

Fernando Andrette
fernando@avmag.com.br
Você sabia que em algumas grandes metrópoles o nível de ruído durante o dia já ultrapassa os 100 decibéis? E que mesmo a noite mantém um nível acima de 80 decibéis.
Estudos de ambientes com níveis elevados de ruído de fundo dizem que, além de causarem fadiga auditiva, causam insônia, perda de apetite, e baixam drasticamente a imunidade.
Com esse quadro de sintomas, o cérebro precisa gastar mais energia na tentativa de filtrar os ruídos, como última maneira de manter sua saúde mental.
Os dados são alarmantes e, por mais que os governos criem regras para impor limites ao ruído, não é possível monitorar o tempo todo cidade com mais de 5 milhões de habitantes.
O silêncio é essencial para processos cognitivos importantes como reflexão, integração de memórias e planejamento de decisões no momento presente e futuro.
Esses processos são descritos pela neurociência como ‘modo padrão’ do cérebro, estado em que áreas fundamentais ligadas à introspecção se tornam ativas e regulam, desde o nosso sono, a nossa capacidade de manter foco e continuidade de atividades diárias.
Além de que, sem silêncio, nossa capacidade de concentração até de afazeres corriqueiros é intensamente prejudicada.
Então, meu amigo, você que vive nas grandes metrópoles e encara essa cruel realidade, pense o quanto você já é, segundo a segundo, bombardeado com ruídos, e não agrave ainda mais os danos físicos, mentais e emocionais, tentando amortecer o ruído externo com um volume excessivo em seu fone de ouvido.
Eu vou muito pouco à São Paulo atualmente, mas recentemente por dois dias consecutivos tive que enfrentar essa selva de pedra, poluição e aglomeração humana, em uma estação de metrô, e me vi rodeado de vozes e sons que vinham de fones excessivamente altos.
O suficiente para, mesmo a 3 metros de distância, conseguir ouvir o que estava sendo tocado.
E todos jovens com no máximo 25 anos, talvez!
Minha vontade era de conversar com todos eles e tentar alertá-los dos danos que estão causando a sua audição.
Eles me ouviriam? Ou me achariam um velho chato se metendo onde não foi chamado?
Fiquei pensando em todos aqueles que ali estavam com ou sem fones, esperando o próximo trem, e submetido a tanta fadiga auditiva não por um dia, mas por anos!
Quando esses cérebros terão um momento de silêncio absoluto e reconfortante, como aquela sensação de uma noite bem dormida, em que acordamos dispostos e prontos para mais um dia
desafiante?
Pelos semblantes pesados, preocupados e as mandíbulas tensas, a triste visão que ficou em minha memória é que todos ali não desfrutam de momentos de silêncio há muito tempo!
E combater o ruído de uma cidade que não dorme, com volumes excessivos em nossos fones, é agravar ainda mais o quadro de stress pós-traumático ao qual a população dessas metrópoles se submete diariamente.