Teste 2: CAIXAS ACÚSTICAS MONITOR AUDIO PLATINUM 100 3G

Teste 3: CABO DYNAMIQUE AUDIO APEX 2
11 de maio de 2026
Teste 1: AMPLIFICADOR MONOBLOCO BOULDER 1151
11 de maio de 2026

Fernando Andrette
fernando@avmag.com.br

E aqui estamos nós novamente, com a incumbência de tentar convencer nossos leitores com salas reduzidas, que as atuais caixas bookshelf do mercado, atenderão plenamente as expectativas de vocês.

E sugiro, para os que ainda não leram o meu Opinião na edição 327 de abril último, o façam. Pois lá tento didaticamente explicar a relação da escolha da caixa, com tamanho da sala e possibilidades de tratamento acústico ou não.

Sei que muitos de vocês também podem sofrer do mesmo problema que eu, em relação a reprodução de Corpo Harmônico menor que o real, em que meu cérebro imediatamente aponta o problema, como quem cutuca a casca de uma ferida.

Sim, todo audiófilo tem suas excentricidades, que independem da idade ou do tamanho do bolso.

Mas, em defesa das atuais books, tenho quer dizer que até esse ‘Calcanhar de Aquiles’ está sendo contornado de maneira muito eficiente.

E um dos melhores exemplares desse avanço, você encontrará aqui na nova Platinum 100 3G da Monitor Audio.

E até meu cérebro ficou admirado, ao ver reproduzido de maneira convincente, o contrabaixo tocado em arco do nosso CD Timbres (a faixa que usamos para fechar a nota deste quesito).

Tirando essa ‘pedra no sapato’ de todas as caixas book, os outros quesitos de nossa Metodologia deixaram de ser um problema faz muitos anos.

Então se sua sala de audição não passa de 16m2, e existe o inconveniente de ser uma sala também de visita, com probabilidade zero de um tratamento acústico, diria que as books atuais de alto nível são a solução mais inteligente e menos custosa.

À favor das books, eu tenho muitos argumentos.

Podem ficar mais próximas às paredes, a abertura entre as caixas aceita espaços a partir de 1,60m até 3m, com um excelente foco, recorte e planos (desde que colocadas no pedestal correto e com a altura indicada pelo fabricante para a posição de audição do ouvinte sentado).

As melhores books possuem excelente equilíbrio tonal, texturas refinadas, transientes precisos e até mesmo boa resposta em macro-dinâmica!

Feita a defesa de boas books existentes ao mercado, vamos ao teste.

A terceira geração da série Platinum era bastante aguardada pelo mercado, já que a série 2 ficou quase uma década em linha.

Como testamos alguns modelos das primeira e segunda séries, fiquei realmente impressionado ao receber a 100 3G – desde sua nova embalagem, extremamente inteligente e funcional, até ao retirar da embalagem e me deparar com uma book de 15 kg! E um acabamento acetinado branco, absolutamente deslumbrante!

O consumidor tem três opções de acabamento: preto piano, ébano piano ou branco acetinado. A combinação do branco acetinado com metal anodizado ao redor dos dois falantes, foi bastante feliz na minha opinião.

O tweeter, segundo o fabricante, é baseado no novo diafragma micro plissado, da caixa acústica top de linha, a Concept 50, sendo um tweeter de fita que é posicionado no centro de um guia de ondas, projetado para oferecer uma maior diretividade tanto no plano vertical, quanto horizontal. É rodeado, e protegido de dedos ‘infantis ‘e unhas de gato, por uma grade aberta.

O falante de médio-grave de 6 polegadas, também é um projeto de terceira geração, feito com um diafragma rígido construído com três camadas distintas, para se ter um cone ultra rígido e leve. Um núcleo em colméia de Nomex é posicionado entre uma fina camada rígida de alumínio com revestimento cerâmico, e duas camadas de fibra de carbono, unidas em ângulos de 90 graus para máxima resistência.

Esse falante possui um imã de neodímio, e uma bobina de voz com enrolamento de borda e perfil baixo para melhor gerenciamento de potência e controle pistônico aprimorado.

