consumida pela caixa acústica e ajusta-se automaticamente em tempo real.
Segundo o fabricante, isto proporciona todos os benefícios de um amplificador Classe A tradicional sem o problema de desperdício e excesso de calor – independente do volume em que o amplificador esteja atuando – e com isso a distorção de crossover é tão baixa que se torna inaudível.
Essa nova topologia está sendo empregada em toda a nova série 1100.
Para os engenheiros da Boulder, em testes de audição, o resultado foi uma melhor transparência e um maior realismo.
Como é de praxe nos produtos da Boulder, o 1151 é totalmente balanceado com 250W em 8 ohms, 600W em 4 ohms, e 750W em 2 ohms.
O que mais gostei, além de esquentarem muito menos que os tradicionais Classe A, foi seu peso de apenas 24,5 kg – possibilitando eu mesmo manuseá-los para colocá-los nas plataformas da Finite Elemente, e para ouvi-los com as bases da Seismion (clique aqui).
O acabamento é impecável, e no painel frontal temos um mapa topográfico da montanha Flagstaff no Colorado (local da fábrica da Boulder).
Gostei bastante dos dissipadores de calor, que são usinados a partir de um bloco sólido de alumínio, e detalhe para os pés do amplificador que utilizam um material absorvente de várias camadas.
Para manter a alta corrente sem distorção, o fabricante afirma que utiliza múltiplos capacitores de filtro menores, e que são mais rápidos que capacitores maiores (a Soulnote também defende esse mesmo caminho), permitindo um maior impacto dinâmico. Na saída, o 1151 utiliza 40 transistores e 12 capacitores de alimentação para uma energia estável em qualquer carga, mesmo em passagens complexas e com enorme variação dinâmica.
Segundo o projetista do 1151, ele não conhece mais nenhum fabricante que esteja fazendo em termos de polarização algo semelhante ao Smart Current Bias, e que essa topologia não se encaixa em nenhuma definição tradicional de classe A ou AB.
Enquanto a maioria dos amplificadores classe A usa parâmetros de ajuste de polarização, essa nova topologia define a polarização automaticamente por meio de circuitos analógicos que monitoram e ajustam de acordo com a demanda da caixa acústica.
Para o teste utilizamos as seguintes caixas acústicas: Estelon X
Diamond MkII (clique aqui), Ø Audio FRIGG 02 (clique aqui),
Audiovector Trapeze Reimagined (clique aqui) e Quad Revela 2 (teste em breve). Os cabos de caixa foram: Jorma Duality (clique aqui), Kubala Sosna Realization (clique aqui) e Dynamique Audio Apex (clique aqui). Prés de linha: Nagra Classic (clique aqui) e Soulnote P-3 (clique aqui). Fontes digitais: Wadax Studio Player (clique aqui), Weiss Helios (clique aqui) e Nagra TUBE DAC. Fonte analógica: toca-discos Zavfino ZV11X (clique aqui), cápsula Aidas Malachite Silver (clique aqui), e pré de phono Soulnote E-2 (clique aqui). Cabos de força: Transparent Audio Opus G6 (teste no segundo semestre de 2026). Interconexão: Dynamique Apex (clique aqui) e Apex 2 (leia Teste 3 nesta edição).
Os monoblocos 1151 felizmente vieram integralmente amaciados, o que facilitou muito nossa vida, pois com o Workshop todo para ser montado (escolha dos produtos, setups e amaciamentos) nosso tempo se tornou ainda mais restrito que de costume.
Iniciarei minha avaliação pelo que mais admirei, além da performance desses monoblocos: ele realmente não irá ‘fritar ovos’, mesmo depois de 12 horas de audição, como realizamos por duas semanas. Independente da caixa utilizada, no final do dia de trabalho era possível colocar as mãos sobre o gabinete sem risco de queimá-las.
Seu equilíbrio tonal é excelente! Graves com belo recorte, corpo, energia e precisão. Região média com um grau de transparência excelente, sem passar no entanto para o lado analítico, nunca! E uma região aguda limpa, estendida e com um decaimento capaz de nos mostrar em detalhes todo tipo de reverberação digital utilizada, além da correta ambiência das salas de concerto.
Ou seja: muitas horas de audição prazerosa com zero de fadiga auditiva. Isso independente da caixa acústica utilizada e da fonte (analógica ou digital).
Na minha opinião o que mais contribui para esse prazer auditivo é justamente sua capacidade de mostrar todo o espectro audível sem realçar determinadas frequências, para impressionar em uma audição mais curta, mas que se torna cansativa ao longo das horas.
Se você já passou desta fase de empolgação com pirotecnia sonora, vai gostar muito de escutar suas gravações nesse amplificador.
Sua apresentação da imagem sonora nas três dimensões é exemplar, e os que buscam foco, recorte e planos cirurgicamente precisos irão também se sentir realizados ao escutar grandes obras sinfônicas no 1151.
Fiquei muito impressionado como o Boulder recria as texturas em detalhes, e como é fácil observar a qualidade dos instrumentos, microfones, mixagem e masterização – fazendo com que a recriação de timbres seja muito rica e natural.
Transientes são reproduzidos de maneira enfática e com alto grau de precisão na marcação de tempo e ritmo. A música soa pulsante e fluida nesses monoblocos.
A dinâmica macro é apresentada com autoridade e fôlego! Se você julga a resposta de macro-dinâmica pelo tamanho e peso do amplificador, se prepare, pois os 1151 irão te surpreender.
Nada que colocamos para avaliar esse quesito, teve dificuldade em ser reproduzido, absolutamente nada!
E a micro-dinâmica, graças ao seu impressionante silêncio de fundo, é uma referência para qualquer amplificador Estado da Arte!
