Teste 1: AMPLIFICADOR MONOBLOCO PROGRESSION M550 DA DAN D’AGOSTINO

Teste 2: AMPLIFICADOR INTEGRADO 404 REFERENCE DA MOONRIVER
5 de dezembro de 2025
AUDIOFONE – Teste 1: FONE DE OUVIDO ATH-ADX3000 DA AUDIO-TECHNICA
5 de dezembro de 2025

Fernando Andrette
fernando@avmag.com.br

O design e o peso deste Progression M550, deixa claro se tratar de mais uma criação do projetista Dan D’Agostino, que não faz concessões e nem tampouco abre mão de seus conceitos, mesmo na série mais de entrada no seu portfólio de produtos hi-end.

Quer um exemplo?

O design do dissipador de calor do Progression foi integralmente inspirado no amplificador top de linha, o Relentless, que utiliza um dissipador usinado a partir de um único bloco de alumínio de 22 kg.

E em um formato elíptico de alta eficiência na capacidade de resfriamento, garantindo que seus amplificadores funcionem com máxima confiabilidade, mesmo em sua potência máxima.

E o Progression M550 oferece 550 Watts em 8 ohms, 1.100 Watts em 4 ohms e 2.200 Watts em 2 ohms. E o fabricante garante que os primeiros 70 Watts são em puro Classe A, para um timbre e um equilíbrio tonal ainda mais realistas.

Segundo Dan, o M550 teve avanços consideráveis na sua topologia de entrada, com um aprimoramento na relação sinal/ruído, separação de canais e largura de banda. Para alcançar esses objetivos, novos transistores com seis vezes mais potência que os usados anteriormente, foram implementados.

Isso exigiu também ajustes no estágio de saída, resultando em uma maior dinâmica, recuperação de detalhes e integridade espacial.

Segundo o fabricante, todo o percurso do sinal de áudio é discreto, balanceado e com acoplamento direto.

Os novos transistores foram usados primeiramente no modelo top de linha, o Relentless, pela sua ampla resposta em altas frequências e uma tolerância maior na escolha dos pares casados, algo essencial para um projeto deste nível de requinte.

Também no Progression M550 foi utilizada a topologia Super Rail, um conceito simples na teoria, porém complexo em sua execução. Para entender essa topologia, precisamos lembrar que todo amplificador utiliza um trilho de tensão positivo, e seu correspondente negativo. Os trilhos de tensão que fornecem energia à saída. O sinal de áudio oscila entre esses dois trilhos mas, devido às perdas naturais, os amplificadores nunca atingem a capacidade máxima dos trilhos.

Segundo o fabricante, o Super Rail supera esse obstáculo inspirando-se na ideia de um turbo em um motor de carro. O Super Rail utiliza trilhos de tensão mais altos nas seções anteriores ao estágio de saída, e esse aumento proposital de tensão permite que o sinal de áudio explore toda a capacidade dos trilhos de saída – estendendo a oscilação do sinal de áudio para mais perto deles, maximizando o desempenho de todo circuito.

O resultado de todo este esforço é, segundo o fabricante, audível.

Essa nova topologia utiliza 48 transistores de potência ancorados por um transformador de alimentação de 2000 VA, e quase 100.000 microfarads de capacitância de armazenamento na fonte de alimentação.

Em termos de design, a placa frontal anodizada apresenta o já famoso medidor de potência da empresa. O ponteiro de 180 graus é acionado por um circuito balístico de alta velocidade, melhorando a resposta do medidor. E o novo arco mais longo do ponteiro, cobre toda a faixa de saída do amplificador.

Essa ‘usina de força’ necessita, para se extrair tudo que oferece, um cabo de 20A – então fique atento amigo leitor, para ter um par de 20A para não se frustrar na hora de instalar esses monoblocos em sua sala – e tem apenas entradas XLR.

Devidamente instalado, o usuário precisa ligar a chave traseira – que lembra um disjuntor, literalmente – e depois ir na frente, embaixo no meio do medidor, acionar um sutil botão, para ligá-lo.

Primeira observação: esqueça querer fazer sozinho essa instalação, pois você irá acabar com sua coluna. Afinal, são 55 kg por amplificador.

E se certifique deles estarem instalados em uma boa base e com garantida ventilação, para os dissipadores cumprirem com o seu serviço. Pois, dependendo da sensibilidade das caixas, e do tamanho da sala, dificilmente o usuário precisará do que mais dos seus 70 Watts iniciais em puro classe A.

