

Christian Pruks
christian@avmag.com.br
Cada pessoa quer ouvir a música que gosta, que lhe interessa, que geralmente é uma memória emocional vinda da adolescência e dos 20 e poucos anos, na maioria das vezes bem popular – e que, frequentemente, é mal gravada para caramba.
Tem vários discos que eu gosto, que eu ouço de vez em quando, que eu adoraria ouvir soando corretamente e bem remasterizado – mas isso vai ficar para sonho, porque não tem cara de vai rolar, não.
Uma ideia errônea bastante recorrente entre os audiófilos – que são pessoas que querem que sua música toque o melhor possível – é que seus discos mal gravados vão tocar cada vez melhor em um sistema que for de nível cada vez melhor.
Só que não é tão simples assim. E, acreditem, eu mesmo gostaria de que fosse uma verdade plena.
Quanto mais você aumenta a ‘definição’, a capacidade resolutiva de um sistema, o resultado mais frequente é como se você pusesse uma lente de aumento sobre som, sobre a música, onde você vai ouvir, sim, detalhes que não estava ouvindo, assim como vai ter todas as imperfeições escancaradas e tomando, à sua frente, as dimensões de um luminoso de cassino de Las Vegas em filme da década de 70.
Os sistemas vintage costumam tocar essa música mal gravada bem melhor – porque estão mascarando as imperfeições com falta de resolução. Tenho amigos que adotaram equipamentos vintage exatamente porque suas predileções são rock da década de 70 e parte de 80.
Alguns sistemas modernos – algumas caixas acústicas e alguns amplificadores valvulados, por exemplo – conseguem ser extremamente musicais e ao mesmo tempo decentemente ‘limpos’ em sua sonoridade, com bastante folga para terem resultados melhores nessa questão. Mas nada que seja extraordinário, definitivo ou mesmo completamente satisfatório. E não são baratos.
Quem sabe, um dia, os selos de gravação farão remasterizações realmente boas de gravações antigas sofríveis – não foi o caso até agora, muito pelo contrário.
Ou, alguém um bocado mais esperto que eu, faça um plugin de remaster que funcione em tempo real, um processamento digital (DSP) que, acoplado aos apps de serviços de streaming de música, consigam equalizar corretamente (não, o equalizador que vem nesses apps não chega perto de ser o suficiente) e fazer vários outros processamentos necessários nessa música, para que possamos nos deleitar com alguns desses discos…
Enquanto isso, vamos pedir coisas mais simples ao Papai Noel, como sanduíche de linguiça e Tang de laranja…
Boas festas, e Bom 2026!