Tamanho dos instrumentos? Outra grande e agradável surpresa – gosto muito, para fechar a nota do quesito corpo harmônico, ouvir a faixa Passarim, do nosso CD Genuinamente Brasileiro, uma gravação piano solo do André Mehmari em que muitos amplificadores, ainda que apresentem um foco e recorte corretíssimos, têm dificuldade em apresentar o tamanho real do instrumento.
Então utilizo essa faixa, e o contrabaixo tocado em arco do nosso CD Timbres – e o 1151 se mostrou digno na reprodução com louvor desses dois exemplos.
Vou lhe dizer: amplificadores muito mais caros não tiveram esse desempenho na apresentação do corpo harmônico como o Boulder!
E vamos a um dos quesitos mais desejados pelos nossos leitores: organicidade! O 1151 faz parte daquele grupo de amplificadores que traz o acontecimento musical até sua sala, e nas gravações ‘especiais’ te leva até a sala de gravação.
Se você tiver gravações desse nível, você poderá fazer audições diárias tanto trazendo os músicos para uma apresentação particular, como sendo transportado até eles.
Quanto vale ter esse privilégio ao alcance de um Play?
Quanto vale podermos ter algumas horas de paz e sossego, esquecendo a loucura que está o mundo?
Quanto vale mantermos nossa sanidade mental em dias tão atribulados?
O Boulder, com um setup no mesmo grau de ‘sintonia’, pode lhe proporcionar esses hiatos de serenidade e prazer auditivo!
CONCLUSÃO
Imagino que todos sempre desejaram ter um amplificador classe A, mas as restrições de consumo excessivo de energia e excesso de calor o impediram de seguir em frente. E agora há uma nova chance de fazê-lo.
Nas 10 semanas que o tivemos em nossa sala de audição, como disse no início da apresentação do teste, mesmo depois de muitas horas de uso, nunca se mostrou quente ou alterou a temperatura ambiente da sala. Então se este era o obstáculo, saiba que com essa nova topologia, deixou de ser.
A segunda pergunta que deve estar rondando a mente de todos que querem um Classe A, seja: mas se ele não esquenta como um Classe A, sua assinatura sônica é semelhante?
Foi a mesma pergunta que fiz, antes de recebê-lo!
Sim, ele soa como um Classe A!
Aquele som que as pessoas definem como ‘quente’ e sedoso, está o tempo todo presente, porém sua assinatura sônica está muito mais para o neutro do que o eufônico.
E para alguns dos nossos leitores que têm como referência os famosos Classe A dos anos 80, esses irão se decepcionar, pois ele em termos de assinatura não tem nenhuma semelhança com os antigos classe A. Tudo evolui, meu amigo, e os novos Classe A também evoluíram sonicamente.
O que o Boulder mantém é o prazer auditivo com zero fadiga. Sem os problemas de superaquecimento, com maior potência e com a capacidade de domar qualquer caixa acústica.
As gravações medianas tecnicamente, o Boulder às resgata. E gravações corretas tecnicamente, ele as ‘enaltece’ com maior transparência, maior silêncio de fundo e consequentemente maior prazer auditivo.
Entendeu a equação?
Outra grata surpresa foi seu alto grau de compatibilidade com as eletrônicas, cabos e caixas acústicas.
Mostrando o motivo dele estar muito mais para neutro do que para o eufônico.
Se sua busca nesse momento é por um amplificador que consiga ter controle das caixas e uma alta compatibilidade com o resto da eletrônica, eis mais um forte candidato a entrar em sua lista (desde que caiba no seu bolso, naturalmente).
Ter a oportunidade de testar o 1151, foi uma grata surpresa e nos deu a oportunidade de ouvir e conhecer um excelente amplificador de caráter refinado, construção impecável e altíssimo grau de compatibilidade.
Se esses três atributos são essenciais na definição de um upgrade, escute-os!
PONTOS POSITIVOS
Convincente, eficiente e sedutor.
PONTOS NEGATIVOS
Tirando o preço para a nossa realidade, absolutamente nada.
ESPECIFICAÇÕES
| Potência contínua em 8, 4, 2 Ohms | 250W |
| Potência máxima em 8 Ohms | 350W |
| Potência máxima em 4 Ohms | 600W |
| Potência máxima em 2 Ohms | 750W |
| THD, 8 Ohms, 250W | 0,002%, 20kHz 0,01% |
| THD, 4 Ohms, 250W | 0,002%, 20kHz 0,01% |
| THD, 2 Ohms, 250W | 0,003%, 20kHz 0,02% |
| Relação sinal-ruído | -108dB, 10 a 80kHz |
| Ruído de entrada equivalente (20 kHz) | 2,2 μV |
| Resposta em magnitude em 20 Hz a 20 kHz | +0,00, -0,04 dB |
| Resposta de magnitude em -3 dB em | 0,015 Hz, 150 kHz |
| Ganho de tensão | 26 dB |
| Impedância de entrada | Balanceado: 200k ohms, Não balanceado: 100k ohms |
| Rejeição de Modo Comum (Somente Balanceado) | 60 Hz: 90 dB, 10 kHz: 65 dB |
| Conectores de entrada | XLR balanceado de 3 pinos |
| Conectores de saída | Dois conjuntos de bornes de 6 mm / 0,250 polegadas |
| Peso | Amplificador: 24,5 kg Com embalagem: 29,0 kg |
| Requisitos de energia | 100, 110 a 120, 220 a 240 VAC, 50-60 Hz |
| Consumo de energia | 10 W em modo de espera, 60 W em modo ocioso, 800 W na potência máxima de saída. |