Eu mesmo, em nossa sala com 50 m, nas caixas Stenheim Two.Five e nas Audiovector QR 7 SE, acho que nunca o Progression M550 trabalhou em classe AB.

Para o teste, utilizamos as seguintes caixas: Concept V01 da Basel Acoustics (clique aqui), Audiovector QR 7 SE, Stenheim Alumine Two.Five (clique aqui) e Estelon X Diamond Mk2 (clique aqui). Pré de linha: Nagra Classic. Fontes digitais: Wadax Studio Player (leia teste edição de março de 2026), Nagra TUBE DAC, Streamer Nagra e Transporte Nagra. Fonte analógica: toca-discos Zavfino ZV11X com cápsula Dynavector DRT XV-1T (clique aqui) e Aidas Malachite Silver (clique aqui). Pré de phono: Soulnote E-2. Cabos de caixa: Dynamique Audio Apex (clique aqui) e Kubala Sosna
Realization (leia nesta edição teste 4). Cabos de força: Transparent Reference G6 e Opus G6.

Felizmente os Progression M550 já vieram amaciados, o que facilitou enormemente nossa avaliação. Deixamos apenas 50 horas em queima – pois a viagem foi longa e o mesmo ficou por quase um mês parado na Ferrari Technologies antes de seguir para a nossa Sala de Testes.

Primeira dica: para audições ‘sérias’, deixe-o pelo menos uma hora em pré-aquecimento sempre! Isso fará uma diferença audível significativa.

E, como já escrevi acima, se sua caixa for ‘pêra doce’, e sua sala tiver dimensões de até 50m2 como a nossa, provavelmente 90% do tempo você poderá desfrutar de audições em puro classe A.

“Faz diferença, Andrette, sonoramente?”

Sim, meu amigo, e em volumes ‘seguros’ o prazer será ainda maior. Pois você desfrutará de um calor e naturalidade ‘palpável’, e zero de fadiga auditiva, principalmente naquelas gravações tecnicamente sofríveis.

Com seu equilíbrio tonal, mesmo em volumes tipo ‘na calada da noite’, você não perderá nada de uma linha de contrabaixo, ou a marcação de tempo forte feita pelo bumbo. É um deleite poder, em volumes tão reduzidos, sentir a música respirando.

E nos dias que você necessitar ‘extravasar’ seus demônios, e quiser ouvir em volume alto, o Progression M550 nunca se omitirá. Pois tem autoridade, folga e controle férreo para todas as ocasiões.

Seu grave tem peso, energia e controle. A região média é muito detalhada e realista, e os agudos têm enorme extensão e decaimento ultra suave.
Seu silêncio de fundo permite a apresentação de todos os detalhes existentes na gravação.

Sua apresentação do palco sonoro é muito ampla, com excelente largura, altura e profundidade. Ótimo foco, recorte e ambiência, fazendo-nos ouvir o mais ínfimo rebatimento nas paredes de uma sala de concerto, ou saber a escolha correta ou não da quantidade de reverberação digital utilizada na mixagem.

As texturas eu, pessoalmente, achei mais refinadas com o amplificador trabalhando apenas em Classe A. Mas eu ouço realmente tudo em volumes seguros (afinal tenho que preservar minha audição), e desta forma as texturas são ainda mais ricas na apresentação das paletas de cores que formam os timbres dos instrumentos.

E as poucas vezes que ‘extrapolei no volume’, foram para a avaliação de macro-dinâmica e não avaliação de texturas.
Ficam feias em Classe AB? Claro que não, mas texturas quanto mais ‘naturais’ e fidedignas aos instrumentos acústicos e vozes não amplificados, mais nosso cérebro entende como reais.

E isso o Progression M550 faz com consistência!

Os transientes são referências, permitindo uma apresentação fidedigna em termos de tempo, ritmo e variação no andamento. Difícil não se empolgar e se sentir realizado com sua performance neste quesito.

E aí chegamos em um dos quesitos que inúmeros audiófilos mais desejam: macro-dinâmica. Meu amigo, se prepare para bons sustos com tímpanos em fortíssimo fazendo aquele arrepio correr toda sua espinha dorsal. É de uma folga e precisão, impressionantes.

Se sua caixa permitir esses ‘arroubos sonoros’, e sua sala idem, pode distribuir fraldas para os amigos audiófilos amarrarem seus queixos, pois o Progression M550 não teme este tipo de desafio.

E a micro-dinâmica, graças ao seu impecável silêncio de fundo, é apresentada em detalhes absolutos.