O crossover dessa terceira geração, também teve profundas melhorias: ele utiliza filtros para um alinhamento temporal correto e maior diretividade. O corte é em aproximadamente 3 kHz e, segundo o fabricante, a caixa responde a partir de 44 Hz até 60 kHz. Sua impedância é de 4 ohms (sem especificar o mínimo) e possui uma sensibilidade de 85 dB.

O fabricante indica o mínimo de 75 Watts para extrair suas qualidade, e no máximo 300 Watts.

Seu gabinete é feito de MDF, e suas curvas certamente ajudam a caixa a ter baixíssima coloração de gabinete. O duto bass-reflex fica atrás, logo acima dos terminais de caixa.

A Platinum 100 3G permite tanto bicablagem, quanto bi-amplificação, e os terminais são de excelente nível. Até os jumpers me surpreenderam pelo bom nível de qualidade e performance.

Para o teste utilizamos os seguintes integrados: Norma Audio Revo IPA-140 (clique aqui), Moonriver 404 Reference (clique aqui), Soulnote A-2 versão 2 (teste em agosto de 2026), Accuphase E-5000 (teste em breve), Arcam SA35 (teste no segundo semestre) e Alluxity Int One MkII (clique aqui).

Fontes digitais: Wadax Studio Player (clique aqui), CD Transporte Nagra (clique aqui), Weiss Helios (clique aqui) e DAC Nadac D (teste edição de julho de 2026).

Cabos de caixa: VR Cables Argento (clique aqui), Jorma Duality (clique aqui), Kubala-Sosna Realization (clique aqui) e Dynamique Audio Apex (clique aqui).

A Platinum 100 3G veio lacrada, o que nos fez fazer a primeira audição, não amaciada, somente com nossas gravações.

A boa notícia é: pode-se acompanhar sua evolução à medida que amacia, sem roer unhas ou perder noites de sono.

Dica: segure a onda e não convide ninguém do seu grupo de amigos audiófilos nas primeiras 100 horas. Pois sempre vai ter aquele chato que vai levantar um monte de ‘será’.

Será que vai ter mais grave? Será que essas altas vão ficar mais abertas? Será que o palco vai abrir?

Então, se não quer entrar nessa furada de ficar com a pulga atrás da orelha, põe para tocar, senta-se e espera. Pois a caixa irá gradativamente abrir as altas, até estabilizar com mais de 80 horas, o médio-alto encaixar com umas 50 horas, o médio-grave vai ganhar corpo e precisão com quase 100 horas, e a caixa estará pronta para ser apresentada aos amigos e parentes, com 120 horas.

O legal é que você poderá ir acompanhando essa evolução e encaixes, sem grandes aflições, e com aquela confiança de que fez a compra certa.

Seu equilíbrio tonal está entre as melhores das melhores books que escutei nos últimos anos. Ela me lembrou muito a book da

Paradigm, a Persona B (clique aqui) na evolução de queima e na satisfação de sua performance final.

Graves com bom corpo para seu tamanho, energia, velocidade e limpeza. Médios muito corretos e naturais, com ótima transparência, sem no entanto cair no analítico ou ultra transparente.

E os agudos, com linda extensão e decaimento, com velocidade, corpo e uma recriação de ambiência absurda!

Você consegue perceber nitidamente o tamanho da sala de gravação (principalmente de música clássica) com os rebatimentos laterais nos fortíssimos e até os excessos abusivos de reverberação digital, tão em moda atualmente para mascarar vozes com pouca extensão e dinâmica.

Para se extrair o melhor da ambiência, será preciso um ajuste cirúrgico das books no ambiente, e um pedestal adequado, para que o tweeter esteja ligeiramente acima das orelhas do ouvinte sentado.

A Platinum 100 3G não necessitou de um toe-in acentuado em nossa sala. Pelo contrário, nunca para se ter uma imagem correta, fizemos ângulos de mais de 15 graus para o ponto ideal de audição.

O que ela deseja e necessita, é que se encontre o ponto correto da distância entre elas (aqui o ideal foi a 3m entre as caixas) para se extrair o melhor corpo harmônico e o melhor grave.

