

Christian Pruks
christian@avmag.com.br
Uma seção mensal só sobre Toca-Discos de Vinil & Afins
À primeira vista, loucura não é uma coisa que se associe à discos de vinil, os LPs. Mas eu tenho visto tanta coisa ultimamente que me deixa questionando a realidade…
Veja, isso é apenas uma opinião minha – e não necessariamente tem a ver com a qualidade do produto. E mesmo o meu ponto de vista (conhecido) sobre colecionismo, não denigre a atividade – apenas me deixa bestificado como pouco ou nada tem a ver com ouvir música (que é minha prioridade), e é como colecionar comida em lata e nunca sequer abrir uma para experimentar.
Tenho vários amigos colecionadores – que sabem que meu ponto de vista é humorístico – apesar de ser um pouco ácido de vez em quando… Mas, claro que muitas das insanidades que ocorrem sobre vinil e áudio não têm, necessariamente, a ver com colecionismo.
Na edição passada escrevi uma seção Espaço Aberto, intitulada “Discos de Vinil & a Loucura Sem Limites”, achando que era algo momentâneo. Mas, no último mês, descobri que os limites continuam a ser testados!
Então não basta os importados japoneses usados por R$800, ou o The Dark Side of the Moon do Pink Floyd antigo lacrado por R$1.200!
Disco de vinil usado antigo em bom estado não é ‘raridade’ – tanto que eu acho hilariante quando alguém anuncia um determinado LP no Mercado Livre, por exemplo, pedindo 150 reais em um disco de 50 reais, dizendo que é ‘Raro!’, e logo abaixo tem 10 a 20 ofertas do mesmo ‘Raro!’ por preços variados. O pessoal conseguiu desonrar o dicionário e inventar o novo conceito de ‘Raridade Abundante’…rs! Acho que é o sonho de muito restaurante poder passar a cobrar 10 vezes o preço pela mesma comida, e esperar que as filas na porta continuem iguais.
Mas, a humanidade continua em frente – e aqui tem mais dois ‘causos’ para apreciação ‘bestificada e humorística’:
REMASTER DE UM DISCO DA DÉCADA DE 60 POR 1.550 LIBRAS
A empresa inglesa ERC – Electric Recording Company, também conhecida como Electric Mastering – acaba de lançar uma remasterização em vinil triplo das Suites para Cello Solo de Bach, tradicional gravação do cellista húngaro Janos Starker, originalmente pelo selo Mercury Living Presence, feita em 1965.

É um disco musicalmente magnífico sob qualquer ponto de vista – não há dúvida. E eu gostaria de ter uma cópia dele em vinil.
Por toda a descrição técnica de como a ERC remasteriza e reprensa os discos, a partir da fita magnética master original, e usando os melhores equipamentos – inclusive e especialmente, os ‘de época’, como cabeça de corte da Ortofon e gravadores de rolo Lyrec e EMI valvulados – eu daria a minha coleção de latas de sardinha e pacotes de miojo para ouvir os discos da empresa em um sistema de alto nível!
Devem ser um deleite sonoro como poucos! Isso, claro, além do cuidado com a reprodução da capa original, etc e tal.
A questão fica no quão inacessível é um disco desses, pois 1.550 libras, no Reino Unido, já incluindo o frete, é algo que, posto no Brasil com todos os impostos e taxas de importação (que podem dobrar o valor), pode chegar a R$18.000! Por um disco – triplo que seja!
Fora que o valor original de 1.550 libras é 41 vezes mais caro do que eu considero um preço alto – para as minhas capacidades financeiras – em um disco de vinil, que seria US$50…
Com uma tiragem de 150 discos apenas, esse título, prometido para novembro, já esgotou no site da ERC ainda em outubro, em pré-venda. Claro que era para um mercado super-restrito, como são todos os títulos reprensados pela ERC.
Mas eu fico curioso de saber qual seria o número de prensagens as quais não esgotariam na pré-venda, ou mesmo nos primeiros seis meses.
AUSTRALIANO TEM COLEÇÃO DE 600.000 DISCOS DE VINIL
O nome do ‘rapaz’ de cabelos brancos é Gavin Godbold, que afirma que sua coleção admitidamente obsessiva de discos de vinil, iniciada já na tenra idade, hoje chega ao número alucinante de 600.000 discos!

Sim, 600.000. Entupindo sua casa inteira, e com 8 toca-discos espalhados por quase todos os ambientes da casa – como aquelas máquinas de leitura de código de barras, espalhadas pelos supermercados para se checar o preço das mercadorias.
Diz ele que, desde criança, tem obsessão por capas, por manipular os discos, sentir seu cheiro – e, claro, pela qualidade sonora e o tipo de som que o vinil dá. Diz Gavin que, quando seu primo punha música para tocar, ele parava de chorar – tal é sua relação com música desde nenê.
Então, logicamente o que queremos é ouvir a coleção de discos de vinil de Gavin Godbold, certo?
Digamos que você seja ‘herdeiro da coroa’, e tenha 17 horas diárias de ócio para audição – com as 7 horas restantes para dormir e para fazer atividades que não conseguem incluir um toca-discos.
Com uma média de 40 minutos por LP, você consegue ouvir 25 discos por dia. Os 600.000, portanto, divididos por 25, dá 24.000 dias – o que resulta em aproximadamente 66 anos para ouvir todos eles, e não fazer mais nada da vida…
Pode-se, claro, reduzir isso para 3.000 dias (8 anos seguidos), se puser todos seus 8 toca-discos para tocar simultaneamente durante essas 17 horas do dia. Um pouco caótico, mas ‘possível’, rs!!
É… Gavin ‘passou do ponto’ de tal maneira, que quase foi parar no continente vizinho…
Quem sabe, do jeito que mundo anda insano, nos próximos meses vem a parte três deste artigo…
Dúvidas sobre vinil? Mande-nos um e-mail em: christian@avmag.com.br.