Tenho visto mais leitores admirando o quesito Corpo Harmônico. Parece que finalmente a ficha caiu, de que nada adianta investir em um equipamento Estado da Arte Superlativo e os instrumentos soarem todos do mesmo tamanho.
Como eu sempre digo: nosso cérebro não se engana facilmente. Sua audição pode se enganar, mas se seu cérebro tiver referência de como soam os instrumentos, não!

E a apresentação de corpo harmônico neste amplificador é impecável!

Ouvi uma meia dúzia de gravações de órgão de tubo, e fiquei impressionado tanto com o tamanho como com a ambiência.

É de arrepiar!

Com a soma de todas essas virtudes, é fácil imaginar como se concretiza a materialização do acontecimento musical em nossa sala.

Prepare-se, então, pois o felizardo fará audições com os músicos literalmente ‘em sua sala’, levando-nos a ‘ver’ o que ouvimos.

Quando este fenômeno ocorre, todo audiófilo sabe que finalmente chegou lá. Pois não se trata de um ‘espectro sonoro’, e sim de nosso cérebro duvidar do que está ouvindo e vendo.

CONCLUSÃO

OK… Já sei que você mais uma vez ficará fulo da vida comigo, pois já correu os olhos no preço e viu ser absolutamente impossível sequer sonhar com um par de amplificadores a este preço.

Mas não matem o mensageiro, senhores, este é o meu trabalho e não tenho nenhuma culpa nos preços fornecidos.
Minha função é descrever o que genuínos produtos Estado da Arte oferecem, e seus diferenciais (quando existem) em relação aos concorrentes.

Eu escrevo para um amplo leque de leitores, que nos acompanham há três décadas, então aos que chegaram agora se acostumem, pois sempre haverão produtos mais acessíveis e outros menos.

O Progression M550 está na sua lista de sonhos impossíveis? Isso não significa que você deixe de escutá-lo se tiver condições. Tente observar seus atributos sonoros e se ele possui uma assinatura sônica que te agrada.

Afinal, isso também é aprendizado e pode ajudá-lo muito na sua trajetória neste hobby.

Imagine que eu também não pude ficar com tudo que testei e amei, no entanto isso me deu a oportunidade de conhecer inúmeros projetos encantadores e que enriqueceram meu conhecimento, tanto como editor quanto como consumidor de áudio hi-end.

Faz parte da vida. Frustrações, meu amigo, todos as viveremos inúmeras vezes.

Eu simplesmente digo a mim mesmo: curta enquanto durar a estadia de um excelente produto em nossa sala de trabalho.

O Progression M550 é para aqueles admiradores dos produtos Dan D’Agostino que desejariam ter um Momentum e só podem ter a série de entrada. Sem, no entanto, perder a essência do ‘DNA Sonoro’ deste fabricante.

Se é este o seu caso, ou mesmo o que possui um Krell e deseja realizar um upgrade, eis a possibilidade de fazê-lo.

Se tivesse que resumir em uma frase o que achei deste amplificador seria: Autoridade e requinte na medida certa!

Se é isso que o leitor com posses deseja para seu setup final, escute-o em sua sala e veja se estou certo em minha avaliação.


PONTOS POSITIVOS

Apto a qualquer gênero musical e a 99% das caixas existentes no mercado.

PONTOS NEGATIVOS

O preço, para a nossa realidade.


ESPECIFICAÇÕES

Resposta de frequência1Hz a 80kHz (-1 dB),
20Hz a 20kHz (±0,01 dB)
Relação sinal/ruído75 dB (A-weighted),
105 dB (unweighted)
Distorção0,015% (1 kHz, 550 W a 8 Ω)
Impedância de entrada100 kΩ
Potência de saída550 W @ 8Ω, 1.100 W @ 4Ω,
2.200 W @ 2Ω
Impedância de saída0,1Ω
Entradas1 XLR balanceada
Saídas1 par de bornes
Dimensões (L x A x P)45,4 x 23,0 x 58,4 cm
Peso52,2 kg
AcabamentoPrata ou Preto
AMPLIFICADOR MONOBLOCO PROGRESSION M550 DA DAN D’AGOSTINO
Equilíbrio Tonal 14,0
Soundstage 13,0
Textura 13,0
Transientes 14,0
Dinâmica 14,0
Corpo Harmônico 13,0
Organicidade 13,0
Musicalidade 13,0
Total 107,0
VOCAL                    
ROCK, POP                    
JAZZ, BLUES                    
MÚSICA DE CÂMARA                    
SINFÔNICA                    
ESTADO DA ARTE SUPERLATIVO



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(11) 98369.3001
US$ 99.000 / par

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