Diria que os cuidados para se ter o melhor palco sonoro, exigirão paciência e o pedestal correto. Para se ter profundidade, será necessário pelo menos 80 a 1,20m da parede às costas das caixas. E a altura e largura, o correto ângulo em relação ao ponto de audição, e a altura já citada das caixas no pedestal.

Feita a lição de casa, você terá foco, recorte, planos e mais planos nas gravações que primam por esse quesito.

As texturas são de alto nível, tanto na riqueza da apresentação da paleta de cores, para uma fiel apresentação dos timbres dos instrumentos e vozes, como das sutis intencionalidades.

Transientes são mais que corretos, são precisos tanto na marcação de tempo como de variação de andamento. Você sentirá a pulsação rítmica em qualquer gênero que aprecie.

E a macro-dinâmica é excelente para uma book do seu tamanho – eu diria até impetuosa. Pois aceitou e passou por grandes desafios.

A micro-dinâmica, muito valorizada pela transparência da região média e mesmo em volumes na calada da noite, surpreende pelo silêncio de fundo desses falantes e o acerto no crossover.

Como disse, o corpo harmônico me surpreendeu, pois consegue manter a coerência em mostrar as diferenças de corpo, por exemplo, entre um contrabaixo e um cello, ou um clarinete e um clarone.

E isso é o mínimo que se espera das books atuais nesse patamar de preço!

E a materialização física do acontecimento musical, ocorrerá facilmente desde que a eletrônica esteja no mesmo patamar que a caixa, e as gravações escolhidas proporcionem essa ‘magia’!

CONCLUSÃO

Negar que as books podem ser a solução final para inúmeras situações reais de centenas de audiófilos, é virar as costas para essa nova realidade.

Books evoluíram tanto que, para serem descartadas, somente se o audiófilo tiver salas maiores que 25m2, ouvir somente ópera e música clássica, e apenas grandes sinfonias.

Do contrário, meu amigo, alimentar esse preconceito em relação a essa opção, é ser cabeça dura demais.

Desculpe a sinceridade, mas é a pura verdade!

Conheço inúmeros leitores que venceram esse estigma e hoje, quando me encontram, não só agradecem, como fazem um ‘mea culpa’ que demoraram demais para aceitar que essa era sua melhor opção.

Se você se encaixa em todos os itens que aqui citei para ser mais um feliz audiófilo com uma book adequada ao tamanho de sua sala, e a Platinum 100 3G, couber no seu orçamento, escute-a!

Ela acabou de entrar na lista de minhas books preferidas de todos os tempos, junto com a Paradigm Persona B, a Dynaudio Heritage Special, a Boenicke W5SE, a Wharfedale Super Linton, e uma que todos que foram no nosso Workshop devem ter escutado e que publicarei em breve meu teste (não vou fazer spoiler antes da hora).

Ou seja, essa lista de books excepcionais está aumentando, e já preenchem todos os dedos da mão direita.

A Platinum 100 3G, na minha opinião, é total merecedora de estar neste seleto grupo de ‘grandes’ caixas bookshelf!


PONTOS POSITIVOS

Uma book digna de ser Referência.

PONTOS NEGATIVOS

Cuidados com a escolha do pedestal, tanto em termos de rigidez quanto altura, para se extrair o máximo de performance.


ESPECIFICAÇÕES

Tipo2 vias
Resposta de frequência (em local aberto, -6dB)37 Hz a 60 kHz
Resposta de frequência (em local fechado, -6dB)28 Hz a 60 kHz
Sensibilidade (2,83 Vrms a 1 m)85 dB
Impedância Nominal4 Ohms
Impedância mínima (20 Hz a 20 kHz)4,0 Ohms a 180 Hz
Potência contínua suportada (RMS em 4 Ohms, ruído rosa)150 W
Potência recomendada do amplificador (RMS em 4 Ohms, sinal de áudio)75 a 300 W
GabineteDutado
Frequência de sintonia do duto44 Hz
Frequência de crossover2,85 kHz
Drivers1 alto-falante de graves RDT III de 6 polegadas,
1 tweeter MPD III
Dimensões externas, incluindo acabamentos, terminais, pés de apoio e spikes (L x A x P)225 x 398 x 325,6 mm
Peso (cada)15,2 kg
Garantia5 anos

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